Ally e Ryan

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - parte 2

Obs: com o intuito de manter fiel ao texto, termos como "deficiente mental" não foram substituídos por "pessoa com deficiência intelectual"
Maria Salete Fábio Aranha
UNESP-Marília

No século XVI, a Revolução Burguesa, revolução de idéias, mudando o modo clerical e ver o homem e a sociedade, trouxe em seu bojo a mudança no sistema de produção: derrubada das monarquias, queda da hegemonia religiosa e uma nova forma de produção: o capitalismo mercantil. Iniciou-se a formação dos Estados modernos, com uma nova divisão social do trabalho: donos dos meios de produção e operários. Surge a burguesia, nova classe constituída por pequenos empreendedores que começaram a enriquecer a partir da venda e comercialização de seu trabalho.

Nessa época, à existência da visão abstrata, metafísica, do homem, soma-se uma nova cisão, a da concreticidade.

No que se refere à deficiência, começaram a surgir novas idéias quanto à organicidade de sua natureza, produto de infortúnios naturais, conforme Paracelso e Sir Anthony Fitz-Hebert. Assim concebida, passou a ser tratada através da alquimia, da magia e da astrologia, métodos da insipiente medicina. O primeiro hospital psiquiátrico surgiu nessa época e se proliferou, mas da mesma forma que os asilos e conventos, eram lugares para confinar, ao invés de tratar as pessoas. Tais instituições eram pouco mais do que prisões.

No século XVII, a organização sócio-econômica foi se encaminhando para o capitalismo comercial, fortalecendo o modo de produção capitalista e consolidando a classe da burguesia no poder.

Passou-se a defender, no ideário da época, a concepção de que os indivíduos não são essencialmente iguais e que se havia que respeitar as diferenças. Nisto se fundamentou a classe dominante para legitimar a desigualdade social, a prática da dominação do capital e dos privilégios. A educação, conquanto semelhante ao padrão de ensino tradicional até então assumido exclusivamente pela Igreja, passou também a ser oferecida pelo Estado, com objetivos claros de preparo da mão de obra que se mostrava necessária no ainda novo modo de produção.

Concomitantemente, novas idéias foram sendo produzidas tanto na área da medicina, como na da filosofia e na da educação.

Continuou o fortalecimento da visão organicista, voltada para a busca de identificação de causas ambientais para a deficiência. Locke, por outro lado, defendendo que o homem é uma tábula rasa a ser preenchida pela experiência, encaminhou para a crença na educabilidade do deficiente mental, com ênfase na necessidade e importância da ordenação sensorial.

A relação da sociedade com a pessoa com deficiência, a partir desse período passou a se diversificar, caracterizando-se por iniciativas de Institucionalização Total, de tratamento médico e de busca de estratégias de ensino.

Na Medicina, o século XVIII foi um período mais de assimilação e de consolidação do conhecimento já produzido, do que de grandes descobertas. Lentos avanços no conhecimento da fisiologia, da bioquímica e da patologia foram obtidos e assim, sementes foram plantadas para o desenvolvimento do campo da medicina preventiva.

A deficiência mental continuava sendo considerada hereditária e incurável e assim, a maioria das pessoas com deficiência mental eram relegadas a hospícios, albergues, asilos ou cadeias locais.

Pessoas com deficiência física “ou eram cuidadas pela família ou colocadas em asilos” (Rubin & Roessler, 1978, p. 7).

Dentre os primeiros passos dados, entretanto, na direção de mudar as características da relação da sociedade com as pessoas com deficiência, encontram-se os esforços de Jacob Rodrigues Pereira, em 1747, na tentativa de ensinar surdos congênitos a se comunicar. Tais tentativas foram tão bem sucedidas que estimulou a busca de formas para lidar com outras populações, especialmente a de pessoas com deficiência mental.

Em meados de 1800, Guggenbuhl abriu uma instituição para o cuidado e tratamento residenciais de pessoas com deficiência mental, em Abendberg, Suíça. Os resultados de seu trabalho chamaram a atenção para a necessidade de uma reforma significativa no sistema, então vigente, da simples internação em prisões e abrigos. Embora tenha deteriorado posteriormente, este foi o projeto que deu origem à idéia e à prática do cuidado institucional para pessoas com deficiência mental, inclusive no continente americano.

Da mesma forma que na Suíça, entretanto, de instituições para tratamento e educação, elas logo mudaram para instituições asilares e de custódia, ambientes segregados, denominados Instituições Totais, constituindo o primeiro paradigma formal adotado na caracterização da relação sociedade – deficiência: o Paradigma da Institucionalização.

Este caracterizou-se, desde o início, pela retirada das pessoas com deficiência de suas comunidades de origem e pela manutenção delas em instituições residenciais segregadas ou escolas especiais, freqüentemente situadas em localidades distantes de suas famílias.

Assim, pessoas com retardo mental ou outras deficiências, freqüentemente ficavam mantidas em isolamento do resto da sociedade, fosse a título de proteção, de tratamento, ou de processo educacional.

Apesar de existirem desde o século XVI, as instituições totais não foram criticamente examinadas até o início da década de 60, quando Erving Goffman publicou Asylums (tendo por título em português “Manicômios, Prisões e Conventos), que se tornou uma análise clássica das características da instituição e de seus efeitos no indivíduo. Sua definição de Instituição Total é amplamente aceita até hoje - “um lugar de residência e de trabalho, onde um grande número de pessoas, excluídos da sociedade mais ampla por um longo período de tempo, levam juntos uma vida enclausurada e formalmente administrada” (Goffman, 1962, XIII).

O referido autor argumentou que estar institucionalizado é uma experiência que afasta significativamente o indivíduo da sociedade, bem como o liga à vida institucional, constituindo um estilo de vida difícil de ser revertido.

Desde a manifestação de Goffman, em 1962, muitos autores passaram a publicar estudos que enfocavam tanto as características de uma Instituição Total, como seus efeitos no indivíduo institucionalizado. A maioria dos artigos apresentam uma dura crítica a esse sistema, no que se refere a sua inadequação e ineficiência para realizar aquilo a que seu discurso se propõe fazer: favorecer a recuperação das pessoas para a vida em sociedade.

Vail (1966), enfatizou, por exemplo, no contexto institucional, a prática de demandas irrealistas, na maioria das vezes inconsistentes com as características e exigências do mundo externo. Tal contexto torna a pessoa incapaz de enfrentar e administrar o viver em sociedade quando e se jamais sair da Instituição. Discutiu os procedimentos institucionais tais como o de admissão, sistemas de recompensa e de punição, a uniformidade de massa e a impersonalidade automatizada da interação entre os provedores de serviços e seus usuários. Pauline Morris (1969), em relatório de estudo desenvolvido na Inglaterra, com o objetivo de identificar a amplitude e a qualidade do atendimento institucional disponível para os deficientes mentais naquele país, reconheceu que embora se detectassem mudanças na filosofia do tratamento, os resultados das pesquisas “indicavam claramente que estas não eram acompanhadas por mudanças correspondentes, nos serviços disponíveis para esses pacientes” (p. 309). Os resultados obtidos indicavam a existência de condições decadentes dos prédios, o uso de roupas comunitárias, a falta de incentivo e mesmo de permissão para a manutenção de objetos pessoais, dados limitados e não fidedignos sobre os pacientes, muito pouca estimulação e treinamento, o que leva a pessoa a uma dependência infantil, o tratamento em massa, a falta de pessoal especializado, o isolamento da comunidade e a prática da criação de regras e regulamentações vindas de cima para baixo – feitas por pessoas que não se encontravam cientes das reais necessidades dos pacientes.

Além de estudos mais antigos indicarem conseqüências negativas da Institucionalização (Skeels & Dye, 1939; Kirk, 1958), Heber (1964) descreveu distúrbios de personalidade (processo de construção de doença mental) também encontrados por Rosen, Floor e Baxter (1972) em indivíduos com deficiência mental institucionalizados. Dentre os distúrbios descritos observou-se baixa auto-estima, ausência de motivação para a vida, desamparo aprendido e distúrbios sexuais.

Valerie J. Bradley, em 1978, apresentava a desinstitucionalização como um movimento que havia se iniciado, na realidade, há muito tempo, tendo envolvido passos e etapas diferentes, os quais se congregaram em seu encaminhamento:

1. A melhoria do sistema de recursos e serviços da comunidade;

2. A exigência dos consumidores pelo acesso a esses recursos e serviços;

3. O início do uso de antibióticos, que reduziu o índice de mortalidade nas instituições;

4. A resultante sobrecarga de pessoas institucionalizadas exigia que ou se construíssem novas instituições, ou se criassem novas alternativas comunitárias.

Vê-se, portanto, que o questionamento e a pressão contrária à institucionalização vinha, naquela época, de diferentes direções, determinados também por interesses diversos; primeiramente, tinha-se o interesse do sistema, ao qual custava cada vez mais manter a população institucionalizada na improdutividade e na condição de segregação; assim, interessava para o sistema político-econômico o discurso da autonomia e da produtividade; tinha-se, por outro lado, o processo geral de reflexão e de crítica (sobre direitos humanos e mais especificamente sobre o direito das minorias, sobre a liberdade sexual, os sistemas de organização político-econômica e seus efeitos na construção das sociedades e da subjetividade humana), que no momento permeava a vida nas sociedades ocidentais; somando-se a estes, tinha-se ainda a crescente manifestação de duras críticas, por parte da academia científica e de diferentes categorias profissionais, ao paradigma da Institucionalização.

Tais processos, embora diversos quanto a sua natureza e motivação vieram a convergir, determinando, em seu conjunto, a reformulação de idéias e a busca de novas práticas no trato da deficiência.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Seminário "A Inclusão da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na Educação para o Trânsito"

A ONU calcula que no mundo existem cerca de 600 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. No Brasil, de acordo com o Censo-2000, temos 14,5% da população com deficiência, o que daria hoje quase 27 milhões de pessoas. Na cidade de São Paulo, segundo estimativas, temos pouco mais de 1milhão de pessoas com algum tipo de deficiência.

Em 3 de dezembro, a CET, por intermédio do Centro de Treinamento e Educação de Trânsito – CETET, lançará o curso “INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA E MOBILIDADE REDUZIDA NA EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO”, na modalidade de Ensino a Distância, destinado a técnicos de trânsito, profissionais da área de saúde, cuidadores, universitários, professores, áreas de RH de empresas e outras pessoas interessadas.

Neste mesmo dia em que haverá o lançamento do curso, comemora-se em todos os países o “Dia Internacional da Pessoa com Deficiência”, data criada pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e do bem estar das pessoas.

Data: 03/12/2010

Horário: 8h30m às 17h30m

Público convidado: técnicos de trânsito, educadores, profissionais da área da saúde, cuidadores, universitários, áreas de RH de empresas e interessados no assunto

Local: CAPE - COREN - Rua Dona Veridiana, 298 – Santa Cecília

Centro de Aprimoramento Profissional de Enfermagem - CAPE

Conselho Regional de Enfermagem - COREN

Informações: ead@cetsp.com.br

Programa:

8h30m Recepção: Café e credenciamento de convidados

9h Abertura: Diretoria da CET e da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida

9h30m “Histórico da inclusão na Companhia de Engenharia de Tráfego – CET -SP” – Ariovaldo Vieira da Silva, advogado e sociólogo, gestor em educação pela CET-SP, empresa em que trabalha desde 1987. Estuda a temática inclusão há mais de 20 anos, sendo autor da elaboração e organização do curso Inclusão da Pessoa com Deficiência na Educação para o Trânsito. Atualmente dissemina a temática em site e auxilia professores e educadores a aceitarem o tema inclusão como desafio.

