Ally e Ryan

Ally e Ryan

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fundação Banco do Brasil lança cartilha sobre acessibilidade em estações digitais

A Fundação Banco do Brasil está lançando uma cartilha que trata da acessibilidade nas estações digitais para pessoas com deficiência auditiva e visual. A cartilha foi desenvolvida à luz da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos de pessoas com deficiência é voltado para dirigentes, gestores e educadores sociais. O objetivo do documento é contribuir para o processo de adequação arquitetônica e digital das estações digitais e para garantir melhor atendimento às pessoas com deficiência.

As estações digitais fazem parte do programa de inclusão digital da fundação e são implantadas nas comunidades que não têm acesso a essas tecnologias, em parceria com organizações do terceiro setor.

A inclusão de pessoas com deficiência foi, durante anos, uma preocupação restrita aos profissionais da área de educação com práticas pedagógicas direcionadas para o atendimento diferenciado. Nishi ressalta que, numa sociedade inclusiva, é importante que espaços públicos como bancos, hospitais, escolas e também as estações digitais tenham estrutura física, pessoal capacitado e programas de computadores e aplicativos adequados para atendimento desse público com deficiência física, visual
ou auditiva.

A cartilha está disponível para download no endereço: http://bit.ly/fbb-acessibilidade.

Fonte: http://www.rets.org.br/?q=node/555

Educando para o trânsito – a escola, o professor e os alunos - continuação

HISTÓRIA

Ao incluir trânsito como tema transversal à História, o professor pode explorar os fatos históricos desde muito antes da invenção do automóvel, pesquisando as primeiras formas de locomoção humana, a história da cidade onde vive, como era o espaço físico, a forma de vida, os costumes, etc.

A mobilidade urbana deve ser destacada, principalmente trabalhando-se o conceito de mobilidade urbana sustentável que pode ser definida como resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que visam a priorização dos modos não-motorizados e coletivos de transporte, de forma efetiva, que não gere segregações espaciais, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável..

Coletar fotos antigas e estabelecer relações entre fotos atuais, percebendo as transformações ocorridas, pesquisar sobre a evolução dos meios de transporte, fazendo a análise dos aspectos sociais . Estudar os meios de transporte como necessidade e como bem de consumo; analisar e refletir acerca de propagandas e da publicidade que explora o culto ao carro e todas as suas implicações econômicas, sociais e culturais.

LÍNGUA PORTUGUESA

A leitura e a interpretação de textos jornalísticos, literários sobre o tema irão trazer diferentes elementos para debate. Levar para os alunos o conhecimento da LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) e do Braille.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Redações sobre o tema trânsito e mobilidade;
Ø Leitura sobre acontecimentos relativos ao tema;
Ø Exploração de outros meios de comunicação;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

ARTE

O acesso a diferentes formas de expressão que abordam o trânsito remeterá a exteriorização de sentimentos e idéias. Mostrar aos alunos que podemos expressar nossas idéias ou receber informações através de outros sentidos do corpo humano, como o tato, a figura, o desenho, o pictograma.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Incentivar os educandos a usar figuras para expressar suas ideias;
Ø Incentivar os alunos a escreverem e representarem uma peça teatral abordando o tema mobilidade, acessibilidade, sustentabilidade e trânsito;
Ø Incentivar o uso de linguagens e expressões artísticas voltadas à questão do trânsito;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

EDUCAÇÃO FÍSICA

O desenvolvimento de habilidades corporais e de noções espaciais será imprescindível à compreensão da importância do ato da locomoção para a vida humana. Através desta disciplina é possível visualizar o quanto a cidade exclui as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Incentivar vivencias, como ser cadeirante, muletantes, cego, surdo, gestante ou idoso;
Ø Pedir aos alunos que façam uma relação física espacial da pessoa sem deficiência e a cidade;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

CIÊNCIAS NATURAIS

A reflexão sobre relações entre trânsito, ambiente, ser humano e tecnologia favorecerá a integração ao ambiente e à cultura, oportunizando ações de respeito e de preservação do espaço público.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Educando para o trânsito – a escola, o professor e os alunos


O professor em sala de aula deve trabalhar o tema trânsito de uma forma que possa atingir todos os alunos, tenham eles deficiência ou não, vou colocar a partir de hoje algumas dicas para reflexão:

GEOGRAFIA

Através da abordagem do tema trânsito na Geografia é possível fazer o estudo do espaço geográfico e de suas paisagens oportunizando a análise e a reflexão do fenômeno da urbanização.

Nesse contexto, falar e dar oportunidade ao aluno para que ele possa pesquisar o conceito de mobilidade urbana e a presença de novos personagens no trânsito, como idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Ou seja, crescimento urbano mal planejado e com pouca participação popular gerou uma cidade excludente, não apenas do ponto de vista do trânsito, mas do transporte também.

