Ally e Ryan

Ally e Ryan

quarta-feira, 21 de julho de 2010

24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão

As soluções para os dilemas que o gestor enfrenta ao receber alunos com deficiência

Gestão de equipe

11. É possível solicitar o apoio de pessoal especializado?
Mais do que possível, é necessário. O aluno tem direito à Educação regular em seu turno e ao atendimento especializado no contraturno, responsabilidade que não compete ao professor de sala. Para tanto, o gestor pode buscar informações na Secretaria de Educação Especial do MEC, na Secretaria de Educação local e em organizações não governamentais, associações e universidades. Além do atendimento especializado, alunos com deficiência têm direito a um cuidador, que deve participar das reuniões sobre o acompanhamento da aprendizagem, como na EMEF Luiza Silvina Jardim Rebuzzi, em Aracruz, a 79 quilômetros de Vitória (leia mais no quadro abaixo).

12. Como integrar o trabalho do professor ao do especialista?
Disponibilizando tempo e espaço para que eles se encontrem e compartilhem informações. Essa integração é fundamental para o processo de inclusão e cabe ao diretor e ao coordenador pedagógico garantir que ela ocorra nos horários de trabalho pedagógico coletivo.

13. Como lidar com as inseguranças dos professores?
Promovendo encontros de formação e discussões em que sejam apresentadas as novas concepções sobre a inclusão (que falam, sobretudo, das possibilidades de aprendizagem). "O contato com teorias e práticas pedagógicas transforma o posicionamento do professor em relação à Educação inclusiva", diz Rossana Ramos. Nesses encontros, não devem ser discutidas apenas características das deficiências. "Apostamos pouco na capacidade desses alunos porque gastamos muito tempo tentando entender o que eles têm, em vez de conhecer as experiências pelas quais já passaram", afirma Luiza Russo, presidente do Instituto Paradigma, de São Paulo.

14. Como preparar os funcionários para lidar com a inclusão?
Formação na própria escola é a solução, em encontros que permitam que eles exponham dificuldades e tirem dúvidas. "Esse diálogo é uma maneira de mudar a forma de ver a questão: em vez de atender essas crianças por boa vontade, é importante mostrar que essa demanda exige a dedicação de todos os profissionais da escola", diz Liliane Garcez, da comissão executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenadora de pós-graduação de Inclusão no Centro de Estudos Educacionais Vera Cruz (Cevec). É possível também oferecer uma orientação individual e ficar atento às ofertas de formação das Secretarias de Educação.
Esforço de toda a equipe



DECISÕES COLETIVAS A equipe da diretora Débora (de branco) acompanha os avanços de todos os alunos. Foto: Diana Abreu

Gestores, professores e funcionários da EMEF Luiza Silvina Jardim Rebuzzi, em Aracruz, sabem que a real inclusão depende do trabalho em equipe. "Nos reunimos semanalmente - eu, a coordenadora, os cuidadores, os professores e os profissionais especializados - e avaliamos o plano de ensino dos alunos com deficiência. Para montar os objetivos, partimos de habilidades que eles já têm, como ter hipóteses de escrita ou se comunicar oralmente. Se não possuem nenhuma delas, criamos metas em função de suas possibilidades", explica a diretora, Débora Amorim Gomes Barbosa. A escola define um plano para cada aluno e todos os professores que trabalham com ele fazem anotações durante o ano. Além disso, é mantido um contato estreito com a família para conhecer melhor a criança e os atendimentos que ela recebe. Tudo isso faz com que os professores tenham mais segurança no planejamento. "Nunca passamos pelo drama de não saber como trabalhar", conta Débora.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Especial Escolas: Recomendações para os pais (1/7)

24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão

Foto: Dercilio - Revista Nova Escola
As soluções para os dilemas que o gestor enfrenta ao receber alunos com deficiência
Gestão da aprendizagem

5. Quem tem deficiência aprende mesmo?
Sem dúvida. Sempre há avanços, seja qual for a deficiência. Surdos e cegos, por exemplo, podem desenvolver a linguagem e o pensamento conceitual. Crianças com deficiência mental podem ter mais dificuldade para se alfabetizar, mas adquirem a postura de estudante, conhecendo e incorporando regras sociais e desenvolvendo habilidades como a oralidade e o reconhecimento de sinais gráficos. "É importante entender que a escola não deve, necessariamente, determinar o que e quando esse aluno vai aprender. Nesses casos, o gestor precisa rever a relação entre currículo, tempo e espaço", afirma Daniela Alonso.

6. Ao promover a inclusão, é preciso rever o projeto político pedagógico (PPP) e o currículo da escola?
Sim. O PPP deve contemplar o atendimento à diversidade e o aparato que a equipe terá para atender e ensinar a todos. Já o currículo deve prever a flexibilização das atividades (com mais recursos visuais, sonoros e táteis) para contemplar as diversas necessidades.

7. Em que turma o aluno com deficiência deve ser matriculado?
Junto com as crianças da mesma idade. "As deficiências física, visual e auditiva não costumam representar um problema, pois em geral permitem que o estudante acompanhe o ritmo da turma. Já os que têm deficiência intelectual ou múltipla exigem que o gestor consulte profissionais especializados ao tomar essa decisão", diz Daniela Alonso. Um aluno com síndrome de Down, por exemplo, pode se beneficiar ficando com um grupo de idade inferior à dele (no máximo, três anos de diferença). Mas essa decisão tem de ser tomada caso a caso.

8. Alunos com deficiência atrapalham a qualidade de ensino em uma turma?
Não, ao contrário. Hoje, sabe-se que todos aprendem de forma diferente e que uma atenção individual do professor a determinado estudante não prejudica o grupo. Daí a necessidade de atender às necessidades de todos, contemplar as diversas habilidades e não valorizar a homogeneidade e a competição.

9. Como os alunos de inclusão devem ser avaliados?
De acordo com os próprios avanços e nunca mediante critérios comparativos. Esse é o modelo adotado na EM Valentim João da Rocha, em Joinville, a 174 quilômetros de Florianópolis (leia mais no quadro abaixo). "Os professores devem receber formação para observar e considerar o desenvolvimento individual, mesmo que ele fuja dos critérios previstos para o resto do grupo", explica Rossana Ramos, professora da Universidade de Pernambuco (UPE). Quando o estudante acompanha o ritmo da turma, basta fazer as adaptações, como uma prova em braile para os cegos.

10. A nota da escola nas avaliações externas cai quando ela tem estudantes com deficiência?
Em princípio, não. Porém há certa polêmica em relação aos casos de deficiência intelectual. O MEC afirma que não há impacto significativo na nota. Já os especialistas dizem o contrário. Professores costumam reclamar disso quando o desempenho da escola tem impacto em bônus ou aumento salarial. "O ideal seria ter provas adaptadas dentro da escola ou, ao menos, uma monitoria para que os alunos pudessem realizá-las. Tudo isso, é claro, com a devida regulamentação governamental", defende Daniela Alonso. Enquanto isso não acontece, cabe aos gestores debater essas questões com a equipe e levá-las à Secretaria de Educação.

Cada um com uma avaliação

DIREITO RESPEITADO Ana Caroline estuda com colegas da sua idade e faz as mesmas atividades que eles. Foto: Eduardo Marques


Os alunos com deficiência da EM Valentim João da Rocha, em Joinville, fazem todas as atividades propostas ao restante da turma - com as devidas adaptações - e são avaliados de acordo com as próprias possibilidades. "Alguns não se alfabetizam, mas avançam na oralidade e são avaliados nesse quesito", conta a diretora, Luci Leila da Cunha Nunes. Além disso, todos são matriculados com colegas de idades próximas, como Ana Caroline de Jesus, de 8 anos, que tem deficiência física. Os professores que ainda têm dúvidas sobre as práticas pedagógicas que devem usar ganharam uma aliada: a professora da sala de recursos, Geisa do Nascimento, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AAE). Em encontros semanais, Geisa e os colegas conversam sobre os recursos que podem ser providenciados. O resultado do esforço coletivo é compensador. "Nosso melhor estudante tinha baixa visão, classificava-se muito bem na Olimpíada Brasileira de Matemática e hoje está no Ensino Médio", diz Luci.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Como lidamos com a diferença - parte 1

Aos meus leitores de Portugal, meu agradecimento pessoal pela obra teatral que exponho abaixo. Parabéns Portugal!!