10h30m “Acessibilidade nas Calçadas: Programa Passeio Livre” – Elisa Prado de Assis, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, pós-graduada em Tecnologia de Edificações para Engenheiros e Arquitetos, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) e mestranda pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (FAU-USP), com o tema "Acessibilidade nos bens culturais imóveis: possibilidades e limites nos museus e centros culturais". Atualmente trabalha na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura Municipal de São Paulo, onde ministram o “Curso de Educação Continuada e Capacitação em Acessibilidade”, além de participarem de outros projetos internos e grupos de trabalho, que visam a inclusão e a acessibilidade.

11h “A Importância da Inclusão na Mídia” – Cláudia Cotes – Cláudia Cotes é fonoaudióloga, doutora em linguística, professora de português, escritora e presidente da ONG Vez da Voz, que luta pela inclusão da pessoa com deficiência. É especialista em Voz, com mestrado e doutorado voltados para Mídia Televisiva. Assessora repórteres há 12 anos, e acredita que o principal papel da mídia é informar. Por isso, criou o Telelibras, o primeiro telejornal inclusivo do país. Foi finalista do prêmio Empreendedor Social da Folha de São Paulo/2009. Mais em http://www.claudiacotes.com.br/

12h “A inclusão da Criança com Deficiência no Ensino Regular” – Lia Crespo – jornalista formada na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Em 2000, conquistou o grau de mestre em Ciências da Comunicação (ECA/USP), com a dissertação "A imagem das pessoas com deficiência na mídia impressa". Em 2010, concluiu o doutorado em História da USP, onde pesquisa o movimento social das pessoas com deficiência em defesa de seus direitos, do qual participa ativamente, desde 1980. Autora do livro infantil Júlia e seus amigos, editado pela Nova Alexandria, cujo objetivo é ajudar pais e filhos, professores e alunos, a abordar o tema da deficiência e da educação inclusiva

13h Intervalo para almoço

14h30m “Anemia Falciforme e Acessibilidade” – Berenice Assumpção KiKuchi –Mestre em educação, enfermeira de saúde pública, pesquisadora em doença falciforme e diretora técnica da AAFESP

15h30m “O Acidente de Trânsito, traumas, sequelas e conseqüências para a Família” Patrícia Baptista Figurelli – Supervisora do setor de Psscologia Adulto da AACD, Psicóloga referência da Clínica de Lesão Medular, título de especialização em Psicossomática pela Universidade de Ribeirão Preto(UNAERP)

16h30m Apresentação do curso Inclusão da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na Educação para o Trânsito – Deisy Paula da Silva Sardinha Gabriel – Pedagoga e educadora do CETET

Inscrições acessem o link http://cetsp1.cetsp.com.br/ead/preseminario.aspx

Turismo em Brasília é pouco favorável a idosos e pessoas com deficiência

Conclusão é da pesquisadora Trinidad Dominguez, que vai dar aulas sobre Turismo para Idosos e Deficientes e atuar em um projeto visando a melhoria da cidade para 2014.

Publicada em 12 de novembro de 2010 - 10:15


Embora nova e projetada, Brasília tem carência gritante de acesso público em geral para idosos e pessoas com deficiência, mas o mais grave é não ter sido uma cidade pensada para pedestres. A ponderação é da pesquisadora Trinidad Dominguez, professora da Universidade de Vigo (Galícia, Espanha) que, convidada do CET/UnB (Centro de Excelência em Turismo da Universidade de Brasília), vai dar aulas sobre Turismo para Idosos e Deficientes e atuar em um projeto visando a melhoria da cidade para 2014.

“É um trabalho importante e necessário para o momento olímpico”, afirma a pesquisadora, que ao longo de um ano pretende investigar as carências da cidade e sugerir as adequações e mudanças necessárias aos dirigentes de empresas e órgãos públicos. Segundo ela, é preciso ver como Brasília poderá se adaptar para permitir o acesso desses dois públicos a transportes, sinalização, banheiros, portas e outras necessidades que, em apenas uma semana de vivência, ela flagrou no Plano Piloto.

Doutora em Turismo Acessível, Trinidad Dominguez conta que decidiu vir para o Brasil quando tomou conhecimento da temática de atuação do CET/UnB, de acentuado cunho social e pouco econômico. É o contrário do que ocorre na Espanha, onde o turismo é de suma importância para a economia, segundo enfatiza, por ser o terceiro país do mundo a receber o maior contingente de turistas (França e Itália ocupam respectivamente o 1º e o 2º lugar nessa estatística).

“Fiz meu doutorado na Espanha, mas gostaria de estudar o tema aqui, porque o Brasil é uma potência mundial econômica em expansão e o turismo é um aspecto importante nesse âmbito”, explica-se a pesquisadora de 28 anos. Ela conta que, na Espanha, os dois segmentos são significativos para o contexto econômico, porque os aposentados de hoje adoram viajar, como também os deficientes, que além do salário recebem uma pensão complementar do governo.

Trinidad Dominguez explica que, lá, após o levantamento das informações, os pesquisadores da área elaboram relatórios e apresentam sugestões de melhoria dos acessos pra os dois públicos. “E os ministérios aplicam no que é possível”, afirma. Esse trabalho tem interface com História e Antropologia, Arquitetura e Urbanismo, Informática e Cultura, e ela afirma apostar na equipe do CET, que qualifica de bom nível multidisciplinar, assim como na capacidade de influência da Universidade, para desenvolvê-lo em Brasília.

“Estou gostando da cidade, tão diferente e com arquitetura tão espetacular, e ‘curti’ muito o CET. O espaço é lindo, as pessoas são amáveis, é perfeito”, elogia, ao anunciar que sua pesquisa vai favorecer o intercâmbio entre os colegas do campus de Ourense da Universidade de Vigo e os da UnB.

Fonte: http://turismoadaptado.wordpress.com/

Conceito de Plano Individualizado de Educação

Ensinamentos do prof. Romeu Sassaki
O Plano Individualizado de Educação (PIE) é um compromisso individualizado sobre a disponibilização de serviços que atendam às necessidades especiais dos alunos, escrito conjuntamente por professores, outros profissionais da escola e pais. Uma das primeiras atividades do planejamento das aulas consiste em desenvolvermos um PIE para cada aluno com necessidades especiais.

Propósitos e funções do PIE

Segundo Bauer & Shea (1999, p. 30 e 72-73), o PIE oferece a base para se planejar o ensino. O processo de planejamento do PIE requer que as pessoas responsáveis pela educação do aluno se envolvam em duas atividades: 1) uma reunião durante a qual os pais e o pessoal da escola juntos determinam o programa educacional do aluno, e 2) preenchimento do PIE, que se torna um registro escrito sobre a reunião. O Centro Nacional de Informação para Crianças e Adolescentes com Deficiência - NICHCY (1990) descreve diversos propósitos e funções do PIE:

• O PIE é um meio de comunicação, que possibilita, aos pais e ao pessoal da escola anotarem conjuntamente (como parceiros iguais), as inteligências, as necessidades e as metas dos alunos, os serviços e recursos que lhes serão providos para atender àquelas necessidades e os resultados esperados.

• O PIE propicia uma oportunidade para resolver as diferenças que possam existir entre os pais do aluno e a escola.

• O PIE acolhe por escrito o compromisso de prover os recursos necessários que assegurem para o aluno o recebimento dos serviços especiais.

• O PIE é um instrumento de gestão que assegura aos alunos os serviços especiais que necessitarem.

• O PIE é um documento de monitoramento utilizado por pessoas autorizadas de vários órgãos governamentais para determinar se os alunos estão recebendo educação pública, adequada e gratuita, a respeito da qual os pais e a escola concordaram.

• O PIE serve como um dispositivo de avaliação para determinar a extensão do progresso dos alunos em direção aos resultados projetados (metas).

Justificativa do PIE - por que utilizá-lo?

O Plano Individualizado de Educação deve ser disponibilizado pela escola a todos os alunos com necessidades educacionais especiais a fim de garantir o sucesso deles no mesmo espaço escolar em que os demais alunos estejam estudando.

Tal imperativo é uma consequência natural do fato de que, no cenário das escolas voltadas à diversidade humana com todas as suas diferenças individuais, o novo alunado se caracteriza pela agregação de pessoas que até então estavam excluídas. A presença desse novo tipo de aluno, que tem o mesmo direito de acesso à educação que outros alunos já usufruíam, determina a disponibilização do PIE.

A partir da diretriz explicitada no art. 2º da Resolução nº 2, do Conselho Nacional de Educação (“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos”), entende-se que nenhuma escola poderá recusar a matrícula de crianças, adolescentes e jovens.

Esta diretriz já existia legalmente desde 1989 (Lei nº 7.853, 24/10/89, art. 8º, inc. I), regulamentada pelo Decreto nº 3.298, 20/12/99, conforme segue:

“Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa:

I - recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta”.

Este dispositivo constitui uma aplicação da filosofia da exclusão zero, disseminada mundialmente a partir da segunda metade da década de 80.

Inicialmente, a exclusão zero (ou rejeição zero) consistia em não excluir uma pessoa, para qualquer finalidade ― por exemplo: emprego, terapia ou educação ― com base no fato de que ela possuía uma deficiência ou por causa do grau de severidade dessa deficiência (Alonso & Río [1991?] in Sassaki, 2002. p. 50). Mais tarde, o conceito passou a abranger as necessidades especiais, independentemente de suas causas, tais como: uma deficiência, uma situação social marginalizante ou excludente.

As necessidades especiais, no campo da educação, são aquelas decorrentes das seguintes três situações (art. 5º da citada Resolução):

“I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos: a) aquelas não-vinculadas a uma causa orgânica; b) aquelas relacionadas a condições, disfunções ou deficiências;

II - dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis;

III - altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes”.

O espírito do PIE está subentendido no enunciado do art. 4º da já referida Resolução CNE/CEB nº 2:

“Como modalidade da Educação Básica, a educação especial considerará as situações singulares, os perfis dos estudantes, as características biopsicossociais dos alunos e suas faixas etárias e se pautará em princípios éticos, políticos e estéticos de modo a assegurar:

I - a dignidade humana e a observância do direito de cada aluno de realizar seus projetos de estudo, de trabalho e de inserção na vida social;

II - a busca da identidade própria de cada educando, o reconhecimento e a valorização das suas diferenças e potencialidades, bem como de suas necessidades educacionais especiais no processo de ensino e aprendizagem, como base para a constituição e ampliação de valores, atitudes, conhecimentos, habilidades e competências;
III - o desenvolvimento para o exercício da cidadania, da capacidade de participação social, política e econômica e sua ampliação, mediante o cumprimento de seus deveres e o usufruto de seus direitos”.

Degraus desafiam deputados cadeirantes

Jornal Folha de São Paulo

Rampas íngremes e escadas impedirão que recém-eleitos subam à tribuna e integrem Mesa Diretora da Câmara

Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal e Walter Tosta cobram livre circulação; Senado, STF e Planalto também têm problemas

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
JAIRO MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Eleitos como os 510 colegas, Mara Gabrilli (PSDB-SP), Rosinha da Adefal (PT do B-AL) e Walter Tosta (PMN-MG) começarão seus mandatos de deputados com duas graves desvantagens: não poderão subir à tribuna para discursar e não poderão integrar a Mesa Diretora (que comanda sessões no plenário).

Cinco degraus os separam da tribuna, outros quatro os levariam à Mesa. Os três deputados são cadeirantes, e a distância é intransponível.
A eleição deles tem ineditismos. Gabrilli é a primeira deputada tetraplégica e, em conjunto com os dois colegas, forma o grupo mais numeroso de deputados dependentes de uma cadeira de rodas na mesma legislatura -segundo o programa de acessibilidade da Câmara.
De mudança para a cidade, os três vão encontrar inúmeros obstáculos à livre circulação, incluindo na lista os prédios públicos federais.

