Ally e Ryan

Ally e Ryan

sábado, 13 de novembro de 2010

Centro Cultural Banco do Brasil lança cinema nacional legendado e audiodescrito

O lançamento será nos dias 20 e 21, para São Paulo, e 27 e 28 para o Rio de Janeiro. Serão exibidos alguns dos mais expressivos títulos nacionais.

Com o objetivo de fomentar o acesso à cultura de pessoas com baixa visão, audição parcial, cegas ou surdas, possibilitando que tenham oportunidade de, mais do que assistir, compreender uma produção cinematográfica, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta o projeto intitulado Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito (CNLA), que acontecerá de novembro de 2010 a dezembro de 2011.

O projeto, idealizado pela Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica (Arpef), acontece – em parceria com o CCBB – desde 2008 em São Paulo e no Rio de Janeiro desde 2004, porém é a primeira vez que terá uma programação mensal por um ano.

Com duas apresentações ainda em 2010, e exibições mensais em 2011, tanto na capital paulista como na carioca, o Centro Cultural Banco do Brasil, por meio do CNLA, dará continuidade a esse trabalho de inclusão sócio-cultural propiciando uma variedade de gêneros e títulos à pessoas de todas as idades que tenham alguma deficiência nos sentidos da visão ou da audição, possibilitando o acesso a esse tipo de arte, o cinema.

Filmes nacionais de diversos gêneros como, comédia, drama, animação e ação estarão disponíveis numa sala de cinema acessível, que oferecerá fones sem fio para que os deficientes visuais possam receber a audiodescrição e de legendas para os deficientes auditivos possam acompanhar plenamente o filme.

Contemplada por 14 filmes nacionais, alguns sucesso de público e crítica, a programação do Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito vai ao encontro de um dos principais objetivos do Centro Cultural Banco do Brasil, levar cultura, independentemente de sua forma, à população brasileira. Possuindo uma grande interdisciplinaridade dos temas e formas artísticas expostas, o CCBB foi criado visando formar novas platéias, democratizar o acesso à cultura e contribuir para sua promoção, divulgação e incentivo.

“A dinâmica proposta para o CNLA 2010 / 2011 terá algumas ações diferenciadas. Uma delas será a disponibilização de transporte, gratuito, para levar membros e convidados de algumas instituições até o Centro Cultural. Outra, e talvez mais interessante, está por conta das atividades que serão realizadas após cada filme. Ou por meio de um debate, ou palestra de alguma personalidade, ou workshops, etc, depois de finalizada cada sessão, os espectadores poderão discorrer e trocar idéias sobre diversos temas, sempre condizentes ao filme assistido” revela Marcelo Mendonça, diretor da unidade paulista do Centro Cultural Banco do Brasil.

Os sistemas que possibilitam esse entendimento, àqueles que não podem ouvir e enxergar são, respectivamente, o sistema de legendagem (closed caption) e o da audiodescrição. A legendagem no padrão closed caption consiste em, além da descrição das falas dos atores, transcrever sons não literais importantes para compreensão do filme. Músicas, risos, aplausos, passos, chuva, entre outros, são alguns dos sons que podem ajudar na percepção da cena assistida. A Audiodescrição baseia-se em descrever e transmitir, da forma mais completa e clara possível, no mesmo momento em que a cena está acontecendo, toda e qualquer informação relevante que está sendo passada e que, por não fazer parte de nenhum diálogo, só seria compreendida visualmente. Ou seja, repassa informações do que está sendo representado. Por exemplo, mudança repentina de cenário e/ou tempo, expressões faciais ou ações relevantes onde não existe fala dos atores.

“O que percebemos é que os cegos vão pouco ao cinema, porque se sentem inibidos por precisarem que um acompanhante não cego descreva oralmente as cenas, atrapalhando os outros espectadores. Por isso, para não incomodar os outros, muitas vezes ele e o acompanhante ficam num local afastado da tela, o que compromete a descrição das imagens” conta Helena Dale, curadora do CNLA.

Calendário filmes:

NOVEMBRO 2010 (SP: 20 e 21/11) e (RJ: 27 e 28/11)

“Salve Geral”
Direção: Sérgio Rezende
Atores: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor e Eucir de Souza.
Duração: 120 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: Toscana Audiovisual
Distribuidora: Sony Pictures / Downtown Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: Lúcia (Andréia Beltrão) é uma viúva de classe média que sonha em tirar o filho Rafael (Lee Thalor), de 18 anos, da prisão. Em suas freqüentes visitas à penitenciária, ela conhece Ruiva (Denise Weinberg), advogada do Professor (Bruno Perillo), líder do Comando. As duas ficam amigas e logo Lúcia é usada em missões ligadas à organização criminosa. Precisando do dinheiro, ela aceita realizar as tarefas. Paralelamente, o Comando passa por uma luta interna pelo poder, ampliada pelo confronto dos prisioneiros com o sistema carcerário. Quando o governo decide transferir, de uma só vez, centenas de presos para penitenciárias de segurança máxima no interior do estado, o Comando envia a ordem para que seus integrantes realizem uma série de ataques em pleno Dia das Mães, deixando a cidade de São Paulo sitiada.

DEZEMBRO 2010 (SP: 04 e 05/12) e (RJ: 11 e 12/12)

“Budapeste”
Direção: Walter Carvalho
Atores: Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli, Gabriella Hámori e Paola Oliveira.
Duração: 113 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: Nexus Cinema / Eurofilm
Distribuidora: Imagem Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: José Costa (Leonardo Medeiros) é um bem sucedido “ghost writer”. Ao retornar do Congresso de Escritores Anônimos, em Istambul, uma ameaça de bomba faz com que seu vôo aterrisse em Budapeste, na Hungria. Logo ao chegar, se apaixona pelo idioma local. De volta ao Rio, ele reencontra Vanda (Giovanna Antonelli), sua esposa, e o filho. Entretanto, sua vida torna-se cada vez mais infeliz, o que faz com que comece a murmurar em húngaro enquanto dorme. Para salvar o casamento, Costa passa a escrever autobiografias, numa tentativa de que a vida de outras pessoas o salve do tédio que sente. Seu maior sucesso comercial é "O Ginógrafo", que conta as aventuras amorosas de um alemão, Kaspar Krabbe (Antonie Kamerling), no Brasil. Só que Vanda se apaixona por Krabbe, acreditando ser ele o autor do livro, o que faz com que Costa sinta-se traído e ressentido com o trabalho que exerce.

JANEIRO 2011 (SP: 08 e 09/01) e (RJ: 15 e 16/01)

“Chico Xavier - O Filme”
Direção: Daniel Filho
Atores: Ângelo Antônio, Nelson Xavier, Tony Ramos, Christiane Torloni
Duração: 125 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Lereby Produções
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment / Downtown Filmes
Classificação: Livre
Sinopse: Desde criança, Chico Xavier (Matheus Costa) ouvia vozes e via pessoas que já tinham falecido. Seus relatos eram sempre desacreditados, sob a justificativa que eram sua imaginação ou obra do demônio. Ao crescer, ele (Angelo Antônio) passa a usar seu dom para psicografar cartas. Logo se torna um ícone em sua cidade natal, despertando a ira do novo padre (Cássio Gabus Mendes), que o acusa de ser uma fraude, já que publica livros de pessoas famosas que já tinham morrido.

FEVEREIRO 2011 (SP: 05 e 06/02) e (RJ: 12 e 13/02)

“O Bem Amado”
Direção: Guel Arraes
Atores: Marco Nanini, Matheus Nachtergaele, José Wilker, Caio Blat, André Beltrão
Duração: 107 min
Ano: 2010
Gênero: Comédia
Estúdio: Natasha Filmes / Globo Filmes / Miravista
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: Livre
Sinopse: Após o assassinato do prefeito de Sucupira por Zeca Diabo (José Wilker), uma disputa política entre Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) e Vladimir (Tonico Pereira) pelo cargo na prefeitura se inicia. Odorico vence a eleição e toma posse como prefeito, recebendo sempre o apoio das irmãs Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia (Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes). Uma de suas promessas é construir o primeiro cemitério da cidade, para evitar a emigração dos habitantes após morrerem. Só que, após a obra ser concluída, há um problema: ninguém em Sucupira morre, o que impede que o cemitério enfim seja inaugurado. Sofrendo pressão devido a acusações de superfaturamento, Odorico precisa encontrar um meio para que o grande feito de seu mandato não se torne uma grande piada.

MARÇO 2011 (SP: 19 e 20/03) e (RJ: 26 e 27/03)

“Proibido Proibir”
Direção: Jorge Durán
Atores: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues e Edyr Duqui
Duração: 100 min
Ano: 2007
Gênero: Drama
Estúdio: El Desierto Filmes Ltda. / Ceneca Produciones / A&A Produções
Distribuidora: Riofilme
Classificação: 16 anos
Sinopse: Paulo (Caio Blat) é um estudante de medicina que divide uma quitinete com Leon (Alexandre Rodrigues), seu melhor amigo e estudante de sociologia. Leon namora Letícia (Maria Flor), mas ela e Paulo se apaixonam. O trio tenta ajudar Rosalina (Edyr Duqui), uma paciente terminal que está no Hospital Universitário, a rever os filhos, que não a visitam há bastante tempo. Ao tentar salvar Cacauzinho (Adriano de Jesus), um dos filhos de Rosalina, Leon é ferido em um tiroteio. Letícia consegue resgatá-lo, mas para que Leon sobreviva, Paulo terá que operá-lo em sua própria casa.

ABRIL 2011 (SP: 02 e 03/04) e (RJ: 09 e 10/04)

“Sonhos Roubados”
Direção: Sandra Werneck
Atores: Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias, Marieta Severo e Daniel Dantas.
Duração: 85 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Distribuidora: Europa Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias) são adolescentes e moram em uma comunidade carioca. Elas eventualmente se prostituem, no intuito de conseguir dinheiro para satisfazer seus sonhos de consumo. Entretanto, mesmo com os problemas do dia a dia, elas tentam se divertir e sonhar com um mundo melhor.

MAIO 2011 (SP: 07 e 08/05) e (RJ: 14 e 15/05)
“Não Se Pode Viver Sem Amor”
Direção: Jorge Durán
Atores: Cauã Reymond Cauã Reymond, Ângelo Antônio, Victor Navega Motta, Simone Spoladore e Fabíula Nascimento
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: El Desierto Filmes Ltda.
Distribuidora: Pandora Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: 23 de dezembro. Gabriel, de 10 anos, e Roseli, de 30, chegam ao Rio de Janeiro para encontrar o pai do menino que os abandonou. Sem conhecer a cidade, eles perambulam pelas ruas sem ter ideia para onde ir. Assim, encontram João, um jovem advogado desempregado que busca desesperadamente um meio de melhorar de vida; Pedro, um pesquisador universitário que precisa se decidir entre a mulher e a profissão; e Gilda, uma dançarina de boate que deseja ir embora, mas está presa ao passado. Todos vivem situações limite em suas vidas, que se tornam ainda mais fortes devido à proximidade do Natal. Só que, a partir destes encontros inesperados, surge uma nova esperança.

JUNHO 2011 (SP: 04 e 05/06) e (RJ: 11 e 12/06)

“É Proibido Fumar”
Direção: Anna Muylaert
Atores: Glória Pires, Paulo Miklos Paulo Miklos, Alessandra Colasanti e Marisa Orth.
Duração: 86 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: África Filmes Ltda. / Dezenove Som e Imagens
Distribuidora: PlayArte
Classificação: 12 anos
Sinopse: Baby (Glória Pires) vive sozinha no apartamento que herdou da mãe. Ela dá aulas de violão para alguns alunos e vive em atrito com as irmãs. Quando o músico Max (Paulo Miklos) se muda para o apartamento vizinho, Baby vê nele a grande chance de voltar à vida. Para que o romance dê certo, ela está disposta a enfrentar qualquer ameaça, inclusive seu vício compulsivo por fumar.

JULHO 2011 (SP: 02 e 03/07) e (RJ: 09 e 10/07)

“Besouro”
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Atores: Aílton Carmo, Jéssica Barbosa, Anderson Santos de Jesus, Flávio Rocha e Irandhir Santos.
Duração: 95 min
Ano: 2009
Gênero: Ação
Estúdio: Miravista / Globo Filmes / Teleimage / Mixer
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: 16 anos
Sinopse: Bahia, década de 20. No interior, os negros continuavam sendo tratados como escravos, apesar da abolição da escravatura ter ocorrido décadas antes. Entre eles está Manoel (Aílton Carmo), que, quando criança, foi apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio. O tutor tentou ensiná-lo não apenas os golpes da capoeira, mas também as virtudes da concentração e da justiça. À escolha pelo nome Besouro foi devido à identificação que Manuel teve com o inseto, que segundo suas características não deveriam voar. Ao crescer, Besouro recebe a função de defender seu povo, combatendo a opressão e o preconceito existentes.

