Ally e Ryan

Ally e Ryan

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A resposta do gerente

Finalmente depois de um hiato de tempo, fomos todos convocados para uma reunião com toda a área. O quadro foi desolador. As pessoas sentaram-se conforme a divisão estabelecida. A supervisora ao lado do gerente, com o semblante de vitima dos algozes. O gerente então perguntou aos outros membros do nosso grupo se estavam de acordo com o conteúdo da pauta que eu e outra pessoa havíamos levado a ele. Vejam como isso é um desequilíbrio das relações; para outros empregados da área, ele os chamou individualmente em sua sala, onde podia perfeitamente manipular a conversa, com o nosso pessoal, ele fez publicamente, mas não pediu posição pessoal. Até hoje gostaria de saber o que os outros comentaram a nosso respeito, porque quando fomos conversar com o gerente não falamos absolutamente nada a respeito dos empregados do outro lado, tivemos ética até nisso, embora nem o gerente, nem a supervisora e nem outros empregados tiveram a mesma atitude. No fim, comunicou que todos nós estávamos fora da área e que a partir de segunda (isso foi numa sexta) outros rumos seriam colocados para nós, e assim encerrou a reunião.

Meu sentimento naquele momento foi de pura decepção, não pelo resultado, mas pelo comportamento de alguém que se intitulava democrático. O outro lado comemorou como se tivessem tido algum ganho com a situação, o tempo mostrou que todos do nosso grupo se deram bem para as áreas em que fomos deslocados, mostramos através do tempo e das nossas ações que conforme o próprio gerente admitia, éramos a parte pensante da área. Não houve vitória naquele momento, houve sim uma profunda ação de incompetência, omissão e vontade de destruir um grupo de pessoas.

Voltamos para nossa sala e como já era final do dia, fomos embora certos que um dia a história e análise dos fatos demonstraria o quanto estávamos certos ao fazer aquilo.

Se alguém me perguntar se faria tudo aquilo outra vez, responderia que sim. Aprendi muito com todo aquele fato, me tornei uma pessoa melhor, conheci outros caminhos na CET, entrei no grupo de estudos do novo sistema de transportes que a prefeita pretendia e conseguiu implantar na cidade à época.

O pessoal que lá permaneceu, parou no tempo, inclusive no cargo em que se encontram, eles têm o menor salário do cargo. Do nosso lado houve uma completa reformulação: uma pessoa conseguiu o cargo de gestor II; outra, gestor I; dois outros atingiram o melhor salário onde estão e outro está numa área onde se sente bem. Quanto a mim, obtive sucesso ainda dentro do CETET, conforme vou descrever depois, passei a ajudar a Comissão de Mobilidade Urbana na Câmara Municipal de São Paulo; coordenei parte dos Programa Sociais no CETET, representei a CET em Brasília, ao lado do então ministro das Cidades, Olívio Dutra, no lançamento do Programa Brasil Acessível, fui presidente de duas gestões da CIPA e lancei a ideia da inclusão no CETET e depois lançada na CET como um todo. Diante de tudo isso, uma pergunta procura resposta:

Acertou o gerente em manter a pessoa no cargo em detrimento do interesse público?

Ele foi embora antes do final da gestão, levando consigo a arrogância, o desinteresse e a omissão com a educação de trânsito.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Reunião com gerente

Prefiro não mencionar nomes, mas nosso grupo fechou questão e decidiu que eu e mais outra pessoa agendasse uma reunião com o gerente e expusesse a insatisfação do grupo.

A conversa foi agendada e no dia e hora determinado lá estávamos nós. No começo da conversa o gerente mostrou-se surpreso com a situação colocada; aliás, uma surpresa patética, afinal, praticamente todo CETET comentava a divisão que havia no DET-3.

O tema central da reunião era que os princípios pelos quais a supervisora foi colocada na área não foram atingidos. Ela não administrava a área, não tinha projetos novos e não eliminava a cizânia do grupo, comprometendo assim a qualidade do trabalho oferecido.
O gerente nos ouviu, nada comentou, apenas argumentou alguns pontos e ficou de nos dar uma posição.

Voltamos para nosso grupo, foi colocada a conversa e para evitar constrangimento da supervisora, decidimos colocar a ela nossa posição. O gerente achou que isso foi uma tentativa de “golpe”. Ridícula e expressamente ditatorial a posição dele. Isso não é tentativa de golpe, isso é transparência, isso é caráter, vontade de mudar!

De qualquer forma, a situação estava colocada, as divisões de grupo tornaram-se uma fratura exposta no CETET. A supervisora vendia a imagem de vitima da nossa posição, articulou com a outra parte do grupo, que se escondia na covardia e na omissão. O gerente chamou reservadamente cada um dos empregados da outra sala, e demonstrando seu lado diabólico e fascista, não chamou individualmente o pessoal do nosso lado, ou seja, estabeleceu um desequilíbrio das relações.

A atitude dele contrariava completamente a imagem que a gestão passava para a cidade, nesse período a insatisfação era geral na CET, as pessoas passaram do amor ao ódio com a Marta.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A divisão foi estabelecida

Fizemos uma reunião no grupo majoritário. Nesse período minha posição já estava definida: queria o afastamento da supervisora.

Juntamos algumas pessoas e fomos consultar outras do outro grupo. Alguns deles fugiram de nós, com medo, por omissão e por covardia, pessoas que num futuro chegaram a me dizer que deveriam ter aderido ao movimento.

