Ally e Ryan

Ally e Ryan

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A CET no contexto da gestão Jânio Quadros

Jânio foi um prefeito que marcou muito a CET, portanto, fazer qualquer análise da CET sem mencionar a gestão da prefeitura e sua figura emblemática ficaria incompleta.
Lembro-me que numa entrevista que Jânio concedeu à Rede Manchete (atual Rede TV): questionado sobre o programa de governo que iria adotar na prefeitura, respondeu mais de uma vez: "Eu sou o programa." Ao mesmo tempo, fez muitas promessas e acabou definindo um programa "informal" que incluía o retorno dos velhos bondes, a criação de uma guarda municipal, a implantação do monotrilho e a transferência da companhia do metrô para a prefeitura. Comprometeu-se, ainda, a criar subprefeituras a ele diretamente subordinadas e não mais administrações regionais, e que elas agiriam com total independência, inclusive orçamentária. A ideia era manter uma administração municipal aberta à população como no passado, quando Jânio recebia as pessoas no seu gabinete, retomando as audiências públicas, a exemplo do que fez quando prefeito em 1953, segundo consta no livro “O governo Jânio Quadros”, de Maria Vitória Benevides. Essas audiências públicas não aconteciam como previsto, era necessário conhecimento com algum vereador, como o Brasil Vita, por exemplo.
Sua administração foi marcada por medidas de impacto e por manifestações de protestos. Já nos primeiros meses de sua gestão, Jânio anunciou a decisão de demitir 12 mil servidores municipais. Em reação, foi realizada uma manifestação de protesto que reuniu cerca de mil funcionários públicos em frente ao gabinete do prefeito, no parque Ibirapuera (fonte: Almanaque Folha). O objetivo era conseguir uma audiência com Jânio, visando a revogação dos decretos que definiam a dispensa dos servidores. Evidentemente que a CET seria afetada por essa decisão.
Por algum motivo Jânio em inúmeras oportunidades afirmava que não gostava da forma como CET trabalhava. Naquele tempo a CET atuava na engenharia e educação de trânsito, a fiscalização de rua era feita pelo CPTRAN – Comando de Policiamento de Trânsito. No entanto, a educação agia de forma muito tímida, algumas ações pontuais da área de Educação, sob supervisão da Helena Raymundo, os cursos do Treinamento e algumas campanhas. A Engenharia trabalhava melhor, devido a alocação de recursos e assim procurava organizar o trânsito, que já era bem complicado.
O ano de 1987 foi marcado por outras manifestações: tivemos manifestação do MST na Zona Leste da cidade e o que mais nos interessava, manifestações dos servidores pedindo aumento salarial. Algumas greves começaram a pipocar, principalmente nas áreas de educação e saúde.
A CET ficava inerte nesse meio, a repressão interna dentro da empresa era muito forte, qualquer reivindicação por salário ou condição de trabalho renderia demissão.
Mas, independente de qualquer situação, as demissões em massa chegaram na CET.
Portanto, com um olhar mais crítico nos dias atuais, observo que aquele momento de terror pelo qual passamos, correndo para ver se seu nome estava no Diário Oficial não era um ato isolado da CET, era isto sim, um ato contra toda a Administração Pública e a nossa empresa estava no contexto geral daquela gestão, porém, que ele tinha uma reserva contra a CET, isso havia mesmo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Valdir - o gordo