A Folha visitou a Câmara, o Senado, o Palácio do Planalto, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o MEC (Ministério da Educação), com o objetivo de mapear a acessibilidade dos locais por onde passarão os eleitos.

Na Câmara, os problemas são mais numerosos. Rampas íngremes impedirão que o deputado circule com autonomia entre o plenário e as comissões. A situação é tal que um cadeirante não vai, sozinho, do plenário à reunião interna da Comissão de Direitos Humanos.
O principal obstáculo, e o mais simbólico, é a impossibilidade de o cadeirante subir à tribuna ou compor a Mesa, pois o acesso é feito por lances de escada.

A situação é "um atraso", na opinião do eleito Tosta. "Até por saber que já tivemos outros deputados paraplégicos. É discriminação."

SÓ NO PAPEL

O projeto para construir uma rampa, em elaboração desde 2006, só poderá ser implementado em 2011.
Segundo Adriana Jannuzzi, coordenadora do programa de acessibilidade da Casa, a obra levará ao menos 40 dias. Com a posse da presidente eleita Dilma Rousseff em janeiro e a dos deputados em fevereiro, não há tempo para a reforma neste ano.

Entrosados, Gabrilli, Tosta e Rosinha cobram alteração na estrutura da Casa.

Gabrilli quer uma solução até fevereiro. "Como posso fazer um discurso exigindo acessibilidade se onde vou estar não tem?", questiona.

"Vamos ter que dar um jeito, mesmo que colocando um compensado", diz Rosinha.
Jannuzzi diz que a obra não foi feita por motivos variados, inclusive políticos.

Segundo ela, se o projeto apresentado por Gabrilli for factível, não ferir o tombamento, não for excessivamente caro e se houver tempo para licitá-lo, poderá ser implementado. Caso contrário, ficará para depois.

Gabrilli quer que seja criado um mecanismo para que ela possa votar no plenário -como o software que usa na Câmara Municipal de São Paulo, onde é vereadora.
Nas sessões, ela movimenta o mouse na tela do painel eletrônico com os olhos. Ao piscar, seleciona as opções "sim", "não" e "abstenção".

No STF e no Senado, há uma estrutura mais acessível que a da Câmara às pessoas com deficiência -mas ainda existem problemas.

No Senado, o elevador que leva às galerias -de onde o público assiste à sessão- está quebrado há um ano.
No STF, o púlpito de onde advogados falam é alto e tem degrau; segundo o tribunal, será reformado em janeiro.

No Planalto, a espessura dos carpetes dificulta a circulação. Os banheiros acessíveis são identificados com expressão em desuso.

A Presidência disse que analisará o problema com o carpete e, se necessário, trocará a nomenclatura dos banheiros. No MEC, os banheiros não são acessíveis em todos os andares.

Folha de São Paulo

DEPOIMENTO

Só com jeitinho eleitos conseguirão ter direito de ir e vir, como diz Constituição
JAIRO MARQUES
ENVIADO ESPECIAL A BRASÍLIA

Percorrer os corredores da Câmara dos Deputados não é uma tarefa fácil. Ainda mais para um cadeirante. São quilômetros de carpete, que fazem a cadeira de rodas grudar no chão -ou reduzem o tempo de vida de bateria das equipadas com motor.

No prédio do STF, não é muito diferente. O desafio, no caso, são os degraus que levam ao centro da "arena", onde acontecem os debates mais importantes do país.

No Palácio do Planalto, nem os próprios seguranças que me acompanharam no terceiro e quarto andares acharam um banheiro que atendesse a um cadeirante.

Nos três Poderes, certamente os três deputados cadeirantes eleitos passarão pelos transtornos que enfrentei num dia de test-drive.

Percebi não faltar iniciativas para tentar dar acesso às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Mas se esquecem da sinalização para cegos, por exemplo.
Os pecados, muitas vezes, estão nos detalhes, pois nem sempre a rampa acaba com o problema dos degraus se ela for íngreme demais. Um banheiro com a porta mais larga ajudaria muito a se exercer o direito de fazer xixi.

E o ato, em si, não acabará bem se, depois, não houver condições de lavar as mãos. É dignidade pela metade.

Em meu "passeio", ouvi que a preocupação em "não mexer" no patrimônio histórico é a justificativa para a não acessibilidade em alguns pontos, como o piso de pedrinhas no Planalto, que faz a cadeira saltar como se estivesse num rodeio.
Na Europa, então, estão todos malucos, pois prédios mais antigos que os do Brasil são adaptados para priorizar o ser humano. A engenharia, a arquitetura e a tecnologia estão aí para encontrar soluções para o acesso de todos.

Com um "jeitinho" e uma camaradagem -vencer escadas indo no colo de seguranças, talvez?-, os três novos deputados devem conseguir superar os obstáculos de ir e vir, como diz a Constituição.
Outro desafio será superar o olhar de "coitadinho" lançado por colegas, funcionários e visitantes. Vão conseguir. Afinal, foram eleitos para representar a população.

Em tempo: o Planalto, após minha visita, afirmou que há, sim, banheiro para cadeirantes no terceiro e quarto andares. Agora, só falta avisar os seguranças.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sem barreiras.avi

PARADIGMAS DA RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Estou estudanto texto do título acima da mestranda Maria Salete Fábio Aranha UNESP-Marília, ele é muito interessante e pertinente. Vou dividi-lo em três partes e vou postá-lo aqui, assim posso compartilhar o conhecimento:


A palavra “inclusão” invadiu o discurso nacional recentemente, passando a ser usada amplamente, em diferentes contextos e mesmo com diferentes significados. Este fato, ao invés de favorecer a compreensão sobre o processo a que a palavra se refere, tem feito
dela um simples modismo, uso muitas vezes superficial de um rótulo, vazio de significação social.

Entretanto, não se pode ignorar o longo e importante processo histórico que a produziu, configurado numa luta constante de diferentes minorias, na busca de defesa e garantia de seus direitos enquanto seres humanos e cidadãos. Ignorar tal processo implica na perda de compreensão de seu sentido e significado.

Tendo então por objetivo favorecer a compreensão desse processo e estimular a reflexão e a discussão social a seu respeito, faz-se necessário que se focalize o conjunto de mudanças de idéias que permeou sua história.

A relação da sociedade com a parcela da população constituída pelas pessoas com deficiência tem se modificado no decorrer dos tempos, tanto no que se refere aos pressupostos filosóficos que a determinam e permeiam, como no conjunto de práticas nas quais ela se objetiva.

Ao se buscar dados sobre o tipo de tratamento dado às pessoas com deficiência na Idade Antiga e na Idade Média, descobre-se que muito pouco se sabe, na verdade. A maior parte das informações provem de passagens encontradas na literatura grega e romana, na Bíblia, no Talmud e no Corão. Encontra-se, por exemplo, uma recomendação feita por Mohammed, no quarto verso do quarto sura, encorajando que se alimente e se abrigue “aqueles desprovidos da razão”, tratando-os com amabilidade (Aranha, 1979).

Na Esparta, os imaturos, os fracos e os defeituosos eram propositalmente eliminados. Consta que os romanos descartavam-se de crianças deformadas e indesejadas...em esgotos localizados, ironicamente, no lado externo do Templo da Piedade”. A busca de
compreensão sobre tais procedimentos exige que estes sejam olhados no contexto da organização sócio-política-econômica então vigente na sociedade. As sociedades ocidentais, na Antigüidade, fundamentavam-se economicamente em atividades de agricultura, pecuária e artesanato. Estas, eram executadas pelo povo, massa populacional que não detinha qualquer poder político, econômico e social. Apesar de responsáveis pela produção e sobrevivência da sociedade, os homens do povo eram bens de posse e uso da nobreza, a quem pertenciam, serviam e obedeciam e por quem eram considerados sub-humanos. Assim, a sociedade contava com dois agrupamentos sociais: a nobreza – senhores que detinham o poder social, político e econômico e os serviçais, servos ou escravos, considerados sub-humanos, dependentes economicamente. Nesse contexto, a vida humana só tinha algum valor enquanto valorada pela nobreza, em função da utilidade que tivesse para a realização de seus desejos e a satisfação de suas necessidades. Multidões de pessoas a perdiam, por exemplo, na execução das grandes construções, como a das pirâmides. Estas vidas, no caso, valiam menos que o projeto, fosse ele de motivação religiosa, política, social ou gosto pessoal. Da mesma forma, muitos outros tinham sua vida obrigatoriamente envolvida em lutas de defesa ou de conquista, pela nobreza. Assim observa-se, na Idade Antiga, a prática de uma organização sócio-política fundamentada no poder absoluto de uma minoria numérica, associada à absoluta exclusão da maioria das instâncias decisórias e administrativas da vida em sociedade. A pessoa com deficiência, nesse contexto, como qualquer outra pessoa do povo, também parecia não ter importância enquanto ser humano, já que sua exterminação (abandono ou exposição) não demonstrava ser problema ético ou moral.

Kanner (1964) relatou que “a única ocupação para os retardados mentais encontrada na literatura antiga é a de bobo ou de palhaço, para a diversão dos senhores e seus hóspedes” (p. 5).

Com o advento do cristianismo, a situação se modificou, pois todos passaram a ser igualmente considerados filhos de Deus, possuidores de uma alma e portanto merecedores do respeito à vida e a um tratamento caridoso.

A Bíblia traz referências ao cego, ao manco e ao leproso – a maioria dos quais sendo pedintes ou rejeitados pela comunidade, seja pelo medo da doença, seja porque se pensava que Deus estava punindo os doentes.

A síntese de tais informações, entretanto, vai pouco além do fato de que a existência das pessoas hoje chamadas com deficiência era registrada e conhecida. Ela nos diz que a abordagem ao diferente variava de grupo a grupo. Alguns, matavam-nos; outros, advogavam a convivência amigável; outros ainda, puniam-nos por considerarem a doença, a fraqueza e a deficiência resultantes de possessão demoníaca, sendo a punição a única forma de se livrar do pecado, da possessão e de se reparar os pecados. Assim, observa-se que sua desimportância no contexto da organização sócio-político-econômica associava-se ao conjunto de crenças religiosas e metafísicas, na determinação do tipo de relação que a sociedade mantinha com o
diferente.

Não há qualquer evidência de esforços específicos ou organizados para se providenciar seu abrigo, proteção, tratamento e/ou capacitação.

Na Idade Média, o sistema de produção continuou o mesmo da Antigüidade, fundamentado em atividades de pecuária, artesanato e agricultura. A grande diferença passou a residir no fato de que o cristianismo veio provocar a formação de uma nova classe social, constituída pelos membros do clero. Estes, guardiões do conhecimento e dominadores das relações sociais, foram assumindo cada vez maior poder social, político e econômico, provenientes do poder maior que detinham, de excomungar (vedando, assim, a entrada aos céus) aqueles que, por razões mais ou menos honestas,
os desagradassem. Assim, conquistaram o domínio velado das ações da nobreza, através da qual comandavam a sociedade. Cabia ainda ao povo (servos) o trabalho, seja na produção de bens e serviços, na constituição de exércitos, como no enriquecimento do clero e da nobreza, sem a prerrogativa de participação nos processos decisórios e administrativos da sociedade.

Aparentemente, pessoas com deficiências físicas e/ou mentais eram ignoradas à sua sorte, buscando a sobrevivência na caridade humana.