Nosso grupo que representava as ideias, o pensamento da área, estava fechado e determinado. Conversamos entre nós e decidimos que se não houver mudanças por parte da supervisora iríamos nos colocar diante do gerente.

Não boicotamos o trabalho, jamais deixamos de atender qualquer solicitação, fomos profissionais na magnitude do termo, porém, a supervisora fingia que não estava acontecendo nada. Não misturava pessoa de um grupo com outro, procurava apenas defender seu cargo, se segurando na mesquinhez e epifania da situação.

Não suportando mais a situação, fizemos uma nova reunião interna e ficou decidido que a situação seria exposta ao gerente.

Por que decidimos ir ao gerente? A resposta é a soma das alternativas abaixo:

A gestão era democrática.
O gerente se intitulava como negociador.
Os gestores pregavam o diálogo.

Tudo mentira. A gestão era mentirosa, gestores mentirosos e no meio da mentira nos

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O início do conflito

A situação do DET-3 no ano de 2002 era de uma completa divisão de grupos. De um lado ficava aqueles que se seguravam no curso de Direção Defensiva e de outro o pessoal da moto, um grupo forte que representava a maioria. No centro, a supervisora que nada fazia para mudar a cisão, que não tinha projetos ou ambições para a área.

O gerente omisso fechava os olhos e simulava que tudo estava sob controle. A superintendência encontrava-se vaga, ou seja, olhando agora para trás observo o embuste que era todo aquele quadro.

A área estava ressentida com o superintendente que havia saído, quando nos deixou expostos na festa de natal, a ponto de durante a confraternização procurar cada funcionário separadamente e se desculpar.

A decepção com a gestão Marta na CET era imensa, afinal, ela jamais cumpriu com o corpo de empregados, promessas feitas na campanha. As promessas eram de melhoria na gestão de pessoal, mais investimentos na empresa e também no setor de educação iria ser dado ênfase, tudo não passou de um blefe.

Paralelo a isso, me encontrava trabalhando na Comissão de Acessibilidade da Prefeitura, aí sim, a Marta deu um show.

No CETET estávamos próximos da implosão.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Meu filho Rafael na CET em 2002 e nos EUA 2009


Solange Leal e meu filho Rafael, estagiário em 2002 na CET e hoje militar do Exército dos Estados Unidos da América, onde reside no estado do Alabama. Ele é o pai dos meus dois netos, Allysia e Ryan.
Aliás, na época em que ele estagiava fui criticado por algumas pessoas que falavam que aquilo não era para ele, e como oriundo de escola pública não iria chegar a lugar algum; quem comentava isso eram aquelas funcionárias que tinham seus filhos estudando nas melhores escolares particulares, fazendo curso de inglês e etc. Pois bem, nada como o tempo: hoje meu filho estuda numa das melhores universidades do mundo, fala e escreve inglês fluentemente sem nunca ter frequentado escolas de línguas aqui, além disso tem um ótimo sálario superior ao de pelo menos 80% da população brasileira, enquantos os filhos dessas pessoas...


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Meus amigos e minhas amigas

Vou contar a partir de segunda a crise que desencadeou no DET-3 naquela horrenda gestão, não vou colocar nada nem hoje e amanhã porque não quero que os fatos sejam interrompidos com o fim de semana.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Gerente do CETET – ditador a paisana

Vamos pensar da seguinte forma:

1) O que deve estar presente numa gestão petista?
2) Como deve proceder um gestor indicado pela gestão?
3) Como deve administrar uma crise um gestor democrático?

Na minha singela opinião, as respostas para estas perguntas, devem ser pela ordem: diálogo; ouvir e dialogar; e, ouvir os dois lados e pautar a decisão em bom senso.

O nosso gerente aparentava ter essas características, demonstrava isso em conversas reservadas, quando na verdade era um monstro de lobo disfarçado na pele de cordeiro.

Na verdade ele trabalhava sob interesses próprios, quando a pessoa podia lhe render alguns benefícios, ele a tratava bem, quando não, havia o desprezo.

Não pensem que sinto raiva da pessoa em questão, longe de mim, não sinto raiva de pessoas assim, não evoluídas espiritualmente, ao contrário, sinto desprezo, piedade e indiferença, afinal, como sempre falo, essas pessoas vem e vão embora, nós sempre ficamos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Abismo

O ano de 2002 iniciou-se sem grandes novidades. O fosso aberto na nossa área aumentava e a omissão da supervisão em identificar a pauta e propor uma solução era uma utopia.

Houve a vacância na superintendência, que passou a ser respondida interinamente pela gerência. O DET-3 estava literalmente dividido em duas salas, o curso de motociclistas precisava decolar e estava concentrado nas mãos das meninas, Silvana, Solange Reis e Leal e do Veloso; o curso de táxi respirava por aparelhos; a SABESP preenchia o curso de DD e havia palestras nas empresas. A minha posição era de diálogo entre os dois grupos, procurava a neutralidade entre as duas posições, mas a supervisão não ajudava a dissipar esse desconforto.

Como simpatizante e eleitor daquela gestão, senti uma profunda decepção com a forma como os gestores caminhavam diante dos acontecimentos. Na minha visão, creio que todos que eram nefandos foram parar na CET e ainda se instalaram no CETET. Ainda continuei apoiando a administração da Marta pelo que era feito em outras esferas da prefeitura, mas se fosse para avaliar pelo que ocorria no interior da CET, não votaria mais no PT para nenhum cargo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O retorno

Depois de um período fora de combate, retornei ao trabalho e tive uma longa conversa com a supervisora. Pelo tempo de experiência e conhecimento, foi me concedido a segunda posição hierárquica da área. A Maria Helena que seria a substituta natural foi transferida para GRH, aliás, uma transferência no mínimo estranha... Ela ao que soube jamais manifestou qualquer interesse em sair do setor. Mas aquela gestão trabalhava dessa forma: afastava qualquer funcionário que representasse uma ameaça aos interesses dos gestores.

