Meu nome é Ari Vieira, sou especializado em educação para pessoas com deficiência pela PUCSP. Quero ajudar os docentes a debater o tema inclusão das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida nas escolas. O blog será também uma importante ferramenta de consulta para quem for implantar a temática da inclusão na mobilidade urbana.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
A eleição para prefeito em São Paulo – 1985
Eduardo Suplicy era o fiel da balança. A direita estava fechada em torno de Jânio Quadros; Fernando Henrique era apoiado pelo governo do Estado, Franco Montoro e pelo prefeito, Mário Covas, no entanto, como a eleição era decidida em turno único, e Suplicy ocupava a terceira posição nas pesquisas, o PMDB negociava a renuncia dele. Lembro-me que a questão foi levada para reunião interna no PT e venceu a proposta de manutenção da candidatura. Votei pela manutenção da candidatura, o partido era novo e a eleição divulgava as ideias do PT.
Soube através de pessoas que trabalhavam no CETET, que a eleição mudou os ânimos dos gestores de então, eles ficavam inclusive passando uma vassoura, numa alusão que se o Jânio vencesse muita gente seria varrida do trabalho, mas repito: não estava na CET para comprovar isso, as pessoas me contavam.
Na véspera da eleição, as pesquisas apontavam que FHC seria o candidato vitorioso, propagava-se o voto útil dos eleitores do Suplicy, que acabou não ocorrendo. Entretanto, FHC já se declarava o vencedor e para reforçar sua tese ele posou para uma foto (abaixo) sentado na cadeira de prefeito de São Paulo. O então senador apareceu nos jornais como se ele já se considerasse vitorioso e acabou perdendo a cadeira para Jânio Quadros.

Jânio Quadros quando tomou posse, ainda relembrou a foto de FHC sentado à cadeira de prefeito, dizendo que “nádegas indevidas, havia sentado aqui”.
Jânio foi eleito para um mandato de três anos, tempo suficiente para ele provocar a maior destruição da história da CET.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dezembro de 1984 – fim do estágio
Mas, voltando ao CETET: foi sem dúvida um aprendizado. Nesse ano fiz amizades que perduram até hoje. Boléia foi o amigo mais marcante; com ele aprendi domínio de sala de aula, conhecimentos específicos sobre trânsito e aprendi primordialmente que amigos assim são elos para toda a vida.
Alguma coisa dentro de mim dizia que iria voltar, ainda precisaria aprender outras tarefas, precisaria aprimorar o conhecimento e ajudar outras pessoas. Antes de entrar no CETET tive outras experiências profissionais, mas nenhuma delas foi tão importante como o estágio de 10 meses na CET.
Poucos anos antes de 1984 havia saído de um longo tratamento na AACD. Lá eu tive contato com vários amigos que tinham seqüelas de acidentes de trânsito, no entanto, eu não conseguia dimensionar que um comportamento inadequado no trânsito poderia trazer mudanças que afetaria a vida de uma pessoa por toda a sua existência... no CETET isso ficou mais claro, observando as aulas do Boléia consegui finalmente perceber que a educação é realmente o caminho para transformações.
Não apenas isso, no CETET assimilei completamente o mecanismo de funcionamento das representações de empregados. Nesse ano Mário Covas sanciona a lei da Diretoria de Representação, sendo eleito o Renato e em âmbito menor foram eleitos os diversos representantes que hoje seria o CRE. O notável na época é que inclusive os estagiários elegiam seus representantes e participava da vida da empresa.
Enfim, eu voltaria em 1986 indo trabalhar no Detran, porém, tive que sair, mas depois voltaria definitivamente em 1987.
De toda forma, sair do estágio foi algo bastante difícil para mim, a vida segue seu rumo e para mim não seria diferente.
Em tempo: mesmo sendo cadeirante, o pessoal do CETET nunca viu isso como um obstáculo, me senti muito a vontade. Evidente que isso hoje é uma coisa mais comum, mas naqueles tempos isso era raro. A Thais Pereira achava que haveria alguns contratempos, depois que as atividades foram aparecendo e as dificuldades foram sendo superadas, o receio cedeu lugar a uma relação de profundo respeito e admiração mútua.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Ação Comunitária
Depois de um período no Treinamento fui terminar meu estágio no Departamento de Ação Comunitária. Aliás, diga-se passagem, naquela época ser estagiário era conhecer todas as áreas do setor onde você estava, portanto, para mim faltava ir ao DAC. Atualmente o estagiário entra num setor e fica até o fim, o que o deixa sem conhecimento de outras atividades.A Ação Comunitária era a área da CET que conversava diretamente com a população, era o Poder Público saindo da sua ação burocrática e buscando no contato direto com o munícipe soluções conjuntas para a cidade.
O Vanderlei que era o responsável do setor nos orientava que o objetivo principal do trabalho junto à comunidade nasceu dos inúmeros problemas sempre que a engenharia se propunha a fazer alterações necessárias em regiões da cidade. O interessante não era que você tinha que convencer o cidadão, mas tinha que justificar aquela ação. O processo era tão profissional que em algumas situações a própria CET reconhecia e voltava atrás em algum projeto.
O trabalho do estagiário era acompanhar o técnico e fazer anotações e relatórios. Aprendi muito. Foi meu último setor no CETET antes do fim do estágio.
Evidente que o processo de redemocratização pelo qual o País passava facilitou a comunicação.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Sua excelência: O Curso de Táxi