Alguns empregados estarão para toda vida guardado em nossos corações. O Valdir será um deles. A imagem dele está viva dentro de mim, mas não tenho nenhuma foto. Ele foi demitido do CETET nesse ano de 87, sem motivo algum, talvez pelo fato de ser autêntico, por falar a verdade ou por ter sido um supervisor que jamais colocou seu empregado na linha do tiro.
Obeso, fumante e muito alegre, geralmente falava que iria me largar no alto da rua Paraíso e ficaria me esperando na parte final...Ele era supervisor da área de Pesquisa, e quando ele saiu o CETET ficou mais triste.
Jamais vou esquecer um fato que aumentou ainda mais minha admiração por ele: depois de um tempo fora da CET, ele foi nos visitar. Conversávamos todos numa sala quando o segurança foi pedir para que ele se retirasse do prédio. Perguntamos se havia um motivo específico e o segurança constrangido falou que era “ordem do coronel”, para que ninguém fosse prejudicado, ele foi embora.
A saída do Valdir Gonzáles foi um ato de pura perseguição; ele não tinha ligação partidária e era um profissional brilhante. Depois que ele foi demitido, a impressão que ficou em mim é que a vida dele jamais foi a mesma. Não conseguia trabalhar em outro lugar, porque já tinha mais de 50 anos e viu a vida passando...passando...
A última vez que o vi foi na Praça da Sé, em 1989, estava indo fazer o exame da OAB e nos encontramos. Ele me deu um abraço, tomamos um refrigerante, conversamos rapidamente e dois anos depois ele se foi...
Não fui ao seu velório, mas a Virginia dos Reis disse depois que provavelmente ele devia estar rindo da cara de todos ali, afinal, um velório pode ficar bem para qualquer um de nós, mas jamais para uma pessoa como o Valdir.
A demissão do Valdir marcou o início do inferno e das tempestades que atingiriam a CET a partir de então.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Horus Azambuja


Observamos na foto acima um grande espaço vazio onde hoje está localizado o EVT-Caio Graco. Olhando hoje nem parece que ali um dia havia um grande terreno onde alguns funcionários cultivavam hortas.
O coronel Azambuja foi um personagem folclórico dentro da CET, ele gritava, esbravejava, dava soco na parede e etc. Ele tinha uma mania que era ver todos os empregados sentados à sua mesa e lendo algo. Particularmente eu colocava um monte de folhas inúteis sobre a mesa que até hoje não sei se serviam para algo, penso que não. As pessoas viviam aprisionadas em suas salas e circular pelo CETET exigia um motivo, seja ele qual for.
As reuniões que ele fazia com todos os empregados no saguão podiam virar motivos de risos, medo e angústia, ele tinha o péssimo hábito de chamar a atenção do empregado na frente de todos, isso para mostrar poder, hierarquia da relação. Vi muitos de meus amigos serem injustamente submetidos a humilhação. O coronel ao longo do tempo dividiu o CETET entre aqueles (ou aquelas) que o amavam e os outros que o odiavam. Quanto a mim, fiquei mais propenso ao segundo grupo, não exatamente por algo pessoal que ele tenha feito, porém, como ele um dia me disse que jamais me promoveria, uma vez que fui parar no CETET sem autorização dele, isso reforçou a minha posição.
É incrível como algumas coisas resistem ao tempo: até hoje na CET ainda existem as “viúvas do coronel”, algumas mulheres que ainda acham que ele fez uma excelente gestão, o que não é verdade. O CETET embora tenha se tornado superintendência, isso não trouxe a educação para uma melhor posição; ainda o curso de táxi era o carro chefe e o curso de cobrador de ônibus e as atividades da ação comunitária foram extintas, portanto, o benefício de virar superintendência era mais pessoal do que coletivo.
Quanto a nós do Treinamento vivíamos praticamente dentro da sala de aula, considerando que o número de alunos de táxi era muito grande e somente o CETET era autorizado a dar o curso.
O curso era formatado em 5 dias de aulas (geralmente de segunda – feira à sexta-feira). Vou confessar um fato: as aulas de guia ou de P.S. configuravam-se como um verdadeiro tormento para mim, mais adiante e com mais experiência negociei essas aulas com alguns amigos.
O coronel Horus preocupava-se com o curso e o que acontecia em sala de aula. Havia uma suspeita que alguns alunos eram pessoas que depois passavam informações para ele, no entanto, nunca houve qualquer incidente, porque o time que dava o curso era estritamente profissional e não levávamos para sala de aula qualquer assunto relacionado à política ou a gestão Jânio.
Olhando agora para o passado com uma visão mais profissional, devo dizer que foi muito enriquecedor trabalhar com uma figura lendária como o coronel. Embora ele fosse rígido, severo nas relações, talvez por força da formação, no mais era uma pessoa de boa conversa, um homem culto. Evidente que a visão dele era bem diferente do momento histórico de 1987, mas as diferenças devem ser respeitadas e o coronel foi sem dúvida nenhuma, o único superintendente do CETET que é comentado até hoje.
É isso..