Encontrei uma área dividida. Dois grupos distintos em duas salas diferentes. Evidente que o papel da supervisão seria o de aproximar ambos os grupos, mesclando trabalhos, misturando conhecimentos, ou seja, criando uma nova relação profissional entre os empregados, mas nada disso foi feito e criou-se um abismo na área.

O superintendente demonstrava insatisfação com o Det-3 (deixou de ser Treinamento), no entanto, nada fez que justificasse uma atitude contrária. Sempre que interferiu na chefia da área, fez diferente dos outros departamentos, trazendo gente externa. E também, sempre demonstrou desprezo pelas atividades da área, ora esperava ser ovacionado quando deixou a superintendência para concorrer a Câmara dos Vereadores?

Na festa de confraternização daquele 2001, o superintendente ainda fez um discurso provocativo ao DET-3, dizendo que “jamais conseguiu unir o grupo”; ele expôs todo o departamento sem nenhuma necessidade. Como resposta recebeu um boicote geral a sua festa de aniversário, que ocorreu 5 dias após a festa de natal. Na ocasião eu estava respondendo pela supervisão, já que a titular estava em férias, e em apoio à iniciativa da área também não compareci na festa de aniversário.

sábado, 7 de novembro de 2009

Antônio Gonçalves Dias

Bom final de semana e para relaxar uma boa poesia sempre faz bem, como a que coloco abaixo do poeta Gonçalves dias:

Canção do Tamoio

I

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III
O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D'imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d'ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII

E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

11 de maio de 2001 – afastamento por acidente de trabalho

Após a demissão da Luciana da supervisão da área, abriu-se um vácuo no setor. Fizemos uma reunião e votamos para que a Maria Helena fosse indicada para comandar a equipe.

O resultado foi apresentado ao gerente, Jeter, que ao que tudo indicava tinha outros planos. A efetivação da Maria Helena seria a mudança menos traumática, afinal, em outras áreas as chefias anteriores foram substituídas por pessoas de dentro da própria equipe, por que então com o Treinamento teria que ser diferente? Mesmo com essa consideração a gerência e superintendência ignoraram isso e colocaram uma pessoa estranha na chefia.

No meio da crise, exatamente no dia 11 de maio de 2001, ao sair do CETET com meu filho Rafael, que era estagiário de Pesquisa, não sabemos como ocorreu, a cadeira virou e eu bati violentamente a cabeça no chão, provocando um TC com rompimento dos nervos de olfato e paladar. Fui atendido no P S São Camilo e isso provocou meu afastamento. Se isso não fosse suficiente, ainda fui submetido a duas cirurgias de emergência, deixando-me fora de combate por 5 meses.

Durante meu período de afastamento nossa área foi agraciada com a indicação de uma pessoa externa, que não era exatamente o perfil de chefia que a equipe precisava, entretanto, quando o gerente demonstra insensatez, incompetência e intolerância, a equipe sofre os efeitos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Luciana, a nova supervisora

Uma fenda foi aberta no Treinamento. A nova supervisora da área, Luciana, indicada pela gestão, contrariando tanto o superintendente como o gerente, como também a maioria absoluta do pessoal do setor. Num clima como esse, ela assumiu e nunca teve competência para gerir o conflito.

Confesso que pessoalmente senti-me um pouco culpado pela situação. Afinal, um ano antes do caos, me reunia com o grupo dela para propor mudanças. No entanto, com a Cida sendo afastada, quem deveria assumir o posto era a Maria Helena ou alguém escolhido no interior do setor. Supervisor não é cargo de gestão, é cargo de carreira. Enfim, ela foi indicada e na sua apresentação como tal houve uma tensa reunião.

Luciana numa tentativa de reagrupar a equipe foi chamando individualmente cada funcionário. Quando fui chamado em sua sala houve uma conversa franca. Mostrei a ela que os fatos ficaram contrários ao que propúnhamos na nossa proposta. Minha situação era bastante delicada, de uma forma ou de outra havia colaborado para tudo aquilo, e para tentar acalmar os ânimos decidi apoiar a supervisão dela. Ninguém passou o que passei naquela oportunidade, fui julgado por parte da equipe como traidor da causa. Minha intenção era mais estratégica. Acreditava que a própria Luciana demonstraria ausência de experiência e competência para estar naquela posição. Assim seria substituída sem traumas, sem aberturas de novas fendas. Mas parte da minha equipe não pensou assim e foi para o embate, pensaram que afastando a Luciana, uma nova indicação partiria do consenso da equipe. Erraram como se verá adiante. O processo que desencadeava era exatamente o contrário. O Jeter percebendo que o grupo tinha uma liderança, associou-se a essa pessoa e com ela passou a articular a queda da Luciana. Fiquei isolado, evidentemente. Não podia ser ostensivo no apoio à supervisora porque ela não se mostrava confiante e ao mesmo tempo não podia apoiar o outro lado porque eles não sabiam o que se passaria na queda da Luciana; mesmo que tentasse explicar as meninas não iriam acreditar, já que estavam cegas e mudas pela líder . Optei assim pelo silêncio e pela neutralidade diante da situação caótica e pouco depois a Luciana caiu.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O aquário

Os primeiros afastamentos começaram a aparecer. Cida Tugnollo depois de mais de uma década no Treinamento foi afastada, Marisa da Educação, Mauro e Helena, superintendente e gerente também saíram de suas funções. Como eles ainda não tinham sido demitidos foram colocados numa sala nos fundos do CETET e ficavam lá esperando alguma decisão. Eles ficavam quase numa posição de peixe num aquário, todos olhavam e eles retribuíam com olhares também.

