Ally e Ryan

Ally e Ryan

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Educação para o trânsito – educar, educando e educado


A educação para o trânsito encontra nas formas verbais sua verdadeira vocação e responsabilidade.

Na forma nominal do infinitivo temos o verbo educar na sua essência, nesse sentido é dever do poder público educar as pessoas para se relacionarem no espaço público. Podemos inferir que no infinitivo o verbo educar remete às autoridades constituídas o dever de agir com prevenção. Nesse sentido, quando o CTB prevê que a educação de trânsito deve estar inserida na formação da pessoa, há uma obrigação contida, que infelizmente nem sempre é cumprida no rigor que a demanda exige.


Educado, a voz verbal do particípio do verbo educar, não pode ser jamais utilizada na educação para o trânsito, uma vez que denota uma ação feita, onde não há alteração da condição. Se falarmos que determinada pessoa foi “educada” para o trânsito, estamos afirmando que não há mais nada a ser feito, como se isso fosse possível. Educar é uma ação contínua que exige tanto do educador como do educando, atualizar valores, rever conceitos e outras ações que a arte de educar nos obriga.

O gerúndio do verbo educar é “educando”, e essa forma nominal do verbo em tela representa um processo em andamento. O gerúndio não permite a finalização do movimento e educar pessoas para o trânsito é justamente isso! As cidades se modificam, as frotas de veículos aumentam diariamente nas principais capitais do mundo, a mobilidade das pessoas exige novas formas de convivências urbanas e novas formas de inclusão orientam que a educação para o trânsito deve estar sempre atenta às mudanças. Por isso, o gerúndio é a voz verbal mais próxima da educação.

domingo, 4 de julho de 2010

Folha de São Paulo - editorial

O jornal Folha de São Paulo, publicou hoje editorial sobre mobilidade:

Melhorar o transporte

Apesar dos avanços recentes, rede pública de São Paulo precisa ampliar metrô, modernizar trens e reformar seus corredores de ônibus

Por onde quer que vá, e mais ainda quando não sai do lugar, o paulistano se depara com os enlouquecedores problemas do trânsito e do transporte público de sua cidade. Esta talvez seja a principal característica a uniformizar a vida coletiva no maior centro urbano e econômico do país.
Intermináveis engarrafamentos impõem aos motoristas longas viagens de volta para casa, ao final de cada dia, à velocidade média de 15 km/h -e a ainda exígua extensão do metrô não permite que a locomoção sobre trilhos seja uma alternativa real para os proprietários de automóveis.

A maior parte da população, que vive nas franjas da cidade e trabalha no centro, trafega com desconforto em linhas de ônibus mal distribuídas e faixas exclusivas em que não se superam os 20 km/h, em média, nos horários de pico. Também os trens circulam abarrotados. Desde 2005, a média diária de passageiros transportados cresceu 70%, contra um aumento de 30% no total de viagens.

É verdade que houve progressos em anos recentes. A adoção do bilhete único, ao permitir maior integração entre os diferentes meios de transporte, reduziu custos, aumentou a mobilidade dos paulistanos e estimulou o uso de ônibus, trens e metrô.

Dados da mais recente pesquisa sobre origem e destino de transeuntes na cidade, realizada em 2007, indicam que -pela primeira vez em 40 anos- os paulistanos têm usado mais o transporte coletivo do que o individual.

Parte do aumento da procura por trens também se explica pelas melhorias verificadas na qualidade do serviço. Houve redução nos tempos de deslocamento e nos intervalos entre uma composição e outra. Os veículos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) têm se tornado mais limpos, eficientes e seguros. São Paulo ganhou, enfim, um plano de integração do transporte público.

Todavia, apesar do aumento dos investimentos do governo do Estado, ainda se espera pela necessária ampliação do meio de transporte de maior prestígio na cidade, o metrô. Sua rede de trilhos conta hoje com menos de 70 km de extensão. É pífia sua abrangência, se comparada com as malhas das principais cidades europeias e norte-americanas, que em vários casos superam os 300 km. A capital mexicana, cidade que se aproxima mais da brasileira em termos de renda e dimensão, conta com quase 200 km de metrô.