Evidente que os alunos perceberão que deslocamento e uso de meios de transporte, traduz relações do cidadão com o espaço. É necessário que se discuta que a mobilidade das pessoas é afetada por diversos fatores, entre eles destacamos, idade, sexo, capacidade para compreender mensagens, capacidade para utilizar veículos e equipamentos do transporte. Portanto, a política de mobilidade tem por função primordial proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano.

Analisar diversos locais e refletir sobre quais deles apresentam maiores dificuldades de locomoção, de comunicação e de convivência social. É importante que o aluno veja em seu próprio bairro situações que apresentem essas dificuldades e a partir do conhecimento local ter a visão geral da contextualização de seu bairro na cidade em que mora.

Reconhecer e discutir sobre as ações do homem sobre o espaço e através do tempo e as conseqüências destas ações para si e para a sociedade. Discutir sobre o uso da bicicleta; discutir sobre as formas de influência do trânsito na produção industrial e agrícola do país.

Dentro da ótica inclusiva, levar o aluno a refletir sobre as condições das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas cidades em que vivem.

A Geografia permite ao aluno ver sua cidade e como ela se relaciona com os cidadãos. Mudar a mentalidade excludente é vital para um futuro melhor para todos.

MATEMÁTICA

A partir do levantamento, da coleta e da análise de dados estatísticos é possível o trabalho com esquemas, gráficos, tabelas, resolução de situações-problema, cálculos de valores atribuídos à multas, custos com acidentes de trânsito, análise de faixa etária envolvida em acidentes de trânsito, número de vítimas fatais, sequeladas, quantidade e dimensão das sinalizações, frota veicular, densidade demográfica, extensão territorial, pontuação referente à infrações de trânsito e outros.

Analisar gráficos do IBGE sobre as perspectivas de vida da população brasileira, dados do censo sobre as pessoas com deficiência, taxa de natalidade. Diferenciar através dos números as pessoas com deficiência que foram vitimas de acidentes de trânsito e aquelas que têm deficiência em razão de doenças e outras causas.

Não basta calcular índices, produzir gráficos e tabelas, se o professor não oportunizar junto a seus alunos o debate e a manifestação de opiniões sobre as situações pesquisadas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A surdocegueira e os processos de inclusão (6)

A surdocegueira e os processos de inclusão (5)

A surdocegueira e os processos de inclusão (4)

A surdocegueira e os processos de inclusão (3)

A surdocegueira e os processos de inclusão (2)

A surdocegueira e os processos de inclusão (1)

Educação para o trânsito sob a ótica da Inclusão


Nos documentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais o trânsito não é indicado como tema transversal, porém é considerado como tema local, de urgência e de abrangência nacional, tendo estreitas ligações com os temas da: saúde, meio-ambiente e ética. Observem abaixo exposição do Ministério da Educação:

“O trabalho com temas sociais na escola, por tratar de conhecimentos diretamente vinculados à realidade, deve estar aberto à assimilação de mudanças apresentadas por essa realidade. As mudanças sociais e os problemas que surgem pedem uma atenção especial para se estar sempre interagindo com eles, sem ocultá-los”.

Assim, embora os temas tenham sido escolhidos em função das urgências que a sociedade brasileira apresenta, dadas as grandes dimensões do Brasil e as diversas realidades que o compõem, é inevitável que determinadas questões ganhem importância maior em uma região.

Sob a denominação de Temas Locais, os Parâmetros Curriculares Nacionais pretendem contemplar os temas de interesse específico de uma determinada realidade a serem definidos no âmbito do Estado, da cidade e/ou da escola. Uma vez reconhecida a urgência social de um problema local, este poderá receber o mesmo tratamento dado aos outros Temas Transversais.

Tomando-se como exemplo o caso do trânsito, observamos que, embora esse seja um problema que atinge uma parcela significativa da população, é um tema que ganha significação principalmente nos grandes centros urbanos, onde o trânsito tem sido fonte de intrincadas questões de natureza extremamente diversa.

Pense-se, por exemplo, no direito ao transporte associado à qualidade de vida e à qualidade do meio ambiente; ou o desrespeito às regras de trânsito e a segurança de motoristas e pedestres (o trânsito brasileiro é um dos que, no mundo, causa maior número de mortes). Assim, visto de forma ampla, o tema trânsito remete à reflexão sobre as características de modos de vida e relações sociais”.

Ora, ao trabalharmos o tema trânsito devemos considerar todas as situações, alunos com deficiência e outros sem deficiência. Considerar a cidade e orientar os alunos sem conhecer alguns detalhes coloca em risco todo o estudo proposto.

Atualmente não se separa trânsito do contexto da cidade, da mobilidade urbana, acessibilidade e da sustentabilidade. Como podemos orientar o (a) aluno (a) com deficiência a circular de modo seguro pela cidade? A orientação é a mesma para aqueles que não têm deficiência? É possível trabalhar todos ao mesmo tempo?

