Ally e Ryan

Ally e Ryan

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - como a escola se adapta à inclusão


Maria Teresa Mantoan orienta a forma como escola precisa se adaptar para a inclusão:

“Além de fazer adaptações físicas, a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares, de preferência no mesmo local. Assim, uma criança cega, por exemplo, assiste às aulas com os colegas que enxergam e, no contraturno, treina mobilidade, locomoção, uso da linguagem braile e de instrumentos como o soroban, para fazer contas. Tudo isso ajuda na sua integração dentro e fora da escola”.

A dúvida fica sempre naquela questão, como garantir atendimento especializado se a escola não oferece condições?
Para isso, a professora nos ensina que “a escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial, disponíveis na maioria das redes.
Enquanto isso, a direção tem que continuar exigindo dos dirigentes o apoio previsto em lei. Na particular, o serviço especializado também pode vir por meio de parcerias e deve ser oferecido sem ônus para os pais”.

Evidentemente que estudantes com deficiência intelectual severa é o grande desafio para estudar em uma classe regular, e para isso vale observar sua abordagem:

“Sem dúvida. A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação, e os mais excluídos sempre são os que têm deficiências graves. No Canadá, vi um garoto que ia de maca para a escola e, apesar do raciocínio comprometido, era respeitado pelos colegas, integrado à turma e participativo. Há casos, no entanto, em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada. Para que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-la a um tratamento, é importante manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado”.

terça-feira, 29 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN


Dando sequência aos estudos da professora Maria Teresa Eglér Mantoan, hoje vamos abordar outras questões relativas a inclusão:

De acordo com seu pensamento para que uma escola se torne inclusiva é necessário em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão.

E não apenas isso, ela acrescenta que “diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não.

Sobre a inclusão no Brasil ela afirma:

“Estamos caminhando devagar. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental, sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola , que não substitui o ensino regular. Há outra questão, um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência intelectual. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Blog - Assim como você

O blog do jornalista da Folha de São Paulo, Jairo Marques, fez uma menção hoje do meu trabalho em educação de trânsito para pessoas com deficiência, quem quiser ler basta acessar o link
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/ , "Cuidado com a rua".
Valeu Jairo e obrigado. Ah a charge acima é ele em pessoa!!

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - considerações iniciais

"Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças"

Para a educadora, na escola inclusiva professores e alunos aprendem uma lição que a vida dificilmente ensina: respeitar as diferenças. Esse é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa.

Para Maria Teresa Eglér Mantoan, inclusão “é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento intelectual, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.

Para ela a inclusão traz inúmeros benefícios para alunos e professores, conforme podemos observar a seguir de sua declaração sobre este assunto:
“A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação”.

sábado, 26 de junho de 2010

Maria Teresa Eglér Mantoan

A partir de hoje vamos estudar Maria Teresa Eglér Mantoan, professora da Universidade Estadual de Campinas, ela é um expoente na área da Educação Inclusiva. Vejam essa entrevista que ela concedeu à Revista Educação, na sua edição de número 100:

Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?

A educação básica está vivendo um grande desafio, que é o de resolver a equação qualidade de ensino X quantidade de alunos.
O direito de todos à educação precisa ser assegurado e a inclusão dos que estavam (estão) fora das escolas potencializa esse desafio.
Nossas políticas públicas não acompanham os avanços educacionais e neutralizam todas as perturbações que as diferenças, por exemplo, ocasionam nas salas de aula. A cultura escolar ainda vive dos mitos do aluno ideal, da sala de aula homogênea, da reprodução do conhecimento fragmentado em áreas, transmitido seqüencialmente, do mérito escolar medido por comparação de desempenhos nas áreas do conhecimento. O diagnóstico não é dos mais favoráveis às grandes mudanças que temos de empreender para que a escola básica brasileira corresponda aos nossos anseios de uma educação de qualidade, democrática e aberta a todos, sem discriminações, segregação, preconceitos.

Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?

Avalio a formação do professor com muitas reservas. No meu ponto de vista é preciso aliar teoria a práticas educacionais, durante todo o percurso do aluno na universidade.
Precisamos garantir uma sólida formação do profissional de educação, calcada na discussão, no questionamento de situações vivenciadas no cotidiano escolar. Este é, a meu ver, o cenário mais adequado para a preparação desse profissional, na sua formação inicial e também na formação em serviço. Em uma palavra, seria ideal que os alunos/professores aprendessem fazendo e teorizando a própria prática educacional.

Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?

De certo existem escolas públicas e particulares envolvidas em projetos interessantes de trabalho, mas prefiro não destacar modelos e sim a necessidade de cada escola elaborar, autonomamente, seus projetos político-pedagógicos, para que possam ministrar um ensino que atenda às necessidades de seus alunos e aos propósitos que definiram como seus alvos preferenciais de trabalho. Escola-modelo para mim é aquela que conseguiu ultrapassar o anonimato das propostas universalistas e encontrou sua identidade.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Mundo sem Som!

EMEE Helen Keller

Como se relacionar com um surdocego?


Pergunte como deve se comunicar com o surdocego ao seu guiaintérprete ou ao acompanhante. As formas são variadas e extremamente particulares.
Os surdocegos andam, normalmente, com um guia-intérprete ao seu lado para conseguir estabelecer a comunicação com outras pessoas. Quando chegar perto de um surdocego, toque-o levemente na mão para sinalizar que está ao seu lado. O guiaintérprete é quem vai guiar essa interação.

A comunicação com pessoas surdocegas

Os sistemas de comunicação usados pelas pessoas surdocegas são divididos em Alfabéticos e Não Alfabéticos. Vamos conhecê-los.

Sistemas Alfabéticos

Alfabeto Dactilológico: as letras do alfabeto se formam mediante diferentes posições dos dedos da mão;
Alfabeto de Escrita Manual: quando o dedo indicador da pessoa surdocega funciona como um lápis escrevendo o que quer sobre a outra mão;
Tablitas Alfabéticas: são tábuas que têm letras escritas em forma maiúscula ou impressas em Braille. Para a comunicação, o interlocutor
vai assinalando cada letra para formar uma palavra com o dedo da pessoa surdocega e ela responde fazendo o mesmo procedimento;
Meios Técnicos com Saída Braille: são máquinas utilizadas pelo surdocego que conhece o Braille.

Sistemas Não Alfabéticos

Libras: Língua Brasileira de Sinais utilizada pelas pessoas surdas.

Tadoma: consiste na percepção, por meio da mão da pessoa surdocega que repousa sobre a boca de quem fala para sentir a vibração das palavras.

Alguns surdocegos se comunicam colocando a mão em sua boca para sentir a vibração do som que você está emitindo.

Quando falamos em tadoma, estamos nos referindo ao método de vibração do ensino da fala. A criança que está sendo ensinada no tadoma tem que colocar uma e inicialmente as duas mãos na face da pessoa que está falando. Com bastante treino e prática a possibilidade de se comunicar através deste método tende a ser grande SISTEMA PICTOGRÁFICO.

Os símbolos de comunicação pictórica - Picture Communication Symbols (PCS) fazem parte de um Sistema de Comunicação Aumentativa (CAA) que refere-se ao recurso, estratégias e técnicas que complementam modos de comunicação existentes ou substituem as habilidades de comunicação existentes.

Em síntese, o sistema pictográfico consiste-se de símbolos, figuras, etc, que significam ações, objetos, atividades que entre outras características podem servir como símbolos comunicativos, tanto receptivamente quanto expressivamente.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Surdocegueira


É uma deficiência única que apresenta a perda da audição e da visão concomitantemente em diferentes graus, o que leva a pessoa surdocega a desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com pessoas e meio ambiente.

Há tempos, essa deficiência era considerada como deficiência múltipla sensorial, mas suas particularidades comunicacionais estabeleceram a necessidade de uma designação e especificação de deficiência própria. A surdocegueira é a deficiência sensorial em sua plenitude, pois o contato com o mundo exterior pode ser totalmente cerceado.