Como já havia ocorrido em gestões anteriores, problemas na construção das novas linhas impediram que o atual governo do Estado cumprisse todas as suas promessas eleitorais.
Caberá ao próximo governador atingir o objetivo de entregar, antes do final do seu mandato, as estações planejadas da linha 4. É preciso ainda tornar realidade os projetos de extensão e construção de novas linhas, muitos dos quais mal saíram do papel. Esta Folha propõe como meta dotar a cidade de pelo menos 100 km de metrô até 2014, ano da Copa no Brasil.

Não se incluem nessa contabilização os trens da CPTM, a que o governo promete conferir a mesma qualidade do metrô. Cumpre perseguir tal objetivo, reduzindo ainda mais os intervalos entre uma composição e outra.

Embora crucial para desafogar o trânsito e conferir maior rapidez às viagens, o transporte sobre trilhos não representará a solução de todos os problemas de locomoção em São Paulo. Corredores de ônibus custam menos e podem ser feitos mais rapidamente.

Outras reformas se fazem necessárias -mesmo que em prejuízo do motorista particular. O aumento da velocidade do fluxo de coletivos exige a construção de espaço para ultrapassagens nos pontos -evitando esperas inúteis- e também de passagens subterrâneas ou elevadas, que limitem a perda de tempo em entroncamentos. É possível e desejável iniciar a implementação dessas melhorias nos dez corredores já existentes na cidade.
O privilégio concedido aos carros tornou-se insustentável. Para abater o impacto causado pelo acréscimo atual de quase mil veículos por dia à frota da cidade, seria necessário construir o equivalente a uma avenida Paulista por semana. O que se deve fazer, ao contrário, é desestimular o uso do automóvel -com a adoção do pedágio urbano e a oferta de meios públicos de qualidade.

sábado, 3 de julho de 2010

meus bebês

Aniversário do blogueiro

Hoje o blogueiro está completando longos 51 anos de idade... um longo caminho. Minha família começou a ser constituída em 1983 quando conheci minha esposa, olhem a foto abaixo, éramos tão jovenzinhos...
Depois que nos casamos, em 28 de julho de 1984, Solange ficou grávida do nosso filho Rafael!
O tempo passou, nossos filhos cresceram, netos chegaram e nós sempre ali.
Olha aí nosso filho José Luiz numa foto recente com a Solange

Este que abraça nosso neto Ryan Gabriel é o Rafael, que reside nos EUA, onde faz carreira militar no Exército americano.


Amigos para sempre da CETSP, que jamais serão esquecidos, principalmente a Susana!!
Essa menina é a Lia, nora e filha que casou-se com o Rafael, ela é americana do Alabama

Nosso José Luiz, que adora uma foto

Pessoas da CET que foram agregando valores na minha vida e minha esposa (direita da foto)
Minha doce amiga Deisy Paula, sempre ficamos juntos
Sempre juntos...
Nossa família tem 8 cachorros... essa é a Jade...

Giovanna, não vai dar para colocar todos...haja espaço...
nosso filho Rafael, ainda pequenino...

Nosso José Luiz, pequenino e arteiro...
José Luiz no Sul do Brasil...
A família do Rafael nos EUA
Nossos netinhos Allysia e Ryan Gabriel, a razão de tudo...
Aos 51 anos fiz muita coisa na vida e espero fazer mais, pedi uma determinada cura para Deus num determinado momento da vida e Ele me deu muito mais que isso, deu-me uma família que é a maior riqueza de toda cura.


















sexta-feira, 2 de julho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - considerações finais


Vou compartilhar com vocês um sentimento intimo: é uma delícia estudar as ideias e teorias dessa eminente professora, e para encerrar a semana, mas não encerrando o assunto, ela ainda nos orienta como ensinar cegos e surdos sem dominar o braile e a língua de sinais, observem sua orientação:

“É até positivo que o professor de uma criança surda não saiba libras, porque ela tem que entender a língua portuguesa escrita. Ter noções de libras facilita a comunicação, mas não é essencial para a aula. No caso de ter um cego na turma, o professor não precisa dominar o braile, porque quem escreve é o aluno. Ele pode até aprender, se achar que precisa para corrigir textos, mas há a opção de pedir ajuda ao especialista. Só não acho necessário ensinar libras e braile na formação inicial do docente”.