Como lidamos com a diferença - parte 2

24 respostas para as principais dúvidas sobre inclusão

Vou reproduzir durante esta semana debate sobre as principais dúvidas que o tema inclusão incute nas escolas. As perguntas e respostas foram publicadas na Revista Nova Escola.

Entrevista com Daniela Alonso



Um desenho feito com uma só cor tem muito valor e significado, mas não há como negar que a introdução de matizes e tonalidades amplia o conteúdo e a riqueza visual. Foi a favor da diversidade e pensando no direito de todos de aprender que a Lei nº 7.853 (que obriga todas as escolas a aceitar matrículas de alunos com deficiência e transforma em crime a recusa a esse direito) foi aprovada em 1989 e regulamentada em 1999. Graças a isso, o número de crianças e jovens com deficiência nas salas de aula regulares não para de crescer: em 2001, eram 81 mil; em 2002, 110 mil; e 2009, mais de 386 mil - aí incluídas as deficiências, o Transtorno Global do Desenvolvimento e as altas habilidades.

Hoje, boa parte das escolas tem estudantes assim. Mas você tem certeza de que oferece um atendimento adequado e promove o desenvolvimento deles? Muitos gestores ainda não sabem como atender às demandas específicas e, apesar de acolher essas crianças e jovens, ainda têm dúvidas em relação à eficácia da inclusão, ao trabalho de convencimento dos pais (de alunos com e sem deficiência) e da equipe, à adaptação do espaço e dos materiais pedagógicos e aos procedimentos administrativos necessários.

Para quebrar antigos paradigmas e incluir de verdade, todo diretor tem um papel central. Afinal, é da gestão escolar que partem as decisões sobre a formação dos professores, as mudanças estruturais e as relações com a comunidade. Nesta reportagem, você encontra respostas para as 24 dúvidas mais importantes sobre a inclusão.

Gestão administrativa

1. Como ter certeza de que um aluno com deficiência está apto a frequentar a escola?
Aos olhos da lei, essa questão não existe - todos têm esse direito. Só em alguns casos é necessária uma autorização dos profissionais de saúde que atendem essa criança. É dever do estado oferecer ainda uma pessoa para ajudar a cuidar desse aluno e todos os equipamentos específicos necessários. "Cabe ao gestor oferecer as condições adequadas conforme a realidade de sua escola", explica Daniela Alonso, psicopedagoga especializada em inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

2. As turmas que têm alunos com deficiência devem ser menores?
Sim, pois grupos pequenos (com ou sem alunos de inclusão) favorecem a aprendizagem. Em classes numerosas, os professores encontram mais dificuldade para flexibilizar as atividades e perceber as necessidades e habilidades de cada um.

3. Quantos alunos com deficiência podem ser colocados na mesma sala?
Não há uma regra em relação a isso, mas em geral existem dois ou, em alguns casos, três por sala. Vale lembrar que a proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.

4. Para torna a escola inclusiva, o que compete às diversas esferas de governo?
"O governo federal presta assistência técnica e financeira aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios para o acesso dos alunos e a formação de professores", explica Claudia Pereira Dutra, secretária de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC). Os gestores estaduais e municipais organizam sistemas de ensino voltados à diversidade, firmam e fiscalizam parcerias com instituições especializadas e administram os recursos que vêm do governo federal.

domingo, 18 de julho de 2010

Folha de São Paulo

O jornal Folha de São Paulo que circula neste domingo traz como matéria de capa o crescimento do uso da motocicleta, vale a pena conferir.



Frota de moto supera a de carro em metade do país

Dados mostram que em 46% das cidades veículo de duas rodas é maioria

Índice se limitava a 26% no começo da década; na média, a cada três dias um novo município entra na lista

ALENCAR IZIDORO
DE SÃO PAULO

O office-boy virou motoboy. O transporte público se rendeu ao mototáxi. O jegue deu lugar à moto. E, para escapar de engarrafamentos ou de ônibus caros, lentos e desconfortáveis, muita gente decidiu se tornar motociclista.
O fenômeno notado desde os anos 90 está perto de ganhar um status de predominante: quase metade das cidades brasileiras já tem mais motocicletas do que carros.
Mapeamento da Folha a partir de dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) mostra que 46% dos municípios, onde vive um a cada quatro habitantes do país, têm uma frota onde as motos são majoritárias.
O índice se limitava a 26% no começo da década. Na média, a cada três dias uma nova cidade entrou na lista.
Embora esse domínio esteja concentrado em municípios pequenos e médios, são claros os sinais de avanço em grandes centros urbanos.
Duas capitais, inclusive, já têm as motos como preponderantes em suas frotas: Boa Vista (RR) e Rio Branco (AC).

MOTIVOS
Essa expansão mostra a consolidação de um transporte típico de países asiáticos, como Índia e Vietnã, e que é motivo de preocupação por ser vulnerável e provocar mais mortes em acidentes -além de mais poluente.
Além da má qualidade dos ônibus, a principal razão do avanço das motos é seu preço e facilidade de financiamento -há prestações de R$ 100. O fenômeno foi estimulado pelos vários níveis de governo, com queda de impostos e legalização de mototáxis.
Especialistas reconhecem a importância das motos para a mobilidade das pessoas. O resultado social, entretanto, é considerado negativo.
O número de motociclistas mortos no país saltou de 725 em 1996 para estimativas acima de 8.000 no ano passado.
O engenheiro e sociólogo Eduardo Vasconcellos cita dois agravantes da expansão desse transporte no Brasil.
O primeiro é que, enquanto a população da Ásia sempre conviveu com muitas bicicletas, aqui as pessoas não sabem lidar com veículos de duas rodas -seja na travessia seja para se equilibrar.
O segundo é a mistura de motos com caminhões e ônibus. "Não tem volta. É preciso reprogramar o trânsito."
Ele se refere a ações como redução de limites de velocidade, separação dos veículos grandes e fiscalização dos infratores -hoje muitos radares não flagram motos.
"O problema não é do veículo em si, mas da educação dos condutores", defende Moacyr Alberto Paes, da Abraciclo (associação dos fabricantes de motocicletas).
O aumento da frota de carros no Brasil nos últimos cinco anos foi de 40%, menos de metade do ritmo de crescimento das motos -105%.
Mesmo assim, há mais carros (35,4 milhões) do que motos (15,3 milhões) no país devido às grandes capitais.

PROPORÇÃO
Quem vive em São Paulo pode se impressionar com a quantidade de motoboys enfileirados em grandes vias.
Mas a capital paulista tem 7 motos por 100 habitantes, contra mais de 26 por 100 habitantes em Ji-Paraná, segundo município mais populoso de Rondônia -onde os ônibus urbanos não chegam a 30, contra 200 mototáxis.
Em Tefé (AM), a quantidade de motos -4.464- equivale a nove vezes a de carros.
Não é à toa: sem estradas, seus acessos são feitos por barco ou avião. "É uma emoção viver nesta cidade, com tantas motos", diz a bióloga Lorena Andrade, em referência ao zigue-zague num lugar onde semáforos e faixas de pedestres são escassos.

Colaborou EDUARDO GERAQUE

São Caetano ainda é a "terra do carro"

Renda da população e cultura da indústria automobilística da cidade do Grande ABC ajudam a explicar fenômeno

Se as crianças e os idosos forem retirados do cálculo, município tem praticamente um veículo por habitante

DE SÃO PAULO


Não é de hoje que São Caetano do Sul, no ABC paulista, é considerada a "terra do automóvel". Ela se mantém há anos no topo do ranking de veículos ou de carro por habitante, dentre os municípios médios ou grandes do país.
A cidade tem 75 veículos -ou 57 carros- por 100 moradores. Se descontar as crianças e os idosos, fica praticamente um para cada.
A primeira explicação está ligada à renda da população de São Caetano do Sul, que costuma permanecer sempre entre as líderes no país.
O fator "município rico" se junta à condição de totalmente urbanizado e à cultura da indústria automobilística enraizada na história local.
"A General Motors está aqui. É difícil passar um mês sem fazer um "feirão" de vendas", diz Marcelo Ferreira de Souza, secretário de Mobilidade Urbana da prefeitura.
O curioso é que, mesmo com tantos veículos, os congestionamentos no município não se equiparam aos da capital -apesar de queixas de lentidão na av. Goiás.
Isso porque ela tem um pouco de cidade-dormitório. Muita gente mora lá, mas trabalha e utiliza seu carro diariamente em São Paulo.
E os acessos de entrada e saída não são poucos nem pequenos -da rodovia Anchieta à av. dos Estados.

