Ally e Ryan

Ally e Ryan

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Terminologia sobre deficiência na era da inclusão - Parte 1

Estou fazendo tutoria do curso Inclusão da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na Educação para o Trânsito, na modalidade a distância. O número de alunos, alguns são professores ou educadores, que ainda utilizam termos inadequados, como aluno especial, portadores de deficiência e etc me surpreendeu. Sempre os tenho advertido sobre isso e para melhorar a aprendizagem vou postar em 6 partes o excelente trabalho do professor Romeu Sassaki sobre terminologia.


"Terminologia sobre Deficiência na Era da Inclusão" de Romeu Kazumi Sassaki

"Usar ou não usar termos técnicos corretamente não é uma mera questão semântica ou sem importância, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobrequalquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta é especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências que aproximadamente 14,5% da população brasileira possuem.

Os termos são considerados corretos em função de certos valores e conceitos vigentes em cada sociedade e em cada época. Assim, eles passam a ser incorretos quando esses valores e conceitos vão sendo substituídos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem já existir na língua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou então são construídas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorretos reside no fato de os conceitos obsoletos, as idéias equivocadas e as informações inexatas serem inadvertidamente reforçados e perpetuados.

Este fato pode ser a causa da dificuldade ou excessiva demora com que o público leigo e os profissionais mudam seus comportamentos, raciocínios e conhecimentos em relação, por exemplo,à situação das pessoas com deficiência. O mesmo fato também pode ser responsável pela resistência contra a mudança de paradigmas como o que está acontecendo, por exemplo, na mudança que vai da integração para a inclusão em todos os sistemas sociais comuns.

Trata-se, pois, de uma questão da maior importância em todos os países. Existe uma literatura consideravelmente grande em várias línguas. No Brasil, tem havido tentativas de levar ao público a terminologia correta para uso na abordagem de assuntos de deficiência a fim de que desencorajemos práticas discriminatórias e construamos uma verdadeira sociedade inclusiva.

A seguir, apresentamos várias expressões incorretas seguidas de comentários e dos equivalentes termos corretos, frases corretas e grafias corretas, com o objetivo de subsidiar o trabalho de estudantes de qualquer grau do sistema educacional, pessoas com deficiência e familiares, profissionais de diversas áreas (reabilitação, educação, mídia, esportes, lazer etc.), que necessitam falar e escrever sobre assuntos de pessoas com deficiência no seu dia-a-dia. Ouvimos e/ou lemos esses termos incorretos em livros, revistas, jornais, programas de televisão e de rádio, apostilas,reuniões, palestras e aulas.

A enumeração de cada expressão incorreta servirá para direcionar o leitor de uma expressão para outra quando os comentários forem os mesmos para diferentes expressões (ou pertinentes entre si), evitando-se desta forma a repetição dos comentários.

1. adolescente normal
Desejando referir-se a um adolescente (uma criança ou um adulto) que não possua uma deficiência, muitas pessoas usam as expressões adolescente normal, criança normal e adulto normal. Isto acontecia muito no passado, quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com deficiência eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas sem deficiência. Esta crença fundamentava-se na idéia de que era anormal a pessoa que tivesse uma deficiência. A normalidade, em relação a pessoas, é um conceito questionável e ultrapassado. TERMOS CORRETOS: adolescente(criança, adulto) sem deficiência ou, ainda, adolescente (criança, adulto) não-deficiente.

2. aleijado; defeituoso; incapacitado; inválido
Estes termos eram utilizados com freqüência até a década de 80. A partir de 1981, por influência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, começa-se a escrever e falar pela primeira vez a expressão pessoa deficiente. O acréscimo da palavra pessoa, passando o vocábulo deficiente para a função de adjetivo, foi uma grande novidade na época. No início, houve reações de surpresa e espanto diante da palavra pessoa: “Puxa, os deficientes são pessoas!?” Aos poucos, entrou em uso a expressão pessoa portadora de deficiência, freqüentemente reduzida para portadores de deficiência. Por volta da metade da década de90, entrou em uso a expressão pessoas com deficiência, que permanece até os dias de hoje.

3. “apesar de deficiente, ele é um ótimo aluno
”Na frase acima há um preconceito embutido: ‘A pessoa com deficiência não pode ser um ótimo aluno’. FRASE CORRETA: “ele tem deficiência e é um ótimo aluno”.

4. “aquela criança não é inteligente
”Todas as pessoas são inteligentes, segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas. Até o presente, foi comprovada a existência de nove tipos de inteligência: lógico-matemática,verbal-lingüística, interpessoal, intrapessoal, musical, naturalista, corporal-cinestésica e visual-espacial (GARDNER, 2000). FRASECORRETA: “aquela criança é menos desenvolvida na inteligência [por ex.] lógico-matemática”.

5. cadeira de rodas elétrica Trata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor.
TERMO CORRETO:cadeira de rodas motorizada.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Mídia e as Pessoas com Deficiência

Drª Luciene M. da Silva

"Vivemos atualmente uma hiperexposição do corpo como produto, algo passível de elaboração e reconstrução, tendo como referência uma cartografia corporal com toques de sedução e negação dos traços do tempo. Sabemos que os meios de comunicação, por si sós, não determinam modelos estéticos corporais; são, porém, um poderoso braço ideológico de divulgação e convencimento dos padrões selecionados e acionados pela indústria. A produção televisiva no Brasil, reconhecidamente intensa, e uma população vulnerável e receptiva aos seus produtos, devido ao baixo nível de escolaridade e rendimento, são componentes fundamentais para a legitimação de "necessidades" e formas de satisfazê-las. A não-visibilidade das pessoas com deficiência no âmbito das relações sociais é o que determina sua ausência na mídia, posto que, na lógica da indústria cultural, não existem necessidades a elas relacionadas. Sendo assim, o silêncio sobre elas é anterior e exterior aos veículos de comunicação, e suas poucas aparições ficam restritas às campanhas publicitárias para arrecadação de recursos para as instituições filantrópicas que veiculam mensagens que as representam como vítimas ou como heróis.

A televisão, como um dos mais poderosos veículos de comunicação atualmente, forja a hegemonia de valores por meio dos programas de entretenimento, jornalismo e publicidade, tornando-os referência para milhões de consumidores. Sua mensagem, que alia discurso e imagem, combina, de forma híbrida, diversos roteiros e mensagens sobre o "ser deficiente", mesmo sem freqüentemente mostrá-lo, veiculando estereótipos diversos a partir de matérias de suposta prestação de serviços, informações imprecisas e errôneas, personagens caricatos em que predominam os discursos beneficentes, preconceituosos e sensacionalistas. O enfoque dado pela mídia às notícias que envolvem pessoas com deficiência as coloca numa posição de vítima, com ênfase na impotência e dependência, revigorando a discriminação. A publicação Mídia e deficiência, coordenada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e Fundação Banco do Brasil, assinala:

Mesmo quando existe interesse e desejo de realizar uma boa cobertura, os jornalistas se deparam com a desinformação sobre aspectos educacionais, jurídicos, técnicos, médicos, éticos e políticos. [...] Não há preocupação em divulgar serviços relacionados à melhora da qualidade de vida de crianças, adolescentes, adultos e idosos com deficiência. Mais de 60% das matérias analisadas só ouviram uma fonte. Na maioria delas tampouco há clareza sobre os direitos desses cidadãos. E quase sempre a entrada da questão na pauta dos meios depende de eventos organizados por entidades interessadas na causa ou da agenda de órgãos oficiais. (Vivarta, 2003, p. 35)

Além disso, não se percebe uma atitude de pressão, por parte dos meios de comunicação, para que os órgãos públicos prestem serviços a esse segmento da população, na medida em que veiculam matérias que envolvem muito mais as entidades filantrópicas e suas realizações, deixando no esquecimento os órgãos do Estado responsáveis por políticas públicas na área, a exemplo da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) e a Secretaria de Educação Especial (SEESP), ou ainda o projeto de lei de autoria do senador Paulo Paim, que busca estabelecer mecanismos e ações legais para assegurar os plenos direitos dessas pessoas.

Freqüentemente, das pessoas com deficiência é retirada a possibilidade de constituírem-se como sujeitos, porque lhes são atribuídas qualidades especiais que tornam natural a sua condição de "pessoa deficiente" e, como tal, sem necessidades cognitivas, de interações sociais ou de aprendizagem. Esse processo de "sublimação" é responsável pelo tratamento assistencialista prestado por instituições especializadas e voluntários que impregnam suas práticas de um amor caridoso justificado por um entendimento de que essas pessoas são naturalmente boas, carentes e puras. É perceptível o sentimento de gratidão que têm essas pessoas pelos "voluntários". Uma certa comiseração se instala nos interstícios da relação "deficiente/voluntário", em que ambos se autocompadecem de suas condições. O "deficiente" torna-se "grato pela atenção dispensada", expressando sua carência e levando seu "agente voluntário" a assumir-se como excepcionalmente bom, solidário e generoso. A filantropia não abarca somente os deficientes, mas os desvalidos. (...)

*LUCIENE M. DA SILVA, doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é professora da Universidade do Estado da Bahia, atuando no Curso de Graduação em Pedagogia e no Programa de Pós-Graduação Educação e Contemporaneidade da mesma universidade. Publicações mais importantes: com FALSARELLA, Ana Maria. Preconceito na escola inclusiva (Presença Pedagógica, Belo Horizonte, Dimensão, v. 8, n. 46, p. 96-106, jul./ago. 2002); com OLAVO, Antonio; PEREIRA, Dirceu de Socorro; GUERRA FILHO, Sérgio. Quilombos da Bahia – Manual Pedagógico (Salvador: Portfolium, 2005); Apontamentos sobre as contradições da questão deficiência e trabalho (In: ENCONTRO MINEIRO DE PSICOLOGIA SOCIAL DA ABRAPSO, 14., 2005, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte, 2005. 1 CD-ROM). Pesquisa em desenvolvimento: "Um estudo sobre o movimento em defesa dos direitos das pessoas com deficiência: a atuação para a inclusão".