Numa palestra proferida na UNICAMP um professor fez a seguinte pergunta:

O professor pode se recusar a lecionar para turmas inclusivas?

Ela respondeu:

“Não, mesmo que a escola não ofereça estrutura. As redes de ensino não estão dando às escolas e aos professores o que é necessário para um bom trabalho. Muitos evitam reclamar por medo de perder o emprego ou de sofrer perseguição. Mas eles têm que recorrer à ajuda que está disponível, o sindicato, por exemplo, onde legalmente expõem como estão sendo prejudicados profissionalmente. Os pais e os líderes comunitários também podem promover um diálogo com as redes, fazendo pressão para o cumprimento da lei”.

Foi ainda indagada:

Há fiscalização para garantir que as escolas sejam inclusivas?


“O Ministério Público fiscaliza, geralmente com base em denúncias, para garantir o cumprimento da lei. O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Especial, atualmente não tem como preocupação punir, mas levar as escolas a entender o seu papel e a lei e a agir para colocar tudo isso em prática”.

Ainda vou voltar a falar sobre Maria Teresa, mesmo porque ainda estou no começo dos meus estudos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Projeto F123.org

O blog do Jairo, "assim como você" divulgou o projeto acima e agora disponibilizo abaixo, o projeto F123.org:

O Projeto F123.org possibilita o acesso à educação e a oportunidades de trabalho facilitando o uso de tecnologias assistivas baseadas em software livre.
Você pode baixar o software que cria o Pendrive F123.org para quem tem deficiência visual e deficiência motora.
Normalmente pessoas com deficiência visual em países em desenvolvimento são forçadas a usar software gratuito extremamente limitado, já que uma única cópia de um leitor de tela convencional pode chegar a custar o equivalente a três ou quatro computadores. Uma pequena minoria consegue acesso e aprende a usar softwares caros, e assim que tenta encontrar emprego ou fazer um estágio descobre que o preço dessa tecnologia adiciona uma barreira a mais a um processo que já é difícil. O Projeto F123.org quebra este círculo de dependência e vulnerabilidade, facilitando o acesso a tecnologias baratas e de fácil uso.
O Projeto F123.org disponibiliza todo o software que uma pessoa com deficiência precisa para usar um computador (incluindo sistema operacional, aplicativos, tecnologia assistivas como leitor de tela ou teclado virtual), em pendrives. Uma pequena modificação na seqüência de inicialização do BIOS de um computador, permite que a pessoa com deficiência use praticamente qualquer computador sem a necessidade de instalar nada. O pendrive F123.org de 2 ou mais Gigabytes é efetivamente o disco que contém tudo aquilo que o usuário precisa para navegar na Internet e trabalhar com documentos, planilhas eletrônicas, e-mails, e mensagens instantâneas.
Organizações e indivíduos interessados em ajudar a pessoas com deficiência podem concentrar seus recursos e energias em reabilitação, capacitação, e diversas outras áreas, já que software caro deixou de ser um obstáculo. F123.org é o acesso democrático à educação e ao emprego na palma da mão.
O Projeto F123.org no Brasil é uma parceria entre a Botelho & Paula Consultoria e a Mais Diferenças.