DESENVOLVIDOS
São Caetano é líder, mas não a única no país com taxas de motorização semelhante à de países desenvolvidos, como nos EUA e em boa parte da Europa.
O país tem uma lista de 418 municípios com mais de 50 veículos por 100 habitantes -a maioria no Sul e Sudeste.
É como se 7% do país tivesse, em quantidade, uma frota igual à do primeiro mundo.
Só que com a desvantagem do transporte coletivo deficiente e malha viária restrita. Os resultados inevitáveis são os engarrafamentos, bem como avanço de motos, que não são disseminadas na maioria dos países ricos.
Na capital paulista, a média é de 57 veículos (ou 41 carros) por 100 moradores.
O mapeamento da Folha utilizou registros da frota do Denatran e dados de população estimados pelo IBGE.
Os primeiros podem ter imprecisões pelo fato, por exemplo, de não incluir veículos com as antigas placas amarelas, sem que tivessem se regularizado desde então. A quantidade em circulação, porém, é muito pequena.
(ALENCAR IZIDORO)

Municípios têm mais veículos que habitantes

Santa Bárbara do Monte Verde tem 187 veículos para cada cem pessoas
Proximidade com o Estado do RJ, onde IPVA é mais caro, favorece registro nessa e em outras duas cidades

JOÃO PAULO GONDIM
DE SÃO PAULO


Santa Bárbara do Monte Verde, na Zona da Mata mineira, tem apenas quatro avenidas, uma delas sem asfalto, e 5.603 veículos -quase dois, na média, para cada um de seus 2.999 habitantes.
A cidade, a 319 km de Belo Horizonte, tem a maior proporção de veículos por habitantes do Brasil: são 187 para cada cem pessoas.
Está no bolso a explicação para Santa Bárbara do Monte Verde, que não tem nenhuma concessionária de automóveis e ficou três anos sem posto de gasolina -até um ser reinaugurado há quatro meses-, liderar o ranking.
O IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) cobrado em Minas é mais barato que no Estado do Rio, logo ao lado.
De acordo com a tabela da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, a alíquota do imposto para "automóveis de uso misto com autorização para transporte público", como táxi ou escolar, é de 2%. No Rio, a alíquota é de 4%.
A Folha apurou que a diferença de valores é aproveitada por empresas frotistas, que, apesar de sediadas no Rio, como nas cidades vizinhas de Rio das Flores e Valença, registram seus carros em municípios mineiros.
Além disso, em MG as taxas de primeira licença e primeiro emplacamento são mais baratas que as do Rio.
"Já teve gente que pagou R$ 350 só para emplacar seu primeiro carro no Rio. Aqui, não cobramos nada", afirmou o delegado Alexandre Pereira, diretor do Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) de Rio Preto (MG), cidade vizinha de Santa Bárbara do Monte Verde.
O município -que também não tem concessionária, mas registra 7.630 veículos e 5.631 moradores- é o segundo na média de veículos por 100 habitantes (135).
"Meus tios moram no Rio de Janeiro, mas emplacaram o carro em Santa Bárbara [do Monte Verde]. Sai mais barato ter o registro do carro aqui", afirmou a enfermeira Angélica Lourenço, 25.
Metade dos recursos do IPVA amealhados pelo Estado vai para o município arrecadador. O prefeito de Santa Bárbara do Monte Verde, Fábio Nogueira (PSC), afirma não ver problemas em receber verbas que, em tese, deveriam ir para o Rio.
"Assumi o cargo em 1º de janeiro de 2009 e a situação já era assim. Não cabe a mim controlar", disse. Segundo o prefeito, o IPVA representa 10% da receita do município.

ESPÍRITO SANTO
Uma ponte de 60 metros separa Bom Jesus de Itabapoana (RJ) de Bom Jesus do Norte (ES). Com 9.672 habitantes e uma frota de 11.802 automóveis, a cidade capixaba, que não possui loja de venda de carros, é a terceira do país na média de veículo para cem habitantes (122).
Assim como nas duas primeiras colocadas, boa parte dos carros registrados lá pertence a fluminenses. A distorção, novamente, é explicada pela alíquota do IPVA: no Espírito Santo, 2% para carro de passeio ; no Rio, 4%.


Arapongas lidera em caminhões por morador

DE SÃO PAULO

O campeão na quantidade de caminhões por pessoa, dentre os municípios com mais de 100 mil habitantes, tem a explicação para esse resultado na ponta da língua.
"É a nossa indústria moveleira. Temos mais de 200 fábricas. E como é que vai transportar sofá?", pergunta Arnaldo Sebastião, major da divisão que cuida do trânsito em Arapongas, no Paraná, onde há quase três caminhões a cada 100 pessoas.
De lá saem móveis para as principais lojas do Brasil. Além de transportadores, autônomos fazem os serviços. Mas a prefeitura diz não haver transtornos porque eles ficam próximo de rodovias.
No interior paulista, Valinhos é a líder em ônibus -1,7 a cada 100 habitantes.
"Temos muitas empresas de fretamento que atendem toda a região metropoltana de Campinas", diz Ademir Bueno Martins, secretário de trânsito, citando ainda os ônibus para transportar pessoas que moram lá, mas trabalham na capital paulista.

Uso do automóvel é irracional, diz técnico

Para especialista, brasileiro tem imagem equivocada do "direito de ir" e vir do carro

DE SÃO PAULO

O problema não é ter muita gente com moto e carro, mas a utilização desses veículos de maneira irracional.
A avaliação é do engenheiro Cláudio de Senna Frederico, que já integrou um grupo de especialistas convidados pela UITP (associação internacional de transportes públicos) para traçar as diretrizes do setor para 2020.
"A Europa é bastante motorizada. Mas tem uso mais disciplinado. Aqui temos a imagem equivocada do "direito de ir" e vir de carro."
O ideal é que, mesmo tendo muitos veículos, a maioria da população não se locomova a todo momento com transporte individual -que polui mais, provoca mais acidentes e engarrafamentos.
O caminho, diz Federico, é a recuperação do sistema de ônibus (corredores exclusivos, melhoria da velocidade, tarifa mais barata) para que ele deixe de perder tanta gente para as motocicletas.
O segundo é a restrição à utilização de carros e motos -neste caso, com redução da velocidade, por exemplo.
Luiz Artur Cane, do Movimento Brasileiro de Motociclistas, diz que, para melhorar a segurança, a alternativa é difundir as motofaixas.
(ALENCAR IZIDORO)

Veja lista das 150 cidades com maior proporção de veículos por habitante
folha.com.br/ct768237

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DE VYGOTSKY E AS BORBOLETAS DE ZAGORSKI

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte VI - Final



Os Princípios da Escola de Zagorski

É bom frisar que, aqui no Brasil, também existe a preocupação com os alunos da Educação Especial, sentimos que os princípios educacionais de Vygotsky estão esquecidos ou melhor, não sei se foram esquecidos ou se nem mesmo chegaram até o ensino especial, mesmo sendo uma esperança da qualidade no ensino das pessoas com deficiência. Se compreendermos o que Vygotsky nos propõe como uma educação social, dando espaço para o ensino, para a mediação do professor junto à zona do desenvolvimento próximo de seu aluno, podemos ajudar a pessoa com deficiência em sua história cultural para que a mesma possa avançar sobre os limites e estabelecer diferentes possibilidades para suas funções psicológicas superiores. Devemos entender o Homem como sujeito em desenvolvimento, alguém que nunca está acabado, pronto e, por não possuir todas as experiências, estar sempre em processo para transformar, internalizar conhecimentos por meio da mediação social, das trocas com o outro mais experiente. O dia em que isso for possível, o homem não precisará mais inventar paradigmas para a educação especial, sejam eles no sentido de exclusão, terá atingido o seu verdadeiro sentido “a educação necessária ao atendimento da pessoa com deficiência.