Devido a essa organização da sociedade sucederam-se, nesse período, dois importantes processos, decisivos na história da humanidade: a Inquisição Católica e a conseqüente Reforma Protestante. Manifestações populares em toda a Europa, aliadas a manifestações dentro da própria Igreja começaram a questionar o abuso do poder e as inconsistências entre credo e ação, desvelados nas determinações e ações do clero. Tal processo se ampliou de tal forma, que passou a colocar em risco a hegemonia do poder da Igreja. Na tentativa de se proteger de tal insatisfação e manifestações, esta inicia, em nome de Deus, um dos períodos mais negros da história da humanidade: o da caça e exterminação dos que passou a chamar de hereges e “endemoniados”. Cartas papais
(Pessoti, 1984) orientavam como tais pessoas podiam ser identificadas, bem como determinavam como deviam ser tratadas. A estes, se recomendava uma “ardilosa inquisição, para obtenção de confissão de heresia”, torturas, açoites, outras punições severas, até a fogueira.

A indignação perante tal processo provocou a cisão dentro da própria Igreja. Martinho Lutero liderando os membros do clero que rejeitavam tal situação e pretendiam uma nova ordem, então sob seu controle e poder, iniciou uma nova igreja, caracterizada por atitudes opostas: uma marcante rigidez ética, religiosa e moral, aliada à mais absoluta intolerância ao desvio, o qual era carregado com a noção de culpa e de responsabilidade pessoal. Conquanto poder-se-ia esperar alguma modificação mais substancial nas relações da sociedade com a deficiência, tal fato não se deu. Segundo o próprio Lutero, “o homem é o próprio mal quando lhe faleça a razão ou lhe falte a graça celeste a iluminar-lhe o intelecto; assim, dementes e amentes são, em essência, seres diabólicos”, considerando a pessoa com deficiência e a pessoa doente mental seres pecadores, condenados por Deus. As ações consequentemente recomendadas eram o castigo, através de aprisionamento e açoitamento, para expulsão do demônio. (Pessoti, 1984)

Na realidade, a partir da Reforma Protestante dois sistemas político-religiosos passaram a coexistir e concorrer, dominando, por muito tempo, o direcionamento da história da humanidade (grandes navegações, descobrimentos, repartição de áreas geográficas, colonizações). Ambos concebiam a deficiência como fenômenos metafísicos, de natureza negativa, ligados à rejeição de Deus, através do pecado, ou á possessão demoníaca.

domingo, 14 de novembro de 2010

Os benefícios da equoterapia para as pessoas com deficiência

Esta terapia que utiliza o cavalo como ferramenta promove ganhos motores e psicológicos.

Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre http://www.vidamaislivre.com.br/

Sem precisar de qualquer pesquisa científica, é fácil apontar alguns dos inúmeros benefícios de ter um animal de estimação ou mesmo estar próximo deles. Ah! vale dizer que é preciso gostar de animais. No entanto, o que poucos sabem, é que os bichos também podem ser protagonistas de terapias de reabilitação de pessoas com deficiência. Instituições e profissionais que trabalham com este tipo de terapia relatam excelentes resultados.

Uma das terapias que fazem uso de animais é a equoterapia, que como o próprio nome diz, trabalha com cavalos. Ela une as técnicas de equitação e atividades equestres com a finalidade de reabilitar e educar as pessoas com deficiência. “Os principais ganhos são os motores e os psicológicos”, explica Liana Pires Santos, psicopedagoga do Gati (Grupo de Abordagem Terapêutica integrada). Jorge Matsuda, especialista em educação e vice-diretor do Centro Básico de Equoterapia General Carracho (CBEGC-DF), da Ande (Associação Nacional de Equoterapia), também é da mesma opinião: “o passo do cavalo estimula o deslocamento do corpo no espaço e, com isso, exercita o equilíbrio, a coordenação, o tônus muscular e a postura. Além disso, possibilita ganhos psicológicos, aumentando a autoestima e a autoconfiança”, explica. Isso ocorre porque o animal torna-se um amigo digno de total confiança, que ajuda com suas pernas e patas para a melhora dos pacientes.

“Durante toda a sessão, os terapeutas também ajudam a estimular a fala, a linguagem, o tato, a lateralidade, cor, organização e orientação espacial e temporal, memória, percepção visual e auditiva, direção, análise e síntese, raciocínio, e vários outros aspectos”, explica Jorge Matsuda. Na esfera social, a equoterapia ainda é capaz de diminuir a agressividade, tornar o paciente mais sociável, diminuir antipatias, construir amizades e treinar padrões de comportamento como: ajudar e ser ajudado, diminuir e aceitar regras, encaixar as exigências do próprio indivíduo com as necessidades do grupo, aceitar as próprias limitações e as limitações do outro.

Apesar de ser uma terapia bastante recomendada, ela tem restrições ou contra-indicações, como quase tudo nessa vida. Por isso, é imprescindível que o paciente passe por uma avaliação médica que ateste as condições e também é recomendada uma análise psicológica e fisioterápica do futuro praticante. “Também não costumo recomendar a equoterapia para pessoas com alergias aos animais e com restrições ortopédicas”, explica Liana.

Antes de começar o tratamento em si, Jorge Matsuda ainda recomenda que o paciente seja estudado por uma equipe interdisciplinar composta por profissionais das áreas de educação, saúde e equitação, quais sejam: pedagogos, professores de educação física, de ensino especial, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos, profissionais de equitação habilitado em Equoterapia e outros. O praticante é avaliado pela equipe e a partir disso é elaborado um programa especial e definido os seus objetivos.

Normalmente, as sessões são individuais e têm a duração média de 30 minutos cada. O tratamento em equoterapia dura em média dois anos no Centro Básico de Equoterapia General Carracho (CBEGC-DF), podendo ser reduzido ou dilatado em função do diagnóstico, da característica de cada praticante, do desenvolvimento do trabalho terapêutico e outros fatores intervenientes. Outra característica importante é que, para poder atuar no tratamento das pessoas com deficiência, os cavalos são selecionados e separados segundo uma série de características físicas e psicológicas e necessitam ser constantemente trabalhados e adaptados para a equoterapia.

Segundo profissionais da área, a equoterapia é indicada para o tratamento dos mais diversos tipos de comprometimentos motores, como paralisia cerebral, problemas neurológicos, ortopédicos, posturais; comprometimentos mentais, como a Síndrome de Down, comprometimentos sociais, tais como: distúrbios de comportamento, autismo, esquizofrenia, psicoses; comprometimentos emocionais, deficiência visual, deficiência auditiva, problemas escolares, tais como distúrbio de atenção, percepção, fala, linguagem, hiperatividade, e pessoas "saudáveis" que tenham problemas de posturas, insônia, stress.

Heitor Borella, que nasceu com paralisia cerebral, praticou equoterapia com a psicopedagoga Liana durante dois anos – de 2003 a 2005. “Só parei porque um médico orientou que eu parasse porque eu estava ficando corcunda e a terapia poderia prejudicar ainda mais”, explica o rapaz que hoje tem 19 anos, estuda jornalismo (quarto semestre) e é assistente administrativo da área de seguros do Itaú Unibanco.

Ele considera esse tratamento fundamental para a vida das pessoas com deficiência. “Essa prática mexe com todos os movimentos da pessoa. Traz benefícios enormes para a coluna e para as pernas. Fora isso, é ótimo para a parte psicológica, pois a oportunidade de ter contato direto com os animais acaba refletindo no psicológico. Ao fazer a terapia, percebi grande melhora no meu humor, na vontade de fazer as coisas e no ritmo de vida”, relata Heitor.

O jovem também recomenda que o paciente saiba esperar um pouco, pois os resultados não aparecem logo nas primeiras sessões. “Mas eu já vi caso de uma pessoa que não conseguia ficar sobre o cavalo e logo foi progredindo. Achei espetacular”, lembra. Ele também conta que descobriu essa terapia graças à Liana, que já foi a sua psicopedagoga. Ela começou a trabalhar com a equoterapia por volta do ano 2000, e ele se interessou pelo novo trabalho da Liana. “Demorei três anos para convencer a minha mãe”, conta. Para finalizar, uma dica de Liana: “Ter um animal em casa já ajuda muito. Além disso, está comprovado que ter um animal tira a pessoa do sedentarismo e traz benefícios para a rotina de vida e responsabilidades”, explica.

MINHA HISTÓRIA, KÊNIA RIO, 45

Depoimento de Kênia Rio, anã, ao jornal Folha de São Paulo, deste domingo:

GRANDE CAUSA
Muita gente acha que anão é coisa de conto de fadas Se fizeram adaptações para cadeirante e cego, por que não para anões?

RESUMO
A anã Kênia Rio mede 1,23 m e é presidente da Associação de Nanismo do Rio, que reúne mais de 300 anões. Ela faz palestras pelo país e já esteve até com o presidente Lula. Kênia fala da luta para vencer o preconceito e propõe um tratamento mais politicamente correto para os anões no país.

(...)Depoimento a

MARCELO BORTOLOTI
DO RIO

Meu pai era anão. Foi o primeiro da família com o problema, já que meus avós e tios eram altos. Quando se casou com uma mulher de estatura normal, teve três filhos, todos anões. Dizem que se o pai ou a mãe tem nanismo, há 50% de chance de o filho ter o mesmo problema.
A matemática nem sempre funciona. Infelizmente temos poucos médicos que estudam isto. Eu e meus dois irmãos nos casamos com pessoas de estatura alta. Os três filhos que tivemos nasceram com nanismo. Nossa família está na terceira geração.
Nem sempre é fácil para um anão lidar com sua deficiência. Só fui lidar melhor com isso adulta. Aos 22, grávida, fiquei apreensiva e torcia para que meu filho não fosse anão. Mas o medo também era imaturidade.
Hoje meu filho está aí, bem empregado e faz faculdade de direito. Se tivesse 20 filhos anões não teria problema nenhum. Sempre digo que ele precisa ser o melhor. Se ele for o melhor, ou chegar próximo disso, terá mais oportunidades de escolhas profissionais e de relacionamento.

CONQUISTAS AMOROSAS

A adolescência é a fase mais difícil. Você ouve muito "não". Eu estudei num colégio onde tinha amigas lindas e maravilhosas que namoravam e eu não. Esse não é só o meu caso, é o de milhões.
Logo cedo percebi que deveria ser uma pessoa mais inteligente porque a conquista se daria pelo lado intelectual, e não pela beleza. Eu nunca fui conquistada, conquistei.
Nunca foi amor à primeira vista. Você chegar para um homem de estatura alta e convencê-lo que é normal andar com uma anã é difícil. Às vezes ele até aceita, mas não basta. Meu marido, aliás, meus três maridos, porque fui casada três vezes, sofreram preconceitos terríveis.
O ser humano é cruel. Ele ridiculariza, faz piadas.
Às vezes me perguntam por que eu não quis me casar com uma pessoa baixa, com um anão. É porque na minha época eu não via. Hoje eu vejo mais anões pelas ruas.

ASSOCIAÇÃO DE ANÕES

Quando me formei em direito, não havia cotas para deficientes nas empresas. E ninguém queria trabalhar com uma anã. Fiz várias entrevistas e fui rejeitada de cara. Percebi que o que me restava era ser operária do direito. É o que faço há 21 anos.
Hoje tenho escritório próprio e dirijo a associação dos anões do Rio. Existe outra associação em São Paulo e uma está sendo criada no Ceará.
No Rio, eu promovo encontros para irmos em grupo ao cinema, fazemos festas juninas... Claro que a gente tem que evitar determinados ambientes, porque a sociedade não está preparada. Você não vai levar um grupo de anões para um baile funk.
A maior parte das pessoas ainda acha que todos os anões trabalham em circo. Mas muitos estão em grandes empresas. A associação recebe telefonemas de empresas bacanas querendo contratar.
Faço palestras pelo Brasil para desmistificar a questão. Só que existem coisas na televisão, como aquela história do "Pedala Robinho", do programa "Pânico na TV", em que o sujeito dá um tapa na cabeça do anão. Leva a coisa para a brincadeira e atrapalha o nosso trabalho.
Muitas crianças anãs começaram a receber tapas na cabeça no colégio depois disso. Até adultos sofrem. Se o cara está ali se vendendo por R$ 100, o problema é dele. Mas ele tem de ter consciência, e o produtor do programa também, que estão levando aquilo para muita gente.