Mais informações acessem: http://f123.org/

Coral de Libras do Colégio Jandira Apresentação do Vespertino.AVI

Coral de Libras Col Jandira Ensaio sala de Inclusão.AVI

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - esclarecendo dúvidas


Quando questionada se a avaliação de alunos com deficiência intelectual deve ser diferenciada, ela é taxativa e responde:

“Não. Uma boa avaliação é aquela planejada para todos, em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma. Ele deve dizer o que aprendeu, o que acha interessante estudar e como o conhecimento adquirido modifica a sua vida. Avaliar estudantes emancipados é, por exemplo, pedir para que eles próprios inventem uma prova. Assim, mostram o quanto assimilaram um conteúdo. Aplicar testes com consulta também é muito mais produtivo do que cobrar decoreba. A função da avaliação não é medir se a criança chegou a um determinado ponto, mas se ela cresceu. Esse mérito vem do esforço pessoal para vencer as suas limitações, e não da comparação com os demais”.

A pergunta que muitos professores costumam fazer é que sem capacitação não é possível ensinar alunos com deficiência, no entanto, Maria Teresa rebate essa afirmação, mencionando:

“Sim, é possível ensinar mesmo não sendo capacitado. O papel do professor é ser regente de classe, e não especialista em deficiência.

Essa responsabilidade é da equipe de atendimento especializado. Não pode haver confusão. Uma criança surda, por exemplo, aprende com o especialista em Libras (língua brasileira de sinais) e leitura labial. Para ser alfabetizada em língua portuguesa para surdos, conhecida como L2, a criança é atendida por um professor de língua portuguesa capacitado para isso. A função do regente é trabalhar os conteúdos, mas as parcerias entre os profissionais são muito produtivas. Se na turma há uma criança surda e o professor regente vai dar uma aula sobre o Egito, o especialista mostra à criança com antecedência fotos, gravuras e vídeos sobre o assunto. O professor de L2 dá o significado de novos vocábulos, como pirâmide e faraó. Na hora da aula, o material de apoio visual, textos e leitura labial facilitam a compreensão do conteúdo”.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - como a escola se adapta à inclusão


Maria Teresa Mantoan orienta a forma como escola precisa se adaptar para a inclusão:

“Além de fazer adaptações físicas, a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares, de preferência no mesmo local. Assim, uma criança cega, por exemplo, assiste às aulas com os colegas que enxergam e, no contraturno, treina mobilidade, locomoção, uso da linguagem braile e de instrumentos como o soroban, para fazer contas. Tudo isso ajuda na sua integração dentro e fora da escola”.

A dúvida fica sempre naquela questão, como garantir atendimento especializado se a escola não oferece condições?
Para isso, a professora nos ensina que “a escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial, disponíveis na maioria das redes.
Enquanto isso, a direção tem que continuar exigindo dos dirigentes o apoio previsto em lei. Na particular, o serviço especializado também pode vir por meio de parcerias e deve ser oferecido sem ônus para os pais”.

Evidentemente que estudantes com deficiência intelectual severa é o grande desafio para estudar em uma classe regular, e para isso vale observar sua abordagem:

“Sem dúvida. A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação, e os mais excluídos sempre são os que têm deficiências graves. No Canadá, vi um garoto que ia de maca para a escola e, apesar do raciocínio comprometido, era respeitado pelos colegas, integrado à turma e participativo. Há casos, no entanto, em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada. Para que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-la a um tratamento, é importante manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado”.

terça-feira, 29 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN


Dando sequência aos estudos da professora Maria Teresa Eglér Mantoan, hoje vamos abordar outras questões relativas a inclusão:

De acordo com seu pensamento para que uma escola se torne inclusiva é necessário em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão.

E não apenas isso, ela acrescenta que “diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não.

Sobre a inclusão no Brasil ela afirma:

“Estamos caminhando devagar. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental, sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola , que não substitui o ensino regular. Há outra questão, um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência intelectual. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Blog - Assim como você

O blog do jornalista da Folha de São Paulo, Jairo Marques, fez uma menção hoje do meu trabalho em educação de trânsito para pessoas com deficiência, quem quiser ler basta acessar o link
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/ , "Cuidado com a rua".
Valeu Jairo e obrigado. Ah a charge acima é ele em pessoa!!

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - considerações iniciais

"Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças"

Para a educadora, na escola inclusiva professores e alunos aprendem uma lição que a vida dificilmente ensina: respeitar as diferenças. Esse é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa.