Dentro da ótica da educação inclusiva devemos orientar todos ao mesmo tempo, no entanto, jamais devemos relegar algumas especificidades das cidades, por exemplo, uma travessia sem rebaixamento de guia. Evidente que, para uma pessoa que utiliza cadeiras de rodas essa travessia terá um tempo maior; portanto, a orientação a ser difundida é para que a pessoa que tem deficiência ou mobilidade reduzida é atravessar quando as condições realmente sejam bastante favoráveis.

Naturalmente que, ao lado desta informação é preciso salientar que se o condutor obedecer a lei de trânsito, a travessia de qualquer pessoa, em especial daquelas com deficiência ou mobilidade reduzida, será muito mais segura, basta observarmos o preceito do art. 70, parágrafo único do CTB.

A escola de hoje deve trabalhar o trânsito não como um evento isolado, mas no contexto da mobilidade urbana.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Algumas dicas de segurança viária para Pessoas com Deficiência


As dicas aqui apresentadas foram feitas por mim para serem publicadas no assimcomovoce.blog.uol.com.br , blog do jornalista Jairo Marques da Folha de São Paulo. As charges foram feitas pelo Jean Galvão. Para ver mais desenhos do Jean vá em http://jeangalvao.blogspot.com

A pessoa com deficiência que sair de sua casa, para suas atividades normais, como estudar, trabalhar, se divertir, namorar e etc, vai encontrar uma cidade que impõe perigos e surpresas e para isso é prudente que alguns cuidados sejam adotados:

- A calçada que a princípio deveria ser um local seguro, nem sempre se encontra assim. Buracos, desnivelamento do piso, barracas de ambulantes, manutenção não sinalizada, enfim, diversos outros percalços que torna a vida dos cadeirantes, muletantes, cegos, idosos e grávidas uma aventura.

Nesse sentido, devemos ficar atentos a essa situação e caso haja necessidade de ir para a rua para desviar dos obstáculos, faça com cuidado e fique bem próximo da guia.

- Aguardar na calçada o melhor momento para efetuar uma travessia, lembrando que para a pessoa com deficiência de locomoção seu tempo de travessia será maior;

- É mais seguro para a pessoa com deficiência visual procurar atravessar com ajuda ou atravessando a via logo que perceber que os demais pedestres estão fazendo o mesmo;

Ao cadeirante é importante observar se o local de travessia dispõe de rampa de acesso entre as calçadas, caso não haja sua travessia demandará um tempo maior. Muito cuidado para atravessar entre carros ou caçambas, o cadeirante fica numa posição difícil de ser visto pelos motoristas, o ideal é sempre atravessar na faixa de pedestres.


- Se você encontrar um deficiente visual parado na calçada, não o puxe nem empurre, forçando-o a atravessar a rua. Devemos perguntar antes se ele quer mesmo atravessar. Não e porque ele é cego que tenha, obrigatoriamente, que viver cruzando ruas. Afinal, todo o mundo tem o direito de ficar fazendo hora.

- Quando você avistar um cego querendo atravessar a rua, não grite para ele avisando que pode fazê-lo. Ele pode não saber que é com ele que estão falando, pode ter medo de atravessar sozinho e, o que e pior, pode correr sérios riscos de ser atropelado por outro motorista desavisado. Ajude-o a atravessar com segurança, oferecendo-lhe seu braço.

- Nunca puxe ou empurre a pessoa cega. Ofereça seu braço, perguntando: Quer atravessar a rua? E você não precisara estar avisando que vai virar à direita ou esquerda, que vai descer o meio-fio etc. O deficiente visual percebera e interpretara todos estes movimentos corporais.


Em uma calçada sem guia rebaixada (rampa) pergunte ao cadeirante a melhor forma de ajudar a vencer o obstáculo. Não faça manobras bruscas por conta própria com a cadeira


Quando se oferecer de guia para um cego não o confunda, cruzando uma rua em diagonal. Isso pode fazê-lo perder a orientação. Efetue o cruzamento em L; é mais seguro para qualquer pessoa, inclusive para você.