Pessoas que têm surdocegueira podem apresentar diferentes níveis da deficiência.
Há surdocego que enxergue pouco e não ouça nada, bem como quem ouça um pouco e não enxergue nada. Há também quem não pode ouvir nem ver completamente nada. Segundo Censo do MEC (Ministério da Educação), no Brasil existem 1.250 pessoas com surdocegueira.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nanismo


Os anões são pessoas com estatura reduzida, eles atingem entre 70 cm e 1,40 m na idade adulta. Por conta disso, os anões têm sérias dificuldades de locomoção em cidades planejadas para pessoas com média ou alta estatura. Essa observação - de que os anões também precisam de acessos - levou essa parcela da população a ser considerada como pessoas com deficiência pelo Decreto Federal 5.296/2004. Mas as dificuldades que os anões enfrentam não ficam apenas no campo arquitetônico.

Os anões sofrem bastante com o preconceito. Muitas pessoas têm medo deles ou, então, os tratam com infantilidade ou ridicularização.

Por causa da baixa estatura, os anões não conseguem acessar muitos ambientes, produtos e serviços de uso público, como balcões de atendimento, prateleiras em supermercados, degraus, transportes, caixas eletrônicos, mobiliário público e doméstico em geral (mesas, cadeiras, bancos, camas, estantes, armários etc.). Até quando fazem adaptações para pessoas com deficiência, não pensam no anão. Um caixa eletrônico, por exemplo. Tem casos em que o cadeirante consegue acessar um caixa eletrônico adaptado, mas mesmo este modelo - que é mais baixo - não serve para o acesso de um anão. Ele não consegue, por causa do comprimento dos seus braços, chegar nas teclas.

Orientá-los a transitar pelas ruas é função da educação para o trânsito. No entanto, o educador deverá levar em consideração as particularidades da cidade, não podemos orientar da mesma forma em que é orientada uma pessoa com estatura maior. Uma caçamba na via, uma banca de jornal já é um obstáculo para sua visão.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Paralisia Cerebral

SINAPSE PARALISIA CEREBRAL PC Patologia

Jovem com paralisia cerebral termina monografia

Paralisia Cerebral



Algumas pessoas têm paralisia cerebral, o que não quer dizer deficiência intelectual.
E por que colocamos este tópico no meio de deficiência física? Porque as pessoas que tem PC (abreviação muito usada) apresentam limitações físicas e motoras.

Vamos explicar isso melhor.

Devido a alguma lesão, o cérebro envia informações em desordem para a realização de movimentos físicos. Assim, uma pessoa com PC pode apresentar expressões estranhas no rosto, dificuldades na fala, gestos involuntários e dificuldades de locomoção, mas não se intimide com isso. Elas mantêm a inteligência absolutamente intacta. Portanto, não as subestimem: elas raciocinam como você. Tenha paciência em ouvi-las, compreendê-las e acompanhar seu ritmo.

Se a fala estiver muito enrolada, peça que repita. Se não conseguir compreender, pergunte. Procure sempre ter tempo para acompanhar essa pessoa, pois seu ritmo é bem mais lento. Agora, o mais importante: não a trate como uma criança. A dificuldade do corpo em compreender as ordens do cérebro já é imensa, portanto, procure facilitar a sua relação com essa pessoa não tratando-a com infantilidade. (Gabrilli, Mara - Manual de Convivência - Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Branco do CETET

o gerente Branco numa foto comigo em 2009

Conheci o gerente do CETET no dia 6 de outubro do ano passado. Quando fui apresentado ao gerente Branco, alcunha pela qual ele é conhecido na CET, não imaginei que ele seria diferente dos anteriores. Estava voltando de uma longa licença médica e confesso que não tinha nenhuma aspiração para continuar trabalhando, considerando que o trabalho de inclusão que fazia fora da CET era muito mais prazeroso e interessante para mim.

Entretanto, no primeiro contato com ele havia algo diferente. De início pensei que seria um gerente como foram os outros, omissos, falastrões e de poucas iniciativas. No decorrer da conversa o sentimento de mudança foi se tornando cada vez mais forte. Ele me propôs um projeto de inclusão direcionado aos educadores do próprio CETET e aos professores de modo amplo, visando melhor atender Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida no âmbito da educação para o trânsito. Respondi que elaboraria tal projeto (que foi feito com ajuda do Milton Roberto de Almeida), no entanto, um projeto assim exigiria do gerente uma mudança de postura, uma visão mais inclusiva das relações profissionais e vontade política para a execução do projeto. Branco afirmou que apoiaria todas as medidas que fossem necessárias para a implantação e execução do programa.