Fonte: Revista Brasileira de Educação v. 11 nº 33 set./dez. 2006.

Leia mais: http://www.deficienteciente.com.br/2010/12/midia-e-as-pessoas-com-deficiencia.html#ixzz17uvjnDFL

sábado, 11 de dezembro de 2010

Educação para o trânsito e mobilidade urbana – ações direcionadas para a cidadania


A cada ano estima-se que mais de 800 mil pessoas perdem a vida em acidentes de trânsito no mundo. No Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA e da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, são 30 mil mortes por ano no trânsito e aproximadamente 300 mil pessoas feridas. O setor econômico é diretamente afetado, uma vez que o custo dos acidentes é demasiadamente alto, se considerarmos a frágil economia dos países em desenvolvimento e a grande incidência de acidentes. A maioria destes acidentes envolve os usuários mais vulneráveis: pedestres, ciclistas e motociclistas. Mais de 50% das mortes no trânsito são causadas por atropelamentos que no Brasil, ocorrem a cada 7 minutos (DENATRAN).

A sociedade está se tornando cada dia mais urbana. A proporção entre a população que vive em áreas urbanas e a população total brasileira, ou seja, a taxa de urbanização no país, é de 83,5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) da PNAD, 2008. E, neste contexto, o automóvel apresenta-se como modo de transporte dominante na organização do espaço urbano, e em consequência, na prioridade dos órgãos gestores em relação à mobilidade urbana no Brasil, que obedece à lógica de gestão, centrada quase que exclusivamente nesse único modo de transporte, trazendo efeitos danosos para os cidadãos no que tange à qualidade de vida.

Segundo estudos de Eduardo Vasconcellos (2007) dos 204 milhões de deslocamentos por dia nas cidades brasileiras, mais da metade destes, 51% correspondem a viagens a pé ou feitas de bicicletas, e 29% foram feitas por transporte público. Isso mostra que apenas 20% da população utiliza automóveis ou motocicletas para se deslocarem. A priorização desse modal provoca, entre outros fatores, desequilíbrios ambientais, comprometendo a qualidade de vida de todos os habitantes, afetando sobremaneira o grupo formado por idosos, crianças e pessoas com deficiência. A questão da mobilidade, no entanto não pode ser vista apenas como um problema físico-territorial, devendo envolver, portanto, uma discussão ampla sobre comportamento e cidadania.

As condições atuais das cidades apontam para uma obrigatória mudança de rumos no exercício da mobilidade urbana. Para isto a educação de trânsito constitui-se em uma ferramenta indispensável para a prática da cidadania e para uma “nova mobilidade” fundamentada na utilização dos meios não motorizados, pautando-se na lógica do respeito ao público e imprimindo a noção de comunidade e solidariedade.

“Na prevenção de acidentes, a adoção de medidas de educação que levem os usuários a terem atitudes e comportamentos de convivência no trânsito pode ser considerada como um componente essencial para este objetivo. É necessário a busca de estratégias que possam otimizar ao máximo os recursos disponíveis e estabelecer parcerias que garantam a efetividade das estratégias traçadas. A educação para o trânsito é um setor que possui um grande potencial para efetividade das medidas a serem tomadas nesta área, notadamente se for construída de forma sistêmica e não isoladamente como vem sendo tratada no Brasil. É necessário que ocorra uma “nova cultura” na mobilidade, que promova a apropriação equitativa do espaço e do tempo na circulação urbana, priorizando os modos de transporte coletivo, a bicicleta e os deslocamentos a pé. Essa nova forma de ver a mobilidade deve promover o reordenamento dos espaços e das atividades urbanas, de forma a preservar, defender e promover a qualidade ambiental das cidades brasileiras”. ( Patrícia de Almeida Villela – Pedagoga, coordenadora do Setor de Educação para o Trânsito da SETTRAN, mestranda do Instituto de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia)

Nesse sentido, podemos inferir que a Educação para o Trânsito, como um processo pedagógico tem por finalidade formar ou transformar comportamento através da expressão das potencialidades individuais, possibilitando o desenvolvimento da capacidade crítica e do senso de responsabilidade para a vida coletiva em trânsito. Entretanto, a educação de trânsito, em muitos momentos, reproduz o modelo da opção pelo automóvel em prejuízo dos meios não motorizados constituídos pelos deslocamentos a pé e de bicicleta, fato que precisa ser mudado e que já está sendo modificado em várias cidades brasileiras. A Cia. Engenharia de Tráfego de São Paulo, através do Centro de Educação de Trânsito vem adotando em suas atividades educacionais prioridade aos atores menos favorecidos no trânsito, procurando em suas ações permanentes e pontuais minimizar os conflitos urbanos.

O CETET/CETSP, adotou como uma de suas estratégias a realização de cursos para professores. São cursos presenciais e a distancia (EAD). Vale ressaltar a importância de trabalhar com os educadores que estão em contato diariamente com os alunos na sala de aula, e que podem continuar o trabalho de educação para o trânsito no cotidiano escolar. Na realização desta atividade, é importante que o professor desperte para a necessidade de educar a criança para ser pedestre, ciclista, condutor ou passageiro de veículo. O professor precisa estar ciente de seu papel enquanto multiplicador de atitudes cidadãs e seguras no trânsito, para transmitir aos alunos valores como responsabilidade, gentileza, respeito e cidadania. Os professores inclusive são orientados no atendimento para alunos com deficiência.

É mister ressaltar que ao lado da educação de trânsito, a engenharia de tráfego, o planejamento urbano e a fiscalização de trânsito também são essenciais para a implementação de uma “nova mobilidade” urbana, voltada para a cidadania. Entretanto, a educação para o trânsito possui um caráter especial neste contexto, porque é através da conscientização do indivíduo, ou seja, através de estratégias educacionais voltadas para a cidadania, que será possível a formação de cidadãos críticos, que possam compreender os efeitos danosos que o automóvel traz para a cidade e reivindicar um transporte público de qualidade, calçadas seguras e ciclovias. Sendo capaz de participar da luta em prol de um trânsito mais humano e mais seguro. A educação para o trânsito torna-se, assim, uma ferramenta de importância fundamental para possibilitar uma nova mobilidade urbana, pautada no respeito ao próximo, ao público e ao meio ambiente. Preparar a criança para que ela cuide de sua cidade, que tenha respeito ao próximo, que adquira atitudes básicas de cidadania é fundamental para prepararmos uma relação urbana melhor do que vivemos atualmente.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Acessibilidade nos elementos da urbanização


No planejamento, projeto e na urbanização das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público e suas respectivas instalações de serviços e mobiliários urbanos.

Nos parques, praças, jardins e espaços livres públicos, as instalações sanitárias devem atender às especificações de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Nos estacionamentos viários devem existir vagas reservadas para veículos conduzidos ou que transportem pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Desenho e localização do mobiliário urbano

Os sinais de tráfego, semáforos, postes de iluminação ou quaisquer outros elementos de sinalização vertical devem ser acessíveis, e estar dispostos de forma a não obstruir a circulação.

Os semáforos para pedestres devem dispor de mecanismos de guia e orientação para pessoas com deficiência visual, instalados de acordo com critérios técnicos, como a intensidade do fluxo de veículos e o grau de periculosidade da via pública.

Programa Passeio Livre – cidade de São Paulo

A Prefeitura da Cidade de São Paulo criou o Programa Passeio Livre, que visa conscientizar e sensibilizar a população sobre a importância de construir, recuperar e manter as calçadas da cidade em bom estado de conservação.

Contribuir para melhorar a paisagem urbana, a acessibilidade, o resgate do passeio público pela calçada e a socialização dos espaços públicos, são objetivos do Programa Passeio Livre.

Para a construção e reforma das calçadas da cidade de São Paulo, a Prefeitura está realizando mais uma ação de inclusão social, ao qualificar profissionalmente albergados, para formá-los calceteiros.

Em maio de 2005 foi aprovado o Decreto nº 45 904 que estabelece um novo padrão arquitetônico para as calçadas da cidade de São Paulo.

Se um passeio ou praça pública é acessível a uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida, podemos afirmar que qualquer cidadão conseguirá
usufruir deste espaço.

A conquista da acessibilidade, que a princípio serviria para atender a pessoas com deficiência, beneficia a população, sendo, portanto, uma conquista de toda a sociedade.

Para organizar o passeio público, a Prefeitura definiu um novo padrão arquitetônico que divide as calçadas em faixas. As calçadas com até 2 metros de largura serão divididas em 02 faixas diferenciadas por textura ou cor e as com mais de 2,00 metros, em 03 faixas, também diferenciadas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fonoaudiologia - vídeo de apresentação CFFa

CIRCULAÇÃO E MOBILIDADE DO PEDESTRE NO ESPAÇO URBANO


A estrutura de circulação é a parte do ambiente construído, que permite a circulação física das pessoas e mercadorias, sendo representada pelas vias públicas, passeios e espaços públicos, vias férreas e terminais de passageiros e cargas. Essa estrutura é o suporte físico da circulação propriamente dita, seja a pé ou por meio de veículos (bicicletas, automóveis, ônibus, trens) que são chamados meios de circulação (VASCONCELLOS, 2001).

A circulação de pedestres e veículos de acesso ao uso lindeiro ou de passagem, origina vários conflitos, e para solucioná-los, foram elaborados os espaços de uso de pessoas, os chamados passeios ou calçadas e áreas de uso predominantemente de veículos (eventualmente de pessoas) chamadas de faixas ou pistas de rolamento ou caixa de rodagem.