Posteriormente, numa situação de desfaçatez com a história das pessoas eles foram demitidos por telegramas. A gestão mostrava sua face, vingativa e covarde. Como pode alguém trabalhar o dia inteiro numa empresa e quando chegar em casa encontrar um telegrama dispensando-o da empresa? Creio que o mais elegante, o mais profissional seria o superintendente chamá-los na sala e comunicar a decisão da empresa. O interessante é que quando isso veio a público no dia seguinte, estava participando de uma reunião com o superintendente e ele no final mencionou que foi pego de surpresa também e que se soubesse antes, os chamaria em sua sala e comunicaria a decisão. Se isso foi verdadeiro ou não, ninguém poderá atestar.

De qualquer forma, a Maria Helena ficou respondendo interinamente pelo atual DET-3 e uma nova tempestade surgiu no céu do CETET.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nova gestão

O medo venceu a esperança

O tempo da gestão Pitta finalmente chegou ao final. Marta Suplicy venceu a eleição e com ela novas esperanças enchiam o peito dos funcionários da CET e do CETET em particular.

Francisco Macena foi designado para ser o presidente e a dupla Mauricio Pereira e Jeter Gomes foram indicados para o CETET.

No plano interno, já se discutiam a saída de algumas supervisoras, visando reformular as ideias e uma nova forma de fazer educação.

No começo foi feito um diagnóstico geral e percebeu-se que a situação de abandono da educação era muito grave. O esgotamento daquele modelo de educação era nítido e peremptório, algo precisava ser feito.

Foram criados grupos de trabalho, cada qual com determinada missão. No entanto, qualquer solicitação que era feita recebia a mesma resposta: NÃO HÁ RECURSOS.

Ora, vamos pensar um pouco na situação. Se não havia intenção e disponibilidade para nada, por que dividir o CETET em grupos de trabalho se não iria acontecer “niente”? Estranho, para não dizer patético.

Pessoalmente e como filiado ao PT tinha esperanças de mudanças, no entanto o começo se mostrou inepto e sem planejamento, e qualquer atividade nessas condições a tendência é naufragar, como de fato ocorreu.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A eleição de 2000


A campanha para prefeito de São Paulo mobilizou a cidade e a CET em particular. Marta Suplicy e Paulo Maluf protagonizaram debates e bate-boca que ficou no imaginário de muita gente.

A CET tinha vários empregados envolvidos na campanha da Marta, que desejavam mudanças. O desgaste da administração Pitta e sua aproximação com o candidato Maluf, que negava essa proximidade facilitava a campanha.

Como era esperado, ambos passaram para o segundo turno e o resultado final não surpreendeu:

Candidato % votos válidos
Marta Suplicy (PT) 58,51 3.248.115
Paulo Maluf (PPB) 41,49 2.303.623

Uma nova esperança surgiu no horizonte... embora a esperança verificou-se depois, não venceu o medo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Confraria

A situação era tão ruim, que grupos de estudos foram formados na CET para auxiliar a salvar a CET do pior. Estávamos em 2000 e inicio da campanha para prefeito na cidade.

Ingressei num dos grupos de estudos no Instituto Florestan Fernandes, que funcionava como QG do comando de campanha da Marta Suplicy. Em nossa proposta apresentada, propúnhamos uma reformulação completa na área de educação. Assim deveria haver substituição completa nos quadros da supervisão, mudança na estrutura pedagógica de orientação e outras medidas.

Era interessante observar as movimentações de alguns empregados da empresa. Quando os ponteiros dos relógios apontavam 18 horas havia um reboliço de gente conhecida no IFF, embora alguns com receio fingiam não ser da empresa.

O CETET vivia talvez na sua pior situação, jamais vivenciada por nós, até os dias de hoje. O momento era de abandono total. E o impressionante cinismo veio a tona, quando as supervisoras perceberam que a vitória da Marta era algo iminente. Algumas delas inclusive falavam que votariam na Marta, porém, no íntimo todos sabiam que elas continuavam malufistas e votariam nele.

Finalmente e para alegria geral aquela gestão e seus nefastos momentos estavam chegando ao seu final.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Luciana e outra assessora

O CETET recebeu uma nova funcionária. Ela foi trabalhar na nossa área. Luciana era seu nome. Pequena, bonita e de uma língua para lá de afiada. Ela mudou o quadro e como agia atacando diretamente a chefia, eu e as meninas deixamos de ser a bola da vez.

Nós tínhamos algo em comum: éramos filiados ao PT, embora pertencêssemos a grupos distintos, no entanto, logo nos tornamos amigos e iniciou-se aí uma aproximação.

O CETET continuava na mesma situação, o CTB já tinha passado seu efeito e aos poucos foi se inserindo na rotina das pessoas e das empresas, o que deixava de ser algo que atraísse atenções.