AGOSTO 2011 (SP: 06 e 07/08) e (RJ: 13 e 14/08)

“Quincas Berro D'Água”
Direção: Sérgio Machado
Atores: Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta e Flávio Bauraqui.
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Comédia
Estúdio: VideoFilmes / Buena Vista / Globo Filmes
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: 12 anos
Sinopse: Salvador. Quincas (Paulo José) é um funcionário público cansado da vida que leva. Um dia, ele resolve deixar sua família de lado e cair na farra, ganhando fama como Quincas Berro D'Água, o rei dos vagabundos. Quando ele é encontrado morto em seu quarto, sua família resolve apagar os vestígios de sua fase arruaceira e lhe dar um enterro respeitável. Só que seus amigos surgem no local e decidem levá-lo para uma última farra.

SETEMBRO 2011 (SP: 03 e 04/09) e (RJ: 10 e 11/09)

“5X Favela - Agora por Nós Mesmos”
Direção: Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra e Manaíra Carneiro.
Atores: Juan Paiva, Pablo Vinícius, Ruy Guerra, Flávio Bauraqui e Renata Tavares.
Duração: 103 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Luz Mágica Produções / Globo Filmes / Videofilmes / Quanta / TeleImage
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment / RioFilme
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em 1961, cinco jovens cineastas de classe média, oriundos do movimento estudantil universitário, realizavam o filme "Cinco Vezes Favela". Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges eram aqueles jovens que tornaram o filme um marco do cinema moderno brasileiro e um dos fundadores do Cinema Novo. Passadas quatro décadas, "Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos" reúne dessa vez jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro, treinados e capacitados a partir de oficinas profissionalizantes de audiovisual ministradas por grandes nomes do cinema brasileiro, como Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Daniel Filho, Walter Salles, Fernando Meirelles, João Moreira Salles e muitos outros. O projeto apresenta cinco filmes de ficção, de cerca de 20 minutos cada um, sobre diferentes aspectos da vida em suas comunidades.

OUTUBRO 2011 (SP: 01 e 02/10) e (RJ: 08 e 09/10)

“O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes”
Direção: Rafael Ribas, Walbercy Ribas.
Atores: Vagner Fagundes, Marcelo Leal, Júlia Duarte, Bel Garcia e Jonas Melo
Duração: 82 min
Ano: 2009
Gênero: Animação
Estúdio: Start Anima
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Classificação: Livre
Sinopse: O Grilo Feliz segue compondo suas músicas, para alegria dos habitantes da floresta, e agora deseja gravar um CD. Porém, a descoberta de fósseis de insetos gigantes faz com que elese envolva em uma inesperada aventura, que o obriga a enfrentar um bando de perigosos louva-deuses comandados por Trambika.

NOVEMBRO 2011 (SP: 05 e 06/11) e (RJ: 12 e 13/11)

“Nosso Lar”
Direção: Wagner de Assis
Atores: Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Othon Bastos, Paulo Goulart, Rosanne Mulholland.
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Cinética Filmes / MIgdal Filmes / Globo Filmes
Distribuidora: Fox Filmes do Brasil
Classificação: 14 anos
Sinopse: Ao abrir os olhos, André Luiz (Renato Prieto) sabe que não está mais vivo, apesar de ainda sentir sede e fome. Ao seu redor, ele apenas vê uma planície escura e desértica, marcada por gritos e seres que vivem na sombra. Após passar pelo sofrimento no purgatório, André é levado para a cidade de Nosso Lar. Lá ele tem acesso a novas lições e conhecimentos, enquanto aprende como é a vida em outra dimensão.

DEZEMBRO 2011 (SP: 03 e 04/12) e (RJ: 10 e 11/12)
“Tropa de Elite 2”
Direção: José Padilha
Atores: Wagner Moura, André Ramiro, Seu Jorge, Maria Ribeiro e Milhem Cortaz.
Duração: 116 min
Ano: 2010
Gênero: Ação
Estúdio: Zazen Produções
Distribuidora: Zazen Produções
Classificação: 14 anos
Sinopse: 2010. Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. Além disso, ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura e www.twitter.com/ccbb_sp

Às vezes, a ajuda atrapalha...

Uma crônica postada da nossa amiga Adriana Lage na Rede Saci dá uma dimensão dessa questão de auxiliar a pessoa com deficiência sem exatamente saber como proceder. A leitura é gostosa e divertida:

Crônica de Adriana Lage comenta sobre como uma ajuda desajeitada pode prejudicar a pessoa com deficiência
Adriana Lage

Com mais de 20 anos de cadeira de rodas, sempre contei com a ajuda das pessoas, sejam elas conhecidas ou não, para lidar com a falta de acessibilidade nos diversos lugares que freqüento. Houve melhorias significativas na acessibilidade ao longo dos anos, mas o caminho a ser percorrido ainda é longo. Sem essas pessoas, a vida seria muito mais difícil!

Normalmente, as pessoas sempre estão dispostas a ajudar um cadeirante. Sempre brinco que ajuda nunca falta. Pode até demorar um pouquinho, mas sempre chega. Só que, em muitos casos, o excesso de boa vontade se esbarra na falta de jeito, medo ou pressa. A seguir, contarei algumas situações ‘desastrosas’ pelas quais passei ao ser ajudada por pessoas bondosas, porém, sem jeito algum!!

Meu último acidente foi no sábado passado. Ainda estou com um galo cantando na minha cabeça e sentindo dores. Fui a um Shopping de BH, reformado recentemente, lanchar e pegar um táxi. Sou cliente de lá há anos. Sempre estive em contato com a administração pedindo mais acessibilidade – por exemplo, mais elevadores, espelho no banheiro de cadeirante e um tratamento adequado por parte dos taxistas que ficam no ponto dentro do shopping (bastava chegar com a cadeira de rodas que começavam o empurra empurra e as desculpas para não fazer a corrida comigo). Excepcionalmente, fui a pé para o shopping. Na entrada, existem dois degraus. Minha mãe já está acostumada a descer minha cadeira de rodas sozinha nesses casos. Mas, logo que nos viram, um segurança e um transeunte correram para nos ajudar. Eles nem perguntaram o quê deveriam fazer, também não nos deram tempo de falar nada. Resultado: quando percebi, numa fração de segundo, a cadeira tombou para trás e bati minha cabeça no chão. Minha mãe ainda tentou amortecer meu tombo me puxando pelos cabelos. Uma poça d’água também amorteceu a queda. Levei um susto danado. A dor foi muito forte. Tremi toda. Por sorte, o corte foi pequeno e logo parou de sangrar. Fui atendida no ambulatório do shopping. Ri demais com a reação da técnica de enfermagem: a mulher ficou totalmente transtornada quando descobriu que eu era cadeirante de verdade. Custou a me liberar. Ficou com muito medo. Pelo visto, está acostumada a lidar com pessoas dilaceradas, mas ainda tem receio com cadeirantes... No dia seguinte, entrei em contato com o Shopping comunicando o ocorrido e sugerindo a colocação de rampa no local. Na terça feira, me retornaram querendo saber se eu estava bem. A atendente lamentou o ocorrido e me disse que a rampa está prevista para ser feita no início de 2011. Pelo sim, pelo não, voltei ao médico na 2ª feira. Felizmente, não foi nada sério. Agora é só aguardar mais uns dias com a cabeça doendo...

Na minha época de universitária, levei dois tombos fantásticos na PUC. O campus ainda não era acessível. Para chegar a minha sala de aula e aos laboratórios em outros prédios, era preciso subir escadas ou dar voltas e voltas em busca de caminhos mais fáceis. O primeiro tombo foi no 1º semestre do curso. Três colegas foram me descer pela escada. Não sei bem qual foi a causa do tombo. Quando percebi, a cadeira foi tombando para frente. Foi aquele barulhão! Disquetes, calculadoras HP, fichários... Rolaram escada abaixo. Por sorte, um dos meus colegas me segurou pela blusa. Fiquei ajoelhada no chão, com o braço direito agarrado na cadeira. Acabei machucando meu joelho. Quando me voltaram para a cadeira de rodas, fiquei boba com a multidão que havia se juntado na escada. Meus colegas morreram de vergonha e até hoje me pedem desculpas.

No semestre seguinte, a queda foi mais espetacular. Estávamos voltando de uma aula no prédio 3, que fica próximo à entrada principal do campus, e indo para nosso prédio, que era um dos últimos. O tempo estava nublado, ameaçando cair uma tempestade. Meu ‘motorista’ resolveu apertar o pé para fugirmos da chuva. Ele resolveu passar pela grama e saiu correndo com a cadeira. Estava tudo dando certo, até que encontramos um buraco. Meu colega tentou freiar a cadeira, mas não deu certo. Acabei caindo da cadeira. Voei com tudo na grama. Meu colega ficou branco e tremendo. Os outros colegas entraram em pânico e queriam ligar para o SAMU. Tentei acalmá-los falando que estava bem e que precisava apenas que alguém me apanhasse da grama e me voltasse para a cadeira de rodas. O motorista nunca esqueceu o episódio. Até hoje morre de vergonha de mim. Um ano depois, construíram uma rampa no prédio em que estudava. A Universidade começou as obras de acessibilidade e hoje é um exemplo nesse quesito!

Depois desses dois acidentes, resolvi adaptar um cinto de segurança nas minhas cadeiras de rodas. Como sou tetraplégica, sempre sinto medo quando preciso subir/descer escadas. O cinto evitou várias quedas da cadeira: buracos nas ruas, pequenas pedras, motoristas malucos que inventam descer degraus altos de frente, etc... Tenho alguns parentes que me chamam de chata e esnobe. Não tem jeito! Quando perco a confiança em algum motorista, é difícil convencer meu cérebro a dar uma segunda chance...

O cinto de segurança também me salvou de cair na escadaria da Igreja do Bonfim. Li, em um guia de turismo acessível, que a Igreja possui uma rampa na lateral. Quando desci do carro, três vendedores ambulantes já foram me carregando escadaria acima. Tentei falar com eles que queria ir pela rampa, mas não me escutaram! Se não fosse o cinto, teria caído da cadeira.

Quando preciso de ajuda, sempre que possível, explico antes qual é a melhor maneira de me ajudar. Mostro, inclusive, em quais locais poderão pegar na cadeira de rodas. Muitas pessoas desconhecem que as cadeiras de rodas possuem peças móveis. A maioria entende numa boa e faz tudo certinho. Outros ficam chateados e acham que estou querendo muito... Mesmo assim, prefiro passar por chata e sair inteira do que correr riscos de quedas...

Outro problema sério ocorre quando preciso ser carregada. Muitas pessoas não têm o menor jeito para isso... Por exemplo, em minha última viagem para Maceió, o guia turístico resolveu me carregar com o motorista. Cada um pegou uma perna e um braço. Quando desci da van, quase fui quebrada!! Minha prima me disse que parecia cena de exame ginecológico. Ela ficou tão revoltada que foi ensiná-los a me carregar de outra forma: um pegava nas pernas e outro embaixo dos braços. Nos outros dias de passeio, o motorista resolveu me carregar sozinho – como se carrega noivas, já que peso menos de 50 kg – e deu tudo certo.

Já passei aperto para entrar e sair do carro. Às vezes, tenho a impressão que muitas pessoas pensam que cadeirante não deve ter sensibilidade nas pernas. Cansei de machucar meu pé ao ser colocada/retirada do carro por seguranças no banco em que trabalho. Quando o pé fica preso em algo, ao invés deles voltarem e olharem o que aconteceu, simplesmente dão um tranco na perna. É sempre traumático. Sempre explico antes. Mas algumas pessoas se sentem ofendidas quando ensino outra forma e ainda reclamam que “a aleijada está pegando o boi de ser ajudada e ainda vem com tric tric pro meu lado”.