A necessidade de circular está ligada ao desejo de realizações das atividades sociais, culturais, políticas e econômicas consideradas necessárias ao desenvolvimento da sociedade. Andar a pé constitui a forma mais básica, direta e universal de provimento individual de meios de transporte e o uso de veículos privados, motorizados ou não, constitui a segunda forma de provimento individual de meios de transporte (VASCONCELLOS, 2001).

CIRCULAÇÃO URBANA

A circulação urbana, ou o ato de circular pela cidade, é o exercício da mobilidade mediante o próprio esforço pessoal (a pé ou de bicicleta) ou através de meios motorizados de posse ou uso pessoal, ou providos por terceiros, através de serviços oferecidos. Em todas as situações, a sua manifestação efetiva se dá na infraestrutura urbana.

A circulação tem regras que, em sua maioria, são estabelecidas pelo poder público e afetam as pessoas de maneira diversa, dependendo do papel que desempenham em um determinado momento. O fato da maior parte das regras de circulação tratar dos meios de transporte motorizado indica, por um lado, a importância deste tipo de transporte para a sociedade e, por outro, a ameaça que eles potencialmente representam.

Para os veículos em geral, são estabelecidos sentidos obrigatórios de direção em algumas vias, regulamentados limites para as velocidades permitidas, definidos lugares da via pública onde é permitida ou não a parada ou o estacionamento; para o transporte coletivo, são pré-determinados os trajetos e os pontos de parada; bicicletas não são autorizadas a circular em algumas vias; o transporte de carga pode sofrer restrições espaciais ou temporais de circulação; e assim por diante.

No caso da movimentação urbana, o poder público precisa intervir nos conflitos entre os diversos agentes em defesa do seu lado mais frágil, o pedestre, construindo espaços onde ele tem prioridade sobre os demais veículos: as calçadas e as faixas de travessia.

As regras de circulação não se limitam às condições de uso do espaço, estendem-se aos veículos e às pessoas. O Código de Trânsito Brasileiro reserva um capítulo inteiro para classificar os tipos de veículos, determinar equipamentos mínimos de uso obrigatório e para identificação, registro e licenciamento deles.

A gestão da circulação é mediada pelo poder público em diversos níveis: algumas ações são de competência única e exclusiva das administrações municipais, dado o seu interesse exclusivamente local, outras são padronizadas para todo o território nacional ou até adotadas internacionalmente.

Ao estabelecer essas normas, o Estado atua em nome do interesse coletivo, principalmente em defesa da segurança das pessoas, mas também para reduzir impactos negativos de vizinhança, preservar o meio ambiente ou buscar uma maior equidade no uso e na apropriação da cidade.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Envelhecimento em Pessoas com Deficiência Física - Parte 1

A matéria abaixo, foi extraída do site Bengala Legal.
Artigo escrito pelas psicólogas Marinéia Crosara de Resende* e Anita Liberalesso Neri**.

Ajustamento psicológico e perspectiva de velhice pessoal em Adultos com deficiência física

Resumo

Foram investigadas relações entre senso de ajustamento psicológico e perspectiva de velhice em adultos e idosos com deficiência física. Participaram 90 pessoas, de ambos os sexos, com idade entre 25 e 84 anos, que responderam aos instrumentos: questionários sociodemografico e sobre a deficiência física; Inventário Sheppard de Atitudes em Relação à Velhice Pessoal; Escala de Desenvolvimento Pessoal (ajustamento psicológico). Os índices de ajustamento pessoal foram de moderados a altos, mas as mulheres pontuaram mais baixo. Para toda a amostra, quanto maior o senso de ajustamento, mais positiva a perspectiva de velhice pessoal. Os com deficiência congênita e os mais ajustados psicologicamente mostraram perspectivas mais positivas de velhice pessoal. Concluiu-se que envelhecer com uma deficiência física é um processo que exige competência adaptativa e resiliência aos eventos de vida e aos desafios acarretados pela deficiência.

Envelhecimento, Ajuste Psicológico e Pessoas com Deficiência
Envelhecer bem requer ajustamento pessoal e social, que pode ser comprometido por condições deficitárias de saúde e educação ao longo do curso de vida.
Se o indivíduo tiver alguma deficiência física congênita ou adquirida antes da velhice, suas condições de desenvolver-se e envelhecer com sucesso sofrerão prejuízo maior ou menor e mais ou menos controlável, dependendo da extensão e da natureza da sua deficiência, dos recursos de apoio que o ambiente sociocultural lhe oferecer ao longo de toda a vida e de seus recursos psicológicos.

Deficiência Física e Ajustamento
A partir da síntese de teorias clássicas sobre a personalidade, Ryff (1989) propôs um modelo multidimensional de bem-estar psicológico, correspondente a funcionamento psicológico positivo como sinônimo de ajustamento, e uma condição do self relacionada a seis domínios do funcionamento psicológico: autoaceitação, relações positivas com os outros, autonomia, domínio sobre o ambiente, propósito na vida e crescimento pessoal.

A autoaceitação significa uma atitude positiva do indivíduo em relação a si próprio e a seu passado; significa reconhecer e aceitar suas características positivas e negativas. O sentimento de aceitação gera estima, confiança e segurança em si e nos outros (Ryff, 1989). A aceitação da deficiência é definida como um dos melhores indicadores de ajustamento positivo após uma deficiência e caracterizada por:

a) capacidade do indivíduo com deficiência de perceber valor em habilidades e metas que não foram perdidas em consequência da deficiência;
b) avaliação do próprio valor, de atributos e capacidades, baseada não apenas em aspectos físicos, mas também em outros (por exemplo, persistência, inteligência);
c) mesmo quando o indivíduo é influenciado por percepções, atitudes e linguagem de outras pessoas, foca a sua própria atitude em relação à deficiência, enxergando-a como mais uma de suas características, e não a única;
d) em seu nível mais básico, ocorre quando o indivíduo reconhece o valor único da junção de suas características e habilidades, mais do que quando faz comparações com padrões externos e frequentemente inatingíveis (Elliott, Kyrlo & Rivera, 2002, citado por Schmitt & Elliott, 2004).

Ter relações positivas diz respeito a manter com os outros uma relação de qualidade, uma relação calorosa, satisfatória e verdadeira; preocupar-se com o bem-estar do outro e ser capaz de manter relações afetuosas e agradáveis, sejam elas familiares, de intimidade ou de amizade (Ryff, 1989).

Relações sociais significativas permitem o desenvolvimento do self, dão sentido às experiências e podem oferecer apoio, importantes elementos no processo de adaptação, principalmente em momentos de transição da vida adulta. No caso específico das pessoas com deficiência física, o apoio social pode tornar-se mais significativo. O indivíduo se sente mais amado e estimado e com sensação de controle sobre sua própria vida (Nogueira, 2001).

A autonomia implica em ser autodeterminado e independente, mesmo que a pessoa necessite de apoio para operacionalizar suas escolhas e, às vezes, até para o exercício de atividades de vida diária. Implica em tomar decisões de acordo com o que acredita ser melhor, dentro de seus próprios padrões, e em não ser influenciado por pressões sociais para pensar e agir (Ryff, 1989).

O conceito de autonomia pode ser comparado aos conceitos de autodeterminação, independência, locus de controle interno, individuação e regulação interna do comportamento, aos quais se subordinam as crenças de que os pensamentos e ações são próprios à pessoa e não são determinados por causas independentes do próprio controle. Está relacionado ao conceito de liberdade, e, como teorizou Kant, é a capacidade de autonomia que traz aos seres humanos dignidade (Cristopher, 1999).

Segundo Ryff (1989), o senso de domínio sobre o ambiente significa ter competência para manejar o ambiente, usufruir as oportunidades que surgem ao redor, apresentar habilidades para escolher ou criar contextos adequados às suas necessidades e valores, eliminar barreiras e fazer adaptações pessoais ou no ambiente, quando necessárias. É preciso que seja compatível com as capacidades físicas e com as competências comportamentais das pessoas para permitir melhor adaptação. Pessoas que apresentam maior habilidade para manejar o ambiente têm senso de controle mais elevado.

De acordo com Sirois, Davis e Morgan (2006), teorias de adaptação cognitiva à adversidade sugerem que crenças de controle têm um papel central na vida do indivíduo. Segundo Folkman (1984), o papel do controle no ajustamento vai depender do significado das crenças de controle em cada situação, e quando as oportunidades de controle são limitadas em determinado contexto, a pessoa irá buscar algum aspecto da própria situação onde ela tenha esse senso de controle, para se fortalecer. Questões sobre controle podem ser particularmente importantes no contexto de débitos na saúde, tendo-se em vista que em alguns casos de doenças crônicas as oportunidades de controle estão limitadas, mesmo que sejam sobre o ambiente (Sirois, Davis & Morgan, 2006).

Ter propósito de vida significa ter metas na vida e um senso de direção; a pessoa percebe que há sentido em sua vida presente e passada; tem crenças que dão propósito à vida; acredita que a vida é significativa e, a despeito de todos os obstáculos, tem motivação para continuar vivendo (Ryff, 1989). Janoff-Bulman e Frantz (1997, citado por Pakenham, 2005) propuseram que a adaptação positiva em face da adversidade envolve uma tentativa de encontrar sentido num evento traumático e achar algum benefício nesta experiência.

Segundo Ryff (1989), pessoas ajustadas têm alto senso de desenvolvimento e crescimento contínuo; estão abertas a novas experiências; reconhecem seu potencial de realização, e suas mudanças refletem autoconhecimento e autoeficácia. Bauer e McAdams (2004) citam Maslow (1968) para ressaltar que pessoas orientadas para o crescimento ou para a segurança em suas vidas têm melhor saúde psicológica e senso mais alto de bem-estar psicológico. Para psicólogos de orientação humanista, as pessoas que pensam na vida principalmente em termos de certos valores (por exemplo, inteireza, justiça, autonomia, empatia) estão no caminho do crescimento pessoal para maiores níveis de saúde psicológica e bem-estar.