É necessário conhecer Vygotsky, estudar exaustivamente seu pensamento, quando se discute as questões da educação inclusiva, simplesmente porque talvez ele tenha sido o primeiro pensador cujas ideias abordaram conceitos centrais do projeto de inclusão escolar. Para isto, basta ler e analisar o capítulo terceiro (“Acerca da psicologia e da pedagogia das deficiências infantis”), da primeira parte das Obras Escolhidas de Vygotsky, Volume V, “Fundamentos de Defectologia” (1997). Este texto constitui provavelmente a mais eloquente defesa da não segregação escolar de alunos com deficiência.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DE VYGOTSKY E AS BORBOLETAS DE ZAGORSKI

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte V



Os Princípios da Escola de Zagorski

As experiências relatadas no documentário envolvem desafios e questões delicadas que o professor que atua na educação especial enfrenta em seu cotidiano e propõe a compreensão do ato de ensinar como parte integrante do trabalho educativo. Saviani (1999, p.17) acerca desta questão, explica que

[...] o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens. Assim, o objeto da educação diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que eles se tornem humanos e, de outro lado e concomitantemente, à descoberta das formas mais adequadas para atingir esse objetivo.

Nesse aspecto, entendemos que o trabalho educativo alcança sua finalidade quando cada indivíduo apropria-se da humanidade produzida histórica e coletivamente, ou seja, quando ele, sujeito social, apropria-se dos elementos culturais necessários à sua formação como ser humano.
No instituto de Defectologia de Moscou, conforme citamos anteriormente, os professores partem de pressupostos vigotskianos para empreender o processo pedagógico, tomando como referência, em muitas situações, o conceito de desenvolvimento proximal. Duarte (2000, p.25) coloca que Vygotsky, ao apresentar o conceito de zona de desenvolvimento próximo, pressupõe a compreensão das relações entre o ensino e o desenvolvimento intelectual na idade escolar – “ele inicia mostrando que ao analisar o desenvolvimento de uma criança é necessário não se deter naquilo que já amadureceu, também é preciso captar aquilo que ainda está em processo de formação”.

Diante da colocação feita por Duarte, podemos identificar outros princípios da escola de Vygotsky em Zagorski, como a mediação, conforme discutida anteriormente. O mais importante, em nossa opinião, que consta na obra Fundamentos da defectologia (1963), refere-se à proposição de Vygotsky quando este afirma que a educação da criança com deficiência não deve basear-se na deficiência da mesma, mas nos instrumentos adaptativos que podem ajudá-la a superar as barreiras. Assim, a criança pode aprender com as orientações de uma pessoa mais experiente. A criança pode fazer amanhã sozinha a que faz hoje com a ajuda de um adulto ou de outra criança mais experiente, porque "o seu nível de aprendizagem é caracterizado por aquilo que ela consegue fazer de forma independente e por aquilo que ela consegue fazer com a ajuda de outras pessoas" (DUARTE, 2000, p.96).
Outro princípio da escola de Vygotsky, identificado no documentário “As Borboletas de Zagorski”, refere-se ao processo de avaliação, apontado por Barroco e Facci (2004, p. 38)

No processo de avaliação, o professor deve fiar-se na proposição de Vygotsky de que o grau de desenvolvimento cultural do aluno se expressa não só pelo conhecimento por ele adquirido, mas pode ser analisado considerando-se sua capacidade de usar objetos em seu mundo externo e, principalmente, pela capacidade de usar racionalmente seu próprio processo psicológico.

A forma mais justa de entender a educação, conforme Vygotsky (1997) defende, a educação que passa à frente do desenvolvimento, vai além e insere o indivíduo no contexto sócio-histórico.

Natacha a deficiência, o silêncio e a superação.

Havia uma trepitação constante em meus ouvidos e o mundo parecia muito estranho, diferente do que era antes da doença e era atormentada por imagem estranha totalmente desconhecida. Eu estava sempre nervosa e assustada, pois não entendia o mundo em que estava acostumada. Meu corpo parou de me obedecer e ele me levava para onde não queria ir. Meus olhos viam coisas que na verdade não estava lá e quando tentava reagir às imagens que imaginava estar vendo e ouvindo meus movimentos nunca eram adequados. As pessoas em minha volta achavam que estava ficando louca. O meu comportamento era estranho que ninguém conseguia compreender as minhas verdadeiras intenções. Eu percebi horrorizada que eu estava verdadeiramente ficando louca. (Documentário, 1963, Transcrição nossa).


As palavras de Natacha mostram o lado emocional de uma pessoa ao se ver, de repente, frente a uma nova deficiência. Natacha fala de sua dor, de seu desequilíbrio de suas emoções ao adquirir mais uma deficiência.
O documentário As Borboletas de Zagorski está enriquecido com a presença de várias crianças e adolescentes com suas histórias reais de transformações, mas nos limitaremos apenas a uma delas que freqüentou o Lar Zagorski – Natacha. Nossa protagonista coloca que é seguidora do pensamento de Vygotsky por considerar que sua história de vida espelha a teoria do filósofo que acreditou na pessoa com deficiência e dedicou parte de seus estudos em buscar forma de ajudá-las a superar suas limitações.
Natacha chegou ao Instituto de Zagorski aos treze anos de idade, foi educada conforme os pressupostos teóricos de Vygotsky. Sua deficiência visual ocorreu na infância e sua linguagem oral é parecida com a fala de um "passarinho", seqüela de uma doença que danificou suas cordas vocais aos nove anos de idade. Hoje, ela tem a formação e profissão de psicóloga, filósofa e mãe, sendo considerada um produto notável da escola de Zagorski.

Natacha descreve sua chegada a Zagorski e o conflito emocional ao ser inserida no programa de ensino.

“Foi nessas condições com o corpo desobediente, olhos e ouvidos que me enganavam com perspectiva do mundo errada e confusa que fui levada a Moscou com treze anos de idade. Foi ai que conheci as pessoas que começaram a me ensinar. A princípio, eu não entendia o que elas queriam de mim, porque eu estava tentando ouvi-las e vê-las como antes. Em vez disso, elas me obrigaram a compreender através do alfabeto manual. Foi um processo surpreendente para mim e para outras crianças, para nós, parecia uma brincadeira. Eu não compreendia e continuava pensando em ouvir com os meus ouvidos e ver com os meus olhos o que eles tentavam me mostrar. Esse foi o primeiro estado de educação em que eu compreendi que não só poderia ver com meus olhos, mas também com minhas mãos. Que poderia não só ouvir com os meus ouvidos, mas também com as minhas mãos. A partir desse momento, a ordem entrou no meu mundo”.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DE VYGOTSKY E AS BORBOLETAS DE ZAGORSKI

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte IV



Os Princípios da Escola de Zagorski

O efeito fundamental que encontramos no desenvolvimento agravado pela deficiência é o duplo papel que desempenha a insuficiência orgânica no processo desse desenvolvimento e da formação da personalidade da criança. Por um lado, à deficiência é o oposto: a limitação, a debilidade, a diminuição do desenvolvimento, e, por outro lado, precisamente porque cria dificuldade, estimula um avanço elevado e intensificado. A tese central da deficiência atual é a seguinte: toda deficiência cria estímulos para elaborar uma compensação. Por isso o estudo dinâmico da criança deficiente não pode limitar-se a determinar o nível de gravidade da deficiência, mas que inclui obrigatoriamente a consideração dos processos compensatórios, ou substitutivos, sobre estruturados e nivelados no desenvolvimento e na conduta da criança. (VYGOTSKY,1997, p. 14).

Iniciamos com a citação de Vygotsky sobre a importância de buscar instrumentos adaptativos que venham a contribuir com a pessoa deficiente a na superação das dificuldades impostas pela própria deficiência. Novas formas de comunicação ocorrem em Zagorski com a linguagem manual, na busca da superação dos problemas orgânicos. Como os alunos cegos e surdos não têm como fazerem uso da linguagem pelos meios convencionais, são habilitados na linguagem alternativa, que lhes permite comunicar-se com o mundo.

O dia em Zagorski começa com atividades de comunicação por meio do alfabeto manual com uma só mão. Aos alunos que apresentam resíduos visuais, a sinalização é realizada no ar a uma pequena distância. Para os alunos com cegueira total, a atividade é desenvolvida unicamente por meio de toque na mão da pessoa, ou seja, a linguagem própria dos surdoscegos, que são movimentos de LIBRAS na mão do aluno para que o mesmo possa sentir os movimentos e ler as palavras. Essa comunicação não é apenas utilizada no interior de Zagorski, há um trabalho desenvolvido pelos professores do Instituto que envolve atividades extra-classe com passeios e horários de assembléia onde os alunos trocam informações.