Jairo Marque hoje no jornal Folha de São Paulo

JAIRO MARQUES

A loira do banheiro

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Funcionária de uma loja, ela se viu no direito de usar o único banheiro acessível porque ali não tinha fila
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DIA DESSES fiquei mais bravo do que cachorro de japonês com uma loira de cabelos sebosos em um shopping aqui de São Paulo.
Funcionária de uma loja, ela se viu no direito de usar o único banheiro acessível do andar com a justificativa de que "tinha pouco tempo de almoço" e ali não tinha fila. E mais, segundo ela, "não há lei" que a proíba de retocar a maquiagem no espaço reservado para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida.
Reconheço que o banheiro acessível -aquele com o símbolo de uma cadeira de rodas na porta- disponha de vantagens que convidam para o uso os mortais comuns: é ligeiramente maior, tem aquelas barras de apoio, sem falar que é difícil faltar papel higiênico, uma vez que muita gente usa o local inadequadamente como depósito.
Acontece que essas "vantagens" estruturais têm razões práticas. O espaço mais generoso é porque não rola deixar a cadeira de rodas na porta, levantar e usar o WC.
Tem que entrar com quatro rodas mesmo. Para os cegos que arrastam cão-guia, também é preciso maior metragem, ou alguém consegue imaginar um cachorro naqueles cubículos junto com o dono? As barras de apoio servem para ajudar que os desequilibrados, como eu, consigam se transferir da cadeira e se manter firmes no trono.
Mas, voltando à loira do banheiro, tudo aconteceu quando eu esperava para usar a casinha, que ficou ocupada por cerca de 15 minutos por uma morena, também funcionária do shopping. Quando ela me viu na porta, batendo palmas, quis se transformar no Belchior e sumir. Ela me pediu desculpas, e bola para a frente. Antes disso, chegou a loira, ignorou a entrada do banheiro feminino e ficou do meu lado, esperando vaga no acessível.
"Moça, esse banheiro é reservado", quis eu alertar. "Eu sei, mas a lei obriga que haja o espaço acessível, e não que ele seja exclusivo para vocês", declarou a rábula com desdém. Naquele momento, como diz um amigo meu chamado Wadê, "eu pirei". Era só o que falta, ter de criar leis para que as pessoas sejam cidadãs, tenham bom senso, ajam com o mínimo de dignidade com o outro.
Existe uma lógica de os deficientes defenderem o uso exclusivo do banheiro acessível. Imagine você, depois daquela coxinha criminosa devorada no pé-sujo da esquina, procurando desesperadamente um lugar para se livrar do pesadelo. Para os "normais", um banheiro público oferece diversas opções de relaxamento com mais ou menos coliformes, mas oferece. Para cadeirantes, quando existe UM, já é um alívio, literalmente. Agora, se esse UM estiver ocupado por quem poderia usar outra casinha, é de chorar de tanga no meio da rua.
O banheiro exclusivo também é importante por uma razão de saúde. Pessoas que tiveram lesão medular -devido a um acidente, por exemplo- ficam mais suscetíveis a contrair infecções urinárias. Num ambiente com menos uso, o risco de contaminação pode ser menor. Sem falar dos cegos que, por motivos óbvios, se expõem menos num banheiro menos frequentado.
Entendo que não é preciso lei que regule o respeito às diferenças. Um bocadinho de informação e um pouco mais de compreensão talvez acabassem de vez com as assombrações e indignações por causa de banheiros.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Entrevista com Daniela Alonso

Educação para o trânsito – educar, educando e educado


A educação para o trânsito encontra nas formas verbais sua verdadeira vocação e responsabilidade.

Na forma nominal do infinitivo temos o verbo educar na sua essência, nesse sentido é dever do poder público educar as pessoas para se relacionarem no espaço público. Podemos inferir que no infinitivo o verbo educar remete às autoridades constituídas o dever de agir com prevenção. Nesse sentido, quando o CTB prevê que a educação de trânsito deve estar inserida na formação da pessoa, há uma obrigação contida, que infelizmente nem sempre é cumprida no rigor que a demanda exige.


Educado, a voz verbal do particípio do verbo educar, não pode ser jamais utilizada na educação para o trânsito, uma vez que denota uma ação feita, onde não há alteração da condição. Se falarmos que determinada pessoa foi “educada” para o trânsito, estamos afirmando que não há mais nada a ser feito, como se isso fosse possível. Educar é uma ação contínua que exige tanto do educador como do educando, atualizar valores, rever conceitos e outras ações que a arte de educar nos obriga.

O gerúndio do verbo educar é “educando”, e essa forma nominal do verbo em tela representa um processo em andamento. O gerúndio não permite a finalização do movimento e educar pessoas para o trânsito é justamente isso! As cidades se modificam, as frotas de veículos aumentam diariamente nas principais capitais do mundo, a mobilidade das pessoas exige novas formas de convivências urbanas e novas formas de inclusão orientam que a educação para o trânsito deve estar sempre atenta às mudanças. Por isso, o gerúndio é a voz verbal mais próxima da educação.

domingo, 4 de julho de 2010

Folha de São Paulo - editorial

O jornal Folha de São Paulo, publicou hoje editorial sobre mobilidade:

Melhorar o transporte

Apesar dos avanços recentes, rede pública de São Paulo precisa ampliar metrô, modernizar trens e reformar seus corredores de ônibus

Por onde quer que vá, e mais ainda quando não sai do lugar, o paulistano se depara com os enlouquecedores problemas do trânsito e do transporte público de sua cidade. Esta talvez seja a principal característica a uniformizar a vida coletiva no maior centro urbano e econômico do país.
Intermináveis engarrafamentos impõem aos motoristas longas viagens de volta para casa, ao final de cada dia, à velocidade média de 15 km/h -e a ainda exígua extensão do metrô não permite que a locomoção sobre trilhos seja uma alternativa real para os proprietários de automóveis.