Outro aspecto importante associado ao ajustamento psicológico é o conceito de geratividade de Erikson (1950). O autor propôs uma teoria do desenvolvimento psicossocial que descreve tarefas a serem realizadas em diferentes estágios da vida. A geratividade é um conceito amplo; segundo Erikson (1950), é um tema típico da meia-idade. É definida como deixar um legado espiritual para as próximas gerações e vista como um tema central da velhice (Erikson, Erikson & Kvinick, 1986).

A realização da geratividade é um desafio evolutivo que contrasta com o seu oposto, a estagnação, e que deve ser enfrentado durante a vida adulta, mas de modo especial nos anos mais avançados da vida humana. A resolução deste conflito entre geratividade e estagnação resulta na força básica que é o cuidado.

O esforço vital do cuidado é a principal conquista resultante da resolução do conflito, estendido para o que foi gerado pelo amor (os filhos), pela necessidade (o cuidado dos pais) ou por escolha (a atuação profissional como educador).

Para ser gerativo é preciso dedicar-se a algo, acreditar e se empenhar. O sentido da geratividade é de preservação da espécie, de deixar sua marca no mundo. Para McAdams, Hart e Maruna (1998), a geratividade se expressa em termos de preocupações e de ações, ambas correspondentes às dimensões criar ou gerar, manter e oferecer.

Indivíduos bem-ajustados têm mais habilidade para adaptar-se às demandas sociais e emocionais da vida cotidiana (Bauer & McAdams, 2004). Mesmo na presença de perdas, que podem ser reduzidas ou ampliadas de acordo com as condições da pessoa, o ser humano sempre aspirou a viver longamente, com autonomia e com boa saúde, tendo uma boa velhice.

*Marineia Crosara de Resende
Psicóloga, Professora Adjunto Nível 1 da Universidade Federal de Uberlândia.
Endereço para correspondência. Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Psicologia.
Av. Pará, 1720, Campus Umuarama, CEP 38405-382, Uberlândia-MG, Brasil.
E-mail: marineiaresende@gmail.com

Pessoa com Deficiência Visual - relacionamento com a cidade

Ilustração: Jean Galvão, http://jeangalvao.blogspot.com

A utilização dos pisos táteis visa atender não somente a orientação espacial das pessoas com algum tipo de deficiência visual, mas a todos os indivíduos que circulam pelos espaços, criando percursos seguros que indiquem as direções a seguir e alertar sobre barreiras ou perigos potenciais existentes ao longo deste percurso.

No caso das pessoas com restrição visual total, a obtenção destas informações se dará por meio dos contrastes de sonoridade, textura e resistência nos pisos especiais em relação aos pisos adjacentes. Para as pessoas com baixa visão, além destas características, devem-se considerar os tipos de contraste de cor perceptíveis e a eliminação de reflexos.

Os pisos táteis são classificados em dois tipos: os de alerta e os direcionais.

A sinalização de alerta deve ser utilizada quando há risco de segurança, como na identificação de obstáculos suspensos, rampas, escadas fixas, degraus isolados, frente a elevadores e em desníveis. O piso tátil de alerta deve ser cromo-diferenciado (de outra cor) ou deve estar associado à faixa de cor contrastante com o piso adjacente.

A sinalização tátil direcional deve ser utilizada quando da ausência ou descontinuidade de linha-guia/guia de balizamento identificável, como guia de caminhamento em ambientes internos ou externos, ou quando houver caminhos preferenciais de circulação.

Na rua

Caso a pessoa cega precise se locomover como atravessar uma rua, por exemplo, e tenha aceitado a sua ajuda, coloque a mão dela no seu cotovelo dobrado ou no seu ombro, e deixe que ela acompanhe o seu corpo enquanto vai andando. Avise, sempre com antecedência, se existem degraus, pisos escorregadios, buracos ou qualquer outro obstáculo que possa impedir a livre circulação de vocês durante o trajeto. Ande em passos normais. Lembre-se sempre de usar o bom senso. Em um corredor estreito, onde só pode passar uma pessoa, vá à frente e coloque seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa continuar a seguir você.

A bengala é como uma extensão da pessoa com deficiência visual. Portanto, não a puxe pela bengala e nem tente guiá-la por esse equipamento.

Escada impede que convidada cadeirante vá à mesa do Senado

Matéria publicada pelo Jornal Folha de São Paulo



Izabel Maior, secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência, perto da escada que impediu seu acesso à mesa da Casa

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

Convidada para a abertura da 6ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência no Senado, a secretária de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência se viu impossibilitada de ter acesso à mesa da Casa.

Alguns degraus tornavam o local inacessível para Izabel Loureiro Maior, cadeirante e principal autoridade federal para o segmento. Ela integra a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ligada à Presidência.

Pela praxe, quem não está na mesa não é citado nos discursos dos congressistas, disse ela à Folha. "Não ser citada mostra a barreira."

"Infelizmente, hoje nós ainda não poderemos contar com sua presença aqui ao nosso lado, mas sinta-se como se aqui estivesse", disse Heráclito Fortes (DEM-PI), que presidia a abertura do evento, cujo slogan é "Acessibilidade está na moda".

Fortes também pediu desculpas pelo fato de o elevador que dá acesso às galerias, de onde o público acompanha as sessões, estar quebrado. É só por meio dele que um cadeirante chega ao setor.

Reportagem publicada pela Folha em novembro mostrou a falta de estrutura dos órgãos públicos federais com relação à acessibilidade.

À época, a responsável pelo programa Senado Inclusivo e chefe do cerimonial, Mônica Freitas, afirmou que o plenário era acessível por meio de uma rampa móvel.

Questionada ontem, disse que a rampa não existe mais. Segundo ela, uma reforma para dar acesso ao plenário está prevista para julho.

Nota do blogueiro: o jornalista Jairo Marques já havia detectado esse problema.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

SP só tem uma praia totalmente acessível a pessoas com deficiência

Dez meses depois, programa que prometia facilitar a vida de quem usa cadeira de rodas patina; só Bertioga oferece serviço todos os dias.

O Estado de São Paulo só tem uma praia completamente acessível diariamente a pessoas que precisam de cadeiras de rodas - a da Enseada, em Bertioga, no litoral sul. Nas demais, chegar ao mar ainda é um desafio para pessoas com deficiência. E, dez meses depois de lançado pelo governo do Estado, o Programa Praia Acessível ainda patina em pelo menos seis das sete cidades.

Apresentado como alternativa para promover a acessibilidade no litoral paulista, o projeto distribuiu cerca de 30 cadeiras anfíbias - equipamentos com grandes rodas, que permitem ao usuário cruzar a faixa de areia e flutuar na água. Boa parte delas, no entanto, hoje está parada ou funciona parcialmente.

Algumas prefeituras e conselhos municipais de pessoas com deficiência reclamam que o Estado "largou" as cadeiras com os municípios e esqueceu de disponibilizar as outras estruturas. Faltam tendas, monitores e banheiros químicos adaptados. Já o Estado diz que o programa previa uma parceria.

Em São Sebastião, no litoral norte, as cadeiras ficam disponíveis nos fins de semana e feriados nas praias centrais da cidade. Em Guarujá, Praia Grande e Ilha Comprida, no litoral sul, as cadeiras hoje estão guardadas. Já em Ilhabela, é preciso agendar horário. E o voluntário Alexandre Marques, de 41 anos, é o responsável pelo programa funcionar aos domingos em Santos. "É tudo na base da boa vontade. Não temos ajuda. Fica difícil assim", afirma.

Ao lançar o programa, a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência afirmou que as cadeiras estariam disponíveis de terça-feira a domingo. "Por que só posso ir à praia no domingo?", pergunta Luciano Marques, representante na Baixada Santista do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Segundo ele, as prefeituras da região aprovaram uma verba de R$ 1 milhão para comprar nove esteiras - uma para cada cidade da Baixada Santista -, que deverão facilitar o trânsito das cadeiras de rodas na areia.

Santos tem até iniciativas próprias. Instalou nas praias do Boqueirão e Gonzaga plataformas de madeira que levam os cadeirantes até perto do mar. No entanto, com frequência o equipamento fica coberto de areia. A prefeitura diz fazer manutenção após ressacas do mar.

Aos 30 anos, a jornalista Laís Serrão usa cadeira de rodas e faz fisioterapia no Boqueirão. Ela diz que também gostaria de poder usar a cadeira anfíbia todos os dias. "É uma sensação maravilhosa. Gostaria de entrar diariamente. Pena que não posso."

Bom exemplo. E o que fez de Bertioga um bom exemplo? Lá, a prefeitura fez uma parceria com o Sesc local. Uma tenda com monitores e cinco cadeiras especiais fica aberta diariamente das 8h às 15h. O Sesc, que fica na beira da praia, tem outros itens de acessibilidade, como rampas e piso tátil. Para as entidades que atuam no setor, a iniciativa de Bertioga é pouco para um Estado com 15 cidades com praias.

Fonte: www.estadao.com.br

A cidade e as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida


A disputa pelo espaço urbano entre veículos e pessoas é grande. Nessa luta diária, os pedestres, embora mais numerosos, são obrigados a caminhar em calçadas estreitas e às vezes mal conservadas, deparam-se com grande quantidade de obstáculos e barreiras, e muitas vezes colocam a própria vida em risco.

Os investimentos em transporte coletivo, a valorização dos modais não poluentes (como a bicicleta) e o incentivo aos percursos a pé estão mudando a paisagem da cidade. Mas estamos só no começo desta jornada.