Pessoas fracas que tentam subir ou descer a cadeira em locais inclinados também aceleram meus batimentos cardíacos. Tive uma professora de geografia no CEFET, que era bem velhinha e que só andava de salto alto. Certo dia, ela resolveu descer a rampa comigo. Mal começamos a descê-la e foi aquela gritaria. A professora já ia soltando a cadeira e, por sorte, caiu de bunda no chão e deixou a cadeira virar por cima dela. Como o barulho foi grande, logo chegou ajuda para nos salvar. Em outros casos, a pessoa é forte, mas o sapato é que escorrega na descida!! Certa vez, repeti essa cena com minha irmã em um show do César Menotti e Fabiano. Quando chegamos, os seguranças não ofereceram ajuda e continuaram conversando. Como está acostumada a fazer isso, minha irmã começou a descer a rampa comigo. O sapato dela deslizou e caímos! Por sorte, ela não se machucou. Eu quebrei a pulseira dela com minha cabeça e ganhei um pequeno galo. Nunca vi tanto segurança a nossa volta. Um deles queria nos levar para a ambulância de todo jeito. Durante o show, de tempos em tempos, ele nos perguntava se estava tudo ok.

Enfim, enquanto não tivermos cidades 100% acessíveis, sempre necessitaremos de ajuda. É óbvio que muitos acidentes não ocorreriam se não existissem barreiras arquitetônicas. Felizmente, a maioria das pessoas sempre está disposta a nos ajudar. O difícil é saber explicar qual a melhor forma de ser ajudado sem magoar quem nos ajuda.

Aos ajudantes de plantão, seguem algumas dicas:

- Na dúvida, o melhor é sempre perguntar o quê e como deve ser feito?!

- Caso se sinta inapto ou tenha medo, avise ao deficiente e tente arrumar outra pessoa para ajudá-lo. O mesmo vale para problemas de saúde. Muitas pessoas se sentem mal ao recusarem assistência a uma pessoa com deficiência por possuírem dores na coluna, hérnias e outras restrições médicas. Ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Ainda mais quando possui restrições médicas!! Seja sincero! O deficiente entenderá perfeitamente a situação.

- Não se ofenda caso o deficiente recuse sua ajuda. Às vezes, a pessoa consegue se virar melhor sozinha.

- Tenha calma e cuidado. Por exemplo, na hora de descer uma escada com a cadeira de rodas, lembre-se que serão 2 ou 3 pessoas sincronizando os passos para não caírem juntamente com o cadeirante.

- Para descer rampas e degraus com a cadeira de rodas, lembre-se sempre de virá-la de costas. É mais seguro para todos!!

- Lembre-se que as cadeiras de rodas, atualmente, são desmontáveis. Confirme com o cadeirante o melhor local para segurá-la;

- O cadeirantes é um ser humano como qualquer outro. Possui qualidades e defeitos. Não é feito de cristal. Cuidado é fundamental, mas pequenos esbarrões e acidentes sempre ocorrerão. Nessas horas, nada de pânico! O bom humor é sempre o melhor remédio.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ensinamentos do professor Romeu Sassaki

O professor Romeu Sassaki é especialista em Educação Inclusiva, e vamos abordar suas teorias durante alguns dias, vamos começar por uma entrevista dada em 2003, mas ainda usada como fonte de estudo.

Descrição da imagem: uma lousa retangular escrito no meio Educação Inclusiva

A Educação Inclusiva e os obstáculos a serem transpostos

Publicado no Jornal dos Professores – órgão do Centro do Professorado Paulista.
Ano XXXVIII – fevereiro de 2003 - nº 343, p. 15.

Nesta entrevista, com o consultor de Educação Inclusiva, Romeu Kazumi Sassaki, o Jornal dos Professores mostra que existe muito trabalho a ser feito no campo da Educação Especial, no Brasil, e que o processo de inclusão ainda enfrenta sérios obstáculos. O medo e o preconceito são as principais barreiras a serem transpostas. Romeu Sassaki é graduado em serviço social, com especialização em aconselhamento de reabilitação, emprego apoiado e educação inclusiva, e trabalha há 42 anos na mudança do sistema educacional e outros setores para que incluam pessoas com deficiências. Tem dezenas de artigos publicados e é autor do livro “Inclusão: Construindo uma sociedade para todos” – Rio de Janeiro: WVA, 1997.

Por Maria Alice Bicudo Soares

JP - O que é educação inclusiva?
Romeu – Educação inclusiva é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino para adequar a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado nas seis áreas de acessibilidade, a fim de que cada aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de todas as suas múltiplas inteligências. As seis áreas de acessibilidade são: arquitetônica (desobstrução de barreiras ambientais), atitudinal (prevenção e eliminação de preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações), comunicacional (adequação de códigos e sinais às necessidades especiais), metodológica (adequação de técnicas, teorias, abordagens, métodos), instrumental (adaptação de materiais, aparelhos, equipamentos, utensílios, tecnologias assistivas) e programática (eliminação de barreiras invisíveis existentes nas políticas, normas, portarias, leis e outros instrumentos afins).

JP - Qual a diferença entre inclusão escolar e integração escolar?
Romeu – A inclusão escolar é o processo de adequação da escola para que todos os alunos possam receber uma educação de qualidade, cada um a partir da realidade com que ele chega à escola, independentemente de raça, etnia, gênero, situação socioeconômica, deficiências etc. É a escola que deve ser capaz de acolher todo tipo de aluno e de lhe oferecer educação de qualidade, ou seja, respostas educativas compatíveis com as suas habilidades, necessidades e expectativas. A integração escolar é o processo tradicional de adequação do aluno às estruturas física, administrativa, curricular, pedagógica e política da escola. A integração trabalha com o pressuposto de que o aluno precisa ser capaz de aprender no nível pré-estabelecido pelo sistema de ensino. No caso de alunos com deficiência (intelectual, auditiva, visual, física ou múltipla), a escola comum condicionava a sua aceitação a uma certa prontidão que somente as escolas especiais (e, em alguns casos, as classes especiais) poderiam conseguir. E mesmo aceitos sob esta condição, estes alunos ficavam sujeitos a ser devolvidos às classes/escolas especiais se mais tarde viessem a apresentar dificuldades de aprendizagem e/ou de relacionamento.

JP - Existe diferença entre as expressões “aluno com deficiência” e “aluno com necessidades especiais”?
Romeu – Muita diferença. O termo ‘necessidades especiais’ não substitui a palavra ‘deficiência’, como se imagina. A maioria das pessoas com deficiência pode apresentar necessidades especiais (na escola, no trabalho, no transporte etc.), mas nem todas as pessoas com necessidades especiais têm deficiência. As necessidades especiais são decorrentes de condições atípicas como, por exemplo: deficiências, insuficiências orgânicas, transtornos mentais, altas habilidades, experiências de vida marcantes etc. Estas condições podem ser agravadas e/ou resultantes de situações socialmente excludentes (trabalho infantil, prostituição, pobreza ou miséria, desnutrição, saneamento básico precário, abuso sexual, falta de estímulo do ambiente e de escolaridade). Na integração escolar, os alunos com deficiência eram o foco da atenção. Na inclusão escolar, o foco se amplia para os alunos com necessidades especiais (dos quais alguns têm deficiência), já que a inclusão traz para dentro da escola toda a diversidade humana.

JP - Onde se encontram as principais resistências no sentido de se conseguir uma efetiva inclusão?
Romeu - As resistências são de todos os integrantes da comunidade escolar: professores, pais, alunos, profissionais liberais e funcionários. Assim como há pais que hesitam em permitir que seus filhos com deficiência estudem em escolas comuns, existem pais que temem a convivência de seus filhos não-deficientes com colegas que tenham deficiência ou síndrome. E assim por diante. A solução é a criação de ambientes inclusivos onde todos aprendem a conviver com as diferenças e passam a respeitar uns aos outros. A nova escola é aquela que vai substituindo velhos paradigmas por novos paradigmas, construindo junto com todos os alunos uma nova maneira de pensar e de viver a educação. As resistências podem existir também entre alguns políticos, governantes, autoridades educacionais e outras figuras influentes de uma sociedade.

JP - Como o senhor vê a questão do preconceito e como derrubar as barreiras que ele estabelece?
Romeu – O preconceito pode ser evitado (as crianças não o desenvolvem) e eliminado (quando as crianças já o trazem), através da convivência e do debate aberto (informação correta), como já acontece nas centenas de escolas inclusivas de, por exemplo, Goiás, Minas Gerais e Paraná, onde tenho atuado como consultor. Na Declaração de Salamanca, ficou registrado que: “Cremos e proclamamos que (...) as escolas comuns com esta orientação inclusiva são o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e conseguindo educação para todos; além do mais, elas oferecem uma educação eficaz para a maioria das crianças e melhora a eficiência e em última análise o custo-benefício de todo o sistema educacional.(§2, p.ix)”

JP - Quais as vantagens e desvantagens para um aluno sem deficiência estudar na mesma sala, ao lado de crianças deficientes?
Romeu – As vantagens são para todos. As escolas inclusivas de Goiás comprovam na prática o que em 1994 dizia o Programa da ONU em Deficiências Severas.
Os estudantes com deficiência:
• desenvolvem a apreciação pela diversidade individual;
• adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas;
• demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos;
• estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;
• frequentemente recebem apoio acadêmico adicional da parte do pessoal de educação especial;
• podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas (aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de aprendizagem etc.)

E os estudantes sem deficiência:
• têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de aprendizagem e redes sociais;
• desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da diversidade individual deles e de outras pessoas;
• demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do ensino entre os alunos;
• estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;
• recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;
• beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

JP - Que ações o senhor sugere para tornar realmente eficaz a inclusão do aluno com deficiência na escola comum, principalmente na rede pública, e para transformar uma escola comum em uma escola inclusiva?
Romeu – Recomendo o que tem sido feito em outros estados (Goiás, por exemplo) e municípios brasileiros: planejamento, sensibilização, implantação, expansão e consolidação dos princípios da educação inclusiva. O art. 8, inciso I, da Resolução CNE/CBE número 2, diz que “As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns: professores das classes comuns e da educação especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos”. A Resolução CNE/CBE número 2, em seu todo, estabelece as diretrizes para garantir a estrutura das escolas inclusivas. Essa Resolução e o Parecer CNE/CEB número 17/2001 se inspiraram fortemente na Declaração de Salamanca (1994), quando diz que “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (art. 2º). E o art. 7º determina que “o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica.”

JP - Aos alunos surdos deve ser garantido o acesso à língua de sinais, sem prejuízo do aprendizado da Língua Portuguesa. Aos cegos, o acesso ao braile, como um código de sinais diferenciado para a leitura e escrita. Como incluir os alunos com estes tipos de deficiência em classes comuns?
Romeu – Em Goiás, alunos surdos e alunos cegos também estudam em salas de aula inclusivas, como os demais alunos. Em todas as classes onde estudam um ou mais alunos surdos, a escola colocou um intérprete da Língua de Sinais Brasileira (Libras). E todos os alunos ouvintes também aprendem Libras, assim podendo comunicar-se, estudar e brincar com os colegas surdos. Foram ministrados 29 cursos completos de Libras e 5 cursos de braile e sorobã em todas as Subsecretarias Regionais de Educação, de modo que nenhum aluno surdo ou cego está sem o apoio adicional exigido pela Declaração de Salamanca, que determina que “as crianças com necessidades educacionais especiais devem receber todo apoio adicional necessário para garantir uma educação eficaz (§8)” e que “deverá ser dispensado apoio contínuo, desde a ajuda mínima nas classes comuns até a aplicação de programas complementares de apoio pedagógico na escola, ampliando-os, quando necessário, para receber a ajuda de professores especializados e de pessoal de apoio externo (§32)”. Além disso, “Os programas de estudos devem ser adaptados às necessidades da criança e não o contrário. As escolas deverão, por conseguinte, oferecer opções curriculares que se adaptem às crianças com capacidade e interesse diferentes (§28)”. Estas determinações também constam da Resolução CNE/CBE n 2.

JP - O Poder Público tem sido acusado de não haver se comprometido, de fato, com a questão da inclusão dos alunos com necessidades especiais em classes comuns. O senhor concorda com esta afirmativa? Por quê?
Romeu – Numa perspectiva histórica, posso afirmar que o Poder Público, de um modo geral, demorou a aceitar o paradigma da inclusão escolar, se não por excesso de precaução diante de um revolucionário desafio de se efetuar mudanças estruturais no sistema educacional, pelo menos por força da acomodação ao velho paradigma da integração escolar. Não foi o caso do governo de Goiás que, desde o início do mandato, decidiu implantar escolas inclusivas. Hoje, o Poder Público em todos os estados está em intensa movimentação para, finalmente, cumprir o seu papel diante do direito de aprender dos alunos dentro da diversidade humana no mesmo espaço escolar.