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Retorno ao CETET – Coronel Horus Azambuja

Meu retorno ao CETET aconteceu em meados de setembro de 1987. Passados três anos da saída encontrei um CETET diferente, reprimido e com novos personagens.
O Treinamento estava completamente modificado. Aparecida Tugnolo era a supervisora e a equipe estava assim constituída: Boléia, minha querida Susana, Vilmo, Mauro, Maria Helena, Sônia Carbone, Ilana, Rosana Gomes e Dalva. O suporte administrativo era dado pela Bê,Luana, Fernandinho e o sr. Reinaldo. O curso de táxi funcionava a todo vapor.
Mas, antes de ser apresentado oficialmente para a equipe era necessário passar pela sala do lendário coronel Horus Azambuja. O CETET parecia um quartel do Exército. A fama desse coronel corria os quatro cantos da CET, falavam coisas boas e outras nem tanto, aliás, as informações eram mais para os aspectos negativos. Na verdade era uma contradição a situação da CET, enquanto no Brasil discutia-se abertura e diálogo nos vários setores políticos e econômicos, a CET se fechava numa ilha e adotava o critério da obediência cega e da disciplina rígida, como se isso fosse um divisor do bom ou do mau trabalho.
Uma sirene soou num som contínuo, não sabia o que aquilo significava, fui informado pela secretária do coronel que aquilo era o anúncio da chegada dele. Pensei que seria atendido tão logo ele chegasse, que nada, esperei mais de uma hora quando finalmente fui chamado.
A recepção não foi nada agradável, ele esbravejou comigo dizendo que a transferência havia acontecido sem a autorização dele e que a partir daquele momento “eu iria ficar a disposição da empresa”, mandou-me de volta para o RH. Sai sem entender nada, fui falar com a Cida, que disse que nada podia fazer. Voltei então para RH.
Fui falar com o gerente (não lembro o nome), mais uma hora de espera. Ele apenas me disse que era para voltar para o CETET, mas somente no dia seguinte, deu folga o resto do dia e ainda afirmou, que “aquela situação na cabia ao coronel decidir qualquer coisa”.
Fui para a PUC preocupado com o dia seguinte.
Bem, o dia seguinte chegou. Cheguei no CETET e fui direto falar com a Vilma, secretária do coronel e quando lá cheguei já havia uma determinação para me apresentar ao Treinamento.
O engraçado é que fiquei quase uma semana sem ver o coronel. Um dia esperando o carro que ia me levar para a casa, vi o carro do coronel chegando, ele desceu e veio em minha direção, na hora pensei que ele ia gritar, xingar e etc, mas ao contrário, ele se aproximou e disse:
- “Tudo bem? Qualquer coisa que você precisar vá até minha sala...!” Falou outras coisas que não me lembro, foi embora e eu fiquei pasmo.
O CETET tinha o som de 4 toques diferentes na sirene:
1 toque – horário de entrada e saída;
2 toques – chegada ou saída do coronel;
3 toques – reunião com os supervisores;
4 toques – reunião geral.

Esse foi apenas o primeiro dia, ainda há muito para falar.