A via pública deve ser segura e confortável a todos os seus usuários; a sinalização deve ser clara, de fácil compreensão tanto para pedestres como para veículos; a quantidade de informação na via deve ser a essencial, reduzindo-se a poluição visual; os espaços devem ser convidativos ao caminhar, ao estar e à contemplação; e as vias devem possuir vegetação, reduzindo as zonas de calor e contribuindo com a melhoria da qualidade do ar.

Nesse cenário, o conceito de acessibilidade desempenha papel fundamental para a promoção da igualdade social e para que pessoas com diferentes características, habilidades e condições de mobilidade utilizem o espaço público. É preciso derrubar preconceitos. A acessibilidade não deve ser vista de forma segregada das de mais funções da cidade, destinada exclusivamente a pessoas com deficiências. Ela deve estar integrada a todos os projetos e programas, públicos e privados, nos seus diversos segmentos e para todas as pessoas.

Tornar o espaço público e as edificações acessíveis, dentro do conceito do Desenho Universal, é pensar a cidade futura, onde todos têm acesso à educação, esporte, lazer, trabalho e transporte. É promover a cidadania, diminuindo a desigualdade social.É comum ouvirmos as pessoas mencionarem “que é difícil ver uma pessoa com deficiência na rua, na escola, no ônibus ou em qualquer outro lugar. Na realidade o que ocorre é uma questão urbana. As cidades se apresentam de uma forma tão desfavorável para essas pessoas, que o simples passeio tornar-se uma aventura periculosa.

Guias não rebaixadas, informações não disponíveis para pessoas com deficiência visual, dificuldades para pessoas com andam devagar, como muletantes, enfim, diversos outras barreiras desestimulam as pessoas com deficiência a exercitar sua cidadania. Houve avanços, mas precisamos seguir em frentes.

E um cenário assim, a educação para o trânsito exerce papel fundamental na busca do equilíbrio da situação urbana e no resgate da cidadania.

Zé Matuto

JAIRO MARQUES

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Carência de bons acessos à beira-mar não prejudica apenas as pessoas que dependem de quatro rodas
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O CALORÃO E OS TORÓS ao final da tarde já começaram a dar as caras aqui por São Paulo prenunciando a chegada do verão. Seguindo o exemplo de Zé Matuto, personagem hilário do genial Luiz Gonzaga, aproveitei para ir à praia e ver "as rabicholas (cangas) nas cadeiras das mulés".

Acontece que o marzão gostoso e a areia fresquinha, apesar de terem jeito e propaganda de democratas totais, aqui no litoral brasileiro selecionam quem os pode desfrutar. As praias não são nada acessíveis para o povo que anda em cadeira de rodas, por exemplo.

Mas dei de ombros para os empecilhos e escolhi o Guarujá, uma praia aqui pertinho da capital paulista, para torcer para que "as tangas voassem", ainda no meu projeto de Zé Matuto. Como minha mulher não é daquelas ciumentas, foi comigo pelejar para ver se arrancava o amarelão de escritório da pele.

Nosso "prazer" de veraneio começou bem antes de chegar à areia. As calçadas da orla de uma das cidades turísticas mais ricas e procuradas do país parecem que foram cedidas para campo de treinamento de guerra: é pura cratera. Sem falar que há um hábito pouco louvável dos "barraqueiros" locais de colocarem lixo ao longo do passeio.

"Que vergonha que é isso, não é, menino? Um abandono total!", exclamou um senhor bonachão e pançudo, de uns 60 e poucos anos, ao cruzar comigo e minha deusa tentando transitar pela buraqueira.

Carência de bons acessos à beira-mar, com calçadas decentes, não prejudica apenas quem depende de quatro rodas como eu e os bebês que andam de carrinho. Idosos cujo equilíbrio já não permite grandes proezas podem se trumbicar, esportistas correm risco de lesão, crianças ficam expostas a fazer "dodói".

E como fazer para que eu pudesse afundar minhas rodas na areia e ficar lá, bem sapão, tomando suco de cevada, como é direito de todo cidadão com mais de 30 anos? Não havia rampas de acesso com o mínimo de segurança. O que existia eram "bem bolados" feitos no jeitinho por algumas "almas caridosas".

O Zé Matuto de Luiz Gonzaga escreveu para o Clodovil, em sua época, para criticar os tamanhos minúsculos das tangas das mulheres na praia. Como o costureiro e ex-deputado já morreu, fiquei sem saber pra onde eu mandaria meus questionamentos sobre a precariedade da acessibilidade litorânea.

Quer saber se foi possível molhar os cambitos na água salgada? Nem que minha parceira fosse aquela moça forçosa -a She-Há- para me arrastar. A faixa de areia é muito grande -o que é ótimo- e a cadeira, "difinitivamente", como diz minha tia Filhinha, empaca.

Mas os engenhosos já desenharam a solução para isso. Existe uma esteira, feita de materiais diversos, que permite ao cadeirante ou outros seres sobre rodas chegar pertinho do mar, sem esforços. Custa barato. Porém, por enquanto, apenas iniciativas isoladas adotaram a medida para tornar a praia de todos.

Ir ao banheiro, nem pensar. Casinha acessível em praia eu só vi em Fortaleza (CE). Bacana terem lembrado que quem não anda tem bexiga! Nem mesmo no litoral carioca, cheio dos badalados "postos", vi mictório com mais espaço para as reflexões do pessoal do meu mundo paralelo. Agora, parece que vão reformar tudo por lá, não custa torcer...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Grupo percorre SP de cadeira de rodas e olhos vendados

Grupo sentiu na pele as dificuldades por que passam deficientes físicos.
Trajeto previa viagem de metrô, trem, ônibus e táxi da Luz à Paulista.

Do G1 SP

Deficientes físicos e pessoas sem deficiência aceitaram o desafio de andar de metrô, trem, ônibus e táxi pelas ruas de São Paulo neste sábado (4) de cadeira de rodas ou olhos vendados. Foi o Bike Tour pela inclusão. O ponto de encontro da equipe foi no Parque da Luz .

Participam do "Bike Tour pela Inclusão", oito deficientes físicos - sendo quatro cegos e quatro de cadeiras de rodas - e outras oito pessoas que não têm deficiência, mas aceitaram o desafio de enfrentar as dificuldades que cadeirantes e cegos encontram no dia a dia da cidade grande.

“Esse pessoal se supera fisicamente e mentalmente. É um exemplo para gente se espelhar. Olha como eu estou esbaforido.”, disse o advogado Adriano Stringhini.

O grupo saiu do Parque da Luz, pegou o metrô na estação Tiradentes até a estação Luz e de lá foi de trem para o Brás. Depois, fez uma uma caminhada até o Largo da Concórdia para pegar um ônibus para a Praça da Sé, de onde seguiu de táxi até a Avenida Paulista.

No metrô, Tayná, vencedora da última edição do Menina Fantástica, sentiu as dificuldades de ser cega por um dia. "Foi um pouco dificil embarcar. Com o movimento, não sabia onde estava a cadeira. Foi bem difícil." Vital Severino que convive com a cegueira há 50 anos, reclama dos problemas. “Precisamos ter um espaço adequado pra gente caminhar, calçadas sem obstáculos.”

Depois do metrô, o desafio do grupo foi fazer a conexão para a CPTM. Fábio precisou de ajuda para ultrapassar o vão entre o trem e a plataforma. Na caminhada pela rua até o largo da Concórdia as dificuldades foram ainda maiores. Na travessia, outro obstáculo. Um motorista parado em cima da faixa. Pegar um ônibus com os equipamentos de acessibilidade foi um alívio para eles.

Circulação urbana da pessoa com deficiência

Charge - Flávio Caldeira
descrição imagem: cadeirente estacionado em local proibido sendo autuado.
Em função da idade, estado de saúde, estatura e outras condicionantes, várias pessoas têm necessidades especiais em relação a receber informações, chegar até os terminais e pontos de parada, entrar nos veículos e realizar seu deslocamento através dos meios coletivos de transporte ou, simplesmente, se deslocar no espaço público. Essas pessoas são as consideradas Pessoas com Restrição de Mobilidade e, neste grupo, estão incluídas as Pessoas Com Deficiência.

As deficiências podem ser divididas em cinco grupos, quais sejam: deficiências físicas, intelectuais, sensoriais, orgânicas e múltiplas. Cada deficiência gera determinados tipos de incapacidades e desvantagens, que por sua vez podem ser divididas em desvantagens ocupacionais, de orientação, de independência física e de mobilidade.

O último censo do IBGE revela que 14.5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, totalizando 27 milhões de pessoas (atualizando os dados de acordo com a população atual), não considerando as pessoas com restrição de mobilidade.

Além disso, em 2000, o Brasil possuía 8.5% de idosos (14 milhões de pessoas), ou 1 pessoa idosa em 26.5% dos lares. Esta população aumentou duas vezes e meia, mais rápido que a população jovem, entre 1991 e 2000, e 75% dos idosos são considerados pobres.

Estima-se que em 2025, 15% da população brasileira estará com idade superior a 60 anos. Historicamente, a acessibilidade aos sistemas de transportes foi entendida como a adaptação da frota e teve como imagem principal o acesso do usuário de cadeiras de rodas, através de elevadores, aos diversos tipos de veículos utilizados no Brasil. Esta visão impediu uma abordagem mais abrangente do problema ao desconsiderar os demais tipos de deficiências existentes. Na abordagem mais atual da questão, trata-se de discutir a mobilidade das pessoas com deficiência pela cidade, através dos vários modos possíveis de transporte e as adequações nos espaços públicos para garantir a sua circulação.