JP - O CPP há muito reivindica a diminuição do número de alunos por classe como forma de melhorar a qualidade do ensino. O senhor considera esta questão prioritária para que a inclusão de alunos com necessidades especiais seja uma realidade mais justa nas escolas?
Romeu – A diminuição do número de alunos por classe é um imperativo, não por causa da proposta inclusiva e sim porque uma sala de aula superlotada constitui uma violação do direito a uma educação de qualidade e também porque está comprovado que o processo ensino-aprendizagem é mais eficaz e eficiente em grupos pequenos de alunos. Historicamente, as classes numerosas surgiram pelo aumento demográfico e pela não-construção de escolas na mesma proporção desse aumento. Mais escolas devem ser construídas, porém com salas de aula que comportem, no máximo, 30 alunos. O custo de um maior número de professores necessários devido ao maior número de classes é imediatamente compensado pelos resultados positivos alcançados pelos alunos. Não devemos confundir ‘necessidades especiais’ com ‘trabalhão a mais’. É ofensivo atribuir a alunos com necessidades especiais a culpa pelas dificuldades do professor em lidar com a classe toda. É preconceituoso defender classes com menos alunos onde houver alunos com necessidades especiais, como se estes fossem exigir do professor mais atenção que os colegas não-deficientes. Hoje, com a abordagem inclusiva e a provisão das seis áreas de acessibilidade, a escola está conseguindo oferecer ensino de qualidade a todos os alunos e estes estão conseguindo aprender com alegria, autoconfiança, auto-estima elevada, sentimentos de amizade e solidariedade, senso de objetividade nas tarefas, respeito pelas diferenças individuais e pela diversidade humana e tantos outros fatores subjetivos importantes no desenvolvimento da cidadania.

Autismo e Odontologia

O texto abaixo, foi escrito pela dentista que se dedica a pacientes autistas, Drª Adriana Gledys Zink. Veja as interessantes orientações que ela oferece aos pais de crianças autistas.

Orientando os Pais

Qual a importância de levar meu filho autista ao dentista?
A prevenção é sempre o melhor caminho, então os pais devem incluir na rotina de seus filhos a visita ao dentista, afinal ele já está acostumado à consultas com fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas, etc. O profissional irá ensiná-lo a fazer a prevenção de cáries e doenças periodontais, além de técnicas facilitadoras para conquistar a boa higiene oral.

Meu filho(a) será atendido amarrado?
A contenção mecânica é uma forma de estabilizar o paciente para o tratamento odontológico. O paciente não é machucado ele é apenas estabilizado. Esse processo só é realizado com autorização do responsável. Em muitos casos a contenção só é usada 1 ou 2 vezes, até que o paciente confie no profissional e sinta que não sofre durante o tratamento. Para evitar esse procedimento é que indicamos o condicionamento para facilitar o tratamento odontológico.

Como é o condicionamento?
O condicionamento é realizado por profissionais treinados e que de forma lúdica apresentam o tratamento odontológico. O método falar-mostrar-fazer é empregado nessa fase. Também são utilizados fantoches, brinquedos, bolinhas de sabão e tudo mais que o paciente goste. Essas informações são conseguidas durante a entrevista com os pais, antes de iniciar as sessões de condicionamento.

E se meu filho não sentar na cadeira do dentista?
Não tem problema, nesse caso o condicionamento é realizado no chão sobre um tapete de E.V.A.. A medida que o profissional conquistar a confiança do paciente, ele será transferido de forma espontânea para a cadeira odontológica.

Quantas sessões de condicionamento serão necessárias?
O número de sessões é individual porque cada paciente é único. Não podemos criar expectativas para os pais. Nesse momento temos que explicar que é uma tentativa, que vamos fazer o possível e que temos que acreditar que é possível. Nesses anos todos percebo que alguns pacientes surpreendem até os pais e logo estão familiarizados com a rotina da odontologia.

Não seria melhor a anestesia geral e fazer tudo de uma vez?
Todos procedimentos tem sua indicação, inclusive a anestesia geral. Até pouco tempo todos pacientes autistas que necessitassem de uma intervenção mais invasiva eram levados ao centro cirúrgico e submetidos à anestesia geral. Hoje sabemos que é possível tratá-los em ambulatório utilizando as técnicas de condicionamento propostas. Tudo depende da motivação dos pais em tentar e da formação do profissional.

Meu filho terá que ser condicionado para sempre?
Quando o paciente conhece um procedimento e o aceita, em sessão seguinte não será necessário retomar o condicionamento porque ele já aprendeu ou seja já adquiriu essa nova habilidade. Quando o paciente se mostrar estressado na 2ª sessão devemos retomar o condicionamento anterior e ter certeza que ele confiou e aprendeu.

O tratamento é diferente?
Não. O tratamento para pacientes autista é o mesmo o que muda é a necessidade de facilitar esse tratamento usando para isso o condicionamento.

Contato
Drª Adriana Gledys Zink
zinkpinho@yahoo.com.br
www.adrianazink.blogspot.com

Fonte: Vera (Deficiente Ciente) http://www.deficienteciente.com.br

Folha de São Paulo

INFORMAÇÃO

Pais de autistas lançam a primeira revista sobre o tema
DO RIO

Pais de autistas se uniram para produzir a primeira publicação brasileira sobre o transtorno, que atinge 1,8 milhão de indivíduos no país.
A "Revista Autismo", com periodicidade semestral, traz no número zero textos de especialistas e artigos sobre linhas terapêuticas antagônicas e pouco conhecidas.
"A ideia é dar os dois lados da história, como reza o bom jornalismo", diz o editor, Paiva Junior, jornalista de São Paulo que é pai de um menino autista de 3 anos. "Outro fator é que pretendemos sempre deixar claro o que é chancelado pela medicina tradicional e o que são tratamentos alternativos."
O autismo afeta a sociabilidade, a comunicação e o comportamento.
Paiva, que está escrevendo um livro para incentivar o diagnóstico precoce, foi procurado por outros pais, que idealizaram a revista. O primeiro foi o paulista Martim Fanucchi, que faz a edição de arte. Outro é Waldemar Casagrande, dono de uma gráfica em Santa Catarina, onde é impressa a publicação.

A primeira edição é vendida por encomenda a preço de custo (R$ 2,50). Os textos estão disponíveis no site www.revistaautismo.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Escola Acessível: vencendo os desafios da inclusão

Desde 2009 o Acre inclui cerca de cinco mil alunos no ensino regular.


Secretaria de Estado de Educação, por meio da Coordenação de Educação Especial do Acre, realizou em 4/11, o Seminário Escola Acessível, em que profissionais da educação participaram de uma troca de experiências vivenciadas nas escolas que apostam na inclusão de alunos especiais no ensino regular. Participaram do evento profissionais das escolas vencedoras do Prêmio Experiências Inclusivas em 2010 e representantes do Ministério da Educação.

Os gestores das escolas Raimundo Marques de Almeida, do Quixadá (CE), e Clarice Fecury, de Rio Branco (AC), apresentaram para professores e coordenadores das escolas municipais e estaduais do Acre suas experiências exitosas nos últimos anos com educação especial e os desafios da inclusão, ações que fizeram dessas instituições vencedoras de um prêmio nacional.

Para a secretária de Educação do Estado, Maria Corrêa, a inclusão é um desafio para as escolas, e o principal aspecto a ser trabalhado é fazer com que a escola e a família passem a acreditar na capacidade desses alunos. “Temos visto em nossas escolas a coragem de buscar alternativas para superar os desafios da inclusão, em que os professores da rede pública participam de formações que o habilitam a trabalhar com alunos especiais. E o prêmio é um coroamento do esforço do trabalho realizado por várias mãos”, declara a secretária.

A escola Clarice Fecury atende mais de 600 alunos, entre os quais 43 alunos especiais que foram incluídos em 2010 no ensino regular, oferecendo ainda curso de libras para todos os alunos nos dois períodos de funcionamento. “Percebi no Acre um envolvimento de todos os profissionais da escola, buscando vencer as barreiras na perspectiva da inclusão nas diversas deficiências, buscando atender as dificuldades”, afirma Jacinta Maria, gestora da escola Raimundo Marques de Almeida, uma das vencedoras do prêmio.

A educação especial no Acre incluiu em 2009 mais de cinco mil alunos, tendo definido como público-alvo os alunos com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento e Altas Habilidades/Superdotação. A Secretaria de Estado de Educação acredita que a educação especial deve atuar de forma articulada com o ensino comum, orientando para o atendimento às necessidades educacionais especiais desses alunos.

O Prêmio Experiências Inclusivas contemplou as escolas com R$ 8 mil, sob o patrocínio da Fundação MAPFRE/OEI. Os vencedores realizaram uma apresentação da experiência premiada e tiveram a divulgação da experiência em publicação conjunta da Secretaria de Educação Especial - SEESP/MEC e da OEI. Essa é uma realização do Ministério da Educação e a Organização dos Estados Ibero-Americanos, em parceria com a Fundação Mapfre, Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e União Nacional dos Dirigentes Municipais (UNDIME).

Fonte: http://www.agencia.ac.gov.br/

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Será que meu filho tem problema auditivo?

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez (10/11), a Audibel faz o alerta: diagnóstico precoce é importante para garantir à criança uma infância saudável e feliz.


Aceitar que seu filho possa ter algum tipo de problema auditivo não é nada fácil, mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença para proporcionar a criança uma vida normal e feliz. E como saber se a saúde auditiva do seu filho vai bem? Existem sinais que tornam possível perceber se uma criança possui ou não deficiência auditiva, explica a fonoaudióloga da Audibel - empresa de aparelhos auditivos -, especialista em Audiologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Tatiana Ottoni. Identificado qualquer um desses sintomas, é essencial procurar um otorrinolaringologista para fazer o correto diagnóstico.

Segundo ela, bebês com problemas auditivos normalmente não reagem a estímulos sonoros. Como não se assustar quando uma porta bater. Também são bebês que não balbuciam. Além disso, tendem a chorar muito porque não têm a sensação da mãe por perto a não ser que a estejam vendo. “Um exemplo disso é que se a mãe estiver lavando louça na pia da cozinha, longe do carrinho, o bebê tenderá a chorar porque tem a sensação de solidão”, explica. Em crianças maiores, a fonoaudióloga alerta que é comum a troca na fala e uma demora excessiva no desenvolvimento da linguagem. “Os pais devem ficar muito atentos e ao menor sinal de problema procurar um otorrinolaringologista para fazer a audiometria, teste capaz de detectar se a criança tem algum problema auditivo.” Recentemente, uma lei federal tornou obrigatório em maternidades de todo o país, o teste da orelhinha, exame capaz de detectar em bebês recém-nascidos a existência de problemas auditivos.

Ao passo que o apoio dos pais e da família é muito importante para o rápido diagnóstico e tratamento, não procurar ajuda pode causar prejuízos não só no desenvolvimento linguístico, como intelectual e emocional da criança. “São crianças que tendem a ficar isoladas e ter mais dificuldade para se relacionar, complicações que podem se estender para a vida toda. Por isso, é importante se informar”, explica a fonoaudióloga.

Estima-se que a cada mil crianças nascidas três apresentam deficiência auditiva. É comum pensar que os exames diagnósticos devem ser feitos apenas em crianças que apresentam algum fator de risco relacionado a esta deficiência, porém, sabe-se que 50% dos casos não apresentam pré-disposição para problemas auditivos. No Brasil, a maioria dos casos encontrados tem origem não-genética, sendo causados por fatores pré-natais (rubéola da mãe durante a gestação), peri-natais (falta de oxigênio durante o parto) ou pós-natais (caxumba, sarampo, meningite, otites médias). A maior parte destes problemas pode ser evitada por meio de vacinas e tratamentos medicamentosos.

É importante tomar cuidado também na amamentação de bebês. Pouca gente sabe, mas dar mamadeira para o bebê deitado pode fazer mal, já que na orelha média, há um canal chamado tuba auditiva, que faz a comunicação do ouvido com a garganta e é responsável por regular a pressão nos ouvidos. Os bebês possuem a tuba auditiva mais horizontalizada e, portanto, se dermos a mamadeira com ele deitado, o leite poderá ir para o ouvido e causar dores ou infecções no ouvido gerando outras complicações.

Fonte: http://www.vidamaislivre.com.br/

Pessoas com deficiência conquistam mais espaço no mercado de trabalho

Descrição da imagem: estou proferindo palestra na empresa DASA sobre empregabilidade da pessoa com deficiência. Na minha frente algumas pessoas assistem a palestra sentados.