ACESSIBILIDADE

Quando saímos em público, queremos também dizer para os arquitetos e projetistas que existem pessoas com dificuldade de alcançar a pia ou o mictório. Se fizeram adaptações em áreas públicas para cadeirantes, cegos e surdos, por que não para anões? Imagina você ficar duas horas no cinema com os pés pendurados na cadeira? Não há mobília adequada.

SAÚDE

Está nascendo muito anão. E as mães não sabem o que fazer. Os anões têm uma temperatura quente, acima do normal, não podem tomar anestesia geral, têm problemas de diabetes na gravidez, câimbras terríveis e outros problemas que os médicos desconhecem.
Meu sonho é que o Brasil seja um modelo para a questão da saúde dos anões. Estou trabalhando num projeto para montar uma equipe médica especializada.
Quando eu vou às palestras e digo que qualquer um pode ter filho anão, as pessoas ficam apavoradas. Já ouvi caso de uma mãe que, na ultrassonografia, quando o médico disse que ela teria um filho anão, ficou chocada e perguntou: "Como assim?". O médico respondeu: "Sabe aqueles anões de circo?". Até hoje chora quando conta isso. A ignorância vista por aí é muito grande.

sábado, 13 de novembro de 2010

O dia em que um sorriso parou São Paulo.

Linda essa mensagem...

Centro Cultural Banco do Brasil lança cinema nacional legendado e audiodescrito

O lançamento será nos dias 20 e 21, para São Paulo, e 27 e 28 para o Rio de Janeiro. Serão exibidos alguns dos mais expressivos títulos nacionais.

Com o objetivo de fomentar o acesso à cultura de pessoas com baixa visão, audição parcial, cegas ou surdas, possibilitando que tenham oportunidade de, mais do que assistir, compreender uma produção cinematográfica, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) apresenta o projeto intitulado Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito (CNLA), que acontecerá de novembro de 2010 a dezembro de 2011.

O projeto, idealizado pela Associação de Reabilitação e Pesquisa Fonoaudiológica (Arpef), acontece – em parceria com o CCBB – desde 2008 em São Paulo e no Rio de Janeiro desde 2004, porém é a primeira vez que terá uma programação mensal por um ano.

Com duas apresentações ainda em 2010, e exibições mensais em 2011, tanto na capital paulista como na carioca, o Centro Cultural Banco do Brasil, por meio do CNLA, dará continuidade a esse trabalho de inclusão sócio-cultural propiciando uma variedade de gêneros e títulos à pessoas de todas as idades que tenham alguma deficiência nos sentidos da visão ou da audição, possibilitando o acesso a esse tipo de arte, o cinema.

Filmes nacionais de diversos gêneros como, comédia, drama, animação e ação estarão disponíveis numa sala de cinema acessível, que oferecerá fones sem fio para que os deficientes visuais possam receber a audiodescrição e de legendas para os deficientes auditivos possam acompanhar plenamente o filme.

Contemplada por 14 filmes nacionais, alguns sucesso de público e crítica, a programação do Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito vai ao encontro de um dos principais objetivos do Centro Cultural Banco do Brasil, levar cultura, independentemente de sua forma, à população brasileira. Possuindo uma grande interdisciplinaridade dos temas e formas artísticas expostas, o CCBB foi criado visando formar novas platéias, democratizar o acesso à cultura e contribuir para sua promoção, divulgação e incentivo.

“A dinâmica proposta para o CNLA 2010 / 2011 terá algumas ações diferenciadas. Uma delas será a disponibilização de transporte, gratuito, para levar membros e convidados de algumas instituições até o Centro Cultural. Outra, e talvez mais interessante, está por conta das atividades que serão realizadas após cada filme. Ou por meio de um debate, ou palestra de alguma personalidade, ou workshops, etc, depois de finalizada cada sessão, os espectadores poderão discorrer e trocar idéias sobre diversos temas, sempre condizentes ao filme assistido” revela Marcelo Mendonça, diretor da unidade paulista do Centro Cultural Banco do Brasil.

Os sistemas que possibilitam esse entendimento, àqueles que não podem ouvir e enxergar são, respectivamente, o sistema de legendagem (closed caption) e o da audiodescrição. A legendagem no padrão closed caption consiste em, além da descrição das falas dos atores, transcrever sons não literais importantes para compreensão do filme. Músicas, risos, aplausos, passos, chuva, entre outros, são alguns dos sons que podem ajudar na percepção da cena assistida. A Audiodescrição baseia-se em descrever e transmitir, da forma mais completa e clara possível, no mesmo momento em que a cena está acontecendo, toda e qualquer informação relevante que está sendo passada e que, por não fazer parte de nenhum diálogo, só seria compreendida visualmente. Ou seja, repassa informações do que está sendo representado. Por exemplo, mudança repentina de cenário e/ou tempo, expressões faciais ou ações relevantes onde não existe fala dos atores.

“O que percebemos é que os cegos vão pouco ao cinema, porque se sentem inibidos por precisarem que um acompanhante não cego descreva oralmente as cenas, atrapalhando os outros espectadores. Por isso, para não incomodar os outros, muitas vezes ele e o acompanhante ficam num local afastado da tela, o que compromete a descrição das imagens” conta Helena Dale, curadora do CNLA.

Calendário filmes:

NOVEMBRO 2010 (SP: 20 e 21/11) e (RJ: 27 e 28/11)

“Salve Geral”
Direção: Sérgio Rezende
Atores: Andréa Beltrão, Denise Weinberg, Lee Thalor e Eucir de Souza.
Duração: 120 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: Toscana Audiovisual
Distribuidora: Sony Pictures / Downtown Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: Lúcia (Andréia Beltrão) é uma viúva de classe média que sonha em tirar o filho Rafael (Lee Thalor), de 18 anos, da prisão. Em suas freqüentes visitas à penitenciária, ela conhece Ruiva (Denise Weinberg), advogada do Professor (Bruno Perillo), líder do Comando. As duas ficam amigas e logo Lúcia é usada em missões ligadas à organização criminosa. Precisando do dinheiro, ela aceita realizar as tarefas. Paralelamente, o Comando passa por uma luta interna pelo poder, ampliada pelo confronto dos prisioneiros com o sistema carcerário. Quando o governo decide transferir, de uma só vez, centenas de presos para penitenciárias de segurança máxima no interior do estado, o Comando envia a ordem para que seus integrantes realizem uma série de ataques em pleno Dia das Mães, deixando a cidade de São Paulo sitiada.

DEZEMBRO 2010 (SP: 04 e 05/12) e (RJ: 11 e 12/12)

“Budapeste”
Direção: Walter Carvalho
Atores: Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli, Gabriella Hámori e Paola Oliveira.
Duração: 113 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: Nexus Cinema / Eurofilm
Distribuidora: Imagem Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: José Costa (Leonardo Medeiros) é um bem sucedido “ghost writer”. Ao retornar do Congresso de Escritores Anônimos, em Istambul, uma ameaça de bomba faz com que seu vôo aterrisse em Budapeste, na Hungria. Logo ao chegar, se apaixona pelo idioma local. De volta ao Rio, ele reencontra Vanda (Giovanna Antonelli), sua esposa, e o filho. Entretanto, sua vida torna-se cada vez mais infeliz, o que faz com que comece a murmurar em húngaro enquanto dorme. Para salvar o casamento, Costa passa a escrever autobiografias, numa tentativa de que a vida de outras pessoas o salve do tédio que sente. Seu maior sucesso comercial é "O Ginógrafo", que conta as aventuras amorosas de um alemão, Kaspar Krabbe (Antonie Kamerling), no Brasil. Só que Vanda se apaixona por Krabbe, acreditando ser ele o autor do livro, o que faz com que Costa sinta-se traído e ressentido com o trabalho que exerce.

JANEIRO 2011 (SP: 08 e 09/01) e (RJ: 15 e 16/01)

“Chico Xavier - O Filme”
Direção: Daniel Filho
Atores: Ângelo Antônio, Nelson Xavier, Tony Ramos, Christiane Torloni
Duração: 125 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Lereby Produções
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment / Downtown Filmes
Classificação: Livre
Sinopse: Desde criança, Chico Xavier (Matheus Costa) ouvia vozes e via pessoas que já tinham falecido. Seus relatos eram sempre desacreditados, sob a justificativa que eram sua imaginação ou obra do demônio. Ao crescer, ele (Angelo Antônio) passa a usar seu dom para psicografar cartas. Logo se torna um ícone em sua cidade natal, despertando a ira do novo padre (Cássio Gabus Mendes), que o acusa de ser uma fraude, já que publica livros de pessoas famosas que já tinham morrido.

FEVEREIRO 2011 (SP: 05 e 06/02) e (RJ: 12 e 13/02)

“O Bem Amado”
Direção: Guel Arraes
Atores: Marco Nanini, Matheus Nachtergaele, José Wilker, Caio Blat, André Beltrão
Duração: 107 min
Ano: 2010
Gênero: Comédia
Estúdio: Natasha Filmes / Globo Filmes / Miravista
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: Livre
Sinopse: Após o assassinato do prefeito de Sucupira por Zeca Diabo (José Wilker), uma disputa política entre Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) e Vladimir (Tonico Pereira) pelo cargo na prefeitura se inicia. Odorico vence a eleição e toma posse como prefeito, recebendo sempre o apoio das irmãs Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia (Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes). Uma de suas promessas é construir o primeiro cemitério da cidade, para evitar a emigração dos habitantes após morrerem. Só que, após a obra ser concluída, há um problema: ninguém em Sucupira morre, o que impede que o cemitério enfim seja inaugurado. Sofrendo pressão devido a acusações de superfaturamento, Odorico precisa encontrar um meio para que o grande feito de seu mandato não se torne uma grande piada.

MARÇO 2011 (SP: 19 e 20/03) e (RJ: 26 e 27/03)

“Proibido Proibir”
Direção: Jorge Durán
Atores: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues e Edyr Duqui
Duração: 100 min
Ano: 2007
Gênero: Drama
Estúdio: El Desierto Filmes Ltda. / Ceneca Produciones / A&A Produções
Distribuidora: Riofilme
Classificação: 16 anos
Sinopse: Paulo (Caio Blat) é um estudante de medicina que divide uma quitinete com Leon (Alexandre Rodrigues), seu melhor amigo e estudante de sociologia. Leon namora Letícia (Maria Flor), mas ela e Paulo se apaixonam. O trio tenta ajudar Rosalina (Edyr Duqui), uma paciente terminal que está no Hospital Universitário, a rever os filhos, que não a visitam há bastante tempo. Ao tentar salvar Cacauzinho (Adriano de Jesus), um dos filhos de Rosalina, Leon é ferido em um tiroteio. Letícia consegue resgatá-lo, mas para que Leon sobreviva, Paulo terá que operá-lo em sua própria casa.

ABRIL 2011 (SP: 02 e 03/04) e (RJ: 09 e 10/04)

“Sonhos Roubados”
Direção: Sandra Werneck
Atores: Nanda Costa, Amanda Diniz, Kika Farias, Marieta Severo e Daniel Dantas.
Duração: 85 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Distribuidora: Europa Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias) são adolescentes e moram em uma comunidade carioca. Elas eventualmente se prostituem, no intuito de conseguir dinheiro para satisfazer seus sonhos de consumo. Entretanto, mesmo com os problemas do dia a dia, elas tentam se divertir e sonhar com um mundo melhor.