A comunicação dentro do lar é poder, é interagir com o mundo, visto que ela permite revelar às pessoas os nossos sentimentos e os conhecimentos adquiridos em nossas experiências. Assim, identificamos o primeiro princípio de Vygotsky empregado no Lar de Zagorski, os alunos aprendem, desde sua chegada ao lar, a linguagem manual para que os hábitos de comunicação ocorram constantemente. A linguagem manual se faz por treinamento em que a criança aprende, por meio da imitação dos gestos dos adultos, os movimentos necessários a comunicação.

Conforme os estudos de Luria (LURIA, A. R. Pensamento e linguagem: as últimas conferências de Luria. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986. p.202):

Graças à linguagem, o sujeito pode penetrar na profundidade das coisas, sair dos limites da impressão imediata, organizar seu comportamento dirigido a uma finalidade, descobrir os enlaces e as relações complexas que são inatingíveis para a percepção imediata, transmitir a informação a outro homem, o que constitui um poderoso estímulo para o desenvolvimento mental, pela transmissão acumulada ao longo de muitas gerações.

Luria (1986) considera a linguagem e sua função reguladora como a capacidade de influenciar e modificar o comportamento dos homens. Uma criança ou uma pessoa com surdez que faz uso da linguagem acompanhada de gestos indicadores, que norteiam sua ação no meio ambiente, reorganiza a atenção e separa um objeto desejado dos outros objetos. A consequência dessa primeira fase da linguagem é o desenvolvimento da atenção da criança que deixa de se subordinar aos modelos apresentados pelo adulto e começa a organizar seu pensamento sobre uma base social.
Concordamos com o autor sobre a estruturação do pensamento com base na linguagem e acreditamos que o mesmo processo ocorre com os alunos do Lar Zagorski ao iniciarem a aprendizagem da linguagem manual.

A nossa experiência com alunos inseridos na Linguagem Brasileira de Sinais (LIBRAS) mostra concordância com as ideias de Luria (1986) sobre a importância da linguagem para estruturar o pensamento por meio da ajuda de outra pessoa mais experiente. Vygotsky , em seus estudos sobre o pensamento e a linguagem, defende a tese que a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, mas uma relação mediada por meio de instrumentos e signos.

Outro princípio defendido por Vygotsky está na aprendizagem da criança com deficiência. De acordo com o estudioso, ela segue os mesmos caminhos da criança sem deficiência e, até mesmo as crianças mais graves podem aprender, os conteúdos acadêmicos e sociais, desde que recebam o ensino adequado às suas necessidades. Seguindo a fala do próprio documentário, “a existência de um plano social que irá determinar a qualidade do desenvolvimento e a intervenção pedagógica interferindo sobre o desenvolvimento”.

Em resposta à questão analisada, é possível compreender, pelo posicionamento que o ensino tem papel fundamental no desenvolvimento do psiquismo do indivíduo com deficiência. Por isso, ele deve ser enfocado individual e coletivamente, feitas mediações diretas e indiretas e diferenciadas por metodologias adequadas e conteúdos organizados, promovidos por meio do processo avaliativo diagnóstico dinâmico e de caráter científico. O ensino e a mediação só têm um caminho a seguir: ter finalidade de ensino e orientar o aluno a desenvolver-se cognitivamente por meio do pensar sobre: Como? Por quê? Para quê? devemos aprender determinado conteúdo.

Para atender ao ensino conforme a Teoria Histórico-Cultural defende, encontramos outro princípio apresentado no documentário que é a formação de professores. De acordo com o mesmo, estes ocupam uma posição especial na então União Soviética, sendo treinados em defectologia e disciplinas acadêmicas. Recebem 25% a mais que os professores que atendem a alunos de ensino básico e estão capacitados a trabalharem na teoria de Vygotsky para ajudarem seus alunos a sobreviverem no mundo exterior.

Entendemos que a formação desses professores vincula-se à prática pedagógica em direção a entender o homem como um ser social e histórico, que transforma o meio e é por ele transformado. Este estabelece relações com o mundo, servindo-se de mediações presentes nele e no seu grupo sociocultural. O homem constrói sua individualidade a partir da interação com o outro e na escola o professor tem a função de ensinar, ensinar conteúdos voltados aos conceitos científicos.

DEFECTOLOGIA - Campo de estudo que se estuda as pessoas que apresentam algum tipo de “defeito” – aqueles que não se enquadram nos parâmetros da normalidade. Seja sob uma condição física, seja sob uma condição psicológica.

terça-feira, 13 de julho de 2010

PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DE VYGOTSKY E AS BORBOLETAS DE ZAGORSKI

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte III



Os alunos que residem no Instituto de Zagorski são denominados de "borboletas", essa expressão está ligada, por elos fortes, quando coloca a importância do ensino na vida dos seres humanos e as transformações que pode estimular no indivíduo para busca de seus ideais. Nosso entendimento sobre a expressão empregada é o de apresentar os caminhos que esses alunos irão percorrer no transcorrer de sua vida e, assim, descrever suas metamorfoses. As mudanças educacionais que essas crianças e adolescentes vivenciam representam a na busca da saída do isolamento por meio de instrumentos educacionais alternativos que os levam a encontrar o mundo letrado.

Conforme Marta Kohl coloca, é importante despertar para novas possibilidades:

“Podemos pensar, por exemplo, num indivíduo que vive num grupo cultural isolado que não dispõe de um sistema de escrita. Se continuar isolado nesse meio cultural que desconhece a escrita, esse indivíduo jamais será alfabetizado. Isto é, só o processo de aprendizado da leitura e da escrita (desencadeado num determinado ambiente sócio-cultural onde isso é possível) é que poderia despertar os processos de desenvolvimento internos do indivíduo que permitiam a aquisição da leitura e da escrita”.

Marta Kohl em seus estudos, sintetiza, muito bem o triplé que orienta essa transformação:

Em Vygotsky, justamente por sua ênfase nos processos sócio-históricos, a ideia de aprendizado inclui a interdependência dos indivíduos envolvidos no processo. O termo que ele utiliza em russo (obuchenie) significa algo como “processo de ensino-aprendizagem”, incluindo sempre aquele que aprende, aquele que ensina e a relação entre as pessoas.

Transformadores, nome empregado para apresentar os caminhos percorridos por cada aluno dentro do Lar, as conquistas obtidas por cada um ao receber o ensino necessário à superação de sua dificuldade. Transformadores porque saíram do isolamento e adquiriram independência, tornaram-se profissionais, outros, mesmo inseridos dentro do lar, fizeram amigos, passaram-se comunicar-se com os familiares e visitantes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

PRINCÍPIOS EDUCACIONAIS DE VYGOTSKY E AS BORBOLETAS DE ZAGORSKI

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte II



No meu curso de Gestão Pedagógica estamos estudando os “Princípios Educacionais de Vygotsky e as Borboletas de Zagorski. As postagens desta semana vai procurar fazer uma análise do documentário: As Borboletas de Zagorski, elaborado pela BBC de Londres em 1963 (para tanto vou postar os vídeos aqui). Os sujeitos do documentário eram crianças surdocegas, delas destacamos as falas da protagonista Natacha e a analisamos sob os aspectos da teoria histórico-cultural. Devemos ter como objetivo dois aspectos: o primeiro consiste em identificar os princípios educacionais apresentados na ação dos membros do lar. E, o segundo, transcrever a fala de Natacha para analisarmos alguns conceitos psicológicos da deficiência e de sua superação.

Este documentário foi produzido em 1963, pela BBC de Londres. Neles, apresenta experiências desenvolvidas na cidade de Moscou capital da Rússia, local das experiências de Vygotsky. Trata-se do Instituto de Defectologia de Moscou, uma entidade científica que realiza pesquisas em todas as áreas de deficiência e, ao mesmo tempo, desenvolve métodos de ensino especiais para a educação de deficientes. Os instrumentos utilizados são adaptados no sentido de preparar o aluno para se comunicarem entre si e socialmente. Ele possui uma norma inquebrável: "Jamais fazer um julgamento final, referente à deficiência de uma criança". A cada visita da criança, ela é examinada como se nunca se nunca houvesse sido.