Sistemas e coordenadorias que atuam na área ajudam os deficientes a alcançarem vagas e conquistarem sua autonomia
da Redação - Rede Saci

Trabalhadores com deficiência que buscam uma recolocação podem encontrar no posto do Sistema Nacional de Emprego (Sine) da Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caade) o caminho para conquistar uma chance no mercado de trabalho. São mais de mil vagas disponíveis na unidade, que é específica para atender trabalhadores com deficiência. Os salários variam de R$ 510 a R$ 3 mil.

“As pessoas com deficiência precisam mostrar eficiência”. A afirmação é da profissional de serviços gerais, Beatriz Soledade Machado, de 42 anos. Com deficiência física na perna direita (sequela de uma poliomielite), ela descobriu a Caade como aliada na hora de buscar uma oportunidade no mercado de trabalho.

As oportunidades são para todos os níveis de escolaridade e várias profissões: recepcionista, auxiliar de higienização, técnico de enfermagem, técnico contábil, atendente hospitalar, técnico de manutenção predial, assistente de vendas internas, serviços de transportes e descarga de mercadorias, conferente de mercadorias entre outras.

Há dois meses empregada, Beatriz acredita que muitos não sabem o lugar certo para buscar uma vaga no mercado e por isso não conseguem um bom emprego. “Antes de conhecer a Caade tinha muita dificuldade para conseguir uma recolocação no mercado de trabalho. É a segunda vez que a coordenadoria me encaminha para um emprego. Quando participava de processos seletivos em outros lugares, mesmo tendo o perfil da vaga, eles não me contratavam, preferiam uma pessoa que não tinha deficiência”, relata.

Colocações
O número de trabalhadores com deficiência colocados no mercado de trabalho, por meio do Sine da Caade, teve um aumento de 9%, quando comparado os nove primeiros meses deste ano com o mesmo período de 2009. Foram 422 contra 386 colocados.

Flávio Oliveira acredita que a tendência é que o número de pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho continue aumentando. “A Caade vem aprimorando a capacitação do público, oferecendo o curso de competências básicas para o trabalho e atendendo em pequenos grupos ou individualmente. Isso aumenta a confiança das pessoas, bem como as chances da pessoa ter um melhor desempenho na hora da entrevista”, disse.

Caade
Coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), a Caade tem como missão planejar, dirigir, executar, controlar e avaliar as ações das diferentes políticas públicas estaduais para atender às demandas das pessoas com deficiência.

De segunda a quinta-feira, a Coordenadoria oferece curso de competências básicas para o trabalho, que envolve temas como comunicação no ambiente de trabalho; elaboração de currículo; ética profissional e condução do próprio destino; direitos básicos da pessoa com deficiência, entre outros.

Fonte: Rede Saci

"Inclusão é interagir com o outro" diz Maria Teresa Égler Mantoan

Maria Teresa Égler Mantoan é professora da faculdade de educação da Unicamp. Na entrevista à seguir, a pedagoga discute temas como inclusão nas salas de aula, levando em conta que esta só ocorre quando aprendemos não só a partilhar o espaço, mas sim a conviver, interagir e aprender com quem está ao nosso redor.

O que é inclusão?

É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é discriminada por qualquer outro motivo. Costumo dizer que estar junto é se aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não conhecemos. Já inclusão é estar com, é interagir com o outro.

Que benefícios a inclusão traz a alunos e professores?

A escola tem que ser o reflexo da vida do lado de fora. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos. A inclusão possibilita aos que são discriminados pela deficiência, pela classe social ou pela cor que, por direito, ocupem o seu espaço na sociedade. Se isso não ocorrer, essas pessoas serão sempre dependentes e terão uma vida cidadã pela metade. Você não pode ter um lugar no mundo sem considerar o do outro, valorizando o que ele é e o que ele pode ser. Além disso, para nós, professores, o maior ganho está em garantir a todos o direito à educação.

Como está a inclusão no Brasil hoje?

Estamos caminhando devagar. O maior problema é que as redes de ensino e as escolas não cumprem a lei. A nossa Constituição garante desde 1988 o acesso de todos ao Ensino Fundamental, sendo que alunos com necessidades especiais devem receber atendimento especializado preferencialmente na escola , que não substitui o ensino regular. Há outra questão, um movimento de resistência que tenta impedir a inclusão de caminhar: a força corporativa de instituições especializadas, principalmente em deficiência mental. Muita gente continua acreditando que o melhor é excluir, manter as crianças em escolas especiais, que dão ensino adaptado. Mas já avançamos. Hoje todo mundo sabe que elas têm o direito de ir para a escola regular. Estamos num processo de conscientização.
Fonte: Rede Saci

Ministério Público cobra das escolas atenção aos deficientes

Leia mais: http://www.deficienteciente.com.br/

"O governo recebe os alunos, mas não possui material humano para atender suas necessidades"

Por Lígia Ligabue (Bauru-SP)

O promotor de Justiça de Bauru Lucas Pimentel de Oliveira cobrou, na semana passada, a contratação de cuidadores para alunos deficientes matriculados nas redes municipal e estadual de ensino. Segundo o promotor, participaram de reunião sobre o assunto a secretária municipal de Educação, Vera Caserio, e o prefeito Rodrigo Agostinho. A dirigente regional de ensino, Angela Maria Furquim Carneiro, também esteve na reunião.

De acordo com o promotor, a prefeitura informou que irá efetuar um levantamento na rede para constatar quantos alunos precisam de cuidadores e quantos profissionais deverão ser contratados. O Executivo deverá enviar à Câmara projeto de lei criando o cargo de cuidador e abrindo processo seletivo para a contratação desses profissionais.

Oliveira relata que a dirigente de ensino explicou que o Estado está capacitando professores da própria rede para o atendimento desse público. Uma nova reunião será realizada em março, para verificar o andamento dos processos.

Para o promotor, a efetivação de cuidadores na rede municipal parece caminhar mais rapidamente. Já na rede estadual, o caso será mais complicado. “Na próxima reunião, a prefeitura deverá trazer o resultado do levantamento. Já a dirigente estadual ficou de trazer documentação que comprove a iniciativa do governo em capacitar os professores para a função. Se nada for apresentado, o Ministério Público apresentará uma ação civil pública cobrando as contratações. É um direito do aluno com deficiência receber o atendimento diferenciado”, ressalta.

“A legislação é muito clara e assegura o atendimento individualizado. Mas o projeto para a educação inclusiva está caminhando devagar. O governo recebe os alunos, mas não possui material humano para atender suas necessidades”, observa o promotor.

Fonte: http://www.jcnet.com.br/
Referência: Rede Saci

Obs. Terminologia correta para a expressão da matéria acima, segundo Romeu Kazumi Sassaki :
"alunos deficientes"
Termo correto: alunos com deficiência

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Como os cegos diferenciam as notas de dinheiro?

As cédulas de real apresentam diferenças perceptíveis no tato apenas quando estão novas. O Banco Central deve adotar modelo estrangeiro para que os cegos consigam identificar melhor os valores. O braile não é uma opção viável

Em qualquer lugar do mundo é possível reconhecer o valor das notas de dinheiro. Seja na Índia, na China ou nos Estados Unidos, e nem precisa saber a língua nativa, nem mesmo ser alfabetizado. Só há uma exceção para essa regra: os deficientes audiovisuais. Como eles contam dinheiro? Aqui no Brasil, as moedas da segunda família (a segunda geração de moedas de real) possuem tamanhos e espessuras diferentes, algumas são serrilhadas nas bordas, justamente para serem diferenciadas por meio do tato. Já as cédulas têm marcas de relevo que se perdem com o uso. “Essas marcas são pouco perceptíveis, principalmente para os mais idosos. E, com o tempo, as notas vão perdendo o relevo”, diz Regina Fátima Caldeira de Oliveira, deficiente visual e coordenadora da Revisão dos Livros Braille da Fundação Dorina Nowill, de São Paulo.


Real

As notas apresentam apenas marcas de relevo. Euro Cada valor tem um tamanho diferente, obedecendo à regra de quanto maior o valor, maior o tamanho. A nota também apresenta marcas táteis em relevo

A primeira solução que vem à cabeça é a inserção de caracteres em braile nas notas. Essa, no entanto, é uma saída pouco útil: o braile sairia com o desgaste das cédulas, assim como acontece com as marcas de relevo atuais. “Além disso, o braile é lido por muitas pessoas cegas, mas não por todas. A gente não quer braile nas notas”, afirma Regina, que participou de reuniões com o Banco Central e a Casa da Moeda com entidades representativas dos deficientes visuais do país, para encontrar uma solução viável e prática para o problema. O BC comunga a opinião da Fundação Dorina. Segundo João Sidney, do chefe do departamento de Meio Circulante, “a tecnologia de impressão não tem sobrevida. Na terceira manipulação da nota, o braile já acaba”.

Apesar da concordância, pouca gente sabe que o braile não é o melhor caminho a seguir. No dia 27 de outubro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou um ofício à Casa da Moeda solicitando informações sobre a viabilidade técnica para implantação desse sistema de leitura nas cédulas e moedas do país. A proposta, feita pelo conselheiro do Amazonas Edson de Oliveira, tem a melhor das boas intenções, em defesa dos direitos dos cegos, já que os mesmos não têm acesso à leitura das notas. Mas não funciona. “Há quem faça isso para melhorar e ajudar, mas devia falar com pessoas que lidam com o problema diriamente e que podem ter a melhor proposta”, diz Regina.

Austrália

As notas têm tamanhos diferentes e são reconhecidas por meio de um gabarito. Canadá Além das notas terem furinhos arranjados de formas diferentes para cada valor (à dir.), um aparelhinho lê a nota e emite um sinal diferente para cada valor, por meio de voz, som ou vibração

Entre as propostas sugeridas nas reuniões entre as entidades e o governo, a que mais agrada Regina é o modelo adotado na Austrália e nos países que fazem parte da União Europeia (e usam o euro). Lá, as notas possuem tamanhos diferentes, crescendo à medida que o valor aumenta. O portador de deficiência visual recebe uma espécie de gabarito que indica o valor da nota, em braile. Ao colocar a nota dentro desse gabarito, sua ponta vai cair sobre o valor correspondente a ela. Serve mais para quem ainda não decorou o tamanho das notas ou não está acostumado àquela moeda.

Na opinião do BC, no entanto, o modelo canadense é que deve vigorar no Brasil. Segundo o chefe do departamento de Meio Circulante do Banco Central, não é necessário mexer no design ou tamanho do dinheiro. “O Canadá insere nas notas uma tinta invisível diferente para cada valor e distribui um aparelhinho subsidado que reconhece o magnetismo da tinta e emite um sinal para cada valor”, afirma João Sidney. Trata-se de um aparelho pequeno, que pode ser levado no bolso e distribuído gratuitamente pelo Canadian National Institute for the Blind. Sobre o gabarito, adotado pelos australianos e europeus, Sidney diz que não é a melhor solução e, como o reconhecimento é feito pelo tato, pode levar a erros de interpretação. “Eu apostaria nessa tecnologia sonora”, diz. Só não se sabe quando ela entrará em vigor.

Fonte - http://turismoadaptado.wordpress.com/

Publicado por: Ricardo Shimosakai

PORTARIA Nº 2.344, DE 3 DE NOVEMBRO DE 2010 - Oficialmente deixamos de ser "Portadores"

Portaria dá publicidade às alterações promovidas pela Resolução nº 1, de 15 de outubro de 2010, do CONADE em seu Regimento Interno, a começar pela substituiçao do termo "portador" para Pessoa com Deficiência

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS

PORTARIA Nº 2.344, DE 3 DE NOVEMBRO DE 2010

DOU de 05/11/2010 (nº 212, Seção 1, pág. 4)

O MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, no uso de suas atribuições legais, faz publicar a Resolução nº 1, de 15 de outubro de 2010, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - CONADE, que altera dispositivos da www.fiscolex.com.br/doc_396310_RESOLUCAO_N_35_6_JULHO_2005.aspx Resolução nº 35, de 6 de julho de 2005, que dispõe sobre seu Regimento Interno:

Art. 1º - Esta portaria dá publicidade às alterações promovidas pela Resolução nº 1, de 15 de outubro de 2010, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - CONADE em seu Regimento Interno.