A maior parte da população, que vive nas franjas da cidade e trabalha no centro, trafega com desconforto em linhas de ônibus mal distribuídas e faixas exclusivas em que não se superam os 20 km/h, em média, nos horários de pico. Também os trens circulam abarrotados. Desde 2005, a média diária de passageiros transportados cresceu 70%, contra um aumento de 30% no total de viagens.

É verdade que houve progressos em anos recentes. A adoção do bilhete único, ao permitir maior integração entre os diferentes meios de transporte, reduziu custos, aumentou a mobilidade dos paulistanos e estimulou o uso de ônibus, trens e metrô.

Dados da mais recente pesquisa sobre origem e destino de transeuntes na cidade, realizada em 2007, indicam que -pela primeira vez em 40 anos- os paulistanos têm usado mais o transporte coletivo do que o individual.

Parte do aumento da procura por trens também se explica pelas melhorias verificadas na qualidade do serviço. Houve redução nos tempos de deslocamento e nos intervalos entre uma composição e outra. Os veículos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) têm se tornado mais limpos, eficientes e seguros. São Paulo ganhou, enfim, um plano de integração do transporte público.

Todavia, apesar do aumento dos investimentos do governo do Estado, ainda se espera pela necessária ampliação do meio de transporte de maior prestígio na cidade, o metrô. Sua rede de trilhos conta hoje com menos de 70 km de extensão. É pífia sua abrangência, se comparada com as malhas das principais cidades europeias e norte-americanas, que em vários casos superam os 300 km. A capital mexicana, cidade que se aproxima mais da brasileira em termos de renda e dimensão, conta com quase 200 km de metrô.

Como já havia ocorrido em gestões anteriores, problemas na construção das novas linhas impediram que o atual governo do Estado cumprisse todas as suas promessas eleitorais.
Caberá ao próximo governador atingir o objetivo de entregar, antes do final do seu mandato, as estações planejadas da linha 4. É preciso ainda tornar realidade os projetos de extensão e construção de novas linhas, muitos dos quais mal saíram do papel. Esta Folha propõe como meta dotar a cidade de pelo menos 100 km de metrô até 2014, ano da Copa no Brasil.

Não se incluem nessa contabilização os trens da CPTM, a que o governo promete conferir a mesma qualidade do metrô. Cumpre perseguir tal objetivo, reduzindo ainda mais os intervalos entre uma composição e outra.

Embora crucial para desafogar o trânsito e conferir maior rapidez às viagens, o transporte sobre trilhos não representará a solução de todos os problemas de locomoção em São Paulo. Corredores de ônibus custam menos e podem ser feitos mais rapidamente.

Outras reformas se fazem necessárias -mesmo que em prejuízo do motorista particular. O aumento da velocidade do fluxo de coletivos exige a construção de espaço para ultrapassagens nos pontos -evitando esperas inúteis- e também de passagens subterrâneas ou elevadas, que limitem a perda de tempo em entroncamentos. É possível e desejável iniciar a implementação dessas melhorias nos dez corredores já existentes na cidade.
O privilégio concedido aos carros tornou-se insustentável. Para abater o impacto causado pelo acréscimo atual de quase mil veículos por dia à frota da cidade, seria necessário construir o equivalente a uma avenida Paulista por semana. O que se deve fazer, ao contrário, é desestimular o uso do automóvel -com a adoção do pedágio urbano e a oferta de meios públicos de qualidade.

sábado, 3 de julho de 2010

meus bebês

Aniversário do blogueiro

Hoje o blogueiro está completando longos 51 anos de idade... um longo caminho. Minha família começou a ser constituída em 1983 quando conheci minha esposa, olhem a foto abaixo, éramos tão jovenzinhos...
Depois que nos casamos, em 28 de julho de 1984, Solange ficou grávida do nosso filho Rafael!
O tempo passou, nossos filhos cresceram, netos chegaram e nós sempre ali.
Olha aí nosso filho José Luiz numa foto recente com a Solange

Este que abraça nosso neto Ryan Gabriel é o Rafael, que reside nos EUA, onde faz carreira militar no Exército americano.


Amigos para sempre da CETSP, que jamais serão esquecidos, principalmente a Susana!!
Essa menina é a Lia, nora e filha que casou-se com o Rafael, ela é americana do Alabama

Nosso José Luiz, que adora uma foto

Pessoas da CET que foram agregando valores na minha vida e minha esposa (direita da foto)
Minha doce amiga Deisy Paula, sempre ficamos juntos
Sempre juntos...
Nossa família tem 8 cachorros... essa é a Jade...

Giovanna, não vai dar para colocar todos...haja espaço...
nosso filho Rafael, ainda pequenino...