O documentário segue à risca a tese que defendeu Vygotsky em seus estudos: a linguagem é poder e, por meio dela, o aluno organiza o seu pensamento e se insere no mundo dos conhecimentos científicos. Outro ponto importante apresentado pelo documentário é a necessidade de analisar as questões delicadas e os desafios apresentados na educação da pessoa com deficiência auditiva associada à deficiência visual – surdocegueira e, outras deficiências. Desafia os professores a assumirem a responsabilidade em promover a socialização desses alunos, desenvolvendo sua comunicação para que os mesmos possam, como a lagarta, sair do casulo, transformarem-se em borboletas, e, com a sua beleza própria, atingir a liberdade, o imenso espaço que é a vida. O Instituto emprega os métodos de ensino do grande psicólogo russo Vygotsky, desenvolvidos há mais de sessenta anos. Sua ênfase está na zona do desenvolvimento próximo. Nesse sentido, seguem Vygotsky ao defender: "crianças com deficiência devem ter todos os sentidos remanescentes permanentemente estimulados de modo a compreender o mundo".

domingo, 11 de julho de 2010

Borboletas de Zagorsk [BBC, 1992]: Parte I

Parte 1 - As Borboletas de Zagorsk, uma clássico da educação especial que será nosso inicio para estudarmos Vygotsky mais profundamento. Quando falamos que inclusão é um processo recente, isso somente podem ser afirmado por aqueles que não conhecem as propostas pedagógicas, que já defendia nos anos 30 que as escolas deviam ensinar no mesmo ambiente crianças com e sem deficiência.

sábado, 10 de julho de 2010

"As estrelas de Zagorsk"

Projeto com o vídeo "Estrelas de Zagorsk"


Para a próxima semana vamos estudar Vigotsky.

O BRILHO DE PROFESSORES ESPECIAIS


Na cidade de Zagorsk a 80 Kilômetros de Moscou há uma escola especial para pessoas com a deficiência múltipla, isto é, pessoas com surdocegueira onde a comunicação é o objetivo principal.
Professores especiais praticamente moram na escola e vestem a camisa da Educação Especial com muito amor e dedicação.
Todos com o mesmo propósito de levar a estes alunos os conhecimentos da escrita Braille e a comunicação através do tato.
Inspirado em Lev Vigotsky “As Borboletas de Zagorsk” é um verdadeiro exemplo de dedicação e comprometimento com a Educação Especial.
Baseado neste documentário acredito que os professores poderiam iniciar um novo projeto visando a Inclusão com um olhar reflexivo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fundação Banco do Brasil lança cartilha sobre acessibilidade em estações digitais

A Fundação Banco do Brasil está lançando uma cartilha que trata da acessibilidade nas estações digitais para pessoas com deficiência auditiva e visual. A cartilha foi desenvolvida à luz da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os direitos de pessoas com deficiência é voltado para dirigentes, gestores e educadores sociais. O objetivo do documento é contribuir para o processo de adequação arquitetônica e digital das estações digitais e para garantir melhor atendimento às pessoas com deficiência.

As estações digitais fazem parte do programa de inclusão digital da fundação e são implantadas nas comunidades que não têm acesso a essas tecnologias, em parceria com organizações do terceiro setor.

A inclusão de pessoas com deficiência foi, durante anos, uma preocupação restrita aos profissionais da área de educação com práticas pedagógicas direcionadas para o atendimento diferenciado. Nishi ressalta que, numa sociedade inclusiva, é importante que espaços públicos como bancos, hospitais, escolas e também as estações digitais tenham estrutura física, pessoal capacitado e programas de computadores e aplicativos adequados para atendimento desse público com deficiência física, visual
ou auditiva.

A cartilha está disponível para download no endereço: http://bit.ly/fbb-acessibilidade.

Fonte: http://www.rets.org.br/?q=node/555

Educando para o trânsito – a escola, o professor e os alunos - continuação

HISTÓRIA

Ao incluir trânsito como tema transversal à História, o professor pode explorar os fatos históricos desde muito antes da invenção do automóvel, pesquisando as primeiras formas de locomoção humana, a história da cidade onde vive, como era o espaço físico, a forma de vida, os costumes, etc.

A mobilidade urbana deve ser destacada, principalmente trabalhando-se o conceito de mobilidade urbana sustentável que pode ser definida como resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que visam a priorização dos modos não-motorizados e coletivos de transporte, de forma efetiva, que não gere segregações espaciais, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável..

Coletar fotos antigas e estabelecer relações entre fotos atuais, percebendo as transformações ocorridas, pesquisar sobre a evolução dos meios de transporte, fazendo a análise dos aspectos sociais . Estudar os meios de transporte como necessidade e como bem de consumo; analisar e refletir acerca de propagandas e da publicidade que explora o culto ao carro e todas as suas implicações econômicas, sociais e culturais.

LÍNGUA PORTUGUESA

A leitura e a interpretação de textos jornalísticos, literários sobre o tema irão trazer diferentes elementos para debate. Levar para os alunos o conhecimento da LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais) e do Braille.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Redações sobre o tema trânsito e mobilidade;
Ø Leitura sobre acontecimentos relativos ao tema;
Ø Exploração de outros meios de comunicação;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

ARTE

O acesso a diferentes formas de expressão que abordam o trânsito remeterá a exteriorização de sentimentos e idéias. Mostrar aos alunos que podemos expressar nossas idéias ou receber informações através de outros sentidos do corpo humano, como o tato, a figura, o desenho, o pictograma.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Incentivar os educandos a usar figuras para expressar suas ideias;
Ø Incentivar os alunos a escreverem e representarem uma peça teatral abordando o tema mobilidade, acessibilidade, sustentabilidade e trânsito;
Ø Incentivar o uso de linguagens e expressões artísticas voltadas à questão do trânsito;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

EDUCAÇÃO FÍSICA

O desenvolvimento de habilidades corporais e de noções espaciais será imprescindível à compreensão da importância do ato da locomoção para a vida humana. Através desta disciplina é possível visualizar o quanto a cidade exclui as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Algumas dicas para pesquisa:

Ø Incentivar vivencias, como ser cadeirante, muletantes, cego, surdo, gestante ou idoso;
Ø Pedir aos alunos que façam uma relação física espacial da pessoa sem deficiência e a cidade;
Ø Temas levantados pelos próprios alunos.

CIÊNCIAS NATURAIS

A reflexão sobre relações entre trânsito, ambiente, ser humano e tecnologia favorecerá a integração ao ambiente e à cultura, oportunizando ações de respeito e de preservação do espaço público.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Educando para o trânsito – a escola, o professor e os alunos


O professor em sala de aula deve trabalhar o tema trânsito de uma forma que possa atingir todos os alunos, tenham eles deficiência ou não, vou colocar a partir de hoje algumas dicas para reflexão:

GEOGRAFIA

Através da abordagem do tema trânsito na Geografia é possível fazer o estudo do espaço geográfico e de suas paisagens oportunizando a análise e a reflexão do fenômeno da urbanização.

Nesse contexto, falar e dar oportunidade ao aluno para que ele possa pesquisar o conceito de mobilidade urbana e a presença de novos personagens no trânsito, como idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Ou seja, crescimento urbano mal planejado e com pouca participação popular gerou uma cidade excludente, não apenas do ponto de vista do trânsito, mas do transporte também.

Evidente que os alunos perceberão que deslocamento e uso de meios de transporte, traduz relações do cidadão com o espaço. É necessário que se discuta que a mobilidade das pessoas é afetada por diversos fatores, entre eles destacamos, idade, sexo, capacidade para compreender mensagens, capacidade para utilizar veículos e equipamentos do transporte. Portanto, a política de mobilidade tem por função primordial proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano.

Analisar diversos locais e refletir sobre quais deles apresentam maiores dificuldades de locomoção, de comunicação e de convivência social. É importante que o aluno veja em seu próprio bairro situações que apresentem essas dificuldades e a partir do conhecimento local ter a visão geral da contextualização de seu bairro na cidade em que mora.

Reconhecer e discutir sobre as ações do homem sobre o espaço e através do tempo e as conseqüências destas ações para si e para a sociedade. Discutir sobre o uso da bicicleta; discutir sobre as formas de influência do trânsito na produção industrial e agrícola do país.

Dentro da ótica inclusiva, levar o aluno a refletir sobre as condições das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas cidades em que vivem.

A Geografia permite ao aluno ver sua cidade e como ela se relaciona com os cidadãos. Mudar a mentalidade excludente é vital para um futuro melhor para todos.