As cidades apresentam-se com inúmeras barreiras: econômicas, políticas, sociais e arquitetônicas. A existência de barreiras físicas de acessibilidade ao espaço urbano acaba por dificultar ou impedir o deslocamento de pessoas com deficiências e outras que possuem dificuldades de locomoção.

A acessibilidade deve ser vista como parte de uma política de inclusão social que promova a equiparação de oportunidades e o exercício da cidadania das pessoas com deficiência e não deve se resumir à possibilidade de entrar em um determinado local.

Tão importante quanto adequar os espaços públicos para garantir a circulação dessas pessoas, eliminando-se as barreiras existentes, é não serem criadas diariamente novas barreiras, o que pode ser percebido na quase totalidade dos municípios brasileiros.

Este projeto de resgate da cidadania não pode ser feito com o trabalho de setores isolados e com certeza será atingido através de esforços combinados das três esferas de governo, com a participação social, norteados por uma visão de sociedade mais justa e igualitária. Trata-se de fomentar um amplo processo de humanização das cidades a partir do respeito às necessidades de todas as pessoas para usufruírem a cidade. É necessário que se promova a sensibilização da sociedade, a elaboração de políticas públicas, a adequação de ambientes edificados e naturais, a adequação do sistema de transporte, o acesso às tecnologias e a aplicação e aperfeiçoamento da legislação específica.

A promoção da mobilidade das pessoas com deficiência serve de indutor a uma completa reformulação dos espaços públicos através da implantação dos princípios e diretrizes da mobilidade urbana sustentável. Entre eles:

- diminuir o número de viagens motorizadas;

- repensar o desenho urbano;

- repensar a circulação de veículos, não sendo o automóvel o único determinante ou critério da organização da cidade;

- desenvolver meios não motorizados de transporte;

- reconhecer a importância do deslocamento de pedestres;

- proporcionar mobilidade às pessoas com deficiências e restrições de mobilidade;

- priorizar o transporte coletivo; considerar outros modos de transporte; estruturar a gestão local, afirmando o papel regulador do município na prestação de serviços.

Compete ao poder público, adotar diversas ações para melhorar o acesso as várias categorias de usuários que se utilizam do sistema de transporte com dificuldade, juntamente com ações que darão acesso a pessoas que hoje não o utilizam. A política de transporte público deve estar inserida neste objetivo e é responsabilidade dos órgãos gestores governamentais encontrar soluções para garantir o deslocamento com qualidade das pessoas com deficiência, a partir de uma realidade adversa existente nas cidades.

A educação para o trânsito não pode ignorar o movimento mundial de inclusão e relegar as especificidades dessas pessoas na circulação urbana.
Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas na mobilidade urbana constituem fator de exclusão social, a ação conjunta de todos pode em muito contribuir para o avanço da inclusão. Para isso é necessário que os educadores de trânsito estejam preparados para orientar todas as pessoas, conhecendo a realidade onde elas vivem.
Não podemos conceber que as atividades educacionais de trânsito estejam fora do contexto geral da inclusão; na cidade de São Paulo, segundo o censo de 2000 do IBGE temos aproximadamente 1,5 milhão de pessoas com algum tipo de deficiência, notamos que é um universo muito grande para ficar assim, no silêncio e no imaginário das pessoas.

Não podemos mais separar trânsito do contexto da cidade, da mobilidade urbana, acessibilidade e da sustentabilidade. Como podemos orientar o (a) aluno (a) com deficiência a circular de modo seguro pela cidade? A orientação é a mesma para aqueles que não têm deficiência? É possível trabalhar com todos ao mesmo tempo?

Sob a ótica da inclusão devemos ter todas as atividades inseridas na temática. Quando orientamos uma pessoa a realizar uma travessia segura, será que podemos orientar da mesma forma uma pessoa com deficiência visual ou cadeirante? Evidente que não. A realidade da cidade é diferente em suas regiões. Algumas dispõem de rampas de acesso entre as calçadas e outras não. Portanto, devemos estar preparados para essas particularidades da cidade.

Convidamos todos a entrarem num mundo diferente, e observar nas diferenças um modo de aproximar as pessoas. Estudos e experiências realizados no Brasil e no mundo demonstram que a inclusão é benéfica para todos os envolvidos, portanto, encare esse novo desafio e juntos vamos construir uma cidade mais inclusiva.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Por uma infância sem racismo

Folha de São Paulo
TENDÊNCIAS/DEBATES

MARIE-PIERRE POIRIER

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A criança, ao vivenciar esse cotidiano de desigualdade, tem a percepção de que negros, brancos e indígenas ocupam lugares diferentes
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O Brasil é formado por muitas cores, vindas de quase todas as regiões do mundo. Essa combinação de diferentes povos e culturas é, sem dúvida, uma característica da população brasileira.

Mas, se essa diversidade é uma riqueza, por que ainda persistem desigualdades nas oportunidades?

Com o crescimento econômico brasileiro das últimas décadas, o analfabetismo caiu, a população tornou-se predominantemente urbana e o sistema de ensino superior passou por uma grande expansão.

Em geral, as desigualdades de renda diminuíram, resultado de políticas salariais e de transferência de renda aliadas a forte política de proteção social e expansão industrial. Mesmo assim, as desigualdades raciais persistiram e, em alguns aspectos, continuam críticas.

Embora as políticas públicas no país tenham sido construídas para todas as crianças, ainda não foram universalizadas em seus efeitos.

Estudos socioeconômicos e análises do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostram que os avanços alcançados não conseguiram ainda gerar impactos suficientes nas situações de desigualdades da população -sobretudo de crianças, adolescentes e mulheres negras e indígenas. A falta de acesso a serviços impõe obstáculos a negros e indígenas mesmo antes do nascimento.

Apenas 43,8% das grávidas negras têm acesso ao mínimo de sete consultas pré-natais, indicador que entre as brancas é de 72,4%.

Tal fato produz um efeito imediato e devastador na vida da criança.
Um bebê negro tem 25% mais chance de morrer antes do primeiro aniversário do que uma criança branca. Essa desigualdade é mais assustadora entre crianças indígenas, que têm duas vezes mais chances de não sobreviver aos primeiros 12 meses de vida em relação às crianças brancas.

O racismo também compromete o direito de aprender. Uma criança indígena tem quase três vezes mais chance de estar fora da escola do que uma criança branca. Da mesma forma, do total de 530 mil crianças de sete a 14 anos que não estudam, 62% são negras (Pnad, 2009).

Na adolescência, encontramos uma das faces mais cruéis do impacto do racismo. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) mostrou que um adolescente negro que vive nas cidades com mais de 100 mil habitantes tem 2,6 vezes mais risco de morrer vítima de homicídio do que um branco.

Quando se fala em pobreza, a iniquidade segue o mesmo perfil. No país, 45,6% das crianças vivem em famílias pobres (renda per capita de até meio salário mínimo). São 26 milhões de crianças nessa situação. Dessas, 17 milhões são negras.

A análise segundo a cor de pele confirma a desigualdade socioeconômica e revela uma profunda desigualdade racial. Entre as crianças brancas, a pobreza atinge 32,9%; entre as crianças negras, 56%.

As estatísticas oficiais mostram uma situação de desvantagem e exclusão que tem reflexos muito concretos na vida de crianças e adolescentes. A criança, ao vivenciar esse cotidiano de desigualdade, tem a percepção de que negros, brancos e indígenas ocupam lugares diferentes na sociedade.

Por isso, torna-se fundamental uma socialização que desconstrua essa percepção, contribuindo dessa forma para mudar a realidade.

A campanha que o Unicef acaba de lançar promove a reflexão sobre essas disparidades raciais. O objetivo é alertar a sociedade sobre o impacto do racismo na infância e na adolescência e estimular iniciativas de redução das desigualdades.

Não podemos aceitar que a cor da pele determine a vida de crianças. Afinal, qual sorriso é mais bonito? Qual vida vale mais? Reconhecer e lutar contra o impacto do racismo na infância é condição primordial para uma sociedade que deseja garantir a igualdade de oportunidades e a valorização da diversidade para todos.

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MARIE-PIERRE POIRIER, 49, economista, é representante do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Brasil.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Programa do Jô - Humor da Caneca com Flavio Chato 28/10/2010

Momentos do seminário de ontem da CETSP

Descrição da imagem: início do seminário; autoridades da CET, Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e da Secretaria Municipal dos Transportes, no primeiro plano, maestro canta o Hino Nacional Brasileiro.
O Seminário Inclusão da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na Educação para o Trânsito, foi realizado ontem, aqui em São Paulo. Foi um momento de muita reflexão, surpresas e encontros. O evento fazia parte da grade de programação da Virada Inclusiva (evento da Prefeitura de São Paulo) e foi aberto pelo Diretor da CETSP, Irineu Gnecco Filho, que destacou a importância do curso de mesmo nome lançado ontem, onde o universo das pessoas com deficiência merece um estudo e ações mais efetivas por parte de todos. Logo depois, o secretário executivo da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Eduardo Flores Auge, destacou o processo facilitador da Secretaria na Inclusão e informou os objetivos da mesma.

Descrição da imagem: Cláudia Cotes, presidente da ong http://www.vezdavoz.com.br/ , faz sua palestra.

Coube a mim, discorrer o histórico da Inclusão dentro da CET, relatanto dificuldades, conquistas e derrotas. Foi um momento especial.


Descrição da imagem: o Diretor da CET, Irineu, em foto comigo, meu filho e minha parceira Deisy Paula.

Depois de mim, Elisa Prado, arquiteta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, deu uma aula sobre o programa Passeio Livre, programa que visa reformar e refazer todas as calçadas da cidade de São Paulo, tornando-a mais acessível.

Descrição da imagem: estou fazendo minha palestra, ao lado da minha amiga Deisy Paula.