sábado, 29 de agosto de 2009

O Retorno – 1987

No dia 03 de junho de 1987 retornei como funcionário definitivamente contratado da CET. Quem fez minha contratação foi a Mara do RH, aliás, depois desse dia ficamos amigos para sempre.
Fui trabalhar no Setor de Controle de Multas, onde conheci bons amigos, Riva, Aldemir (que atualmente está no CETET), Alda, Elmira e Wilson.
Considerando que passei o ano de 1986 totalmente afastado dos acontecimentos da CET, levei um susto quando retornei... a CET havia sido completamente militarizada pela gestão Jânio. Eram generais, coronel e até tenente trabalhando em cargos de chefia na CET. Isso deixava a empresa com uma cara diferente, parecia que todo aquele processo de abertura que assisti em 84 deu espaço para uma nova forma de gerir, alguns mandam e outros obedecem.
Impressionante que alguns amigos ficam para sempre. A Rosana Gomes do CETET assim que soube que eu estava trabalhando nesse setor foi me visitar. Fiquei emocionado ao vê-la na sala.
O Setor de Controle de Multas era bastante vigiado, afinal, éramos nós que digitalizávamos as autuações feita pelo CPT. Ainda era uma época que a CET não era informatizada, portanto, quem fazia o suporte técnico era a PRODAM.
O setor era no prédio da Sumidouro e alguns problemas começaram a aparecer. Havia na entrada um lance de escadas, o que dificultava o acesso; na área interna, principalmente no banheiro também tinha escada, ou seja, o setor era inadequado para um cadeirante. Falei com o pessoal da CIPA e após algumas conversas resolveram me transferir para o CETET. Dentro dos prédios da CET, o CETET foi considerado o mais adequado para a situação em tela.
Minha passagem pelo setor foi de grande valia, afinal, aprendi muito sobre legislação de trânsito, principalmente quando dava suporte à JARI. O conhecimento adquirido na área ainda é útil para os dias atuais. Vindo do DETRAN e entrando naquela gerência foi um salto qualitativo para voltar ao CETET.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A eleição de 1985 - um marco na CET

A eleição para prefeito em 1985 foi um acontecimento histórico tanto para São Paulo, sendo a primeira eleição direta para prefeito após o ciclo ditatorial e também marcou a CET, que quase foi extinta. Acompanhem abaixo os principais acontecimentos da campanha.

Propaganda eleitoral de Jânio Quadros - 1985

Propaganda eleitoral de FHC - 1985

Propaganda eleitoral de Eduardo Suplicy - 1985

A eleição para prefeito em São Paulo – 1985

Em 1985, houve a primeira eleição direta para todas as capitais no Brasil, após o período da ditadura. Em São Paulo tivemos uma acirrada disputa entre três candidatos: Eduardo Suplicy pelo PT; Fernando Henrique Cardoso, PMDB e Jânio Quadros, PTB. O resultado iria interferir diretamente na vida da CET.
Eduardo Suplicy era o fiel da balança. A direita estava fechada em torno de Jânio Quadros; Fernando Henrique era apoiado pelo governo do Estado, Franco Montoro e pelo prefeito, Mário Covas, no entanto, como a eleição era decidida em turno único, e Suplicy ocupava a terceira posição nas pesquisas, o PMDB negociava a renuncia dele. Lembro-me que a questão foi levada para reunião interna no PT e venceu a proposta de manutenção da candidatura. Votei pela manutenção da candidatura, o partido era novo e a eleição divulgava as ideias do PT.
Soube através de pessoas que trabalhavam no CETET, que a eleição mudou os ânimos dos gestores de então, eles ficavam inclusive passando uma vassoura, numa alusão que se o Jânio vencesse muita gente seria varrida do trabalho, mas repito: não estava na CET para comprovar isso, as pessoas me contavam.
Na véspera da eleição, as pesquisas apontavam que FHC seria o candidato vitorioso, propagava-se o voto útil dos eleitores do Suplicy, que acabou não ocorrendo. Entretanto, FHC já se declarava o vencedor e para reforçar sua tese ele posou para uma foto (abaixo) sentado na cadeira de prefeito de São Paulo. O então senador apareceu nos jornais como se ele já se considerasse vitorioso e acabou perdendo a cadeira para Jânio Quadros.



O resultado final daquela histórica eleição foi: Jânio Quadros ficou com 39,3% dos votos válidos contra 35,3% de FHC; Suplicy terminou a disputa com 20,7% dos votos válidos, ou seja, era evidente que se o PT tivesse retirado a candidatura de Suplicy, FHC seria o prefeito, ou ainda, se já existisse dois turnos de eleição à época, Jânio jamais seria eleito.
Jânio Quadros quando tomou posse, ainda relembrou a foto de FHC sentado à cadeira de prefeito, dizendo que “nádegas indevidas, havia sentado aqui”.
Jânio foi eleito para um mandato de três anos, tempo suficiente para ele provocar a maior destruição da história da CET.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Entre um ano e outro, uma música para lembrar o passado...assim vamos vivendo cada momento importante da nossa vida.