A Luciana desafiava coisas que a gerência usurpava como se fosse proprietária. Vagas de estacionamento, atender alguém sem comunicar a ninguém, coisas assim, totalmente irrelevantes, mas que causava enorme confusão, por qualquer coisa ela era chamada na gerência.

No mesmo período fomos agraciados com a chegada de uma nova assessora, que se dizia amiga da família do Pitta e amante de um determinado vereador. Ela era completamente louca nas atitudes. Logo de cara, ela não caiu nas graças da gerente e da supervisora e respondia abertamente a qualquer provocação que recebia. Evidente que ela se apoiou em nosso grupo e intitulava a supervisora como “louca loira varrida”! Como ela já tinha uma certa idade, fazia plásticas e colocava silicones nos seios para ficar mais jovem e atraente. Ela dizia que o tal vereador assim gostava.

Vejam o retrato da educação da ocasião. A essa altura já havia explodido o escândalo da administração Pitta e os recursos para a CET foram diminuídos sensivelmente e para educação menos ainda. Fico pensando agora se a omissão do nosso superintendente de carreia não contribuiu para isso também. Afinal, um fato é ter os recursos retidos para toda a empresa, outro fato é você não ter absolutamente nada por não erguer a voz e solicitar algo, ficando naquela posição defensiva, defendendo apenas o próprio emprego. Creio que ele adotou essa estratégia para não ser defenestrado do cargo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Superintendente de carreira e omisso


Naquela gestão o CETET viveu um momento único até a presente data: foi indicado um superintendente que já era funcionário da empresa, Mauro Ito. Isso não queria dizer que a educação encontraria seu caminho, de qualquer forma e por conhecer as entranhas da área, o novo comandante enchia de esperança o corpo de funcionários.

Analisando agora através do túnel do tempo, a posição dele era bastante delicada, motivo pelo qual talvez tivesse sido melhor recusar a oferta. Ora, como oriundo das camadas de base dos empregados, muitos acharam que ele poderia ter realizado melhor sua gestão, entretanto, como saiu da supervisão do EVT como agora ele iria enfrentar a estrutura das chefias? Ele diante de tal conflito tomou a atitude de “ostra”: fechou-se na sala e deixou o CETET caminhar sozinho. Decepção total, co certeza foi um dos superintendentes mais omissos que o CETET já teve.

Passamos então a ter no CETET um “sistema parlamentarista” de comando. Nesse sentido, o Mauro era o superintendente, mas quem administrava, quem decidia era a primeira-ministra e dama de ferro, Helena Raymundo (dama de ferro numa alusão a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher).

O Mauro era o rei, sem poder, figura apenas decorativa. Helena com seu tradicional charme e elegância, era nosso gerente maior. Já disse e repito mais uma vez, a Helena apesar de centralizar algumas decisões, tem conhecimento da matéria, não era uma aventureira... provavelmente naquela ocasião teria sido melhor se ela tivesse assumido a superintendência, assim teria amplos poderes para promover uma mudança, infelizmente isso não ocorreu.

E assim fomos até o final daquela gestão,.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sua excelência: o curso de táxi

As escolas que se credenciaram para dar o curso não tinham pessoal suficientemente capacitado para atender a demanda. Portanto, começaram a nos cercar na CET.

Evidente que por razões de segurança não vou revelar nomes, mas no CETET havia gente que vendia assessorias para outros municípios e, quando outras escolas ficavam buscando instrutores para dar aulas no CETET não tive dúvidas ou medo, fui dar aula a noite e aos sábados no SEST-SENAT. Além de mim, mais duas pessoas da área e outra da educação também foram contratados pela entidade citada. Não vou revelar seus nomes porque não tenho autorização.

Trabalhar durante o dia, a noite e aos sábados era bastante cansativo, mas como a CET achatou os salários, ter uma atividade extra compensava, sem falar que o SEST-SENAT pagava mais que a CET.

Não sabemos como, mas vazou a informação que trabalhávamos em outra escola. Evidente que não poderiam nos punir, afinal, os cursos eram dados em horário diferente da jornada de trabalho da CET. Não contente com isso e sem poder para punir, a supervisão tomou uma medida mais radical: diminuiu o número de pessoas para dar aulas colocando-os em outra atividades e aumentou o número de salas para o curso de táxi, e nos colocou para dar curso de manhã e a tarde. Engraçado que a Solange Reis mesmo não fazendo parte do grupo do SENAT foi “punida” também. Aquela medida nos deixou mais unidos e assim um dava força para o outro superar. A noite praticamente não tínhamos voz, mas nunca desistimos.

Enquanto havia alunos para o curso nos mantivemos firmes no SENAT, mesmo com a cara feia da supervisora.

O que mesma triste olhando agora, que isso era pura hipocrisia, enquanto ficávamos apenas suplementando o salário, pessoas mais graduadas ficavam vendendo EVT’s para outros municípios.

Vencemos aquela batalha com orgulho e a união de todos. Evidente que depois o número de alunos diminuiu e o SENAT não precisou mais de nosso trabalho.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gestão desastrosa

Aquela gestão a medida que evoluía ia mostrando sua total incompetência. A CET teve minguado seus recursos; para se ter uma ideia da situação, até papel higiênico para suprir necessidades básicas da pessoa começou a faltar. Era sugerido que cada empregado trouxesse seu próprio rolo.

O curso de táxi foi reaberto, no entanto, a CET deixou de ser a única escola credenciada a ministrar o curso. Outras entidades foram autorizadas também. O número de interessados era assustadoramente imenso. Das escolas autorizadas, o SEST-SENAT a exemplo da CET, era naturalmente uma escola séria. As demais queriam apenas arrecadar o dinheiro da inscrição.