Cláudia Cotes, proporcionou momentos de muita emoção, quando em sua palestra, Inclusão na mídia, contou a história de sua vida pessoal, os motivos que a levaram a entrar no tema Inclusão e ainda, disse que faremos juntos um vídeo educativo de trânsito totalmente inclusivo.

A jornalista Lia Crespo ministrou ensinamentos sobre a importância da inclusão para crianças com deficiência no ensino regular e a minha parceira Deisy Paula falou sobre o curso.

As fotos oficiais com todos os participantes vou postá-las depois.

Informações sobre o curso acessem o link http://cetsp1.cetsp.com.br/ead/DescricaoCurso.aspx?curso=MR



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pela participação plena

Jornal Folha de São Paulo - Tendências/debates

LINAMARA RIZZO BATTISTELLA

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Na Virada Inclusiva, buscamos deixar para trás preconceitos e desinformações e apresentar as surpreendentes oportunidades de valorização da diversidade
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Para celebrar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o Estado de São Paulo promove, hoje e amanhã, a primeira Virada Inclusiva, na qual poder público e sociedade civil unem seus esforços e, principalmente, seu entusiasmo para promover espetáculos culturais, apresentações artísticas, competições esportivas, informações e serviços nos âmbitos da saúde, da justiça e da cidadania. Vamos celebrar a vida.

Neste dia, em que o mundo comemora as conquistas e se dispõe a avançar ainda mais nas questões de acessibilidade, São Paulo vem mais uma vez exercer o seu papel de protagonista na luta por uma sociedade mais inclusiva, tolerante à diversidade e apta a dar a cada um de seus cidadãos os meios e as oportunidades de participar plenamente da vida, dos serviços e das decisões de sua cidade.

Assim como é fundamental o acesso à reabilitação de qualidade, como o oferecido na Rede Lucy Montoro, o acesso à cultura também é fator determinante para que o processo de inclusão avance.

Livros, teatro, cinema, música e dança, a arte em todas as suas formas. Não existe cidadania sem cultura, e nada pode ser mais inclusivo do que a arte. Lazer, entretenimento e convivência social. A atividade física é um excelente meio de convivência, além de trazer significativos benefícios à saúde.

No caso das pessoas com deficiência, é, ainda, um importante instrumento de reabilitação. Neste ano, São Paulo teve o orgulho de organizar as Paraolimpíadas Escolares. Foram mais de mil estudantes competindo de forma saudável pelas medalhas em dez diferentes modalidades esportivas.

Nestes dois dias, essas práticas se multiplicarão por quadras, piscinas e pistas de nosso Estado. Fundamental também é a participação da sociedade civil nesta caminhada. Nesta Virada Inclusiva, as organizações civis irão enriquecer a programação, exibindo seus projetos, oferecendo serviços e abrindo suas portas para que todos possam conhecer o trabalho de quem empunha cotidianamente a bandeira dos direitos humanos.

A compreensão e o respeito à diversidade, enquanto fenômeno inerente à condição humana, devem estimular e viabilizar soluções e processos para uma sociedade que se transforma em busca de sustentabilidade, na perspectiva de novas tecnologias que concretizem a inclusão social.
Na Virada Inclusiva, buscamos deixar para trás preconceitos e desinformações e apresentar em todas as áreas das relações humanas as surpreendentes oportunidades de valorização da diversidade.

É compromisso do governo do Estado de São Paulo trabalhar por uma sociedade mais justa, que garanta a igualdade de oportunidade para cada um de seus cidadãos.

Mas deve ser, sobretudo, uma satisfação reconhecer que fazemos parte de um mundo que constrói uma sociedade mais inclusiva e justa. Façamos deste dia um marco.

Para que possamos fazer da tolerância à diversidade e do respeito aos direitos humanos uma rotina.
Uma rotina de participação plena para todos.

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LINAMARA RIZZO BATTISTELLA, médica fisiatra, professora da Faculdade de Medicina da USP, é secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo.

Dia internacional das pessoas com deficiência

O dia internacional das pessoas com deficiência (3 de dezembro) é uma data comemorativa internacional concebida pelas Nações Unidas desde 1998, com o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Procura também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida política, social, econômica e cultural. A cada ano o tema deste dia é baseado no objetivo do exercício pleno dos direitos humanos e da participação na sociedade, estabelecido pelo Programa Mundial de Ação a respeito das pessoas com deficiência, adotado pela Assembléia Geral da ONU em 1982.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Com degraus, Câmara comemora 'Dia da acessibilidade'

MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA

A Câmara dos Deputados promoveu na tarde desta quarta-feira (1º) o Dia da Acessibilidade, com lançamento de medidas para comemorar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, daqui a dois dias.

Segundo a assessoria da Casa, diversos produtos para a acessibilidade foram lançados, como a adaptação e reforma do Plenário 1 das Comissões e a compra de ônibus apto a transportar pessoas com deficiência da Câmara à Rodoviária.

Alguns equipamentos que já foram adquiridos pela Casa em agosto, como triciclos motorizados, também entraram no rol de novidades.

A Folha mostrou no mês passado que o acesso de cadeirantes ao plenário e a outros pontos da Câmara é difícil.

No ano que vem, a Casa contará com três deputados cadeirantes. São eles Mara Gabrilli (PSDB-SP), Rosinha da Adefal (PT do B-AL) e Walter Tosta (PMN-MG).

Sem uma reforma, eles não poderão subir à tribuna para discursar e nem integrar a Mesa Diretora. Cinco degraus os separam da tribuna, outros quatro os levariam à Mesa.

O diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, disse hoje que a Casa já está estudando propostas para dar mais acessibilidade aos novos deputados. "Estamos trabalhando para trazer melhorias o mais rápido possível", disse.

Sampaio explica ainda que um projeto para construir uma rampa no plenário já está elaborado desde 2006.

Ligado a questões da acessibilidade, o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) afirmou à Folha que essa "obra emblemática" foi recém-autorizada e será entregue em 2011, atendendo a solicitações de parlamentares cadeirantes.

Ainda assim, os deputados terão dificuldades para frequentar outros prédios públicos federais, como o Senado, o Palácio do Planalto, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o MEC (Ministério da Educação), todos visitados pela Folha neste mês.

Dos 432 apartamentos funcionais reservados a deputados, 144 passam por obras para se ajustar às necessidades de pessoas com deficiência, segundo a assessoria da Casa.

No encontro, o presidente da Câmara e vice eleito, Michel Temer (representado pelo primeiro-secretário, Rafael Guerra), e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, assinaram um acordo de cooperação para a implementação de ações pró-acessibilidade.

A Linguagem e a surdez


A linguagem permite ao homem estruturar seu pensamento, traduzir o que sente, registrar o que conhece e comunicar-se com outros homens. Ela marca o ingresso do homem na cultura, construindo-o como sujeito capaz de produzir transformações nunca antes imaginadas.

Apesar da evidente importância do raciocínio lógico-matemático e dos sistemas de símbolos, a linguagem, tanto na forma verbal, como em outras maneiras de comunicação, permanece como meio ideal para transmitir conceitos e sentimentos, além de fornecer elementos para lançar, explicar e expandir novas aquisições de conhecimento.

A linguagem, prova clara da inteligência do homem, tem sido objeto de pesquisa e discussões. Ela tem sido "um campo fértil" para estudos referentes à aptidão linguística, tendo em vista a discussão sobre falhas decorrentes de danos cerebrais ou de distúrbios sensoriais, como a surdez.

Com os estudos do lingüista Chomsky (1994), obteve-se um melhor entendimento acerca da linguagem e do seu funcionamento. Suas considerações partem do fato de que é muito difícil explicar como a linguagem pode ser adquirida de forma tão rápida e tão precisa, apesar das impurezas nas amostras de fala que a criança ouve. Chomsky, junto com outros estudiosos, admite, ainda, que as crianças não seriam capazes de aprender a linguagem, caso não fizessem determinadas suposições iniciais sobre como o código deve ou não operar. E acrescenta que tais suposições estariam embutidas no próprio sistema nervoso humano.

A palavra tem uma importância excepcional no sentido de dar forma à atividade mental e é fator fundamental de formação da consciência. Ela é capaz de assegurar o processo de abstração e generalização, além de ser veículo de transmissão do saber.

Os indivíduos sem deficiência auditiva parecem utilizar, em sua linguagem, os dois processos: o verbal e o não verbal. A surdez congênita e pré-verbal pode bloquear o desenvolvimento da linguagem verbal, mas não impede o desenvolvimento dos processos não-verbais.

A fase de zero a cinco anos de idade é decisiva para a formação psíquica do ser humano, uma vez que ocorre o ativamento das estruturas inatas genético-constitucionais da personalidade, e a falta do intercâmbio auditivo-verbal traz para o surdo prejuízos ao seu desenvolvimento.

A teoria sobre a base biológica da linguagem admite a existência de um substrato neuro-anatômico, no cérebro, para o sistema da linguagem, portanto todos os indivíduos nascem com predisposição para a aquisição da fala. Nesse caso, o que se deduz é a existência de uma estrutura linguística latente responsável pelos traços gerais da gramática universal (universais lingüísticos). A exposição a um ambiente lingüístico é necessária para ativar a estrutura latente e para que a pessoa possa sintetizar e recriar os mecanismos lingüísticos. As crianças são capazes de deduzir as regras gerais e regularizar os mecanismos de uma conjugação verbal, por exemplo. Dessa forma, utilizam as formas "eu fazi", "eu di" enquadrando-os nas desinências dos verbos regulares - eu corri, eu comi.

As crianças "ditas normais" e também um grande número de crianças "com necessidades especiais" aprendem a língua de uma forma semelhante e num mesmo espaço de tempo. No entanto, não se podem esquecer as diferenças individuais. Essas são encontradas nos tipos de palavras que as crianças pronunciam primeiro. Algumas emitem nomes de coisas, enquanto outras, evitando substantivos, preferem exclamações. Outras, ainda, expressam automaticamente os elementos emitidos pelos mais velhos.