Dezembro de 1984 – fim do estágio

foto de 1984 na PUCSP
Depois de passar por todas as áreas do CETET meu estágio chegou ao fim. Na verdade ainda teria direito a 6 meses de permanência na CET, entretanto, como era estudante de Direito, a FMUSP convidou-me a trabalhar em período integral no departamento de licitações. Para mim foi uma ótima oportunidade para conhecer melhor o funcionamento da administração pública.
Mas, voltando ao CETET: foi sem dúvida um aprendizado. Nesse ano fiz amizades que perduram até hoje. Boléia foi o amigo mais marcante; com ele aprendi domínio de sala de aula, conhecimentos específicos sobre trânsito e aprendi primordialmente que amigos assim são elos para toda a vida.
Alguma coisa dentro de mim dizia que iria voltar, ainda precisaria aprender outras tarefas, precisaria aprimorar o conhecimento e ajudar outras pessoas. Antes de entrar no CETET tive outras experiências profissionais, mas nenhuma delas foi tão importante como o estágio de 10 meses na CET.
Poucos anos antes de 1984 havia saído de um longo tratamento na AACD. Lá eu tive contato com vários amigos que tinham seqüelas de acidentes de trânsito, no entanto, eu não conseguia dimensionar que um comportamento inadequado no trânsito poderia trazer mudanças que afetaria a vida de uma pessoa por toda a sua existência... no CETET isso ficou mais claro, observando as aulas do Boléia consegui finalmente perceber que a educação é realmente o caminho para transformações.
Não apenas isso, no CETET assimilei completamente o mecanismo de funcionamento das representações de empregados. Nesse ano Mário Covas sanciona a lei da Diretoria de Representação, sendo eleito o Renato e em âmbito menor foram eleitos os diversos representantes que hoje seria o CRE. O notável na época é que inclusive os estagiários elegiam seus representantes e participava da vida da empresa.
Enfim, eu voltaria em 1986 indo trabalhar no Detran, porém, tive que sair, mas depois voltaria definitivamente em 1987.
De toda forma, sair do estágio foi algo bastante difícil para mim, a vida segue seu rumo e para mim não seria diferente.
Em tempo: mesmo sendo cadeirante, o pessoal do CETET nunca viu isso como um obstáculo, me senti muito a vontade. Evidente que isso hoje é uma coisa mais comum, mas naqueles tempos isso era raro. A Thais Pereira achava que haveria alguns contratempos, depois que as atividades foram aparecendo e as dificuldades foram sendo superadas, o receio cedeu lugar a uma relação de profundo respeito e admiração mútua.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ação Comunitária

Depois de um período no Treinamento fui terminar meu estágio no Departamento de Ação Comunitária. Aliás, diga-se passagem, naquela época ser estagiário era conhecer todas as áreas do setor onde você estava, portanto, para mim faltava ir ao DAC. Atualmente o estagiário entra num setor e fica até o fim, o que o deixa sem conhecimento de outras atividades.
A Ação Comunitária era a área da CET que conversava diretamente com a população, era o Poder Público saindo da sua ação burocrática e buscando no contato direto com o munícipe soluções conjuntas para a cidade.
O Vanderlei que era o responsável do setor nos orientava que o objetivo principal do trabalho junto à comunidade nasceu dos inúmeros problemas sempre que a engenharia se propunha a fazer alterações necessárias em regiões da cidade. O interessante não era que você tinha que convencer o cidadão, mas tinha que justificar aquela ação. O processo era tão profissional que em algumas situações a própria CET reconhecia e voltava atrás em algum projeto.
O trabalho do estagiário era acompanhar o técnico e fazer anotações e relatórios. Aprendi muito. Foi meu último setor no CETET antes do fim do estágio.
Evidente que o processo de redemocratização pelo qual o País passava facilitou a comunicação.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sua excelência: O Curso de Táxi