Para Maria Teresa Eglér Mantoan, inclusão “é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento intelectual, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.

Para ela a inclusão traz inúmeros benefícios para alunos e professores, conforme podemos observar a seguir de sua declaração sobre este assunto:
“A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação”.

sábado, 26 de junho de 2010

Maria Teresa Eglér Mantoan

A partir de hoje vamos estudar Maria Teresa Eglér Mantoan, professora da Universidade Estadual de Campinas, ela é um expoente na área da Educação Inclusiva. Vejam essa entrevista que ela concedeu à Revista Educação, na sua edição de número 100:

Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?

A educação básica está vivendo um grande desafio, que é o de resolver a equação qualidade de ensino X quantidade de alunos.
O direito de todos à educação precisa ser assegurado e a inclusão dos que estavam (estão) fora das escolas potencializa esse desafio.
Nossas políticas públicas não acompanham os avanços educacionais e neutralizam todas as perturbações que as diferenças, por exemplo, ocasionam nas salas de aula. A cultura escolar ainda vive dos mitos do aluno ideal, da sala de aula homogênea, da reprodução do conhecimento fragmentado em áreas, transmitido seqüencialmente, do mérito escolar medido por comparação de desempenhos nas áreas do conhecimento. O diagnóstico não é dos mais favoráveis às grandes mudanças que temos de empreender para que a escola básica brasileira corresponda aos nossos anseios de uma educação de qualidade, democrática e aberta a todos, sem discriminações, segregação, preconceitos.

Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?

Avalio a formação do professor com muitas reservas. No meu ponto de vista é preciso aliar teoria a práticas educacionais, durante todo o percurso do aluno na universidade.
Precisamos garantir uma sólida formação do profissional de educação, calcada na discussão, no questionamento de situações vivenciadas no cotidiano escolar. Este é, a meu ver, o cenário mais adequado para a preparação desse profissional, na sua formação inicial e também na formação em serviço. Em uma palavra, seria ideal que os alunos/professores aprendessem fazendo e teorizando a própria prática educacional.

Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?

De certo existem escolas públicas e particulares envolvidas em projetos interessantes de trabalho, mas prefiro não destacar modelos e sim a necessidade de cada escola elaborar, autonomamente, seus projetos político-pedagógicos, para que possam ministrar um ensino que atenda às necessidades de seus alunos e aos propósitos que definiram como seus alvos preferenciais de trabalho. Escola-modelo para mim é aquela que conseguiu ultrapassar o anonimato das propostas universalistas e encontrou sua identidade.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Mundo sem Som!

EMEE Helen Keller

Como se relacionar com um surdocego?


Pergunte como deve se comunicar com o surdocego ao seu guiaintérprete ou ao acompanhante. As formas são variadas e extremamente particulares.
Os surdocegos andam, normalmente, com um guia-intérprete ao seu lado para conseguir estabelecer a comunicação com outras pessoas. Quando chegar perto de um surdocego, toque-o levemente na mão para sinalizar que está ao seu lado. O guiaintérprete é quem vai guiar essa interação.

A comunicação com pessoas surdocegas

Os sistemas de comunicação usados pelas pessoas surdocegas são divididos em Alfabéticos e Não Alfabéticos. Vamos conhecê-los.

Sistemas Alfabéticos

Alfabeto Dactilológico: as letras do alfabeto se formam mediante diferentes posições dos dedos da mão;
Alfabeto de Escrita Manual: quando o dedo indicador da pessoa surdocega funciona como um lápis escrevendo o que quer sobre a outra mão;
Tablitas Alfabéticas: são tábuas que têm letras escritas em forma maiúscula ou impressas em Braille. Para a comunicação, o interlocutor
vai assinalando cada letra para formar uma palavra com o dedo da pessoa surdocega e ela responde fazendo o mesmo procedimento;
Meios Técnicos com Saída Braille: são máquinas utilizadas pelo surdocego que conhece o Braille.