Como já havia passado por outras experiências semelhantes no CETET, achei que a fleuma seria uma medida adequada e prudente diante de outros acontecimentos. Veio o apoio da superintendente ao projeto e as etapas programadas foram sendo realizadas, mesmo depois das mudanças ocorridas no CETET, que o colocaram definitivamente no século XXI. Hoje algumas educadoras em contato comigo, disseram que vão fazer o curso de LIBRAS para melhor atender crianças com deficiência auditiva, com apoio da gerência, o que demonstra mais uma vez que o gerente tem um pensamento convergente quando a questão é inclusão e que vem cumprindo rigorosamente tudo que foi colocado no programa, no caso, capacitar os educadores para o atendimento de crianças com deficiência.

Meu blog é um espaço reservado para o tema inclusão, assim seu acesso vem crescendo diariamente e o número de seguidores também. Naturalmente que, medidas inclusivas devem ser divulgadas como exemplos para serem seguidos por outros gestores, outras pessoas, enfim, que sejam seguidos por todos, isso é inclusão. Portanto, aqui em nosso espaço homenageamos o gerente Luiz Carlos Mantovani Néspoli, ou simplesmente Branco, para que sua coragem e determinação sejam valores que possam ser seguidos por outros gestores da empresa e por todos de modo geral.

Tenho certeza absoluta que as mudanças ocorridas na estrutura do CETET concomitantemente com a temática da inclusão em suas atividades, estão colocando meu querido e bom CETET no caminho da modernidade e da diversidade.

Soroban ou Sorobã

Dorinha, personagem cega da Turma da Mônica

É um ábaco, assim como você provavelmente conheceu ainda criança, nos primórdios da sua educação, para aprender a contar. Mas é um ábaco japonês, diferente, com apenas cinco contas, ou pedrinhas (como preferir chamar agora) em cada ordem numérica.

O seu uso sofreu uma série de aperfeiçoamentos que geraram técnicas extremamente rápidas para executar qualquer cálculo: adição, subtração, multiplicação, divisão, raiz quadrada e outros.
A parte mais interessante e intrigante com certeza é o uso da mesma técnica para fazer cálculos mentais. Treinando as operações no Soroban, vai-se aos poucos adquirindo as mesmas habilidades para fazer cálculos mentalmente de algarismos enormes, para os padrões ensinados nas escolas.

Outras habilidades também são percebidas no uso do Soroban:

Melhora a concentração e memorização, sobretudo para números;
Visualização e inspiração apuradas;
Observação mais atenta;
Processamento de informações mais rapidamente;
Aumento da “velocidade auditiva”;
Cálculo mental.

O nome Soroban (com "N") foi trazido ao Brasil por imigrantes japoneses no começo do século XX. Originalmente Kambei Moori leva para o Japão o Suan Pan (ábaco chinês) e um pequeno manual, iniciando os seus estudos sozinho com este instrumento. Em 1622 publica o seu primeiro livro "Embrião do Soroban".

No Brasil, em 1949, Joaquim Lima de Moraes, adapta o Soroban para uso de cegos, após aprender a técnica ensinada por imigrantes japoneses, abrasileirando o termo para Sorobã.

Então temos dois modelos no Brasil:

Soroban: para videntes (como chamamos os dotados de visão);
Sorobã: o mesmo, mas adaptado para deficientes visuais.
Ambos podem ser utilizados, e os cálculos são praticamente realizados de forma igual nos dois modelos. A manipulação no Soroban (com "N") é mais rápida pois as contas correm livremente, diferentemente do Sorobã, onde as mesmas são presas, mas ambos geram uma aptdão em comum: o cálculo mental.

No Brasil, pelo Sorobã ter substituído o Cubarítmo nas aulas de cáculo, a mídia menciona o ábaco japonês, Soroban, como exclusividade para deficientes visuais. Pretendemos aqui deixar bem claro que trata-se de um instrumento extremamente útil para AMBOS, inclusive videntes.

O Soroban utiliza a base decimal para representar os números.
Antes de representá-los, precisamos entender sua estrutura:

sábado, 19 de junho de 2010

Acessibilidade na cidade de Uberlândia-MG

A cidade de Uberlândia em Minas Gerais dá um importante passo para a inclusão social das pessoas com deficiência na estrutura urbana da cidade. Vejam o vídeo abaixo e sigam essa ideia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - parte 01

Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - parte 02

audiodescrição

O que é audiodescrição ?

O recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.
A audiodescrição permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga.
As descrições acontecem nos espaços entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante, de forma que a informação audiodescrita se harmoniza com os sons do filme.
A audiodescrição permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinema, teatro e programas de televisão. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial, que encontram-se excluídos da experiência audiovisual e cênica.
A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. Os esforços neste sentido visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluída, como também estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade.
“Dizem que uma imagem vale mais do que 1000 palavras, pois bem, a audiodescrição é muito mais que as tais 1000 palavras.”
Marco Antonio de Queiroz, cego, autor do site Bengalalegal, em entrevista sobre sua participação como jurado do Festival de Cinema Assim Vivemos 2007.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 6 (final)

Inclusão: a educação da pessoa com necessidades educativas especiais – velhos e novos paradigmas


Condições que facilitam a prática educativa em escolas inclusiva

 Atitudes positivas e favoráveis e acordo consensuado de toda a comunidade educativa. A condição mais importante para que a inclusão educativa e social seja possível é que a sociedade em geral e a comunidade educativa aceite a diversidade como um elemento en¬ri¬que¬cedor do desenvolvimento pessoal e da prática educativa.

 Legislação clara e precisa e planos de ação de educação para que todos promovam o desenvolvimento de escolas inclusivas.

 Projetos educativos institucionais que contemplam a diversidade como um eixo central em torno das decisões. A resposta à diversidade, como todo processo de inova¬ção, afeta a globalidade do centro e implica questionar a prática educativa tradicional e introduzir mudanças substanciais na mesma. Trata-se de um projeto da escola e não de professores isolados.

 Trabalho de colaboração entre todos os envolvidos no processo educativo. As escolas em que existe um bom nível de colaboração e de ajuda mútua, contribuem de maneira mais eficaz para o desenvolvimento dos alunos e são as que mais crescem como instituição.

 Currículo flexível, amplo e equilibrado e meios de acesso ao mesmo. O currículo comum com as adaptações necessárias há de ser a referência para a educação de todos os alunos.

 Estilo de ensino flexível. Os estilos de ensino que partem das necessidades, conhecimentos e interesses dos alunos, que utiliza a diversidade de estratégias meto¬do¬lógicas e procedimentos de avaliação facilitam a resposta à diversidade. Os professores têm que conhecer bem a todos os seus alunos e organizar experiências de aprendizagem nas quais todos possam participar e progredir na medida de suas possibilidades.

 Recursos de apoio humano e materiais. É indispensável contar com uma série de apoios e reforços de caráter especializado que possam conjuntamente com o professor de educação regular atender às necessidades das escolas.

 Formação adequada de todos os envolvidos no processo educativo. Todos os professores deveriam ter conhecimentos básicos sobre a forma de organizar o currículo e o ensino para responder às necessidades de todos os alunos. Uma estratégia que se tem mostrado eficaz é a formação centrada na escola como globalidade em função do seu projeto, problemática e necessidades concretas.

Para fins de reflexão a respeito do tema inclusão, que envolve a sociedade e as pessoas com deficiência, que inclui, os deficientes visuais, e as necessárias mudanças na formulação de projetos pedagógicos, convém considerar:
Uma modificação estrutural do sistema educacional brasileiro (Glat, 1998), que envolve uma análise séria e profunda do caráter político-ideológico deste sistema e sua influência na formulação dos quadros dos profissionais da educação e da saúde (grifo do autor).

 Desenvolver estudos e pesquisa, comunicar experiências sobre “inclusão” para se ter clareza de sua implementação no diversificado contexto da realidade sócio histórica ¬cultural brasileira.

Para essas postagens que se encerram hoje estudei o autor Hildemar Veríssimo, psicólogo voluntário do Instituto Benjamin Constant, professor titular de Psicologia do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação e Mestre em Educação pela UERJ

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 5

Inclusão: a educação da pessoa com necessidades educativas especiais – velhos e novos paradigmas



Da integração à inclusão

Seguindo tendência do século passado, este século continua vivendo um estágio de transição entre a integração e a inclusão.
Os dois termos são falados e escritos com diversos sentidos. Os conceitos de integração e inclusão na moderna terminologia de inclusão social.
- Integração – inserção da pessoa com deficiência preparada para conviver na sociedade.
- Inclusão – modificação da sociedade como pré-requisito para a pessoa com deficiência desenvolver-se e exercer a cidadania.