MATEMÁTICA

A partir do levantamento, da coleta e da análise de dados estatísticos é possível o trabalho com esquemas, gráficos, tabelas, resolução de situações-problema, cálculos de valores atribuídos à multas, custos com acidentes de trânsito, análise de faixa etária envolvida em acidentes de trânsito, número de vítimas fatais, sequeladas, quantidade e dimensão das sinalizações, frota veicular, densidade demográfica, extensão territorial, pontuação referente à infrações de trânsito e outros.

Analisar gráficos do IBGE sobre as perspectivas de vida da população brasileira, dados do censo sobre as pessoas com deficiência, taxa de natalidade. Diferenciar através dos números as pessoas com deficiência que foram vitimas de acidentes de trânsito e aquelas que têm deficiência em razão de doenças e outras causas.

Não basta calcular índices, produzir gráficos e tabelas, se o professor não oportunizar junto a seus alunos o debate e a manifestação de opiniões sobre as situações pesquisadas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A surdocegueira e os processos de inclusão (6)

A surdocegueira e os processos de inclusão (5)

A surdocegueira e os processos de inclusão (4)

A surdocegueira e os processos de inclusão (3)

A surdocegueira e os processos de inclusão (2)

A surdocegueira e os processos de inclusão (1)

Educação para o trânsito sob a ótica da Inclusão


Nos documentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais o trânsito não é indicado como tema transversal, porém é considerado como tema local, de urgência e de abrangência nacional, tendo estreitas ligações com os temas da: saúde, meio-ambiente e ética. Observem abaixo exposição do Ministério da Educação:

“O trabalho com temas sociais na escola, por tratar de conhecimentos diretamente vinculados à realidade, deve estar aberto à assimilação de mudanças apresentadas por essa realidade. As mudanças sociais e os problemas que surgem pedem uma atenção especial para se estar sempre interagindo com eles, sem ocultá-los”.

Assim, embora os temas tenham sido escolhidos em função das urgências que a sociedade brasileira apresenta, dadas as grandes dimensões do Brasil e as diversas realidades que o compõem, é inevitável que determinadas questões ganhem importância maior em uma região.

Sob a denominação de Temas Locais, os Parâmetros Curriculares Nacionais pretendem contemplar os temas de interesse específico de uma determinada realidade a serem definidos no âmbito do Estado, da cidade e/ou da escola. Uma vez reconhecida a urgência social de um problema local, este poderá receber o mesmo tratamento dado aos outros Temas Transversais.

Tomando-se como exemplo o caso do trânsito, observamos que, embora esse seja um problema que atinge uma parcela significativa da população, é um tema que ganha significação principalmente nos grandes centros urbanos, onde o trânsito tem sido fonte de intrincadas questões de natureza extremamente diversa.

Pense-se, por exemplo, no direito ao transporte associado à qualidade de vida e à qualidade do meio ambiente; ou o desrespeito às regras de trânsito e a segurança de motoristas e pedestres (o trânsito brasileiro é um dos que, no mundo, causa maior número de mortes). Assim, visto de forma ampla, o tema trânsito remete à reflexão sobre as características de modos de vida e relações sociais”.

Ora, ao trabalharmos o tema trânsito devemos considerar todas as situações, alunos com deficiência e outros sem deficiência. Considerar a cidade e orientar os alunos sem conhecer alguns detalhes coloca em risco todo o estudo proposto.

Atualmente não se separa trânsito do contexto da cidade, da mobilidade urbana, acessibilidade e da sustentabilidade. Como podemos orientar o (a) aluno (a) com deficiência a circular de modo seguro pela cidade? A orientação é a mesma para aqueles que não têm deficiência? É possível trabalhar todos ao mesmo tempo?

Dentro da ótica da educação inclusiva devemos orientar todos ao mesmo tempo, no entanto, jamais devemos relegar algumas especificidades das cidades, por exemplo, uma travessia sem rebaixamento de guia. Evidente que, para uma pessoa que utiliza cadeiras de rodas essa travessia terá um tempo maior; portanto, a orientação a ser difundida é para que a pessoa que tem deficiência ou mobilidade reduzida é atravessar quando as condições realmente sejam bastante favoráveis.

Naturalmente que, ao lado desta informação é preciso salientar que se o condutor obedecer a lei de trânsito, a travessia de qualquer pessoa, em especial daquelas com deficiência ou mobilidade reduzida, será muito mais segura, basta observarmos o preceito do art. 70, parágrafo único do CTB.

A escola de hoje deve trabalhar o trânsito não como um evento isolado, mas no contexto da mobilidade urbana.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Algumas dicas de segurança viária para Pessoas com Deficiência


As dicas aqui apresentadas foram feitas por mim para serem publicadas no assimcomovoce.blog.uol.com.br , blog do jornalista Jairo Marques da Folha de São Paulo. As charges foram feitas pelo Jean Galvão. Para ver mais desenhos do Jean vá em http://jeangalvao.blogspot.com

A pessoa com deficiência que sair de sua casa, para suas atividades normais, como estudar, trabalhar, se divertir, namorar e etc, vai encontrar uma cidade que impõe perigos e surpresas e para isso é prudente que alguns cuidados sejam adotados:

- A calçada que a princípio deveria ser um local seguro, nem sempre se encontra assim. Buracos, desnivelamento do piso, barracas de ambulantes, manutenção não sinalizada, enfim, diversos outros percalços que torna a vida dos cadeirantes, muletantes, cegos, idosos e grávidas uma aventura.

Nesse sentido, devemos ficar atentos a essa situação e caso haja necessidade de ir para a rua para desviar dos obstáculos, faça com cuidado e fique bem próximo da guia.

- Aguardar na calçada o melhor momento para efetuar uma travessia, lembrando que para a pessoa com deficiência de locomoção seu tempo de travessia será maior;

- É mais seguro para a pessoa com deficiência visual procurar atravessar com ajuda ou atravessando a via logo que perceber que os demais pedestres estão fazendo o mesmo;

Ao cadeirante é importante observar se o local de travessia dispõe de rampa de acesso entre as calçadas, caso não haja sua travessia demandará um tempo maior. Muito cuidado para atravessar entre carros ou caçambas, o cadeirante fica numa posição difícil de ser visto pelos motoristas, o ideal é sempre atravessar na faixa de pedestres.


- Se você encontrar um deficiente visual parado na calçada, não o puxe nem empurre, forçando-o a atravessar a rua. Devemos perguntar antes se ele quer mesmo atravessar. Não e porque ele é cego que tenha, obrigatoriamente, que viver cruzando ruas. Afinal, todo o mundo tem o direito de ficar fazendo hora.

- Quando você avistar um cego querendo atravessar a rua, não grite para ele avisando que pode fazê-lo. Ele pode não saber que é com ele que estão falando, pode ter medo de atravessar sozinho e, o que e pior, pode correr sérios riscos de ser atropelado por outro motorista desavisado. Ajude-o a atravessar com segurança, oferecendo-lhe seu braço.

- Nunca puxe ou empurre a pessoa cega. Ofereça seu braço, perguntando: Quer atravessar a rua? E você não precisara estar avisando que vai virar à direita ou esquerda, que vai descer o meio-fio etc. O deficiente visual percebera e interpretara todos estes movimentos corporais.


Em uma calçada sem guia rebaixada (rampa) pergunte ao cadeirante a melhor forma de ajudar a vencer o obstáculo. Não faça manobras bruscas por conta própria com a cadeira


Quando se oferecer de guia para um cego não o confunda, cruzando uma rua em diagonal. Isso pode fazê-lo perder a orientação. Efetue o cruzamento em L; é mais seguro para qualquer pessoa, inclusive para você.