Quando cheguei no CETET, mais outros estagiários foram contratados. Para o Treinamento, sob supervisão da Thais Pereira foram contratados mais três estagiários: a Rosana Gomes, Rolando (boliviano) e a Fátima. A Eliane Benevides, que já estagiava há algum tempo, era uma que se intitulava nossa superior, mas nunca aceitamos isso.
Ficávamos numa mesa quase encostada na janela e a elite do táxi ficava numa outra sala. Realmente era uma elite. Ninguém podia se aproximar do curso, você poderia ser severamente punido se ousasse aprender algo ou assistir o curso. Para nós da plebe ficavam os cursos de cobrador e motoristas de ônibus.
A sala para o curso de táxi ficava no corredor, onde hoje ficam os DET’s 1 e 3, e os nossos cursos eram dados no corredor paralelo e a sala fedia muito, o pessoal não tomava banho e comiam marmitas dentro da sala. Quando eu entrava a tarde com a Fátima o cheiro beirava o insuportável.
O curso de Táxi era dado de segunda a sexta e tinha curso toda a semana. Detalhe: o curso de Táxi Especial então...era só para quem tinha mestrado e doutorado (rs). Quanta bobagem, depois tudo isso ruiu.
O time do táxi era: Boléia, Thais, Sônia, Márcia, Sônia Makaron, Cacilda e Ênio.
Já pelo meio do ano de 1984 o pessoal foi se revoltando e querendo fazer outras atividades, aí o curso foi se popularizando, mas somente a Eliane que já tinha mais de um ano como estagiária pôde dar o curso. Aí vocês podem imaginar como ela se sentiu!
Foi nesse período aproximadamente, que eu já havia passado no concurso público da Faculdade de Medicina da USP e trabalhava lá de manhã e no CETET a tarde; a noite ia para a PUC. Portanto, para quem fazia meio período de estágio praticamente ficava impedido de dar o curso de táxi.
Para finalizar: essa atitude dos funcionários esconderem suas atividades ainda é muito comum na CET como um todo. As pessoas se agarram em coisas voláteis e ficam se defendendo como se aquilo fosse o motivo da sua vida. Confesso que até 2004 fui um pouco assim, talvez por ter herdado essa cultura dos funcionários mais antigos, mas tive tempo de corrigir e perceber que havia errado. O Curso de Táxi hoje pode ser dado por qualquer pessoa, como na época também, basta para isso dedicação e capacitação.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O CETET no contexto geral da cidade em 1984

O Brasil no ano de 1984 era especial. Dois anos antes havia tido eleições gerais para governadores em todo o País. Em São Paulo, Franco Montoro ainda no PMDB foi eleito governador. Foi minha primeira eleição para governador. Bem, na época o Brasil passava por um processo de abertura, entretanto, as eleições para prefeito ainda eram indiretas, nesse sentido, foi indicado para ser prefeito de São Paulo, Mário Covas, que desta forma tornou-se o último prefeito nomeado em São Paulo.
O sistema de trânsito em São Paulo estava começando a ser organizado, porém, ainda era inseguro. Os carros estacionavam livremente pelas calçadas e as multas eram baratas. A CET era muito jovem na época e sua relação com a cidade era timida.



O sistema de ônibus funcionava segundo duas realidades: a CMTC que pertencia a prefeitura e as empresas concessionárias. A CMTC atuava na cidade inteira, e as empresas exploravam as melhores regiões da cidade.
O CETET não ficou alheio a isso e era responsável pela formação dos cobradores de ônibus e ministrava curso para os motoristas também. Houve uma ocasião em que o prefeito Mário Covas interviu nas empresas de ônibus e os funcionários da CET se juntaram com os da CMTC e ocuparam as empresas. Foi um movimento que ficou guardado no coração do nosso CETET. Lembro-me que alguns empregados retornavam no fim do dia, orgulhosos do dever cumprido.