Obter reajustes salariais era cada vez mais complicado. E naquele momento o real sofreu uma tremenda desvalorização com a crise no mercado externo.

O interessante é que as pessoas que tinham ajudado a eleger o Pitta começaram a criticar a gestão, mas isso era apenas um embuste, já que provavelmente a gestão não seria reeleita e a possibilidade do PT voltar era grande.

O CETET estava literalmente abandonado. Somente o curso de táxi, com numerosos alunos davam vida ao Centro.

Além de mim, davam curso a Silvana, Solange Reis, Leal, Lúcia, Valéria e o Rui. Tinham curso de manhã e a tarde e se alguém faltasse mataria de raiva o outro que teria que dobrar. Dobrar era a tortura que o instrutor não queria para si.

A supervisão não tinha planejamento, queria que as coisas funcionassem por osmose. O superintendente era omisso, se trancava na sala e nem sabia o que acontecia. Para não dizer que era totalmente omisso, ele mandava seu motorista comprar vale-transporte dos empregados que vendiam e depois os entregava para a gerência de RH para punir o suposto infrator. Tanto um como outro posteriormente foram defenestrados da CET.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CTB

Enquanto algumas pessoas ainda ficavam ressentidas com os concursos que finalmente na ocasião foi extinto, passei a estudar com mais disposição o novo Código de Trânsito Brasileiro. Coloco três momentos decisivos na mina carreira na CET: o primeiro foi quando fui indicado para o DTP; o segundo foi esse, do CTB, e o terceiro foi quando em 2003 foi lançado a pedra fundamental da inclusão, que ainda é um sonho.

Quando o CTB entrou em vigor, as empresas entraram em pânico, queriam palestras, explicações e esclarecimentos. Como havia me preparado muito tempo antes, estava no auge do conhecimento da nova lei. A primeira empresa que fui dar palestras foi no setor de transporte. Uma empresa de ônibus da zona leste. Comecei a sair mais da empresa, junto com o motorista Serginho que sempre foi muito solícito comigo. Fui dar inclusive uma palestra na cidade de Bragança Paulista, enfim, a CET valorizou mais a minha participação.

Atualmente tenho diversas opiniões formadas sobre o CTB, como a questão da lei seca, ultrapassagens e outras, vou ao longo tempo colocando-as para opinar e discutir certas condutas.

Fiz muito trabalho fora de São Paulo fazendo palestras aos sábados sobre o CTB. Visitei 9 cidades em São Paulo, participei de um debate em Porto Alegre e outro na BHTRANS em Belo Horizonte. Depois a lei ficou comum e a procura desapareceu, como tudo na vida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Concursos internos – o inferno está próximo – 3

Ouvi de alguém algo muito verdadeiro: 'As quatro coisas que não voltam para trás': - A pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida, e o tempo passado'.

Não podia deixar de me inscrever para outro concurso de pleno. Observando o provérbio acima, decidi participar daquele concurso. A maioria dos instrutores também poderia participar.

Estudei com ajuda da minha amiga Silvana fui o melhor nas duas fases e fiquei em primeiro lugar. A segunda fase foi sobre o trabalho propriamente dito, portanto, não tive nenhuma dificuldade.

Esse terceiro concurso confirma minha posição de pessoa persistente. Fiquei triste com alguns fatos já relatados que tinham acontecidos, mas ainda assim encontrei forças para fazer mais esse.

Infelizmente algumas pessoas achavam durante o processo que eu não deveria passar por ter uma deficiência, como se o cargo exigisse aprimoramento físico. Pobre pessoa que ainda está lá.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Concursos internos – o inferno está próximo – 2

Vou falar uma coisa aqui: se há algo que admiro em mim e a persistência. Realmente sou uma pessoa bastante persistente para atingir meus objetivos. No entanto, orgulho-me de jamais ter sido preciso passar por cima de alguém para atingir meu foco.

Pois bem. Fui participar do segundo concurso. Esse era para Analista Sr. Um cargo que muitos queriam para si. Além de mim, e de acordo com o edital, somente a Maria Helena poderia prestar. E vejam, ela merecia o cargo, não apenas porque estava na linha imediata para Sr. (ela era Pleno e eu Jr), como também pela história que construiu. Fomos para a prova e confesso que fui muito bem na primeira fase. Passamos. Na segunda fase fui muito bem novamente. Saiu o resultado. Somente ela havia passado. Não discuto a colocação dela, acredito que ela tenha ido melhor mesmo e o resultado favorável a ela não era injusto. O que foi injusto e cruel, foi ter sido eliminado, não me permitiram a segunda colocação. A segunda colocação era muito importante, afinal, era uma questão de tempo e com certeza seria promovido ao cargo. Fui conversar com a gerente que me disse que realmente tinha ido bem nas duas fases, mas infelizmente somente uma pessoa seria classificada.

Confesso que sai da sala dela decepcionado, não apenas com a atitude da empresa, como também com a falsidade de algumas pessoas que vieram tentar me confortar. E não era ninguém de minha área.

Pouco depois ficou claro porque fui eliminado: foi aberto outro concurso para o mesmo cargo, ou seja, se elas não tivessem me eliminado, consequentemente o cargo aberto seria meu. Os boatos indicavam que determinada pessoa seria a primeira colocada no novo concurso. E realmente o nome se confirmou.