Ficávamos numa mesa quase encostada na janela e a elite do táxi ficava numa outra sala. Realmente era uma elite. Ninguém podia se aproximar do curso, você poderia ser severamente punido se ousasse aprender algo ou assistir o curso. Para nós da plebe ficavam os cursos de cobrador e motoristas de ônibus.
A sala para o curso de táxi ficava no corredor, onde hoje ficam os DET’s 1 e 3, e os nossos cursos eram dados no corredor paralelo e a sala fedia muito, o pessoal não tomava banho e comiam marmitas dentro da sala. Quando eu entrava a tarde com a Fátima o cheiro beirava o insuportável.
O curso de Táxi era dado de segunda a sexta e tinha curso toda a semana. Detalhe: o curso de Táxi Especial então...era só para quem tinha mestrado e doutorado (rs). Quanta bobagem, depois tudo isso ruiu.
O time do táxi era: Boléia, Thais, Sônia, Márcia, Sônia Makaron, Cacilda e Ênio.
Já pelo meio do ano de 1984 o pessoal foi se revoltando e querendo fazer outras atividades, aí o curso foi se popularizando, mas somente a Eliane que já tinha mais de um ano como estagiária pôde dar o curso. Aí vocês podem imaginar como ela se sentiu!
Foi nesse período aproximadamente, que eu já havia passado no concurso público da Faculdade de Medicina da USP e trabalhava lá de manhã e no CETET a tarde; a noite ia para a PUC. Portanto, para quem fazia meio período de estágio praticamente ficava impedido de dar o curso de táxi.
Para finalizar: essa atitude dos funcionários esconderem suas atividades ainda é muito comum na CET como um todo. As pessoas se agarram em coisas voláteis e ficam se defendendo como se aquilo fosse o motivo da sua vida. Confesso que até 2004 fui um pouco assim, talvez por ter herdado essa cultura dos funcionários mais antigos, mas tive tempo de corrigir e perceber que havia errado. O Curso de Táxi hoje pode ser dado por qualquer pessoa, como na época também, basta para isso dedicação e capacitação.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O CETET no contexto geral da cidade em 1984
O Brasil no ano de 1984 era especial. Dois anos antes havia tido eleições gerais para governadores em todo o País. Em São Paulo, Franco Montoro ainda no PMDB foi eleito governador. Foi minha primeira eleição para governador. Bem, na época o Brasil passava por um processo de abertura, entretanto, as eleições para prefeito ainda eram indiretas, nesse sentido, foi indicado para ser prefeito de São Paulo, Mário Covas, que desta forma tornou-se o último prefeito nomeado em São Paulo.O sistema de trânsito em São Paulo estava começando a ser organizado, porém, ainda era inseguro. Os carros estacionavam livremente pelas calçadas e as multas eram baratas. A CET era muito jovem na época e sua relação com a cidade era timida.