Sistemas Não Alfabéticos

Libras: Língua Brasileira de Sinais utilizada pelas pessoas surdas.

Tadoma: consiste na percepção, por meio da mão da pessoa surdocega que repousa sobre a boca de quem fala para sentir a vibração das palavras.

Alguns surdocegos se comunicam colocando a mão em sua boca para sentir a vibração do som que você está emitindo.

Quando falamos em tadoma, estamos nos referindo ao método de vibração do ensino da fala. A criança que está sendo ensinada no tadoma tem que colocar uma e inicialmente as duas mãos na face da pessoa que está falando. Com bastante treino e prática a possibilidade de se comunicar através deste método tende a ser grande SISTEMA PICTOGRÁFICO.

Os símbolos de comunicação pictórica - Picture Communication Symbols (PCS) fazem parte de um Sistema de Comunicação Aumentativa (CAA) que refere-se ao recurso, estratégias e técnicas que complementam modos de comunicação existentes ou substituem as habilidades de comunicação existentes.

Em síntese, o sistema pictográfico consiste-se de símbolos, figuras, etc, que significam ações, objetos, atividades que entre outras características podem servir como símbolos comunicativos, tanto receptivamente quanto expressivamente.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Surdocegueira


É uma deficiência única que apresenta a perda da audição e da visão concomitantemente em diferentes graus, o que leva a pessoa surdocega a desenvolver diferentes formas de comunicação para entender e interagir com pessoas e meio ambiente.

Há tempos, essa deficiência era considerada como deficiência múltipla sensorial, mas suas particularidades comunicacionais estabeleceram a necessidade de uma designação e especificação de deficiência própria. A surdocegueira é a deficiência sensorial em sua plenitude, pois o contato com o mundo exterior pode ser totalmente cerceado.

Pessoas que têm surdocegueira podem apresentar diferentes níveis da deficiência.
Há surdocego que enxergue pouco e não ouça nada, bem como quem ouça um pouco e não enxergue nada. Há também quem não pode ouvir nem ver completamente nada. Segundo Censo do MEC (Ministério da Educação), no Brasil existem 1.250 pessoas com surdocegueira.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nanismo


Os anões são pessoas com estatura reduzida, eles atingem entre 70 cm e 1,40 m na idade adulta. Por conta disso, os anões têm sérias dificuldades de locomoção em cidades planejadas para pessoas com média ou alta estatura. Essa observação - de que os anões também precisam de acessos - levou essa parcela da população a ser considerada como pessoas com deficiência pelo Decreto Federal 5.296/2004. Mas as dificuldades que os anões enfrentam não ficam apenas no campo arquitetônico.

Os anões sofrem bastante com o preconceito. Muitas pessoas têm medo deles ou, então, os tratam com infantilidade ou ridicularização.

Por causa da baixa estatura, os anões não conseguem acessar muitos ambientes, produtos e serviços de uso público, como balcões de atendimento, prateleiras em supermercados, degraus, transportes, caixas eletrônicos, mobiliário público e doméstico em geral (mesas, cadeiras, bancos, camas, estantes, armários etc.). Até quando fazem adaptações para pessoas com deficiência, não pensam no anão. Um caixa eletrônico, por exemplo. Tem casos em que o cadeirante consegue acessar um caixa eletrônico adaptado, mas mesmo este modelo - que é mais baixo - não serve para o acesso de um anão. Ele não consegue, por causa do comprimento dos seus braços, chegar nas teclas.

Orientá-los a transitar pelas ruas é função da educação para o trânsito. No entanto, o educador deverá levar em consideração as particularidades da cidade, não podemos orientar da mesma forma em que é orientada uma pessoa com estatura maior. Uma caçamba na via, uma banca de jornal já é um obstáculo para sua visão.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Paralisia Cerebral

SINAPSE PARALISIA CEREBRAL PC Patologia

Jovem com paralisia cerebral termina monografia

Paralisia Cerebral



Algumas pessoas têm paralisia cerebral, o que não quer dizer deficiência intelectual.
E por que colocamos este tópico no meio de deficiência física? Porque as pessoas que tem PC (abreviação muito usada) apresentam limitações físicas e motoras.