Art. 2º - Atualiza a nomenclatura do Regimento Interno do CONADE, aprovado pela www.fiscolex.com.br/doc_396310_RESOLUCAO_N_35_6_JULHO_2005.aspx Resolução nº 35, de 6 de julho de 2005, nas seguintes hipóteses:

I - Onde se lê "Pessoas Portadoras de Deficiência", leia-se "Pessoas com Deficiência";

II - Onde se lê "Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República", leia-se "Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República";

III - Onde se lê "Secretário de Direitos Humanos", leia-se "Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República";

IV - Onde se lê "Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência", leia-se "Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência";

V - Onde se lê "Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência", leia-se "Política Nacional para Inclusão da Pessoa com Deficiência";

Art. 3º - Os artigos 1º, 3º, 5º, 9º e 11, passam a vigorar com a seguinte redação:

"Art. 1º -
............................................................................

XI - atuar como instância de apoio, em todo território nacional, nos casos de requerimentos, denúncias e reclamações formuladas por qualquer pessoa ou entidade, quando ocorrer ameaça ou violação de direitos da pessoa com deficiência, assegurados na Constituição Federal, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências e demais legislações aplicáveis;

XII - participar do monitoramento e implementação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, para que os direitos e garantias que esta estabelece sejam respeitados, protegidos e promovidos; e
............................................................................
................." (NR).

Art. 3º - Os representantes das organizações nacionais, de e para pessoa com deficiência na forma do inciso II, alínea a, do art. 2º, serão escolhidos dentre os que atuam nas seguintes áreas:

..........................................................................................................

II - um na área da deficiência auditiva e/ou surdez;

............................................................................
IV - dois na área da deficiência mental e/ou intelectual;

Art. 5º - As organizações nacionais de e para pessoas com deficiência serão representadas por entidades eleitas em Assembléia Geral convocada para esta finalidade e indicarão os membros titulares e suplentes.

§ 1º - As entidades eleitas e os representantes indicados terão mandato de dois anos, a contar da data de posse, podendo ser reconduzidos.

§ 2º - A eleição será convocada pelo CONADE, por meio de edital publicado no Diário Oficial da União, no mínimo 90 (noventa) dias antes do término do mandato.

§ 4º - O edital de convocação das entidades privadas sem fins lucrativos e de âmbito nacional exigirá para a habilitação de candidatos e eleitores, que tenham filiadas organizadas em pelo menos cinco estados da federação, distribuídas, no mínimo, por três regiões do País.

............................................................................


§ 6º - O processo eleitoral será conduzido por Comissão Eleitoral formada por um representante do CONADE eleito para esse fim, um representante do Ministério Público Federal e outro da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência - SNPD, especialmente convidados para esse fim.

.......................................................................(NR)

Art. 9º - Os Conselhos Estaduais e Municipais de Direitos da Pessoa com Deficiência serão representados por conselheiros eleitos nas respectivas Assembléias Gerais estaduais ou municipais, convocadas para esta finalidade.

Parágrafo único - O Edital de Convocação para a habilitação dos Conselhos Estaduais e Municipais será publicado em Diário Oficial pelo menos 90 (noventa) dias antes do início dos novos mandatos e definirá as regras da eleição, exigindo que os candidatos comprovem estar em pleno funcionamento, ter composição paritária e caráter deliberativo.

Art. 11 -
............................................................................

§ 1º - A eleição do Presidente e do Vice-Presidente dar-se-á mediante escolha, dentre seus membros, por voto de maioria simples, para cumprirem mandato de dois anos.

............................................................................


§ 4º - Fica assegurada a representação do Governo e da Sociedade Civil na Presidência e na Vice-Presidência do CONADE e a alternância dessas representações em cada mandato, respeitada a paridade.

............................................................................


§ 6º - Caso haja vacância do cargo de Presidente, o Vice- Presidente assumirá e convocará eleição para escolha do novo Presidente, a fim de complementar o respectivo mandato, observado o disposto no § 4º deste artigo.

§ 7º - No caso de vacância da Vice-Presidência, o Plenário elegerá um de seus membros para exercer o cargo, a fim de concluir o mandato, respeitada a representação alternada de Governo e Sociedade Civil.

............................................................................
................... (NR).

Art. 4º - Revogam-se os §§ 1º, 2º e 3º do art. 9º da Resolução nº 35/2005.

Art. 5º - As alterações no Regimento Interno do CONADE entram em vigor na data de publicação desta Portaria.

PAULO DE TARSO VANNUCCHI

A viagem dos sentidos

O jornalista Jairo Marques publicou o texto abaixo no jornal Folha de São Paulo de hoje e vale a pena conferir:

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Quem passeia não leva só as pernas e os olhos, leva boca, nariz, ouvidos, a pele e também os sentimentos
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RECEBI DE UMA AMIGA uma dessas cartas modernas, que chegam pelo computador, contando que ela faria uma viagem "maraviwonderful" com o namorado para um lugar desses cheios de natureza, de pernilongos, de céu azul. Em resumo, ela estava mais feliz que porco na lama.
Demorei a entender a razão de tanta alegria por parte da Juju, afinal, ela é cega, não consegue ver nem alma penada em cemitério. Que graça teria, então, viajar sendo incapaz de enxergar as belezuras de um lugar, o rebolado das pessoas, as cores locais?
Pra completar, a companhia da moçoila, o amado, também é prejudicado das vistas, ou seja, não poderia traduzir o "visu" do local visitado com palavras. Seriam dois perdidos no escuro? Afinal, é senso comum (e errado) achar que os cegos só veem o breu.

Foi então que eu mesmo decidi viajar... na maionese dos meus pensamentos e percebi que o passeio da Juju poderia ser muito mais proveitoso que qualquer outra visita com uma expectativa absolutamente imagética.

Viajar é bem mais que apenas ver, de fato. É se deliciar com o gosto de novos sabores -exóticos, doces, azedos-, é descobrir que os passarinhos podem fazer toadas diferentes, que a areia da praia pode ser mais grossa ou bem fininha, que as flores podem ter odores novíssimos.

E a Juju disse que é capaz, inclusive, de curtir a diferença da intensidade com que o vento bate na cara, o barulho dos carros no trânsito, a graça de um sotaque, a maneira como as pessoas interagem, a organização das ruas, a profundeza do mar. Com tudo junto, ela forma para as recordações muito mais do que imagens de fotografias.

O povo com deficiência, seja ela sensorial ou física, quer, pode e tem o direito ao turismo. A forma como eu vejo o mundo e me divirto nele não é a única possível, relaxante e prazerosa. Quem passeia não leva apenas as pernas e os olhos, leva a boca, o nariz, os ouvidos, a pele, os sentimentos.
Na carta da minha amiga, ela relatou também a surpresa do dono da pousada em que ficará hospedada ao saber que o casal de hóspedes tinha deficiência visual. Ele respondeu assim à demanda:

"Fizemos uma reforma recentemente para transformar a pousada em um ambiente ecologicamente correto, porém nunca pensamos em também criar recursos para atender, por exemplo, os cegos. Queria pedir desculpas pelo fato de não estarmos adaptados para recebê-los. Mas você, com sua maneira de "ver" as coisas, já está me mostrando de que precisa: convívio com pessoas simples, educadas e que tenham amor nos seus corações. Isso nós temos de sobra."

Boa vontade é bacana para resolver pequenas questões de acesso. Uma cadeira de plástico para os atrapalhados das faculdades motoras tomarem um banho, um quarto com um pouco mais de espaço para o cadeirante não se esfolar nos móveis; informações em braile para quem não vê, noções de Libras para uma comunicação básica para quem não ouve.

Mas, o conceito de acesso universal envolve dar a todos condições de igualdade para que consigam curtir suas vidas e suas viagens da maneira que melhor lhes convier e de forma independente. A história da Juju é só um exemplo para que mais gente abra bem os olhos para isso.

assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cidade de SP tem quatro semáforos para cegos a dois anos de prazo para cumprimento de lei

Lei que obriga adaptação de 2.287 equipamentos deve ser obedecida até 2012.

Publicada em 08 de novembro de 2010 - 14:30


Dois anos após a aprovação de lei estadual que estabelece adaptações para pessoas com deficiência, apenas quatro dos 2.287 cruzamentos com semáforos de pedestres na cidade de São Paulo têm mecanismo sonoro instalado para a travessia de cegos. A norma determina que os equipamentos sejam adaptados até 2012. Na capital, a instalação desses semáforos depende de estudos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que começaram há dois anos, mas que ainda não produziram resultados.

A reportagem do R7 testou os semáforos sonoros para pedestres com necessidades especiais e constatou que um deles (que fica na rua Pensilvânia, na zona sul da capital) não estava funcionando até sexta-feira (22). Na prática, o equipamento funciona assim: quando o sinal verde para pedestres é ligado, o equipamento emite um som com uma frequência específica, que muda quando o farol está prestes a fechar novamente. O sinal sonoro é completamente interrompido quando o semáforo fica vermelho.

Os quatro primeiros equipamentos sonoros de trânsito foram colocados perto de instituições que trabalham com educação de deficientes visuais. Questionada pelo R7, a CET não respondeu, até a publicação desta reportagem, por que a colocação dos semáforos sonoros precisa de estudo se a lei é clara quanto à obrigatoriedade dos equipamentos.

Para a professora da USP (Universidade de São Paulo) e especialista em políticas públicas Odete Medauar, é comum que leis acabem no esquecimento quando não estão previstas punições para o Estado em caso de descumprimento.

- O estabelecimento de punições, como multas diárias, poderia fazer com que a lei fosse colocada em prática em São Paulo. No final das contas, a efetivação da lei acaba ficando a critério de cada governante.

A lei 12.907, de autoria da deputada Célia Leão (PSDB), é uma compilação de outras 33 normas que abordam questões relativas à mobilidade de deficientes físicos e visuais.

Para a arquiteta Silvana Cambiaghi, presidente da comissão de acessibilidade da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, os semáforos sonoros fortalecem a autonomia dos cegos.

- Sou particularmente a favor da colocação desses semáforos sonoros. Mas é preciso que a CET termine a fase de testes.

Já o secretário adjunto da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marco Pelegrini, diz que os semáforos sonoros ainda não foram adotados porque, no entender da pasta, não garantem que os motoristas respeitem a sinalização. O governo do Estado, afirma ele, quer desenvolver outra tecnologia. Trata-se de placas, instaladas na pista, sensíveis ao movimento de carros.

- Esse dispositivo já é usado no Japão e apita quando percebe que não há mais movimento dos carros. Além disso, as placas vibram enquanto o farol estiver fechado.
O início dos estudos depende da construção de um centro de tecnologia ligado à secretaria. A conclusão dessa obra está prevista para o final deste ano.

A deputada Célia Leão critica a secretaria, dizendo que a educação dos motoristas no trânsito não pode ser um argumento para a não instalação desses semáforos. Para ela, “falta vontade política” para que sejam feitas as adaptações.

Fonte: R7

Aspectos legais da acessibilidade comunicativa como o direito à informação e ao entretenimento para pessoas com deficiência


Exposição de alguns pontos da legislação que garantem direitos das pessoas com deficiência relativos ao tema

Nada melhor depois de um longo dia de trabalho que chegar em casa, sentar a frente da televisão, e poder assistir os programas informativos ou mesmo de entretenimentos. Sejam para se atualizar ou para distrair, as pessoas que não possuem nenhum tipo de deficiência, encontram neste meio tão popular de informação ou entretenimento, de forma fácil e diversificada, o que procuram e se dão por satisfeitas.

O mesmo prazer não possui as pessoas com deficiência, sobretudo com limitações sensoriais, visuais ou intelectuais. Para estes, a televisão é composta somente por cenas com grunhidos, trilha sonora ou simplesmente nada quando os letreiros são expostos, mesmo com as melhores das intenções e com os mais sublimes conteúdos, porém produzidos com mensagens silenciosas. O que dizer das pessoas com limitação sensorial? Apenas imagens sem descrições. Frases verbalizadas e incompreensíveis.

A verdade é que para as pessoas com deficiência a televisão nunca foi meio de informação e de entretenimento satisfatório. Sempre deixou a desejar. O direito à informação é totalmente ferido pelos meios de comunicação brasileira para este segmento da sociedade.

A legislação brasileira garante a utilização de determinados recursos que possibilitam o acesso à comunicação de forma plena na televisão. Alguns textos legais contemplam esses mecanismos de acessibilidade comunicativa. Conhecê-los é essencial para que se possam exigir seus cumprimentos.

Para tanto, eis os aspectos da legislação brasileira que garantem acessibilidade comunicativa para as pessoas com deficiência como direito à informação e entretenimento:

01) CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA:

A Constituição da República de 1988 não faz nenhuma referência especifica para pessoas com deficiência, em seus artigos 220 a 224, quando discorre sobre a Comunicação Social.