Modelo social da deficiência

Aqui a sociedade é que cria os problemas para as pessoas com deficiência . Desse modo, à sociedade cabe eliminar todas as barreiras físicas, programáticas e de atitudes para que as pessoas com deficiência possam ter acesso aos lugares, serviços e a bens necessários ao seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional. Este modelo social da deficiência focaliza os ambientes e barreiras incapacitantes da sociedade e não as pessoas com deficiência.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Marta Kohl - Vygotsky - Parte 4

Inclusão: a educação da pessoa com necessidades educativas especiais – velhos e novos paradigmas


Conceitos inclusivistas

Autonomia
É a condição de domínio do ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade de quem a exerce. Daqui sai os conceitos de autonomia física e autonomia social. Exemplos: rampas nas calçadas, cadeira de rodas. O grau de autonomia resulta da relação entre o nível de prontidão físico-social da pessoa com deficiência e a realidade de um ambiente físico-social. (Sassaki, 1997)

Independência
Capacidade “de decidir sem depender de outras pessoas, tais como: membros da família ou profissionais especializados”. A pessoa deficiente pode ser mais independente ou menos independente, e isso vai depender da sua autodeterminação e/ou prontidão para tomar decisões numa situação. Ambas podem ser aprendidas e/ou desenvolvidas.

Empowerment
“Processo pelo qual uma pessoa, ou um grupo de pessoas, usa o seu poder pessoal inerente a sua condição” – por exemplo: deficiência, gênero, idade, cor – para fazer esco¬¬lhas e tomar decisões. O poder pessoal está em cada ser humano. A sociedade não tem consciência de que o portador de deficiência também possui esse poder pessoal, e aí a sociedade faz escolhas e toma as decisões por ele.

Equiparação de oportunidades

A Disabled Peoples lnternational, uma organização criada por pessoas com deficiência, não-governamental e sem fins lucrativos aprovou a sua Declaração de Princípios, em 1951. “Processo através do qual os sistemas gerais da sociedade – tais como o ambiente físico e cultural, a habitação e os transportes, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades educacionais e de trabalho, a vida cultural e social, incluindo as instalações esportivas e recreativas – são feitos acessíveis para todos.” (United Nations, 1983, 12)

Inclusão Social

Processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais gerais, pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. Trata-se de um processo bilateral no qual as pessoas, ainda excluídas, e a sociedade buscam equa¬cionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos.

Para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada a partir da compreensão de que é ela que precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros.
A prática da inclusão social repousa nos seguintes princípios:

 aceitação das diferenças individuais;
 valorização de cada pessoa;
 a convivência dentro da diversidade humana;
 a aprendizagem através da cooperação.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Folha de São Paulo