Isso ficou marcado para sempre mim. Agora não vou mais atingir esse cargo no novo sistema. Ano passado (2008) teve uma nova prova para o cargo equivalente, entretanto, como não estava bem de saúde e afastado não consegui participar. Pode ser que haja uma nova prova em 2010, somente não sei se vou estar em condições para participar. Portanto, fica aqui publicamente o meu desprezo por todas as pessoas que fizeram aquilo comigo no passado e lembrando a elas, tanto as que foram embora, como aquelas que ainda estão, que um dia vocês vão tomar ciência do que fizeram e possivelmente irão responder por isso, não para mim, mas para a vida.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Concursos internos – o inferno está próximo

A nova gestão teria que dar continuidade ao processo de ascensão profissional que vinha sendo implantado desde a gestão anterior, através de concurso interno. Era muito desumano esse modelo de concorrência, afinal, seu tempo de experiência pouco importava.

Recordo-me que o primeiro concurso que participei era para Analista Pleno. Não importava seu tempo de trabalho, quase todos puderam participar. Segundo comentários e boatos da época, a primeira colocada, que não preciso informar o nome, passou porque seu marido tinha uma participação direta na gestão. Considerando os escândalos do prefeito Celso Pitta, a história deve ter um fundo de verdade.

Ela foi trabalhar em nossa área. E o que era engraçado, para não dizer trágico, que a fulana de tal tinha que aprender o trabalho conosco. Ora, isso era um verdadeiro absurdo, afinal, se alguém foi aprovado para ser seu superior a pessoa tem que saber um pouco mais. Ela não sabia de nada e ainda quando aprendia alguma coisa com as meninas, Silvana, Solange Leal e a Reis ainda era arrogante. Ela veio do EVT Chico Landi, e como passamos a tratá-la de forma dura, ela ia passear na antiga área ou no EVT Caio Graco e reclamava de nós!! Um dia uma pessoa do EVT Caio Graco que ocupava um cargo de analista teve a infelicidade de me pedir para tratar melhor a dita cuja. A pessoa era e é minha amiga, mas nunca acreditou em mim, paciência. Continuei tratando a pessoa da mesma forma em que era tratado. Depois de algumas controvérsias, a “supra-sumo” pediu demissão e foi embora. E sempre do outro lado ficou a versão de que ela foi embora por não suportar a pressão. Mentira! Ela foi embora porque não tinha competência para estar naquela posição.

Amanhã ainda tem mais concurso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Esperança

Sempre quando uma nova gestão inicia seu mandato, nós da educação renovamos nossas esperanças de um quadro melhor. Na minha simplicidade de ver os fatos, reflito que se os acidentes de trânsito são ainda muito superiores aos números que consideramos adequados é que algum erro está sendo acontecendo na pirâmide. Ora, se há uma fiscalização rigorosa, se a engenharia de tráfego está fazendo seu trabalho, alguém com poder precisa refletir e verificar se investir mais em educação não vamos ter um retorno melhor.

O ano de 1997 foi fundamental para mim. No Congresso Nacional discutia-se uma nova lei de trânsito, um novo Código. Como sou membro da OAB-SP pude participar de várias consultas públicas e seminários sobre o tema. Geralmente participava dessas discussões em horários fora da rotina de trabalho, ainda mais considerando que não houve por parte do CETET interesse em estar envolvido nessas plenárias. Evidentemente que isso ocasionou um déficit de conhecimento quando o Código entrou em vigor no ano seguinte. Isso foi falta de planejamento, mesmo porquê as empresas ficavam pedindo palestras sobre o CTB e o Treinamento não tinha gente preparada para isso.

Minha vida na CET iniciava um novo ciclo. Continuava perto da Solange Reis, da Leal e da Silvana, e simultaneamente ia abrindo outras fontes de interesse.

O que para mim era inadmissível era ficar naquele processo letárgico que a nova superintendência impôs ao CETET.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Agência Estado - 15.10.09

15/10/2009 - 10h10

SP e Rio têm transporte mais caro na América Latina, diz pesquisa

Em São Paulo

As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro têm as tarifas mais caras de transporte público dentre as grandes cidades da América Latina. Na capital paulista, gasta-se em média US$ 0,99 por uma passagem de ônibus, metrô ou trem. O valor no Rio é de US$ 1,01. As duas capitais brasileiras ficam respectivamente em 40º e 42º lugar no ranking das mais caras dentre 73 cidades de todo o mundo, segundo a edição 2009 do estudo "Prices and Earnings", realizado pelo banco suíço UBS. Os valores são referentes a março deste ano.
A pesquisa do banco suíço é publicada a cada três anos, analisando o custo de vida das cidades, com base nos preços de alimentação, moradia e transporte, entre outros. Em relação a transportes, é verificado o valor gasto com uma passagem para percorrer 10 quilômetros - ou dez paradas - de ônibus, metrô ou trem. Os dados de 2009 mostram que a média mundial é de US$ 1,40 - e Europa Ocidental e América do Norte concentram os valores mais altos. As passagens mais baratas estão na América do Sul.
Três cidades sul-americanas apresentam valor de passagem inferior a US$ 0,50, que é a metade do registrado nas capitais paulista e fluminense: Buenos Aires (US$ 0,31), Caracas (US$ 0,40) e Lima (US$ 0,38). O preço das passagens no Brasil é superior até mesmo ao de cidades que têm sistemas de transporte considerados modelos, como o de Bogotá, que custa US$ 0,57. A capital colombiana foi pioneira na implementação de um eficiente sistema de corredores de ônibus, o TransMilenio, que já foi adotado por outras cidades, como Curitiba, no Paraná, e Cidade do México
Defesa
"O Brasil tem uma estrutura de transporte diferente da de outros países. É uma estrutura mais empresarial, com regras trabalhistas e fiscais mais rígidas e por isso o valor da tarifa é maior", diz o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Marcos Pimentel Bicalho.
Segundo ele, em muitos países da América Latina o transporte ainda é informal e com pouca ação do Estado, o que permite que áreas menos lucrativas para os empresários não sejam atendidas. "Bogotá tem o TransMilenio que é espetacular. Os corredores parecem metrô em relação à rapidez e à quantidade de gente transportada. Mas a cidade tem outra realidade: os milhares de micro-ônibus que rodam sem regulação." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gestão Celso Pitta