Nosso José Luiz, pequenino e arteiro...
José Luiz no Sul do Brasil...
A família do Rafael nos EUA
Nossos netinhos Allysia e Ryan Gabriel, a razão de tudo...
Aos 51 anos fiz muita coisa na vida e espero fazer mais, pedi uma determinada cura para Deus num determinado momento da vida e Ele me deu muito mais que isso, deu-me uma família que é a maior riqueza de toda cura.


















sexta-feira, 2 de julho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - considerações finais


Vou compartilhar com vocês um sentimento intimo: é uma delícia estudar as ideias e teorias dessa eminente professora, e para encerrar a semana, mas não encerrando o assunto, ela ainda nos orienta como ensinar cegos e surdos sem dominar o braile e a língua de sinais, observem sua orientação:

“É até positivo que o professor de uma criança surda não saiba libras, porque ela tem que entender a língua portuguesa escrita. Ter noções de libras facilita a comunicação, mas não é essencial para a aula. No caso de ter um cego na turma, o professor não precisa dominar o braile, porque quem escreve é o aluno. Ele pode até aprender, se achar que precisa para corrigir textos, mas há a opção de pedir ajuda ao especialista. Só não acho necessário ensinar libras e braile na formação inicial do docente”.

Numa palestra proferida na UNICAMP um professor fez a seguinte pergunta:

O professor pode se recusar a lecionar para turmas inclusivas?

Ela respondeu:

“Não, mesmo que a escola não ofereça estrutura. As redes de ensino não estão dando às escolas e aos professores o que é necessário para um bom trabalho. Muitos evitam reclamar por medo de perder o emprego ou de sofrer perseguição. Mas eles têm que recorrer à ajuda que está disponível, o sindicato, por exemplo, onde legalmente expõem como estão sendo prejudicados profissionalmente. Os pais e os líderes comunitários também podem promover um diálogo com as redes, fazendo pressão para o cumprimento da lei”.

Foi ainda indagada:

Há fiscalização para garantir que as escolas sejam inclusivas?


“O Ministério Público fiscaliza, geralmente com base em denúncias, para garantir o cumprimento da lei. O Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Especial, atualmente não tem como preocupação punir, mas levar as escolas a entender o seu papel e a lei e a agir para colocar tudo isso em prática”.

Ainda vou voltar a falar sobre Maria Teresa, mesmo porque ainda estou no começo dos meus estudos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Projeto F123.org

O blog do Jairo, "assim como você" divulgou o projeto acima e agora disponibilizo abaixo, o projeto F123.org:

O Projeto F123.org possibilita o acesso à educação e a oportunidades de trabalho facilitando o uso de tecnologias assistivas baseadas em software livre.
Você pode baixar o software que cria o Pendrive F123.org para quem tem deficiência visual e deficiência motora.
Normalmente pessoas com deficiência visual em países em desenvolvimento são forçadas a usar software gratuito extremamente limitado, já que uma única cópia de um leitor de tela convencional pode chegar a custar o equivalente a três ou quatro computadores. Uma pequena minoria consegue acesso e aprende a usar softwares caros, e assim que tenta encontrar emprego ou fazer um estágio descobre que o preço dessa tecnologia adiciona uma barreira a mais a um processo que já é difícil. O Projeto F123.org quebra este círculo de dependência e vulnerabilidade, facilitando o acesso a tecnologias baratas e de fácil uso.
O Projeto F123.org disponibiliza todo o software que uma pessoa com deficiência precisa para usar um computador (incluindo sistema operacional, aplicativos, tecnologia assistivas como leitor de tela ou teclado virtual), em pendrives. Uma pequena modificação na seqüência de inicialização do BIOS de um computador, permite que a pessoa com deficiência use praticamente qualquer computador sem a necessidade de instalar nada. O pendrive F123.org de 2 ou mais Gigabytes é efetivamente o disco que contém tudo aquilo que o usuário precisa para navegar na Internet e trabalhar com documentos, planilhas eletrônicas, e-mails, e mensagens instantâneas.
Organizações e indivíduos interessados em ajudar a pessoas com deficiência podem concentrar seus recursos e energias em reabilitação, capacitação, e diversas outras áreas, já que software caro deixou de ser um obstáculo. F123.org é o acesso democrático à educação e ao emprego na palma da mão.
O Projeto F123.org no Brasil é uma parceria entre a Botelho & Paula Consultoria e a Mais Diferenças.

Mais informações acessem: http://f123.org/

Coral de Libras do Colégio Jandira Apresentação do Vespertino.AVI

Coral de Libras Col Jandira Ensaio sala de Inclusão.AVI

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - esclarecendo dúvidas


Quando questionada se a avaliação de alunos com deficiência intelectual deve ser diferenciada, ela é taxativa e responde:

“Não. Uma boa avaliação é aquela planejada para todos, em que o aluno aprende a analisar a sua produção de forma crítica e autônoma. Ele deve dizer o que aprendeu, o que acha interessante estudar e como o conhecimento adquirido modifica a sua vida. Avaliar estudantes emancipados é, por exemplo, pedir para que eles próprios inventem uma prova. Assim, mostram o quanto assimilaram um conteúdo. Aplicar testes com consulta também é muito mais produtivo do que cobrar decoreba. A função da avaliação não é medir se a criança chegou a um determinado ponto, mas se ela cresceu. Esse mérito vem do esforço pessoal para vencer as suas limitações, e não da comparação com os demais”.