MAIO 2011 (SP: 07 e 08/05) e (RJ: 14 e 15/05)
“Não Se Pode Viver Sem Amor”
Direção: Jorge Durán
Atores: Cauã Reymond Cauã Reymond, Ângelo Antônio, Victor Navega Motta, Simone Spoladore e Fabíula Nascimento
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: El Desierto Filmes Ltda.
Distribuidora: Pandora Filmes
Classificação: 16 anos
Sinopse: 23 de dezembro. Gabriel, de 10 anos, e Roseli, de 30, chegam ao Rio de Janeiro para encontrar o pai do menino que os abandonou. Sem conhecer a cidade, eles perambulam pelas ruas sem ter ideia para onde ir. Assim, encontram João, um jovem advogado desempregado que busca desesperadamente um meio de melhorar de vida; Pedro, um pesquisador universitário que precisa se decidir entre a mulher e a profissão; e Gilda, uma dançarina de boate que deseja ir embora, mas está presa ao passado. Todos vivem situações limite em suas vidas, que se tornam ainda mais fortes devido à proximidade do Natal. Só que, a partir destes encontros inesperados, surge uma nova esperança.

JUNHO 2011 (SP: 04 e 05/06) e (RJ: 11 e 12/06)

“É Proibido Fumar”
Direção: Anna Muylaert
Atores: Glória Pires, Paulo Miklos Paulo Miklos, Alessandra Colasanti e Marisa Orth.
Duração: 86 min
Ano: 2009
Gênero: Drama
Estúdio: África Filmes Ltda. / Dezenove Som e Imagens
Distribuidora: PlayArte
Classificação: 12 anos
Sinopse: Baby (Glória Pires) vive sozinha no apartamento que herdou da mãe. Ela dá aulas de violão para alguns alunos e vive em atrito com as irmãs. Quando o músico Max (Paulo Miklos) se muda para o apartamento vizinho, Baby vê nele a grande chance de voltar à vida. Para que o romance dê certo, ela está disposta a enfrentar qualquer ameaça, inclusive seu vício compulsivo por fumar.

JULHO 2011 (SP: 02 e 03/07) e (RJ: 09 e 10/07)

“Besouro”
Direção: João Daniel Tikhomiroff
Atores: Aílton Carmo, Jéssica Barbosa, Anderson Santos de Jesus, Flávio Rocha e Irandhir Santos.
Duração: 95 min
Ano: 2009
Gênero: Ação
Estúdio: Miravista / Globo Filmes / Teleimage / Mixer
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: 16 anos
Sinopse: Bahia, década de 20. No interior, os negros continuavam sendo tratados como escravos, apesar da abolição da escravatura ter ocorrido décadas antes. Entre eles está Manoel (Aílton Carmo), que, quando criança, foi apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio. O tutor tentou ensiná-lo não apenas os golpes da capoeira, mas também as virtudes da concentração e da justiça. À escolha pelo nome Besouro foi devido à identificação que Manuel teve com o inseto, que segundo suas características não deveriam voar. Ao crescer, Besouro recebe a função de defender seu povo, combatendo a opressão e o preconceito existentes.

AGOSTO 2011 (SP: 06 e 07/08) e (RJ: 13 e 14/08)

“Quincas Berro D'Água”
Direção: Sérgio Machado
Atores: Paulo José, Marieta Severo, Mariana Ximenes, Vladimir Brichta e Flávio Bauraqui.
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Comédia
Estúdio: VideoFilmes / Buena Vista / Globo Filmes
Distribuidora: Buena Vista Internacional
Classificação: 12 anos
Sinopse: Salvador. Quincas (Paulo José) é um funcionário público cansado da vida que leva. Um dia, ele resolve deixar sua família de lado e cair na farra, ganhando fama como Quincas Berro D'Água, o rei dos vagabundos. Quando ele é encontrado morto em seu quarto, sua família resolve apagar os vestígios de sua fase arruaceira e lhe dar um enterro respeitável. Só que seus amigos surgem no local e decidem levá-lo para uma última farra.

SETEMBRO 2011 (SP: 03 e 04/09) e (RJ: 10 e 11/09)

“5X Favela - Agora por Nós Mesmos”
Direção: Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra e Manaíra Carneiro.
Atores: Juan Paiva, Pablo Vinícius, Ruy Guerra, Flávio Bauraqui e Renata Tavares.
Duração: 103 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Luz Mágica Produções / Globo Filmes / Videofilmes / Quanta / TeleImage
Distribuidora: Sony Pictures Entertainment / RioFilme
Classificação: 14 anos
Sinopse: Em 1961, cinco jovens cineastas de classe média, oriundos do movimento estudantil universitário, realizavam o filme "Cinco Vezes Favela". Carlos Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Marcos Farias e Miguel Borges eram aqueles jovens que tornaram o filme um marco do cinema moderno brasileiro e um dos fundadores do Cinema Novo. Passadas quatro décadas, "Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos" reúne dessa vez jovens cineastas moradores de favelas do Rio de Janeiro, treinados e capacitados a partir de oficinas profissionalizantes de audiovisual ministradas por grandes nomes do cinema brasileiro, como Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Walter Lima Jr., Daniel Filho, Walter Salles, Fernando Meirelles, João Moreira Salles e muitos outros. O projeto apresenta cinco filmes de ficção, de cerca de 20 minutos cada um, sobre diferentes aspectos da vida em suas comunidades.

OUTUBRO 2011 (SP: 01 e 02/10) e (RJ: 08 e 09/10)

“O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes”
Direção: Rafael Ribas, Walbercy Ribas.
Atores: Vagner Fagundes, Marcelo Leal, Júlia Duarte, Bel Garcia e Jonas Melo
Duração: 82 min
Ano: 2009
Gênero: Animação
Estúdio: Start Anima
Distribuidora: Fox Film do Brasil
Classificação: Livre
Sinopse: O Grilo Feliz segue compondo suas músicas, para alegria dos habitantes da floresta, e agora deseja gravar um CD. Porém, a descoberta de fósseis de insetos gigantes faz com que elese envolva em uma inesperada aventura, que o obriga a enfrentar um bando de perigosos louva-deuses comandados por Trambika.

NOVEMBRO 2011 (SP: 05 e 06/11) e (RJ: 12 e 13/11)

“Nosso Lar”
Direção: Wagner de Assis
Atores: Renato Prieto, Fernando Alves Pinto, Othon Bastos, Paulo Goulart, Rosanne Mulholland.
Duração: 102 min
Ano: 2010
Gênero: Drama
Estúdio: Cinética Filmes / MIgdal Filmes / Globo Filmes
Distribuidora: Fox Filmes do Brasil
Classificação: 14 anos
Sinopse: Ao abrir os olhos, André Luiz (Renato Prieto) sabe que não está mais vivo, apesar de ainda sentir sede e fome. Ao seu redor, ele apenas vê uma planície escura e desértica, marcada por gritos e seres que vivem na sombra. Após passar pelo sofrimento no purgatório, André é levado para a cidade de Nosso Lar. Lá ele tem acesso a novas lições e conhecimentos, enquanto aprende como é a vida em outra dimensão.

DEZEMBRO 2011 (SP: 03 e 04/12) e (RJ: 10 e 11/12)
“Tropa de Elite 2”
Direção: José Padilha
Atores: Wagner Moura, André Ramiro, Seu Jorge, Maria Ribeiro e Milhem Cortaz.
Duração: 116 min
Ano: 2010
Gênero: Ação
Estúdio: Zazen Produções
Distribuidora: Zazen Produções
Classificação: 14 anos
Sinopse: 2010. Nascimento enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. Além disso, ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

Serviço

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura e www.twitter.com/ccbb_sp

Às vezes, a ajuda atrapalha...

Uma crônica postada da nossa amiga Adriana Lage na Rede Saci dá uma dimensão dessa questão de auxiliar a pessoa com deficiência sem exatamente saber como proceder. A leitura é gostosa e divertida:

Crônica de Adriana Lage comenta sobre como uma ajuda desajeitada pode prejudicar a pessoa com deficiência
Adriana Lage

Com mais de 20 anos de cadeira de rodas, sempre contei com a ajuda das pessoas, sejam elas conhecidas ou não, para lidar com a falta de acessibilidade nos diversos lugares que freqüento. Houve melhorias significativas na acessibilidade ao longo dos anos, mas o caminho a ser percorrido ainda é longo. Sem essas pessoas, a vida seria muito mais difícil!

Normalmente, as pessoas sempre estão dispostas a ajudar um cadeirante. Sempre brinco que ajuda nunca falta. Pode até demorar um pouquinho, mas sempre chega. Só que, em muitos casos, o excesso de boa vontade se esbarra na falta de jeito, medo ou pressa. A seguir, contarei algumas situações ‘desastrosas’ pelas quais passei ao ser ajudada por pessoas bondosas, porém, sem jeito algum!!

Meu último acidente foi no sábado passado. Ainda estou com um galo cantando na minha cabeça e sentindo dores. Fui a um Shopping de BH, reformado recentemente, lanchar e pegar um táxi. Sou cliente de lá há anos. Sempre estive em contato com a administração pedindo mais acessibilidade – por exemplo, mais elevadores, espelho no banheiro de cadeirante e um tratamento adequado por parte dos taxistas que ficam no ponto dentro do shopping (bastava chegar com a cadeira de rodas que começavam o empurra empurra e as desculpas para não fazer a corrida comigo). Excepcionalmente, fui a pé para o shopping. Na entrada, existem dois degraus. Minha mãe já está acostumada a descer minha cadeira de rodas sozinha nesses casos. Mas, logo que nos viram, um segurança e um transeunte correram para nos ajudar. Eles nem perguntaram o quê deveriam fazer, também não nos deram tempo de falar nada. Resultado: quando percebi, numa fração de segundo, a cadeira tombou para trás e bati minha cabeça no chão. Minha mãe ainda tentou amortecer meu tombo me puxando pelos cabelos. Uma poça d’água também amorteceu a queda. Levei um susto danado. A dor foi muito forte. Tremi toda. Por sorte, o corte foi pequeno e logo parou de sangrar. Fui atendida no ambulatório do shopping. Ri demais com a reação da técnica de enfermagem: a mulher ficou totalmente transtornada quando descobriu que eu era cadeirante de verdade. Custou a me liberar. Ficou com muito medo. Pelo visto, está acostumada a lidar com pessoas dilaceradas, mas ainda tem receio com cadeirantes... No dia seguinte, entrei em contato com o Shopping comunicando o ocorrido e sugerindo a colocação de rampa no local. Na terça feira, me retornaram querendo saber se eu estava bem. A atendente lamentou o ocorrido e me disse que a rampa está prevista para ser feita no início de 2011. Pelo sim, pelo não, voltei ao médico na 2ª feira. Felizmente, não foi nada sério. Agora é só aguardar mais uns dias com a cabeça doendo...

Na minha época de universitária, levei dois tombos fantásticos na PUC. O campus ainda não era acessível. Para chegar a minha sala de aula e aos laboratórios em outros prédios, era preciso subir escadas ou dar voltas e voltas em busca de caminhos mais fáceis. O primeiro tombo foi no 1º semestre do curso. Três colegas foram me descer pela escada. Não sei bem qual foi a causa do tombo. Quando percebi, a cadeira foi tombando para frente. Foi aquele barulhão! Disquetes, calculadoras HP, fichários... Rolaram escada abaixo. Por sorte, um dos meus colegas me segurou pela blusa. Fiquei ajoelhada no chão, com o braço direito agarrado na cadeira. Acabei machucando meu joelho. Quando me voltaram para a cadeira de rodas, fiquei boba com a multidão que havia se juntado na escada. Meus colegas morreram de vergonha e até hoje me pedem desculpas.