A gestão do novo prefeito pouco alterou o quadro da educação de trânsito que vinha em constante processo de esfacelamento.

Para o CETET, foi indicado para ser o novo superintendente, um tal de dr. Koki Kanda, que era do setor imobiliário, portanto, bem distante do universo da educação. Ele era fechado, ficava em sua sala e praticamente não conversava com ninguém. Apresentou-se como advogado que era, pouco transitava pelos corredores, no entanto, tinha uma rede de informações bem distribuída pelo CETET, de forma que tomava conhecimento de tudo que acontecia lá. Seria leviano de minha parte mencionar alguns nomes sem provas concretas, mas quem participou daquele momento sabe exatamente de quem estou falando.

Mais adiante vamos comentar mais, mas a sorte do CETET foi a indicação da Helena Raymundo para ser nossa gerente. O fato dela ser funcionária de carreia facilitou muito as relações internas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Eleições de 1996 – uma tragédia para São Paulo

Até a eleição de 1996, a cidade de São Paulo tinha visto somente políticos brancos na condição de reais postulantes à prefeitura. Na história política da cidade de São Paulo a cadeira de prefeito, e mesmo a de vereador, têm sido, tradicionalmente, ocupadas por homens brancos, ricos e filiados a partidos conservadores. Dessa forma, a emergência do economista Celso Pitta como o primeiro negro com reais chances de vencer na maior cidade do país representava um marco na história política brasileira. No entanto, isso não foi uma garantia de uma gestão que marcaria a cidade pelo lado positivo.

Nas eleições de 1996, doze candidatos apresentaram-se para disputar a prefeitura de São Paulo, sendo duas mulheres e 10 homens. Entre estes, pelo menos três poderiam ser classificados como afro-descendentes.

Surpreendentemente, o prefeito Paulo Maluf lançou como representante do seu
partido, o PPB, na corrida eleitoral, o inexperiente economista negro Celso Pitta, exsecretário de finanças do seu gabinete, para enfrentar políticos consagrados nas urnas paulistas. A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, antecessora de Maluf na gestão 1989-91, conquistou o direito de representar o PT; o incansável senador José Serra colocou-se uma vez mais como o nome do PSDB; o ex-prefeito de Osasco Francisco Rossi, empolgado pela votação que o levou a segunda colocação na eleição ao governo de São Paulo em 1994, era o candidato do PDT, enquanto o médico José Pinotti empunhava a bandeira do PMDB.
Sob a benção do prefeito Paulo Maluf, Pitta ficou à frente da coligação “Não deixe São Paulo parar”, dos partidos de direita PPB e PFL, cujo nome não deixava dúvidas que seu propósito era o apelo à continuidade política e administrativa. Luiza Erundina liderava a aliança “SIM para São Paulo”, formada por partidos de esquerda (PT, PCB, PMN, PSB, PC do B). Seu grande desafio era neutralizar a rejeição que envolvia seu nome e o do PT, tendo em vista que logo no início da campanha, Erundina percebeu que 42% dos eleitores repudiavam a idéia de votar nela por considerar, entre outras coisas, que o PT seria um partido de radicais que sempre se posicionavam contra qualquer proposta dos seus adversários políticos. Para tanto, a estratégia da campanha foi usar a palavra “SIM” como marca em todo material de propaganda para representar uma nova postura pró-ativa e de negociação da candidata e do seu partido na cena político-eleitoral. Serra, por sua vez, comandava a coligação de centro-esquerda “SP São Paulo” (PSDB, PV, PPS, PSL), mobilizando o sentimento de orgulho paulistano, como sugere o nome da sua frente de partidos. Representando grandes partidos, mas encabeçando frágeis alianças, José A. Pinotti com a coligação “Viver São Paulo” (PMDB-PSDC) e Campos Machado com a coligação “São Paulo Esperança” (PTB PAN- PSD). À frente do PDT, PST, PL, o ex-prefeito da cidade de Osasco, Francisco Rossi, deixava registrado o caráter personalista da sua campanha no próprio nome da sua coligação “Rossi para São Paulo”.

A maioria dos funcionários do CETET não queria a volta da Erundina, embora sob a gestão dela a educação tenha encontrado alguns rumos;

Pitta conquistou 48,2% dos votos no primeiro turno, ostentando um desempenho que quase lhe permiti vencer o pleito já no primeiro turno. No segundo turno, Pitta derrotou a ex-prefeita Luiza Erundina (PT) com 62,3% contra 37,7%.

A eleição de Celso Pitta se mostraria posteriormente um verdadeiro desastre, não apenas para a cidade, mas também para a CET.