Jairo Marque hoje no jornal Folha de São Paulo

JAIRO MARQUES

A loira do banheiro

--------------------------------------------------------------------------------
Funcionária de uma loja, ela se viu no direito de usar o único banheiro acessível porque ali não tinha fila
--------------------------------------------------------------------------------

DIA DESSES fiquei mais bravo do que cachorro de japonês com uma loira de cabelos sebosos em um shopping aqui de São Paulo.
Funcionária de uma loja, ela se viu no direito de usar o único banheiro acessível do andar com a justificativa de que "tinha pouco tempo de almoço" e ali não tinha fila. E mais, segundo ela, "não há lei" que a proíba de retocar a maquiagem no espaço reservado para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida.
Reconheço que o banheiro acessível -aquele com o símbolo de uma cadeira de rodas na porta- disponha de vantagens que convidam para o uso os mortais comuns: é ligeiramente maior, tem aquelas barras de apoio, sem falar que é difícil faltar papel higiênico, uma vez que muita gente usa o local inadequadamente como depósito.
Acontece que essas "vantagens" estruturais têm razões práticas. O espaço mais generoso é porque não rola deixar a cadeira de rodas na porta, levantar e usar o WC.
Tem que entrar com quatro rodas mesmo. Para os cegos que arrastam cão-guia, também é preciso maior metragem, ou alguém consegue imaginar um cachorro naqueles cubículos junto com o dono? As barras de apoio servem para ajudar que os desequilibrados, como eu, consigam se transferir da cadeira e se manter firmes no trono.
Mas, voltando à loira do banheiro, tudo aconteceu quando eu esperava para usar a casinha, que ficou ocupada por cerca de 15 minutos por uma morena, também funcionária do shopping. Quando ela me viu na porta, batendo palmas, quis se transformar no Belchior e sumir. Ela me pediu desculpas, e bola para a frente. Antes disso, chegou a loira, ignorou a entrada do banheiro feminino e ficou do meu lado, esperando vaga no acessível.
"Moça, esse banheiro é reservado", quis eu alertar. "Eu sei, mas a lei obriga que haja o espaço acessível, e não que ele seja exclusivo para vocês", declarou a rábula com desdém. Naquele momento, como diz um amigo meu chamado Wadê, "eu pirei". Era só o que falta, ter de criar leis para que as pessoas sejam cidadãs, tenham bom senso, ajam com o mínimo de dignidade com o outro.
Existe uma lógica de os deficientes defenderem o uso exclusivo do banheiro acessível. Imagine você, depois daquela coxinha criminosa devorada no pé-sujo da esquina, procurando desesperadamente um lugar para se livrar do pesadelo. Para os "normais", um banheiro público oferece diversas opções de relaxamento com mais ou menos coliformes, mas oferece. Para cadeirantes, quando existe UM, já é um alívio, literalmente. Agora, se esse UM estiver ocupado por quem poderia usar outra casinha, é de chorar de tanga no meio da rua.
O banheiro exclusivo também é importante por uma razão de saúde. Pessoas que tiveram lesão medular -devido a um acidente, por exemplo- ficam mais suscetíveis a contrair infecções urinárias. Num ambiente com menos uso, o risco de contaminação pode ser menor. Sem falar dos cegos que, por motivos óbvios, se expõem menos num banheiro menos frequentado.
Entendo que não é preciso lei que regule o respeito às diferenças. Um bocadinho de informação e um pouco mais de compreensão talvez acabassem de vez com as assombrações e indignações por causa de banheiros.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Entrevista com Daniela Alonso

Educação para o trânsito – educar, educando e educado


A educação para o trânsito encontra nas formas verbais sua verdadeira vocação e responsabilidade.

Na forma nominal do infinitivo temos o verbo educar na sua essência, nesse sentido é dever do poder público educar as pessoas para se relacionarem no espaço público. Podemos inferir que no infinitivo o verbo educar remete às autoridades constituídas o dever de agir com prevenção. Nesse sentido, quando o CTB prevê que a educação de trânsito deve estar inserida na formação da pessoa, há uma obrigação contida, que infelizmente nem sempre é cumprida no rigor que a demanda exige.


Educado, a voz verbal do particípio do verbo educar, não pode ser jamais utilizada na educação para o trânsito, uma vez que denota uma ação feita, onde não há alteração da condição. Se falarmos que determinada pessoa foi “educada” para o trânsito, estamos afirmando que não há mais nada a ser feito, como se isso fosse possível. Educar é uma ação contínua que exige tanto do educador como do educando, atualizar valores, rever conceitos e outras ações que a arte de educar nos obriga.

O gerúndio do verbo educar é “educando”, e essa forma nominal do verbo em tela representa um processo em andamento. O gerúndio não permite a finalização do movimento e educar pessoas para o trânsito é justamente isso! As cidades se modificam, as frotas de veículos aumentam diariamente nas principais capitais do mundo, a mobilidade das pessoas exige novas formas de convivências urbanas e novas formas de inclusão orientam que a educação para o trânsito deve estar sempre atenta às mudanças. Por isso, o gerúndio é a voz verbal mais próxima da educação.

domingo, 4 de julho de 2010

Folha de São Paulo - editorial

O jornal Folha de São Paulo, publicou hoje editorial sobre mobilidade:

Melhorar o transporte

Apesar dos avanços recentes, rede pública de São Paulo precisa ampliar metrô, modernizar trens e reformar seus corredores de ônibus

Por onde quer que vá, e mais ainda quando não sai do lugar, o paulistano se depara com os enlouquecedores problemas do trânsito e do transporte público de sua cidade. Esta talvez seja a principal característica a uniformizar a vida coletiva no maior centro urbano e econômico do país.
Intermináveis engarrafamentos impõem aos motoristas longas viagens de volta para casa, ao final de cada dia, à velocidade média de 15 km/h -e a ainda exígua extensão do metrô não permite que a locomoção sobre trilhos seja uma alternativa real para os proprietários de automóveis.

A maior parte da população, que vive nas franjas da cidade e trabalha no centro, trafega com desconforto em linhas de ônibus mal distribuídas e faixas exclusivas em que não se superam os 20 km/h, em média, nos horários de pico. Também os trens circulam abarrotados. Desde 2005, a média diária de passageiros transportados cresceu 70%, contra um aumento de 30% no total de viagens.

É verdade que houve progressos em anos recentes. A adoção do bilhete único, ao permitir maior integração entre os diferentes meios de transporte, reduziu custos, aumentou a mobilidade dos paulistanos e estimulou o uso de ônibus, trens e metrô.

Dados da mais recente pesquisa sobre origem e destino de transeuntes na cidade, realizada em 2007, indicam que -pela primeira vez em 40 anos- os paulistanos têm usado mais o transporte coletivo do que o individual.

Parte do aumento da procura por trens também se explica pelas melhorias verificadas na qualidade do serviço. Houve redução nos tempos de deslocamento e nos intervalos entre uma composição e outra. Os veículos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) têm se tornado mais limpos, eficientes e seguros. São Paulo ganhou, enfim, um plano de integração do transporte público.

Todavia, apesar do aumento dos investimentos do governo do Estado, ainda se espera pela necessária ampliação do meio de transporte de maior prestígio na cidade, o metrô. Sua rede de trilhos conta hoje com menos de 70 km de extensão. É pífia sua abrangência, se comparada com as malhas das principais cidades europeias e norte-americanas, que em vários casos superam os 300 km. A capital mexicana, cidade que se aproxima mais da brasileira em termos de renda e dimensão, conta com quase 200 km de metrô.

Como já havia ocorrido em gestões anteriores, problemas na construção das novas linhas impediram que o atual governo do Estado cumprisse todas as suas promessas eleitorais.
Caberá ao próximo governador atingir o objetivo de entregar, antes do final do seu mandato, as estações planejadas da linha 4. É preciso ainda tornar realidade os projetos de extensão e construção de novas linhas, muitos dos quais mal saíram do papel. Esta Folha propõe como meta dotar a cidade de pelo menos 100 km de metrô até 2014, ano da Copa no Brasil.

Não se incluem nessa contabilização os trens da CPTM, a que o governo promete conferir a mesma qualidade do metrô. Cumpre perseguir tal objetivo, reduzindo ainda mais os intervalos entre uma composição e outra.

Embora crucial para desafogar o trânsito e conferir maior rapidez às viagens, o transporte sobre trilhos não representará a solução de todos os problemas de locomoção em São Paulo. Corredores de ônibus custam menos e podem ser feitos mais rapidamente.

Outras reformas se fazem necessárias -mesmo que em prejuízo do motorista particular. O aumento da velocidade do fluxo de coletivos exige a construção de espaço para ultrapassagens nos pontos -evitando esperas inúteis- e também de passagens subterrâneas ou elevadas, que limitem a perda de tempo em entroncamentos. É possível e desejável iniciar a implementação dessas melhorias nos dez corredores já existentes na cidade.
O privilégio concedido aos carros tornou-se insustentável. Para abater o impacto causado pelo acréscimo atual de quase mil veículos por dia à frota da cidade, seria necessário construir o equivalente a uma avenida Paulista por semana. O que se deve fazer, ao contrário, é desestimular o uso do automóvel -com a adoção do pedágio urbano e a oferta de meios públicos de qualidade.