No semestre seguinte, a queda foi mais espetacular. Estávamos voltando de uma aula no prédio 3, que fica próximo à entrada principal do campus, e indo para nosso prédio, que era um dos últimos. O tempo estava nublado, ameaçando cair uma tempestade. Meu ‘motorista’ resolveu apertar o pé para fugirmos da chuva. Ele resolveu passar pela grama e saiu correndo com a cadeira. Estava tudo dando certo, até que encontramos um buraco. Meu colega tentou freiar a cadeira, mas não deu certo. Acabei caindo da cadeira. Voei com tudo na grama. Meu colega ficou branco e tremendo. Os outros colegas entraram em pânico e queriam ligar para o SAMU. Tentei acalmá-los falando que estava bem e que precisava apenas que alguém me apanhasse da grama e me voltasse para a cadeira de rodas. O motorista nunca esqueceu o episódio. Até hoje morre de vergonha de mim. Um ano depois, construíram uma rampa no prédio em que estudava. A Universidade começou as obras de acessibilidade e hoje é um exemplo nesse quesito!

Depois desses dois acidentes, resolvi adaptar um cinto de segurança nas minhas cadeiras de rodas. Como sou tetraplégica, sempre sinto medo quando preciso subir/descer escadas. O cinto evitou várias quedas da cadeira: buracos nas ruas, pequenas pedras, motoristas malucos que inventam descer degraus altos de frente, etc... Tenho alguns parentes que me chamam de chata e esnobe. Não tem jeito! Quando perco a confiança em algum motorista, é difícil convencer meu cérebro a dar uma segunda chance...

O cinto de segurança também me salvou de cair na escadaria da Igreja do Bonfim. Li, em um guia de turismo acessível, que a Igreja possui uma rampa na lateral. Quando desci do carro, três vendedores ambulantes já foram me carregando escadaria acima. Tentei falar com eles que queria ir pela rampa, mas não me escutaram! Se não fosse o cinto, teria caído da cadeira.

Quando preciso de ajuda, sempre que possível, explico antes qual é a melhor maneira de me ajudar. Mostro, inclusive, em quais locais poderão pegar na cadeira de rodas. Muitas pessoas desconhecem que as cadeiras de rodas possuem peças móveis. A maioria entende numa boa e faz tudo certinho. Outros ficam chateados e acham que estou querendo muito... Mesmo assim, prefiro passar por chata e sair inteira do que correr riscos de quedas...

Outro problema sério ocorre quando preciso ser carregada. Muitas pessoas não têm o menor jeito para isso... Por exemplo, em minha última viagem para Maceió, o guia turístico resolveu me carregar com o motorista. Cada um pegou uma perna e um braço. Quando desci da van, quase fui quebrada!! Minha prima me disse que parecia cena de exame ginecológico. Ela ficou tão revoltada que foi ensiná-los a me carregar de outra forma: um pegava nas pernas e outro embaixo dos braços. Nos outros dias de passeio, o motorista resolveu me carregar sozinho – como se carrega noivas, já que peso menos de 50 kg – e deu tudo certo.

Já passei aperto para entrar e sair do carro. Às vezes, tenho a impressão que muitas pessoas pensam que cadeirante não deve ter sensibilidade nas pernas. Cansei de machucar meu pé ao ser colocada/retirada do carro por seguranças no banco em que trabalho. Quando o pé fica preso em algo, ao invés deles voltarem e olharem o que aconteceu, simplesmente dão um tranco na perna. É sempre traumático. Sempre explico antes. Mas algumas pessoas se sentem ofendidas quando ensino outra forma e ainda reclamam que “a aleijada está pegando o boi de ser ajudada e ainda vem com tric tric pro meu lado”.

Pessoas fracas que tentam subir ou descer a cadeira em locais inclinados também aceleram meus batimentos cardíacos. Tive uma professora de geografia no CEFET, que era bem velhinha e que só andava de salto alto. Certo dia, ela resolveu descer a rampa comigo. Mal começamos a descê-la e foi aquela gritaria. A professora já ia soltando a cadeira e, por sorte, caiu de bunda no chão e deixou a cadeira virar por cima dela. Como o barulho foi grande, logo chegou ajuda para nos salvar. Em outros casos, a pessoa é forte, mas o sapato é que escorrega na descida!! Certa vez, repeti essa cena com minha irmã em um show do César Menotti e Fabiano. Quando chegamos, os seguranças não ofereceram ajuda e continuaram conversando. Como está acostumada a fazer isso, minha irmã começou a descer a rampa comigo. O sapato dela deslizou e caímos! Por sorte, ela não se machucou. Eu quebrei a pulseira dela com minha cabeça e ganhei um pequeno galo. Nunca vi tanto segurança a nossa volta. Um deles queria nos levar para a ambulância de todo jeito. Durante o show, de tempos em tempos, ele nos perguntava se estava tudo ok.

Enfim, enquanto não tivermos cidades 100% acessíveis, sempre necessitaremos de ajuda. É óbvio que muitos acidentes não ocorreriam se não existissem barreiras arquitetônicas. Felizmente, a maioria das pessoas sempre está disposta a nos ajudar. O difícil é saber explicar qual a melhor forma de ser ajudado sem magoar quem nos ajuda.

Aos ajudantes de plantão, seguem algumas dicas:

- Na dúvida, o melhor é sempre perguntar o quê e como deve ser feito?!

- Caso se sinta inapto ou tenha medo, avise ao deficiente e tente arrumar outra pessoa para ajudá-lo. O mesmo vale para problemas de saúde. Muitas pessoas se sentem mal ao recusarem assistência a uma pessoa com deficiência por possuírem dores na coluna, hérnias e outras restrições médicas. Ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Ainda mais quando possui restrições médicas!! Seja sincero! O deficiente entenderá perfeitamente a situação.

- Não se ofenda caso o deficiente recuse sua ajuda. Às vezes, a pessoa consegue se virar melhor sozinha.

- Tenha calma e cuidado. Por exemplo, na hora de descer uma escada com a cadeira de rodas, lembre-se que serão 2 ou 3 pessoas sincronizando os passos para não caírem juntamente com o cadeirante.

- Para descer rampas e degraus com a cadeira de rodas, lembre-se sempre de virá-la de costas. É mais seguro para todos!!

- Lembre-se que as cadeiras de rodas, atualmente, são desmontáveis. Confirme com o cadeirante o melhor local para segurá-la;

- O cadeirantes é um ser humano como qualquer outro. Possui qualidades e defeitos. Não é feito de cristal. Cuidado é fundamental, mas pequenos esbarrões e acidentes sempre ocorrerão. Nessas horas, nada de pânico! O bom humor é sempre o melhor remédio.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Ensinamentos do professor Romeu Sassaki

O professor Romeu Sassaki é especialista em Educação Inclusiva, e vamos abordar suas teorias durante alguns dias, vamos começar por uma entrevista dada em 2003, mas ainda usada como fonte de estudo.

Descrição da imagem: uma lousa retangular escrito no meio Educação Inclusiva

A Educação Inclusiva e os obstáculos a serem transpostos

Publicado no Jornal dos Professores – órgão do Centro do Professorado Paulista.
Ano XXXVIII – fevereiro de 2003 - nº 343, p. 15.

Nesta entrevista, com o consultor de Educação Inclusiva, Romeu Kazumi Sassaki, o Jornal dos Professores mostra que existe muito trabalho a ser feito no campo da Educação Especial, no Brasil, e que o processo de inclusão ainda enfrenta sérios obstáculos. O medo e o preconceito são as principais barreiras a serem transpostas. Romeu Sassaki é graduado em serviço social, com especialização em aconselhamento de reabilitação, emprego apoiado e educação inclusiva, e trabalha há 42 anos na mudança do sistema educacional e outros setores para que incluam pessoas com deficiências. Tem dezenas de artigos publicados e é autor do livro “Inclusão: Construindo uma sociedade para todos” – Rio de Janeiro: WVA, 1997.

Por Maria Alice Bicudo Soares

JP - O que é educação inclusiva?
Romeu – Educação inclusiva é o conjunto de princípios e procedimentos implementados pelos sistemas de ensino para adequar a realidade das escolas à realidade do alunado que, por sua vez, deve representar toda a diversidade humana. Nenhum tipo de aluno poderá ser rejeitado pelas escolas. As escolas passam a ser chamadas inclusivas no momento em que decidem aprender com os alunos o que deve ser eliminado, modificado, substituído ou acrescentado nas seis áreas de acessibilidade, a fim de que cada aluno possa aprender pelo seu estilo de aprendizagem e com o uso de todas as suas múltiplas inteligências. As seis áreas de acessibilidade são: arquitetônica (desobstrução de barreiras ambientais), atitudinal (prevenção e eliminação de preconceitos, estigmas, estereótipos, discriminações), comunicacional (adequação de códigos e sinais às necessidades especiais), metodológica (adequação de técnicas, teorias, abordagens, métodos), instrumental (adaptação de materiais, aparelhos, equipamentos, utensílios, tecnologias assistivas) e programática (eliminação de barreiras invisíveis existentes nas políticas, normas, portarias, leis e outros instrumentos afins).

JP - Qual a diferença entre inclusão escolar e integração escolar?
Romeu – A inclusão escolar é o processo de adequação da escola para que todos os alunos possam receber uma educação de qualidade, cada um a partir da realidade com que ele chega à escola, independentemente de raça, etnia, gênero, situação socioeconômica, deficiências etc. É a escola que deve ser capaz de acolher todo tipo de aluno e de lhe oferecer educação de qualidade, ou seja, respostas educativas compatíveis com as suas habilidades, necessidades e expectativas. A integração escolar é o processo tradicional de adequação do aluno às estruturas física, administrativa, curricular, pedagógica e política da escola. A integração trabalha com o pressuposto de que o aluno precisa ser capaz de aprender no nível pré-estabelecido pelo sistema de ensino. No caso de alunos com deficiência (intelectual, auditiva, visual, física ou múltipla), a escola comum condicionava a sua aceitação a uma certa prontidão que somente as escolas especiais (e, em alguns casos, as classes especiais) poderiam conseguir. E mesmo aceitos sob esta condição, estes alunos ficavam sujeitos a ser devolvidos às classes/escolas especiais se mais tarde viessem a apresentar dificuldades de aprendizagem e/ou de relacionamento.

JP - Existe diferença entre as expressões “aluno com deficiência” e “aluno com necessidades especiais”?
Romeu – Muita diferença. O termo ‘necessidades especiais’ não substitui a palavra ‘deficiência’, como se imagina. A maioria das pessoas com deficiência pode apresentar necessidades especiais (na escola, no trabalho, no transporte etc.), mas nem todas as pessoas com necessidades especiais têm deficiência. As necessidades especiais são decorrentes de condições atípicas como, por exemplo: deficiências, insuficiências orgânicas, transtornos mentais, altas habilidades, experiências de vida marcantes etc. Estas condições podem ser agravadas e/ou resultantes de situações socialmente excludentes (trabalho infantil, prostituição, pobreza ou miséria, desnutrição, saneamento básico precário, abuso sexual, falta de estímulo do ambiente e de escolaridade). Na integração escolar, os alunos com deficiência eram o foco da atenção. Na inclusão escolar, o foco se amplia para os alunos com necessidades especiais (dos quais alguns têm deficiência), já que a inclusão traz para dentro da escola toda a diversidade humana.