Não obstante, pode-se fazer uso de princípios fundamentais da Constituição da República para que tal direito seja garantido. O primeiro e mais oportuno é o principio da dignidade da pessoa humana, previsto em seu Art. 1°, inciso III.

Novaes (2010, apud MORAES, 2004, pag. 48) apresenta o conceito de dignidade humana como "um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que traz consigo a pretensão ao respeito por parte das demais pessoas".

Pode-se analisar tal conceito numa dupla perspectiva. Primeiro, seu escopo é prever um direito protetivo, em relação ao Estado, bem como em relação aos demais indivíduos. Num segundo momento, visa o estabelecimento de tratamento igualitário entre os semelhantes, contemplado em três princípios do Direito Romano: honestare viver (viver honestamente), alterum non laedere (não prejudicar ninguém) e suum cuique tribuere (dar a cada um o que lhe é devido).

O principio da dignidade humana ao visar o tratamento igualitário representa a obrigação de conceder igualdade para os semelhantes, tanto no plano de elaboração de regras jurídicas de direito, quanto em relação à sua aplicação. Nesta última, ressalta-se a importância do tratamento desigual, na medida da desigualdade do amparado legalmente, protegendo-se assim a efetivação da finalidade acolhida pelo direito.

Assim, numa visão exegética constitucional, a concessão de recursos de acessibilidade comunicativa para pessoas com deficiência é uma garantia que tem “justificativa objetiva e razoável, de acordo com critérios e juízos valorativos, porque sua exigência se dá em razão da proporcionalidade entre os meios que são empregados e a finalidade a qual se quer chegar” (NOVAES, 2010, p. 28), uma vez que tratamento desigual se dá em razão da realidade desigual das pessoas com deficiência quando do uso da televisão, como um direito à informação e entretenimento.

2) LEI DE ACESSIBILIDADE E SUA REGULAMENTAÇÃO:

Apesar da ausência de referência específica constitucional sobre acessibilidade comunicativa para pessoas com deficiência nos meios de comunicação social, o ordenamento jurídico possui arcabouço para tanto, com algumas peças.

Uma delas trata-se da Lei n° 10. 098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade para pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação.

Essa lei ainda estabelece conceitos importantes, como:

a) Acessibilidade: sendo a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação, por pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

b) Barreiras: como qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança das pessoas.

c) Acessibilidade Comunicativa: é a inexistência de qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa.

Em seu capítulo VII, nos artigos 17 a 19, a Lei mais conhecida como a “Lei de Acessibilidade”, determina a competência ao Poder Público de promover a eliminação das barreiras na comunicação, bem como estabelecer mecanismos e alternativas técnicas para tornar acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização para as pessoas limitações sensoriais e com dificuldade de comunicação, para que lhes sejam garantidos os direitos de acesso à informação e à comunicação. Tal eliminação se dá com profissionais intérpretes de Libras e profissionais que dominem a escrita em braile, bem como guias-intérpretes.

Como se trata de norma genérica, é necessária a sua regulamentação específica, ficando à cargo desta, planos de medidas técnicas com o objetivo de permitir o uso da Libras e de subtitulação.

Tal regulamentação fora realizada por meio do Decreto n° 5.269, de 02 de dezembro de 2004, que em seus artigos 47 a 58, estabeleceu – dentre outras – as seguintes ações:

a) obrigatoriedade de acessibilidade nos portais e sítios eletrônicos da administração pública na rede mundial de computadores (internet) para o uso das pessoas portadoras de deficiência visual;

b) garantia de pleno acesso às pessoas com limitações sensoriais, no Serviço Telefônico Fixo Comutado - STFC, disponível para uso do público em geral, aparelhos adaptados, para acessos individuais e que contenham dispositivos sonoros para a identificação das unidades existentes e consumidas dos cartões telefônicos, bem como demais informações exibidas no painel destes equipamentos;

Já no Serviço Móvel Celular ou Serviço Móvel Pessoal, garantir a interoperabilidade nos serviços de telefonia móvel, para possibilitar o envio de mensagens de texto entre celulares de diferentes empresas e a existência de centrais de intermediação de comunicação telefônica a serem utilizadas, que funcionem em tempo integral e atendam a todo o território nacional.

c) incentivar a oferta de aparelhos de televisão equipados com recursos tecnológicos (circuito de decodificação de legenda oculta, Programa Secundário de Áudio – SAP, entradas para fones de ouvido com ou sem fio);

d) prever a utilização, entre outros, dos seguintes sistemas de reprodução das mensagens veiculadas para as pessoas com deficiência auditiva e visual: a subtitulação por meio de legenda oculta, a janela com intérprete de LIBRAS e a descrição e narração em voz de cenas e imagens.

03) NORMA BRASILEIRA ABNT NBR 15290:

Outra regulamentação a respeito de Acessibilidade Comunicativa é ABNT NBR 15290, de 31 de outubro de 2005 e válida a partir de 31 de outubro de 2005. Tal Norma Técnica que dispõe sobre a Acessibilidade em comunicação na televisão foi elaborada no Comitê Brasileiro de Acessibilidade (ABNT/CB-40), pela Comissão de Estudo de Acessibilidade em Comunicação) tendo, à época, circulado em Consulta Nacional, para aprovação.

Defensora do conceito de Desenho Universal (forma de conceber produtos, meios de comunicação, serviços e ambientes para serem utilizados por todas as pessoas, o maior tempo possível, sem a necessidade de adaptação, beneficiando pessoas de todas as idades e capacidades) e de seus pressupostos (equiparação nas possibilidades do uso, flexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, captação da informação, tolerância para o erro, dimensão e espaço para o uso e interação), tal norma visa viabilizar que maior quantidade possível de pessoas tenha acesso à programação televisiva, dando acesso à informação e ao entretenimento para pessoas com deficiência auditiva, visual ou cognitiva, bem como facilitar que pessoas surdas, estrangeiros residentes no país e pessoas semi-analfabetas possam adquirir a língua portuguesa na modalidade escrita.

Visa ainda: exercício da cidadania aos usuários da LIBRAS; permitir que pessoas cegas ou com baixa visão tenham acesso às mensagens transmitidas de forma essencialmente visual; o acesso à programação transmitida em língua estrangeira; o acesso à informação em áreas de uso público; e o desenvolvimento da comunicação.

De caráter técnico, estabelece detalhadamente as características dos sistemas de legenda oculta, a janela com intérprete de LIBRAS e a descrição e narração em voz de cenas e imagens, para a televisão, bem como para produção de fitas VHS e DVD. Em relação à janela de LIBRAS especificamente, estabelece padrões para o estúdio, a janela, o recorte ou wipe, e os requisitos para a interpretação e visualização da LIBRAS.

04) PORTARIA N° 310 DE 27-06-2006 – MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES:

Por fim, regulamentando a acessibilidade comunicativa televisiva, o Ministério das Comunicações, em 27 de junho de 2008, expediu a Portaria n° 310, que aprova a Norma Complementar n° 01/2006: Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiência, na programação veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão.

Pela Norma Complementar, a programação veiculada pelas estações transmissoras ou retransmissoras dos serviços de radiodifusão de sons e imagens deve conter: a Legenda Oculta em Língua Portuguesa; a audiodescrição em Língua Portuguesa, através do SAP; e a dublagem em Língua Portuguesa, dos programas veiculados em língua estrangeira, também através do SAP juntamente com a audiodescrição.

Já a janela com intérprete de Libras é obrigatória para os programas que compõem a propaganda político-partidária e eleitoral, bem como campanhas institucionais e informativos de utilidade pública, veiculadas pelas pessoas jurídicas concessionárias do serviço de radiodifusão de sons e imagens.

Opcionalmente, para os espectadores que necessitarem deste recurso, deve existir um acionamento opcional, de modo a possibilitar sua veiculação em toda a programação. Também é opcional a permissão de inserção de locução, em Português, destinada a possibilitar que pessoas com deficiência visual e pessoas com deficiência intelectual selecionem as opções desejadas em menus e demais recursos interativos, com autonomia.

Tal norma responsabiliza exclusivamente as emissoras de radiodifusão de imagens e as retransmissoras de televisão pela produção e veiculação dos recursos de acessibilidade em todos os programas dos quais sejam detentoras dos direitos autorais.

Determina ainda os prazos para que os recursos de acessibilidade acima descritos sejam veiculados na programação exibida, sendo: (Clique no link a seguir para visualizar tabela: http://3.bp.blogspot.com/_DzYdGSWQlDk/TMSJb4CNCzI/AAAAAAAAAvw/i4fWR3_FwDw/s1600/prazoa.JPG)

Por fim, ainda existem penalidades previstas no Código Brasileiro de Telecomunicações, que podem ser aplicadas por decisão do Ministério das Comunicações, considerando os seguintes fatores: gravidade da falta; antecedentes da entidade faltosa; e reincidência específica.

CONCLUSÃO:

Considerando toda a análise dos aspectos legais realizada, pode-se concluir que, na realidade, a falta de acessibilidade comunicativa, sobretudo nos canais de comunicação, não se deve a ausência de previsão legal, ao contrário, percebe-se que, na realidade, o que falta é a execução do que já está posto no Direito.

Para tanto, é de suma importância que os atores sociais envolvidos com o segmento das pessoas com deficiência, como: as Associações de Deficientes, os Órgãos Públicos de apoio às pessoas com deficiência, o próprio Ministério Público, dentre outros, assumam uma postura mais firme, com vistas ao cumprimento do que já é garantido legalmente, por parte dos detentores de concessão pública de serviços radiodifusão de sons e imagens.

Para tanto é necessária uma atuação juntamente ao Ministério das Comunicações, para que se faça a fiscalização e cobrança, inclusive com penalidades no caso da continuidade do descumprimento, para que o direito de informação e entretenimento, por meio da acessibilidade comunicativa, se torne de fato, uma realidade à favor das pessoas com deficiência.

BIBLIOGRAFIA:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15290 – Acessibilidade em comunicação na televisão. Rio de Janeiro. 2005.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF; Senado, 1988.

______. Decreto n° 5.269, de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília: José Dirceu de Oliveira e Silva, 2005.

______. Lei n° 10. 098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília: José Gregori, 2000.

______. Portaria n°310, de 27 de junho de 2006. Aprova a Norma n° 001/2006 – Recursos de acessibilidade, para pessoas com deficiência, na programação veiculada nos serviços de radiodifusão de sons e imagens e de retransmissão de televisão. Brasília: Hélio Costa, 2006.

MORAES. Alexandre de. Direito Constitucional / Alexandre de Moraes. 15ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 48.

NOVAES. Edmarcius Carvalho. SURDOS: Educação, Direito e Cidadania. Rio de Janeiro. Wak Ed., 2010. p. 26.

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

NOVAES, Edmarcius Carvalho. "Aspectos Legais da Acessibilidade Comunicativa como Direito à Informação e Entretenimento para Pessoas com Deficiência". Disponível em http://www.edmarciuscarvalho.blogspot.com/ em 24 de outubro de 2010.

EDMARCIUS CARVALHO NOVAES

Bacharel em Direito pela FADIVALE (2007). Atualmente cursa MBA em Administração Pública e Gestão em Cidades pela UNIDERP (2010), Pós-Graduação em Direito Público pela UNIDERP (2010) e Pós-Graduação em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) pela FAEL (2010). Possui Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação de LIBRAS MEC/UFSC (2006), tendo atuação como Tradutor-Intérprete de Libras desde 1996. Possui disciplina isolada em "Estudos Lingüísticos com ênfase em Variações Lingüística na Língua Brasileira de Sinais" pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Letras da UFMG (2008). Conselheiro Governamental do Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS, Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência - CMPD e Conselho Municipal de Transito e Transporte - CMTT, da cidade de Governador Valadares. Gerente da Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência da Secretaria Municipal de Assistência Social (CAAD-SMAS) da Prefeitura Municipal de Governador Valadares/MG. Autor do livro SURDOS: Educação, Direito e Cidadania" publicado pela WAK Editora (2010). Contato: edmarcius@hotmail.com

Sinopse:

A formação de uma sociedade para todos, em que as diferenças são consideradas e respeitadas, passa pela educação de qualidade e acessível a todos, pela existência de direitos reconhecidos e pelo conhecimento das formas corretas para acessar tais garantias, como expressão de cidadania. Este livro resgata a dignidade humana das pessoas surdas ao focar o processo histórico inclusivo deste segmento social por meio do realce à sua diferenciação, sobretudo, linguística e cultural, do estudo de seus direitos elementares: educação, trabalho e saúde, além de analisar detalhadamente estes direitos e os mecanismos jurídicos para efetivá-los, individualmente ou coletivamente.