TENDÊNCIAS/DEBATES

Atravessar o deserto

LINAMARA RIZZO BATTISTELLA


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Ainda faltam condições para que as pessoas com deficiência possam superar as limitações e participar de forma plena da sociedade
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Caravana. Palavra de origem persa que remete à travessia de um povo ou exército pelo deserto. Batalha similar é protagonizada pelas pessoas com deficiência, em busca de políticas públicas que atendam suas necessidades.
Pensando nos anseios daqueles que, por vezes, estão do outro lado do deserto, estamos iniciando, no Estado de São Paulo, as chamadas Caravanas da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania, que percorrem o Estado debatendo e implantando políticas públicas regionais para atender as pessoas com deficiência.
As estatísticas apontam para elevado número de pessoas com deficiência no mundo atual, em decorrência de causas como doenças, acidentes, violência urbana etc., que, com avanços científicos, tiveram condição de sobrevivência.
Entretanto, as questões sociais e ambientais não evoluíram na mesma proporção, no sentido de oferecer condições para que as pessoas com deficiência possam superar as limitações e participar de forma plena e efetiva em todas as instâncias da sociedade.
Trazer para o centro do debate questões como educação para inclusão, reabilitação, empregabilidade e desporto, propor espaços e produtos acessíveis, derrubar barreiras e práticas discriminatórias é o propósito dessa caravana.
Articular o trabalho entre as diferentes esferas do governo, apontando a importância de inclusão da pessoa com deficiência para o avanço do processo civilizatório, é o principal objetivo do debate.
Nesse sentido, a Rede de Reabilitação Lucy Montoro, com hospitais e centros de reabilitação com enfoque exclusivo para o atendimento de deficiências físicas, oferece 50 mil atendimentos por mês, e, até o final de 2011, possibilitará, nas 18 unidades em regiões estratégicas do Estado, mais de 200 mil atendimentos por mês, além da oferta de órteses, próteses e meios auxiliares à locomoção.
O envolvimento das universidades e centros tecnológicos é vital para criar alternativas tecnológicas que garantam mais autonomia e independência. Com essa diretriz, o governo de São Paulo, desde 2008, adota o desenho universal nas moradias de interesse social.
Em 2010, a colaboração entre a CDHU e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência permitirá reformar e adequar centros comunitários dos conjuntos habitacionais de 123 municípios para além da acessibilidade arquitetônica, garantindo inclusão digital.
Assim, observamos que a mobilização que vem ocorrendo está impactando a sociedade a partir da maior exposição e participação das pessoas com deficiência nos diversos contextos, inclusive no trabalho, fomentando discussões, popularizando o assunto e despertando o interesse social na mídia.
Discutir o trabalho e a deficiência permite refletir sobre a "humanidade do homem", tendo o trabalho como meio de existência e o mercado como alicerce da autonomia e independência, princípio fundamental de sociedade que respeita a liberdade, incorpora a diversidade e promove os direitos humanos.
Essa caravana é nossa e precisamos atravessar juntos esse deserto, transformando os direitos das pessoas com deficiência em soluções para toda a sociedade.

LINAMARA RIZZO BATTISTELLA, médica fisiatra, professora da Faculdade de Medicina da USP, é secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Marta Kohl - Vygotsky - parte 3

Inclusão: a educação da pessoa com necessidades educativas especiais – velhos e novos paradigmas

Mainstreaming

O princípio de mainstreaming, termo que na maioria das vezes tem sido utilizado sem tradução, significa levar os alunos o mais possível para os serviços educacionais disponíveis na corrente principal da comunidade.

Mainstreaming se refere à integração temporal, instrucional e social do excepcional elegível com crianças sem deficiência, de forma progressiva, baseada em estudos e avaliações individuais, requer aceitação e responsabilidade administrativa entre o sistema regular de ensino e educação especial (Pereira, 1980).

Tanto o princípio da normalização como o processo de mainstreaming foram importantes elementos na aquisição de conhecimentos e experiências de integração para o surgimento do paradigma da inclusão. (Sassaki, 1997)

Atualmente a prática da integração social dá-se de três formas, segundo Sassaki (1997):

1) Pela inserção das pessoas com deficiência que conseguem utilizar os espaços físicos e sociais, os programas e serviços, sem nenhuma modificação da sociedade (escola comum, empresa, clube etc.);

2) Pela inserção das pessoas com deficiência que necessitam de alguma adaptação específica no espaço físico comum, no procedimento da atividade comum, a fim de só então, estudar, trabalhar, ter lazer, conviver com pessoas não-deficientes; e,

3) Pela inserção de pessoas com deficiência em ambientes separados dentro dos sistemas gerais. Exemplo: escola especial junto à comunidade.

Em suma: no modelo integrativo, a sociedade aceita receber as pessoas com deficiência desde que sejam capazes de:
 Moldar-se aos requisitos dos serviços especiais separados (classe especial, escola especial).
 Acompanhar os procedimentos tradicionais (trabalho, escolarização, convivência social etc.).
 Contornar obstáculos existentes no meio físico (espaço urbano, edifício).
 Lidar com atitudes discriminatórias da sociedade resultantes de estereótipos, preconceitos e estigmas: rotulagem verbal, discriminação, incapacidade e segregação (Amiralian, 1986).
 Desempenhar papéis sociais individuais com autonomia mas não necessariamente com independência.