Vamos explicar isso melhor.

Devido a alguma lesão, o cérebro envia informações em desordem para a realização de movimentos físicos. Assim, uma pessoa com PC pode apresentar expressões estranhas no rosto, dificuldades na fala, gestos involuntários e dificuldades de locomoção, mas não se intimide com isso. Elas mantêm a inteligência absolutamente intacta. Portanto, não as subestimem: elas raciocinam como você. Tenha paciência em ouvi-las, compreendê-las e acompanhar seu ritmo.

Se a fala estiver muito enrolada, peça que repita. Se não conseguir compreender, pergunte. Procure sempre ter tempo para acompanhar essa pessoa, pois seu ritmo é bem mais lento. Agora, o mais importante: não a trate como uma criança. A dificuldade do corpo em compreender as ordens do cérebro já é imensa, portanto, procure facilitar a sua relação com essa pessoa não tratando-a com infantilidade. (Gabrilli, Mara - Manual de Convivência - Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida).

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Branco do CETET

o gerente Branco numa foto comigo em 2009

Conheci o gerente do CETET no dia 6 de outubro do ano passado. Quando fui apresentado ao gerente Branco, alcunha pela qual ele é conhecido na CET, não imaginei que ele seria diferente dos anteriores. Estava voltando de uma longa licença médica e confesso que não tinha nenhuma aspiração para continuar trabalhando, considerando que o trabalho de inclusão que fazia fora da CET era muito mais prazeroso e interessante para mim.

Entretanto, no primeiro contato com ele havia algo diferente. De início pensei que seria um gerente como foram os outros, omissos, falastrões e de poucas iniciativas. No decorrer da conversa o sentimento de mudança foi se tornando cada vez mais forte. Ele me propôs um projeto de inclusão direcionado aos educadores do próprio CETET e aos professores de modo amplo, visando melhor atender Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida no âmbito da educação para o trânsito. Respondi que elaboraria tal projeto (que foi feito com ajuda do Milton Roberto de Almeida), no entanto, um projeto assim exigiria do gerente uma mudança de postura, uma visão mais inclusiva das relações profissionais e vontade política para a execução do projeto. Branco afirmou que apoiaria todas as medidas que fossem necessárias para a implantação e execução do programa.

Como já havia passado por outras experiências semelhantes no CETET, achei que a fleuma seria uma medida adequada e prudente diante de outros acontecimentos. Veio o apoio da superintendente ao projeto e as etapas programadas foram sendo realizadas, mesmo depois das mudanças ocorridas no CETET, que o colocaram definitivamente no século XXI. Hoje algumas educadoras em contato comigo, disseram que vão fazer o curso de LIBRAS para melhor atender crianças com deficiência auditiva, com apoio da gerência, o que demonstra mais uma vez que o gerente tem um pensamento convergente quando a questão é inclusão e que vem cumprindo rigorosamente tudo que foi colocado no programa, no caso, capacitar os educadores para o atendimento de crianças com deficiência.

Meu blog é um espaço reservado para o tema inclusão, assim seu acesso vem crescendo diariamente e o número de seguidores também. Naturalmente que, medidas inclusivas devem ser divulgadas como exemplos para serem seguidos por outros gestores, outras pessoas, enfim, que sejam seguidos por todos, isso é inclusão. Portanto, aqui em nosso espaço homenageamos o gerente Luiz Carlos Mantovani Néspoli, ou simplesmente Branco, para que sua coragem e determinação sejam valores que possam ser seguidos por outros gestores da empresa e por todos de modo geral.

Tenho certeza absoluta que as mudanças ocorridas na estrutura do CETET concomitantemente com a temática da inclusão em suas atividades, estão colocando meu querido e bom CETET no caminho da modernidade e da diversidade.