A pergunta que muitos professores costumam fazer é que sem capacitação não é possível ensinar alunos com deficiência, no entanto, Maria Teresa rebate essa afirmação, mencionando:

“Sim, é possível ensinar mesmo não sendo capacitado. O papel do professor é ser regente de classe, e não especialista em deficiência.

Essa responsabilidade é da equipe de atendimento especializado. Não pode haver confusão. Uma criança surda, por exemplo, aprende com o especialista em Libras (língua brasileira de sinais) e leitura labial. Para ser alfabetizada em língua portuguesa para surdos, conhecida como L2, a criança é atendida por um professor de língua portuguesa capacitado para isso. A função do regente é trabalhar os conteúdos, mas as parcerias entre os profissionais são muito produtivas. Se na turma há uma criança surda e o professor regente vai dar uma aula sobre o Egito, o especialista mostra à criança com antecedência fotos, gravuras e vídeos sobre o assunto. O professor de L2 dá o significado de novos vocábulos, como pirâmide e faraó. Na hora da aula, o material de apoio visual, textos e leitura labial facilitam a compreensão do conteúdo”.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - como a escola se adapta à inclusão


Maria Teresa Mantoan orienta a forma como escola precisa se adaptar para a inclusão:

“Além de fazer adaptações físicas, a escola precisa oferecer atendimento educacional especializado paralelamente às aulas regulares, de preferência no mesmo local. Assim, uma criança cega, por exemplo, assiste às aulas com os colegas que enxergam e, no contraturno, treina mobilidade, locomoção, uso da linguagem braile e de instrumentos como o soroban, para fazer contas. Tudo isso ajuda na sua integração dentro e fora da escola”.

A dúvida fica sempre naquela questão, como garantir atendimento especializado se a escola não oferece condições?
Para isso, a professora nos ensina que “a escola pública que não recebe apoio pedagógico ou verba tem como opção fazer parcerias com entidades de educação especial, disponíveis na maioria das redes.
Enquanto isso, a direção tem que continuar exigindo dos dirigentes o apoio previsto em lei. Na particular, o serviço especializado também pode vir por meio de parcerias e deve ser oferecido sem ônus para os pais”.

Evidentemente que estudantes com deficiência intelectual severa é o grande desafio para estudar em uma classe regular, e para isso vale observar sua abordagem:

“Sem dúvida. A inclusão não admite qualquer tipo de discriminação, e os mais excluídos sempre são os que têm deficiências graves. No Canadá, vi um garoto que ia de maca para a escola e, apesar do raciocínio comprometido, era respeitado pelos colegas, integrado à turma e participativo. Há casos, no entanto, em que a criança não consegue interagir porque está em surto e precisa ser tratada. Para que o professor saiba o momento adequado de encaminhá-la a um tratamento, é importante manter vínculos com os atendimentos clínico e especializado”.

terça-feira, 29 de junho de 2010

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN


Dando sequência aos estudos da professora Maria Teresa Eglér Mantoan, hoje vamos abordar outras questões relativas a inclusão:

De acordo com seu pensamento para que uma escola se torne inclusiva é necessário em primeiro lugar, um bom projeto pedagógico, que começa pela reflexão.

E não apenas isso, ela acrescenta que “diferentemente do que muitos possam pensar, inclusão é mais do que ter rampas e banheiros adaptados. A equipe da escola inclusiva deve discutir o motivo de tanta repetência e indisciplina, de os professores não darem conta do recado e de os pais não participarem. Um bom projeto valoriza a cultura, a história e as experiências anteriores da turma. As práticas pedagógicas também precisam ser revistas. Como as atividades são selecionadas e planejadas para que todos aprendam? Atualmente, muitas escolas diversificam o programa, mas esperam que no fim das contas todos tenham os mesmos resultados. Os alunos precisam de liberdade para aprender do seu modo, de acordo com as suas condições. E isso vale para os estudantes com deficiência ou não.

Sobre a inclusão no Brasil ela afirma:

“Estamos caminhando devagar. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental, sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola , que não substitui o ensino regular. Há outra questão, um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência intelectual. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Blog - Assim como você

O blog do jornalista da Folha de São Paulo, Jairo Marques, fez uma menção hoje do meu trabalho em educação de trânsito para pessoas com deficiência, quem quiser ler basta acessar o link
http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br/ , "Cuidado com a rua".
Valeu Jairo e obrigado. Ah a charge acima é ele em pessoa!!

MARIA TERESA EGLÉR MANTOAN - considerações iniciais

"Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças"

Para a educadora, na escola inclusiva professores e alunos aprendem uma lição que a vida dificilmente ensina: respeitar as diferenças. Esse é o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa.

Para Maria Teresa Eglér Mantoan, inclusão “é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento intelectual, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.