O CETET não ficou alheio a isso e era responsável pela formação dos cobradores de ônibus e ministrava curso para os motoristas também. Houve uma ocasião em que o prefeito Mário Covas interviu nas empresas de ônibus e os funcionários da CET se juntaram com os da CMTC e ocuparam as empresas. Foi um movimento que ficou guardado no coração do nosso CETET. Lembro-me que alguns empregados retornavam no fim do dia, orgulhosos do dever cumprido.

O CETET era imensamente politizado. Participamos da campanha das Diretas-Já; num dos comícios na Praça da Sé, fomos em grupo após o expediente participar do comício, creio que a maioria ainda era idealista, muitos universitários. Nessa ocasião, eu estava no primeiro ano de Direito na PUC, vindo da faculdade de Sociologia da PUC também. A juventude e os ideais de liberdade e igualdade fizeram do CETET ser um centro de ideias progressistas dentro da CET. No dia seguinte ao da votação na Câmara, onde a emenda não foi aprovada, vi o CETET triste, macambúzio, mas também vi o sorriso sarcástico e covarde de algumas pessoas que ainda queriam a manutenção da ditadura.
O gerente, Fernando Pirillo, era sociólogo e isso alimentava as discussões. O interessante é que nesse ano especifico os primeiros núcleos do PT começavam a despontar no CETET, embora tivesse uma camada da direita oculta.


Desmerecer o CETET é desconhecer a história do nosso centro no contexto geral da cidade.
domingo, 23 de agosto de 2009
Material para as escolas
O material todo de São Paulo foi enviado para o CETET para ser refeito. Gente, não tenho o número exato, mas ali tinham mais de 20 mil pastas. Ficamos no fundo do corredor, onde hoje ficam as meninas do DET-1, comigo ficaram o Procópio, Abel, Mauro, Rafael (fotógrafo), Boléia que coordenava e o Valdir. Ficamos ali creio que uns dois meses aproximadamente, eram dias de muita conversa, muitas risadas e piadas. Com certeza foi um momento marcante na minha vida no CETET.
sábado, 22 de agosto de 2009
Início

Observem a diferença do que é hoje. Entretanto, nessa época existia o charme da educação na CET. Tudo era novo, inclusive nós.
A entrada do nosso Centro era assim:
Que saudades...olhem o ônibus da falecida CMTC, que o Maluf depois reduziu a pó. Lá dentro do CETET o time era de primeira linha, vou tentar lembrar de alguns nomes: Meu amigo, aliás, meu primeiro amigo da CET, Boléia, esse existe no meu coração para sempre; Thais Pereira, que quando caia cospia fogo pelas ventas; Ênio, Sônia Carbone, Sônia Makaron (não sei se é assim que se escreve), Cacilda enfermeira, Mauro, Procópio, Abel, Helena Raimundo, Cida Tugnolo, Leda, minha gerente querida Virginia Collaneri dos Reis, Rinaldo,Virginia, Malu, Marcos Morrone, Vanderlei, Valdir, inesquecível Valdir, Rosana Gomes, que entrou também como estagiária e outras pessoas que o tempo me faz esquecer, mas são pessoas também importantes no contexto geral. O comandante geral era o Pirillo, professor do Objetivo.
Nessa época o Treinamento era dividido assim: a elite dava aula no curso de Táxi, que ninguém podia chegar perto, estagiário então seria decapitado se ousasse pedir para ser capacitado para tão nobre função; a plebe dava curso para os cobradores, distribuia panfletos, separava o material e todo o resto.
Depois eu conto a confecção de um material que chegou errado e tivemos que conferir.