Soroban ou Sorobã

Dorinha, personagem cega da Turma da Mônica

É um ábaco, assim como você provavelmente conheceu ainda criança, nos primórdios da sua educação, para aprender a contar. Mas é um ábaco japonês, diferente, com apenas cinco contas, ou pedrinhas (como preferir chamar agora) em cada ordem numérica.

O seu uso sofreu uma série de aperfeiçoamentos que geraram técnicas extremamente rápidas para executar qualquer cálculo: adição, subtração, multiplicação, divisão, raiz quadrada e outros.
A parte mais interessante e intrigante com certeza é o uso da mesma técnica para fazer cálculos mentais. Treinando as operações no Soroban, vai-se aos poucos adquirindo as mesmas habilidades para fazer cálculos mentalmente de algarismos enormes, para os padrões ensinados nas escolas.

Outras habilidades também são percebidas no uso do Soroban:

Melhora a concentração e memorização, sobretudo para números;
Visualização e inspiração apuradas;
Observação mais atenta;
Processamento de informações mais rapidamente;
Aumento da “velocidade auditiva”;
Cálculo mental.

O nome Soroban (com "N") foi trazido ao Brasil por imigrantes japoneses no começo do século XX. Originalmente Kambei Moori leva para o Japão o Suan Pan (ábaco chinês) e um pequeno manual, iniciando os seus estudos sozinho com este instrumento. Em 1622 publica o seu primeiro livro "Embrião do Soroban".

No Brasil, em 1949, Joaquim Lima de Moraes, adapta o Soroban para uso de cegos, após aprender a técnica ensinada por imigrantes japoneses, abrasileirando o termo para Sorobã.

Então temos dois modelos no Brasil:

Soroban: para videntes (como chamamos os dotados de visão);
Sorobã: o mesmo, mas adaptado para deficientes visuais.
Ambos podem ser utilizados, e os cálculos são praticamente realizados de forma igual nos dois modelos. A manipulação no Soroban (com "N") é mais rápida pois as contas correm livremente, diferentemente do Sorobã, onde as mesmas são presas, mas ambos geram uma aptdão em comum: o cálculo mental.

No Brasil, pelo Sorobã ter substituído o Cubarítmo nas aulas de cáculo, a mídia menciona o ábaco japonês, Soroban, como exclusividade para deficientes visuais. Pretendemos aqui deixar bem claro que trata-se de um instrumento extremamente útil para AMBOS, inclusive videntes.

O Soroban utiliza a base decimal para representar os números.
Antes de representá-los, precisamos entender sua estrutura:

sábado, 19 de junho de 2010

Acessibilidade na cidade de Uberlândia-MG

A cidade de Uberlândia em Minas Gerais dá um importante passo para a inclusão social das pessoas com deficiência na estrutura urbana da cidade. Vejam o vídeo abaixo e sigam essa ideia.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - parte 01

Entrevista Graciela Pozzobon - Programa do Jô - parte 02

audiodescrição

O que é audiodescrição ?

O recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.
A audiodescrição permite que o usuário receba a informação contida na imagem ao mesmo tempo em que esta aparece, possibilitando que a pessoa desfrute integralmente da obra, seguindo a trama e captando a subjetividade da narrativa, da mesma forma que alguém que enxerga.
As descrições acontecem nos espaços entre os diálogos e nas pausas entre as informações sonoras do filme ou espetáculo, nunca se sobrepondo ao conteúdo sonoro relevante, de forma que a informação audiodescrita se harmoniza com os sons do filme.
A audiodescrição permite a inclusão de pessoas com deficiência visual em cinema, teatro e programas de televisão. No Brasil, segundo dados do IBGE, existem aproximadamente 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual total e parcial, que encontram-se excluídos da experiência audiovisual e cênica.
A acessibilidade nos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo. Os esforços neste sentido visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluída, como também estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade.
“Dizem que uma imagem vale mais do que 1000 palavras, pois bem, a audiodescrição é muito mais que as tais 1000 palavras.”
Marco Antonio de Queiroz, cego, autor do site Bengalalegal, em entrevista sobre sua participação como jurado do Festival de Cinema Assim Vivemos 2007.