Para ela a inclusão traz inúmeros benefícios para alunos e professores, conforme podemos observar a seguir de sua declaração sobre este assunto:
“A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação”.

sábado, 26 de junho de 2010

Maria Teresa Eglér Mantoan

A partir de hoje vamos estudar Maria Teresa Eglér Mantoan, professora da Universidade Estadual de Campinas, ela é um expoente na área da Educação Inclusiva. Vejam essa entrevista que ela concedeu à Revista Educação, na sua edição de número 100:

Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?

A educação básica está vivendo um grande desafio, que é o de resolver a equação qualidade de ensino X quantidade de alunos.
O direito de todos à educação precisa ser assegurado e a inclusão dos que estavam (estão) fora das escolas potencializa esse desafio.
Nossas políticas públicas não acompanham os avanços educacionais e neutralizam todas as perturbações que as diferenças, por exemplo, ocasionam nas salas de aula. A cultura escolar ainda vive dos mitos do aluno ideal, da sala de aula homogênea, da reprodução do conhecimento fragmentado em áreas, transmitido seqüencialmente, do mérito escolar medido por comparação de desempenhos nas áreas do conhecimento. O diagnóstico não é dos mais favoráveis às grandes mudanças que temos de empreender para que a escola básica brasileira corresponda aos nossos anseios de uma educação de qualidade, democrática e aberta a todos, sem discriminações, segregação, preconceitos.

Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?

Avalio a formação do professor com muitas reservas. No meu ponto de vista é preciso aliar teoria a práticas educacionais, durante todo o percurso do aluno na universidade.
Precisamos garantir uma sólida formação do profissional de educação, calcada na discussão, no questionamento de situações vivenciadas no cotidiano escolar. Este é, a meu ver, o cenário mais adequado para a preparação desse profissional, na sua formação inicial e também na formação em serviço. Em uma palavra, seria ideal que os alunos/professores aprendessem fazendo e teorizando a própria prática educacional.

Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?

De certo existem escolas públicas e particulares envolvidas em projetos interessantes de trabalho, mas prefiro não destacar modelos e sim a necessidade de cada escola elaborar, autonomamente, seus projetos político-pedagógicos, para que possam ministrar um ensino que atenda às necessidades de seus alunos e aos propósitos que definiram como seus alvos preferenciais de trabalho. Escola-modelo para mim é aquela que conseguiu ultrapassar o anonimato das propostas universalistas e encontrou sua identidade.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Mundo sem Som!

EMEE Helen Keller

Como se relacionar com um surdocego?


Pergunte como deve se comunicar com o surdocego ao seu guiaintérprete ou ao acompanhante. As formas são variadas e extremamente particulares.
Os surdocegos andam, normalmente, com um guia-intérprete ao seu lado para conseguir estabelecer a comunicação com outras pessoas. Quando chegar perto de um surdocego, toque-o levemente na mão para sinalizar que está ao seu lado. O guiaintérprete é quem vai guiar essa interação.

A comunicação com pessoas surdocegas

Os sistemas de comunicação usados pelas pessoas surdocegas são divididos em Alfabéticos e Não Alfabéticos. Vamos conhecê-los.

Sistemas Alfabéticos

Alfabeto Dactilológico: as letras do alfabeto se formam mediante diferentes posições dos dedos da mão;
Alfabeto de Escrita Manual: quando o dedo indicador da pessoa surdocega funciona como um lápis escrevendo o que quer sobre a outra mão;
Tablitas Alfabéticas: são tábuas que têm letras escritas em forma maiúscula ou impressas em Braille. Para a comunicação, o interlocutor
vai assinalando cada letra para formar uma palavra com o dedo da pessoa surdocega e ela responde fazendo o mesmo procedimento;
Meios Técnicos com Saída Braille: são máquinas utilizadas pelo surdocego que conhece o Braille.

Sistemas Não Alfabéticos

Libras: Língua Brasileira de Sinais utilizada pelas pessoas surdas.

Tadoma: consiste na percepção, por meio da mão da pessoa surdocega que repousa sobre a boca de quem fala para sentir a vibração das palavras.

Alguns surdocegos se comunicam colocando a mão em sua boca para sentir a vibração do som que você está emitindo.

Quando falamos em tadoma, estamos nos referindo ao método de vibração do ensino da fala. A criança que está sendo ensinada no tadoma tem que colocar uma e inicialmente as duas mãos na face da pessoa que está falando. Com bastante treino e prática a possibilidade de se comunicar através deste método tende a ser grande SISTEMA PICTOGRÁFICO.

Os símbolos de comunicação pictórica - Picture Communication Symbols (PCS) fazem parte de um Sistema de Comunicação Aumentativa (CAA) que refere-se ao recurso, estratégias e técnicas que complementam modos de comunicação existentes ou substituem as habilidades de comunicação existentes.

Em síntese, o sistema pictográfico consiste-se de símbolos, figuras, etc, que significam ações, objetos, atividades que entre outras características podem servir como símbolos comunicativos, tanto receptivamente quanto expressivamente.