Adquira o seu exemplar por meio do link a seguir: http://www.wakeditora.com.br/mostrar_livro/mostrar_livro.php?livro=5848

Fonte: Rede Saci - http://www.saci.org.br

domingo, 7 de novembro de 2010

Assinado decreto em São Paulo para acessibilidade digital

Compra e edição de livros de órgãos de governo serão em formato Daisy

No último dia 21 de outubro um novo passo foi dado rumo a uma sociedade inclusiva. As pessoas cegas e as que fazem uso de material digital para acesso à leitura ganharam um instrumento legal para que o Estado compre e edite livros em formato acessível. O Decreto Estadual nº 56.307, publicado no Diário Oficial no dia 22/10, assinado pelo governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman e a Secretária de Estado Dra. Linamara Rizzo Battistella prevê a implementação do Programa de Acessibilidade Comunicacional.

O objetivo é que a compra e a edição de material bibliográfico pelos órgãos da administração pública estadual sejam também disponibilizadas no padrão internacional Daisy, solução tecnológica que permite acesso digital a conteúdo literário.

A iniciativa conta com a participação das Secretarias Estaduais de Educação; Gestão Pública e Cultura, que formarão uma comissão para garantir a implantação do projeto.

Para a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Linamara Rizzo Battistella, garantir o acesso aos livros é uma das formas mais importantes de inclusão das pessoas com deficiência. Desta forma, podemos devolver para o cotidiano de milhares de pessoas o prazer da prosa, da poesia e do conhecimento.

O Decreto prevê que, nos casos onde o formato Daisy esteja indisponível, sejam adotados outros formatos como o braile ou áudio simples. Porém, o ideal mesmo é a usabilidade do programa Daisy, pois o formato áudio tem acessibilidade restrita, não permitindo interatividade entre o leitor e o texto, como marcação de trechos e velocidade de leitura, por exemplo.

O braile, por sua vez, é um sistema que atende a um número limitado de pessoas cegas, pois a maioria adquire a deficiência visual na idade adulta, já tendo sido alfabetizada e, ainda, caso a cegueira tenha sido decorrente de diabetes pode haver sensibilidade alterada na ponta dos dedos, dificultando o aprendizado e uso do braile.

Entenda o que é o Programa Daisy

O Daisy é um acrônimo ou sigla para Digital Accessible Information System, que significa Sistema Digital de Informação Acessível. Os livros em formato Daisy permitem a navegação no texto escrito ou falado, por meio de um aplicativo de leitura instalado no computador ou outro suporte eletrônico, além da reprodução em áudio.

O padrão Daisy possibilita a geração de livros digitais falados e sua reprodução em áudio, gravado ou sintetizado, com plena interação entre o leitor e o texto, além de reprodução sincronizada de trechos selecionados, o recuo e o avanço de parágrafos e a busca de seções ou capítulos.

Possibilita também anexar anotações aos arquivos do livro, exportar o texto para impressão em braile, bem como a leitura em caracteres ampliados. Todo texto é indexado, facilitando, assim, a manipulação por meio de índices ou buscas rápidas. Ou seja, acessibilidade digital plena e irrestrita.

Fonte: http://www.vezdavoz.com.br

Inclusão de deficientes visuais em escolas ainda é desafio

Apesar de o número de alunos ter triplicado, ainda é preciso superar dificuldades de acesso para garantir frequência no ensino
Priscila Borges

Ivan Siqueira Reis, 31 anos, está reaprendendo a viver há dez anos. Apesar de já ter passado um terço da vida com problema de visão, ele se lembra bem de como o mundo é mais fácil para quem enxerga. Pegar ônibus, se locomover entre as salas de aula, ter acesso a materiais didáticos - para o aluno do 2º semestre de letras-japonês da Universidade de Brasília (UnB), tudo o que faz parte da rotina de qualquer estudante é precário.

Na UnB, Ivan pede ajuda para circular pelo corredor em busca das salas de aula, não esbarrar nas pessoas ou não tropeçar nas calçadas. Ele ainda não tem muita mobilidade para se locomover sozinho, mesmo usando bengala. Os prédios também carecem de melhor estrutura, como rampas de acesso, sinalizadores tácteis nas portas e a numeração das salas em braille, por exemplo. "Eu brinco com todo mundo: é melhor continuar enxergando direitinho", diz.

O estudante conta com a ajuda de um programa que dá apoio a pessoas com necessidades especiais na universidade para driblar os problemas. O projeto oferece tutores, material impresso em braille ou sonoro e um laboratório de apoio aos deficientes, que possui equipamentos adaptados. Aos poucos, ele conta que os professores também vão se acostumando com a presença - e as necessidades - dele em sala de aula. "Os professores mudaram a forma de ensinar a língua por minha causa", conta.

Ivan, que perdeu a visão em decorrência de um tumor no cérebro, ainda é minoria nos ambientes escolares. Na educação básica, os 68 mil deficientes visuais representam apenas 0,13% dos 52,6 milhões de alunos matriculados em escolas públicas e particulares do País. No ensino superior, o contingente de 5,2 mil deficientes visuais simboliza somente 0,09% dos 5,8 milhões de universitários, segundo o Censo da Educação Superior de 2008.

As estatísticas oficiais sobre os deficientes visuais do País mostram que muitos estão de fora desse universo. De acordo com o Censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2000, último dado oficial sobre essa população no Brasil, 16,6 milhões de brasileiros possuíam algum tipo de deficiência visual e 150 mil eram cegos. Em 2003, apenas 25 mil estudavam. O número triplicou em 2009, mas ainda falta muito para garantir que todas as crianças, jovens e adultos que não enxergam estejam incluídos nas redes de ensino do País.

"Há um conjunto de ações, de políticas públicas, que têm impulsionado esse processo de inclusão. Historicamente, as pessoas com deficiência estiveram à margem da sociedade por falta de políticas para elas. O Estado se eximiu da responsabilidade e repassou dinheiro a organizações não-governamentais para que elas assumissem um papel que era do Estado”, afirma Martinha Clarete Dutra, diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação.

Martinha, que também é deficiente visual, ressalta que as pessoas que têm esse problema só precisam de recursos materiais para aprender como os outros alunos. “O conteúdo, o currículo e o conhecimento transmitidos não são distintos. Só a forma de apresentá-los. O material que eles precisam é diferente”, diz.

Políticas adotadas pelo MEC para garantir inclusão:

- Investimento em formação docente: Oferece cursos para professores que trabalham com educação inclusiva;
- Adequação arquitetônica dos prédios escolares: Sistemas de ensino recebem o dobro de recursos do Fundeb para financiar reformas;
- Salas de recursos: O MEC monta salas de apoio pedagógico em todas as escolas com mobiliário, materiais e equipamentos tecnológicos;
- Livros didáticos: As obras adquiridas no Programa Nacional do Livro Didático terão de ser produzidas para o formato Mecdaisy, um sistema desenvolvido pela UFRJ, para tornar obras acessíveis

Inclusão

Nas universidades, a presença de estudantes cegos ou com baixa visão aumentou 475% de 2003 a 2008. Indo 920 para 5,2 mil o número de alunos com essa deficiência nas instituições de ensino superior brasileiras. Nas escolas, o crescimento do número de alunos com cegueira matriculados nas redes foi de 129% em escolas comuns e de 84% no caso dos estudantes com baixa visão. Em 2004, 2,2 mil cegos estudavam em colégios regulares e, em 2009, 5 mil. No mesmo período, o número de alunos com baixa visão nas classes comuns saltou de 30,8 mil para 56,6 mil.

Ao passo que a matrícula de deficientes visuais cresce nas escolas regulares, diminui nas especiais. Para o Ministério da Educação e as secretarias de ensino, isso é uma vitória. Para os pais, ainda uma preocupação. Os especialistas defendem que a inclusão de estudantes deficientes em escolas comuns acaba com o preconceito e ajuda essas crianças e esses adolescentes a se tornarem mais independentes e autônomos. A família teme a falta de atendimento adequado e a discriminação. “A escola se prepara de acordo com aluno que ela recebe, com ou sem deficiência. É a presença desse aluno que impulsiona a transformação dos sistemas de ensino. Essa ideia de que pessoas com deficiência precisam de acompanhamento especializado sempre não é correta. Classe especializada é segregação”, afirma Martinha.

Para a diretora do MEC, as famílias dos deficientes se sentem inseguras porque, em geral, superprotegem os filhos. "A família é muito importante e contribui muito para que pessoa se desenvolva mais ou se infantilize. Ela tem de perceber isso e ter noção de que a escola não é ideal para todo mundo, mas ninguém deixa de ir à escola por causa disso. É nas dificuldades e nos conflitos que crescemos", analisa.

Ivaneide Batista Dias, 33 anos, vive esse dilema atualmente. O filho caçula, Wesley Lima Dias, 7 anos, perdeu a visão há dois anos por causa de um tumor nos olhos. No Centro de Ensino Especial para Deficientes Visuais (CEEDV) em Brasília, ele recebeu atendimento para saber como lidar com a nova condição: se locomover, ler em braille, desenvolver ainda mais os outros sentidos.

O avanço de Wesley foi tão rápido que ele será encaminhado para uma escola inclusiva em 2011. A mãe está preocupada. Teme que professores e colegas não saibam lidar com ele e o deixem “de lado”. No centro de apoio, a coordenadora, pedagogos e psicólogos contam que o trabalho com a família é bem mais intenso do que com as crianças atendidas por lá. “Eles precisam de mais apoio para entender e aceitar a vida dos filhos”, afirma Susana Silva
Carvalho, supervisora pedagógica. Os atendimentos no centro são feitos com bebês a partir do nascimento. A proposta é identificar problemas de visão o mais rapidamente possível e iniciar as atividades de estímulo, mobilidade, orientação e ensino com eficiência. Grande parte dos bebês atendidos até os três anos no programa chamado de Precoce deixa o centro em seguida. “Muitos vão direto para escolas inclusivas. Outros fazem educação infantil aqui”, conta Susana.

Crianças mais velhas também, em muitos casos, continuam tendo atendimento especializado no local em horário contrário ao das aulas. “Aulas de música, natação e datilografia, por exemplo, fazem parte das atividades oferecidas”, exemplifica. Adultos e adolescentes também são encaminhados ao local para aprender a se locomover sozinhos e desempenhar tarefas domésticas. “Hoje, essa é uma escola de passagem. Eles passam aqui o tempo suficiente para viver uma vida normal lá fora”, afirma Susana. O centro auxilia também as escolas inclusivas que vão receber os alunos.

Felizes com a diferença

Josiane dos Santos, 32 anos, conta que não teve problemas com a adaptação da filha à Escola Classe 410 Sul, em Brasília, onde foi estudar depois de sair do centro especial. Sara dos Santos Ferreira, 13 anos, tem baixa visão e uma doença nos ossos, a osteopetrose. Em geral, crianças com essa doença não vivem muito – acabam desenvolvendo outras doenças – mas Sara se mantém um desafio para medicina.

“Os médicos se surpreendem com ela. Eles me diziam que ela não viveria mais de 10 anos. Por causa disso, estou sempre com ela. Venho para a escola, fico e olho, mas nunca tivemos problemas aqui. Sara adora a escola, a professora e os colegas”, garante. A filha, que está no 4º ano do fundamental, confirma. “Gosto muito dessa escola. Nunca tive medo de vir para cá. Todos me receberam bem”, afirma.

A professora dela, Rosa Cristina da Gama, conta que nunca havia dado aulas para um deficiente visual antes. “Senti muito medo no começo, porque não tenho cursos nessa área. Mas tem sido uma experiência gratificante e não é difícil. É só ter disposição para repensar as aulas, deixar de usar só quadro e giz e buscar novas formas de ensinar”, pondera.

As amigas Carolina Dias Lima Souza, 11 anos, e Thaiz dos Anjos Ataídes, 12 anos, que são cegas, estão adaptadas na nova escola, em Santa Maria, região administrativa do Distrito Federal. Alunas do 5º ano, elas admitem que gostam mais do novo colégio do que do centro especial. “Lá a gente tem mais amigos”, resume Thaiz. A mãe de Carolina, Eunice Dias, concorda que a adaptação foi fácil. Mas reclama das condições. “Ainda falta muito. Faltam rampas, salas de aulas adaptadas e professores com formação específica“, diz.

Fonte: Rede Saci - http://www.saci.org.br/