JP - Onde se encontram as principais resistências no sentido de se conseguir uma efetiva inclusão?
Romeu - As resistências são de todos os integrantes da comunidade escolar: professores, pais, alunos, profissionais liberais e funcionários. Assim como há pais que hesitam em permitir que seus filhos com deficiência estudem em escolas comuns, existem pais que temem a convivência de seus filhos não-deficientes com colegas que tenham deficiência ou síndrome. E assim por diante. A solução é a criação de ambientes inclusivos onde todos aprendem a conviver com as diferenças e passam a respeitar uns aos outros. A nova escola é aquela que vai substituindo velhos paradigmas por novos paradigmas, construindo junto com todos os alunos uma nova maneira de pensar e de viver a educação. As resistências podem existir também entre alguns políticos, governantes, autoridades educacionais e outras figuras influentes de uma sociedade.

JP - Como o senhor vê a questão do preconceito e como derrubar as barreiras que ele estabelece?
Romeu – O preconceito pode ser evitado (as crianças não o desenvolvem) e eliminado (quando as crianças já o trazem), através da convivência e do debate aberto (informação correta), como já acontece nas centenas de escolas inclusivas de, por exemplo, Goiás, Minas Gerais e Paraná, onde tenho atuado como consultor. Na Declaração de Salamanca, ficou registrado que: “Cremos e proclamamos que (...) as escolas comuns com esta orientação inclusiva são o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e conseguindo educação para todos; além do mais, elas oferecem uma educação eficaz para a maioria das crianças e melhora a eficiência e em última análise o custo-benefício de todo o sistema educacional.(§2, p.ix)”

JP - Quais as vantagens e desvantagens para um aluno sem deficiência estudar na mesma sala, ao lado de crianças deficientes?
Romeu – As vantagens são para todos. As escolas inclusivas de Goiás comprovam na prática o que em 1994 dizia o Programa da ONU em Deficiências Severas.
Os estudantes com deficiência:
• desenvolvem a apreciação pela diversidade individual;
• adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas;
• demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos;
• estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;
• frequentemente recebem apoio acadêmico adicional da parte do pessoal de educação especial;
• podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas (aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de aprendizagem etc.)

E os estudantes sem deficiência:
• têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de aprendizagem e redes sociais;
• desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da diversidade individual deles e de outras pessoas;
• demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do ensino entre os alunos;
• estão melhor preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;
• recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;
• beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

JP - Que ações o senhor sugere para tornar realmente eficaz a inclusão do aluno com deficiência na escola comum, principalmente na rede pública, e para transformar uma escola comum em uma escola inclusiva?
Romeu – Recomendo o que tem sido feito em outros estados (Goiás, por exemplo) e municípios brasileiros: planejamento, sensibilização, implantação, expansão e consolidação dos princípios da educação inclusiva. O art. 8, inciso I, da Resolução CNE/CBE número 2, diz que “As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns: professores das classes comuns e da educação especial capacitados e especializados, respectivamente, para o atendimento às necessidades educacionais dos alunos”. A Resolução CNE/CBE número 2, em seu todo, estabelece as diretrizes para garantir a estrutura das escolas inclusivas. Essa Resolução e o Parecer CNE/CEB número 17/2001 se inspiraram fortemente na Declaração de Salamanca (1994), quando diz que “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (art. 2º). E o art. 7º determina que “o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais deve ser realizado em classes comuns do ensino regular, em qualquer etapa ou modalidade da Educação Básica.”

JP - Aos alunos surdos deve ser garantido o acesso à língua de sinais, sem prejuízo do aprendizado da Língua Portuguesa. Aos cegos, o acesso ao braile, como um código de sinais diferenciado para a leitura e escrita. Como incluir os alunos com estes tipos de deficiência em classes comuns?
Romeu – Em Goiás, alunos surdos e alunos cegos também estudam em salas de aula inclusivas, como os demais alunos. Em todas as classes onde estudam um ou mais alunos surdos, a escola colocou um intérprete da Língua de Sinais Brasileira (Libras). E todos os alunos ouvintes também aprendem Libras, assim podendo comunicar-se, estudar e brincar com os colegas surdos. Foram ministrados 29 cursos completos de Libras e 5 cursos de braile e sorobã em todas as Subsecretarias Regionais de Educação, de modo que nenhum aluno surdo ou cego está sem o apoio adicional exigido pela Declaração de Salamanca, que determina que “as crianças com necessidades educacionais especiais devem receber todo apoio adicional necessário para garantir uma educação eficaz (§8)” e que “deverá ser dispensado apoio contínuo, desde a ajuda mínima nas classes comuns até a aplicação de programas complementares de apoio pedagógico na escola, ampliando-os, quando necessário, para receber a ajuda de professores especializados e de pessoal de apoio externo (§32)”. Além disso, “Os programas de estudos devem ser adaptados às necessidades da criança e não o contrário. As escolas deverão, por conseguinte, oferecer opções curriculares que se adaptem às crianças com capacidade e interesse diferentes (§28)”. Estas determinações também constam da Resolução CNE/CBE n 2.

JP - O Poder Público tem sido acusado de não haver se comprometido, de fato, com a questão da inclusão dos alunos com necessidades especiais em classes comuns. O senhor concorda com esta afirmativa? Por quê?
Romeu – Numa perspectiva histórica, posso afirmar que o Poder Público, de um modo geral, demorou a aceitar o paradigma da inclusão escolar, se não por excesso de precaução diante de um revolucionário desafio de se efetuar mudanças estruturais no sistema educacional, pelo menos por força da acomodação ao velho paradigma da integração escolar. Não foi o caso do governo de Goiás que, desde o início do mandato, decidiu implantar escolas inclusivas. Hoje, o Poder Público em todos os estados está em intensa movimentação para, finalmente, cumprir o seu papel diante do direito de aprender dos alunos dentro da diversidade humana no mesmo espaço escolar.

JP - O CPP há muito reivindica a diminuição do número de alunos por classe como forma de melhorar a qualidade do ensino. O senhor considera esta questão prioritária para que a inclusão de alunos com necessidades especiais seja uma realidade mais justa nas escolas?
Romeu – A diminuição do número de alunos por classe é um imperativo, não por causa da proposta inclusiva e sim porque uma sala de aula superlotada constitui uma violação do direito a uma educação de qualidade e também porque está comprovado que o processo ensino-aprendizagem é mais eficaz e eficiente em grupos pequenos de alunos. Historicamente, as classes numerosas surgiram pelo aumento demográfico e pela não-construção de escolas na mesma proporção desse aumento. Mais escolas devem ser construídas, porém com salas de aula que comportem, no máximo, 30 alunos. O custo de um maior número de professores necessários devido ao maior número de classes é imediatamente compensado pelos resultados positivos alcançados pelos alunos. Não devemos confundir ‘necessidades especiais’ com ‘trabalhão a mais’. É ofensivo atribuir a alunos com necessidades especiais a culpa pelas dificuldades do professor em lidar com a classe toda. É preconceituoso defender classes com menos alunos onde houver alunos com necessidades especiais, como se estes fossem exigir do professor mais atenção que os colegas não-deficientes. Hoje, com a abordagem inclusiva e a provisão das seis áreas de acessibilidade, a escola está conseguindo oferecer ensino de qualidade a todos os alunos e estes estão conseguindo aprender com alegria, autoconfiança, auto-estima elevada, sentimentos de amizade e solidariedade, senso de objetividade nas tarefas, respeito pelas diferenças individuais e pela diversidade humana e tantos outros fatores subjetivos importantes no desenvolvimento da cidadania.

Autismo e Odontologia

O texto abaixo, foi escrito pela dentista que se dedica a pacientes autistas, Drª Adriana Gledys Zink. Veja as interessantes orientações que ela oferece aos pais de crianças autistas.

Orientando os Pais

Qual a importância de levar meu filho autista ao dentista?
A prevenção é sempre o melhor caminho, então os pais devem incluir na rotina de seus filhos a visita ao dentista, afinal ele já está acostumado à consultas com fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas, etc. O profissional irá ensiná-lo a fazer a prevenção de cáries e doenças periodontais, além de técnicas facilitadoras para conquistar a boa higiene oral.

Meu filho(a) será atendido amarrado?
A contenção mecânica é uma forma de estabilizar o paciente para o tratamento odontológico. O paciente não é machucado ele é apenas estabilizado. Esse processo só é realizado com autorização do responsável. Em muitos casos a contenção só é usada 1 ou 2 vezes, até que o paciente confie no profissional e sinta que não sofre durante o tratamento. Para evitar esse procedimento é que indicamos o condicionamento para facilitar o tratamento odontológico.

Como é o condicionamento?
O condicionamento é realizado por profissionais treinados e que de forma lúdica apresentam o tratamento odontológico. O método falar-mostrar-fazer é empregado nessa fase. Também são utilizados fantoches, brinquedos, bolinhas de sabão e tudo mais que o paciente goste. Essas informações são conseguidas durante a entrevista com os pais, antes de iniciar as sessões de condicionamento.

E se meu filho não sentar na cadeira do dentista?
Não tem problema, nesse caso o condicionamento é realizado no chão sobre um tapete de E.V.A.. A medida que o profissional conquistar a confiança do paciente, ele será transferido de forma espontânea para a cadeira odontológica.

Quantas sessões de condicionamento serão necessárias?
O número de sessões é individual porque cada paciente é único. Não podemos criar expectativas para os pais. Nesse momento temos que explicar que é uma tentativa, que vamos fazer o possível e que temos que acreditar que é possível. Nesses anos todos percebo que alguns pacientes surpreendem até os pais e logo estão familiarizados com a rotina da odontologia.

Não seria melhor a anestesia geral e fazer tudo de uma vez?
Todos procedimentos tem sua indicação, inclusive a anestesia geral. Até pouco tempo todos pacientes autistas que necessitassem de uma intervenção mais invasiva eram levados ao centro cirúrgico e submetidos à anestesia geral. Hoje sabemos que é possível tratá-los em ambulatório utilizando as técnicas de condicionamento propostas. Tudo depende da motivação dos pais em tentar e da formação do profissional.

Meu filho terá que ser condicionado para sempre?
Quando o paciente conhece um procedimento e o aceita, em sessão seguinte não será necessário retomar o condicionamento porque ele já aprendeu ou seja já adquiriu essa nova habilidade. Quando o paciente se mostrar estressado na 2ª sessão devemos retomar o condicionamento anterior e ter certeza que ele confiou e aprendeu.

O tratamento é diferente?
Não. O tratamento para pacientes autista é o mesmo o que muda é a necessidade de facilitar esse tratamento usando para isso o condicionamento.

Contato
Drª Adriana Gledys Zink
zinkpinho@yahoo.com.br
www.adrianazink.blogspot.com

Fonte: Vera (Deficiente Ciente) http://www.deficienteciente.com.br

Folha de São Paulo

INFORMAÇÃO

Pais de autistas lançam a primeira revista sobre o tema
DO RIO

Pais de autistas se uniram para produzir a primeira publicação brasileira sobre o transtorno, que atinge 1,8 milhão de indivíduos no país.
A "Revista Autismo", com periodicidade semestral, traz no número zero textos de especialistas e artigos sobre linhas terapêuticas antagônicas e pouco conhecidas.
"A ideia é dar os dois lados da história, como reza o bom jornalismo", diz o editor, Paiva Junior, jornalista de São Paulo que é pai de um menino autista de 3 anos. "Outro fator é que pretendemos sempre deixar claro o que é chancelado pela medicina tradicional e o que são tratamentos alternativos."
O autismo afeta a sociabilidade, a comunicação e o comportamento.
Paiva, que está escrevendo um livro para incentivar o diagnóstico precoce, foi procurado por outros pais, que idealizaram a revista. O primeiro foi o paulista Martim Fanucchi, que faz a edição de arte. Outro é Waldemar Casagrande, dono de uma gráfica em Santa Catarina, onde é impressa a publicação.

A primeira edição é vendida por encomenda a preço de custo (R$ 2,50). Os textos estão disponíveis no site www.revistaautismo.com.br