O CETET era imensamente politizado. Participamos da campanha das Diretas-Já; num dos comícios na Praça da Sé, fomos em grupo após o expediente participar do comício, creio que a maioria ainda era idealista, muitos universitários. Nessa ocasião, eu estava no primeiro ano de Direito na PUC, vindo da faculdade de Sociologia da PUC também. A juventude e os ideais de liberdade e igualdade fizeram do CETET ser um centro de ideias progressistas dentro da CET. No dia seguinte ao da votação na Câmara, onde a emenda não foi aprovada, vi o CETET triste, macambúzio, mas também vi o sorriso sarcástico e covarde de algumas pessoas que ainda queriam a manutenção da ditadura.
O gerente, Fernando Pirillo, era sociólogo e isso alimentava as discussões. O interessante é que nesse ano especifico os primeiros núcleos do PT começavam a despontar no CETET, embora tivesse uma camada da direita oculta.


Desmerecer o CETET é desconhecer a história do nosso centro no contexto geral da cidade.

domingo, 23 de agosto de 2009

Material para as escolas

O MEC em 1984 implantou um programa de educação de trânsito nas escolas. Para isso foi distribuído para todo Brasil o material que consistia numa pasta com várias mensagens, jogos e etc. Após essas pastas terem sido enviadas aos Estados, observou-se que havia erros dentro das mesmas, tinham pastas com o kit errado, outras faltando peças e etc.
O material todo de São Paulo foi enviado para o CETET para ser refeito. Gente, não tenho o número exato, mas ali tinham mais de 20 mil pastas. Ficamos no fundo do corredor, onde hoje ficam as meninas do DET-1, comigo ficaram o Procópio, Abel, Mauro, Rafael (fotógrafo), Boléia que coordenava e o Valdir. Ficamos ali creio que uns dois meses aproximadamente, eram dias de muita conversa, muitas risadas e piadas. Com certeza foi um momento marcante na minha vida no CETET.
Quando o CETET passou por uma reforma em 2004 e alguns materiais estavam sendo descartados, para minha surpresa aquelas antigas pastas depois de refeitas nem sairam do CETET, não sei os motivos, porém, sei do desperdício do dinheiro público. Aquelas pastam tinham histórias, contos... e na época o nosso governo resolveu simplesmente não distribuir. Coisas da vida da educação.

sábado, 22 de agosto de 2009

Início

Entrei na CET/CETET no dia 10.01.1984 como estagiário do Treinamento. Na ocasião o Mauro era o responsável pelo setor de capacitação dos cobradores de ônibus e foi exatamente aí que tudo começou.

Eu ministrava aulas de matemática (!?), ensinando as operações básicas, bom comportamento e alguma coisa a mais que não me lembro.

O CETET era assim:


Observem a diferença do que é hoje. Entretanto, nessa época existia o charme da educação na CET. Tudo era novo, inclusive nós.

A entrada do nosso Centro era assim:

Que saudades...olhem o ônibus da falecida CMTC, que o Maluf depois reduziu a pó. Lá dentro do CETET o time era de primeira linha, vou tentar lembrar de alguns nomes: Meu amigo, aliás, meu primeiro amigo da CET, Boléia, esse existe no meu coração para sempre; Thais Pereira, que quando caia cospia fogo pelas ventas; Ênio, Sônia Carbone, Sônia Makaron (não sei se é assim que se escreve), Cacilda enfermeira, Mauro, Procópio, Abel, Helena Raimundo, Cida Tugnolo, Leda, minha gerente querida Virginia Collaneri dos Reis, Rinaldo,Virginia, Malu, Marcos Morrone, Vanderlei, Valdir, inesquecível Valdir, Rosana Gomes, que entrou também como estagiária e outras pessoas que o tempo me faz esquecer, mas são pessoas também importantes no contexto geral. O comandante geral era o Pirillo, professor do Objetivo.

Nessa época o Treinamento era dividido assim: a elite dava aula no curso de Táxi, que ninguém podia chegar perto, estagiário então seria decapitado se ousasse pedir para ser capacitado para tão nobre função; a plebe dava curso para os cobradores, distribuia panfletos, separava o material e todo o resto.

Depois eu conto a confecção de um material que chegou errado e tivemos que conferir.