Há crianças, no entanto, que apresentam dificuldades na aquisição da linguagem. Às vezes, a dificuldade aparece, principalmente, no que se refere à percepção e à discriminação auditiva, o que traz transtornos à compreensão da linguagem. Outras vezes, a dificuldade é relativa à articulação e à emissão da voz, o que produz transtornos na emissão da linguagem. Tudo isso pode ou não ter relação com a surdez, visto que muitas crianças que apresentam dificuldades lingüísticas não têm audição prejudicada. Por exemplo: A capacidade de processar rapidamente mensagens lingüísticas - um pré-requisito para o entendimento da fala - parece depender do lóbulo temporal esquerdo do cérebro. Danos a essa zona neural ou seu desenvolvimento "anormal" geralmente são suficientes para produzir problemas de linguagem.

Segundo Luria (1986), os processos de desenvolvimento do pensamento e da linguagem incluem o conjunto de interações entre a criança e o ambiente, podendo os fatores externos afetar esses processos, positiva ou negativamente. Torna-se, pois, necessário desenvolver alternativas que possibilitem às crianças "com necessidades especiais" meios de comunicação que as habilitem a desenvolver o seu potencial lingüístico. Pessoas surdas podem adquirir linguagem comprovando assim seu potencial linguístico.

Já está comprovado cientificamente que o ser humano possui dois sistemas para a produção e reconhecimento da linguagem: o sistema sensorial que faz uso da anatomia visual/auditiva e vocal (línguas orais) e o sistema motor que faz uso da anatomia visual e da anatomia da mão e do braço (língua de sinais). Essa é considerada a língua natural dos surdos, emitida através de gestos e com estrutura sintática própria. Na aquisição da linguagem, as pessoas surdas utilizam o segundo sistema porque apresentam o primeiro sistema seriamente prejudicado. Várias pesquisas já comprovaram que crianças surdas procuram criar e desenvolver alguma forma de linguagem, mesmo não sendo expostas a nenhuma língua de sinais. Essas crianças desenvolvem espontaneamente um sistema de gesticulação manual que tem semelhança com outros sistemas desenvolvidos por outros surdos que nunca tiveram contato entre si e com as línguas de sinais já conhecidas. Existem estudos que demonstram as características morfológicas.

A capacidade de comunicação linguística apresenta-se como um dos principais responsáveis pelo processo de desenvolvimento da criança surda em toda a sua potencialidade, para que possa desempenhar seu papel social e integrar-se verdadeiramente na sociedade.

Entre os grandes desafios para pesquisadores e professores de surdos situa-se o de explicar e superar as muitas dificuldades que esses alunos apresentam no aprendizado e uso de línguas orais como é o caso da Língua Portuguesa. Sabe-se que, quanto mais cedo tenha sido privado de audição e quanto mais profundo for o comprometimento, maiores serão aquelas dificuldades. No que se refere à Língua Portuguesa, segundo Fernandes (1990), a grande maioria das pessoas surdas, já escolarizada, continua demonstrando dificuldades tanto nos níveis fonológico e morfossintático, como nos níveis semântico e pragmático.

É de fundamental importância que os efeitos da língua oral portuguesa sobre a cognição não sejam supervalorizados em relação ao desempenho do portador de surdez, dificultando sua aprendizagem e diminuindo suas chances de integração plena. Faz-se necessário, por conseguinte, a utilização de alternativas de comunicação que possam propiciar um melhor intercâmbio, em todas as áreas, entre surdos e ouvintes. Essas alternativas devem basear-se na substituição da audição por outros canais, destacando-se a visão, o tato e movimento, além do aproveitamento dos restos auditivos existentes.

Face ao exposto, pode-se concluir que a pessoa com surdez tem as mesmas possibilidades de desenvolvimento que a pessoa ouvinte, precisando, somente, que tenha suas necessidade especiais supridas, visto que o natural do homem é a linguagem. (Instituto Nacional de Educação dos Surdos)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O corpo e as mãos falam


O corpo e as mãos da criança cega falam. Os pais e a professora devem estar atentos à essa forma particular de expressão e comunicação. Os gestos faciais, a comunicação visual pelo olhar, os gestos com a mão, pedir, apontar e dar são substituídos, pela criança cega, por outros movimentos corporais como: agitar os braços, a cabeça, o tronco, os pés e as mãos. Esses movimentos podem se prolongar até mais tarde, mesmo depois de a criança cega utilizar a linguagem verbal como forma de comunicação.
A forma como a criança explora, manipula, tateia, faz o rastreamento tátil dos objetos, comunica seu interesse, atenção, prazer, forma de discriminação, compreensão e significado dos objetos, movimenta o corpo e as mãos precisam ser contextualizadas pela interação, pela comunicação e pelo brincar.

O verbalismo

O verbalismo é definido como emprego de palavras ou frases destituídas de significado, descontextualizadas ou sem experiência vivencial. Algumas crianças cegas fazem uso de palavras abstratas, termos rebuscados mas sem sentido ou conceito real. Outras pessoas utilizam palavras ou expressões que contém apenas significado visual.

Susana Crespo (1980), educadora argentina, alertava que, ao educar uma criança cega, não se deve deixar de lado suas próprias experiências sensoriais e tentar supri-las com expressões e conceitos verbais. Isso desvirtua sua educação, se é levada a construir seu mundo com base em palavras, idéias e imagens emprestadas, sem ter em conta suas próprias e ricas possibilidades de aquisição.

Quem são as crianças com deficiência visual?


As crianças com deficiência visual são as crianças cegas e com baixa visão. A definição educacional diz que são cegas as crianças que não têm visão suficiente para aprender a ler em tinta, e necessitam, portanto, utilizar outros sentidos (tátil, auditivo, olfativo, gustativo e cinestésico) no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. O acesso à leitura e escrita dar-se-á pelo sistema braile. Entre essas crianças, há as que não podem ver nada, outras que têm apenas percepção de luz, algumas podem perceber claro, escuro e delinear algumas formas. A mínima percepção de luz ou de vulto pode ser muito útil para a orientação no espaço, movimentação e habilidades de independência.

As crianças com baixa visão (anteriormente denominada visão parcial ou visão subnormal) são as que utilizam seu pequeno potencial visual para explorar o ambiente, conhecer o mundo e aprender a ler e escrever. Essas crianças se diferenciam muito nas suas possibilidades visuais. Embora necessitem aprender a utilizar a visão da melhor forma possível, podem também utilizar os outros sentidos ao mesmo tempo para a aprendizagem, aquisição de conceitos e construção do conhecimento.

A maior parte das crianças com deficiência visual já nasce com essa condição em decorrência de doenças congênitas ou hereditárias. Outras crianças podem adquiri-la mais tarde. Se a criança se torna deficiente visual após os cinco anos de idade, ela já terá desenvolvido praticamente todo seu potencial visual, poderá conservar imagens e memória visual. As crianças que nascem cegas ou perdem a visão muito cedo terão suas necessidades de aprendizagem diferentes daquelas das demais crianças.

O processo de construção da linguagem

A construção da linguagem não é apenas determinada pela maturação biológica do ser humano, ela é influenciada pela vivência e experiência sociocultural do sujeito. É mediada pela qualidade das relações e interações com o meio.

Piaget, define a linguagem como o pensamento em ação, isto é, a construção do sistema de significação depende da possibilidade que a criança tem de interagir com pessoas e objetos, de agir, de perceber e coordenar suas ações no tempo-espaço e compreender a causalidade, e, principalmente, da qualidade da interação e solicitação do meio, pois a linguagem depende da função semiótica, que é a capacidade de distinguir o significado do significante, que a criança adquire por volta dos dois anos de idade.

A criança que enxerga realiza essa diferenciação pela observação visual, ela estabelece relações automáticas entre o que ouve e vê. A criança com deficiência visual necessita tocar o que ouve, agir, fazer coisas junto, compreender como as pessoas agem, para poder identificar, perceber e assim poder imitar.

São as experiências significativas, contextualizadas, vividas e internalizadas pela criança que formam a imagem mental. A linguagem surge quando a criança representa por imagem aquilo que vivenciou, organizou e estruturou no período sensório-motor.

A criança com deficiência visual necessita de pessoas disponíveis em casa e na escola para, inicialmente, dar sentido a suas percepções e ações. Piaget considera que o discurso da criança se inicia imitando as ações, para depois revelar as organizações dos eventos, dos objetos e das pessoas em relações espaço-temporais e causais.

Ortega (1994) afirma que a criança com deficiência visual começa a ter prejuízo em relação à linguagem pré-verbal nas situações em que a linguagem visual, o olhar, o sorriso, os gestos das mãos e a linguagem corporal são elementos determinantes da comunicação.

Estudos de Fraiberg (1982) revelam que, em relação à imitação verbal e respostas às indicações verbais, as crianças cegas não se diferenciam das crianças videntes.

A criança cega pode desenvolver a habilidade de conhecer todas as coisas, diz Vygotsky (1993), pois desenvolve grande capacidade de comunicação, e a linguagem tem grande importância para o desenvolvimento e construção do conhecimento.

A visão é um sentido integrador primário, portanto, importante para a aprendizagem.

Nesse sentido, Leonhardt (1992) comenta que a ausência da visão não oferece uma percepção e informação globalizada, responsáveis pela função de síntese na organização das experiências e na formação das imagens.

Fraiberg (1982) afirma que a criança cega incorpora mais tarde o pronome “eu”. A autorreferência está ligada a dificuldade de diferenciar-se dos objetos, dos outros para a formação da auto-imagem e auto-representação.

Aos cinco ou seis anos de idade, a criança cega que não foi superprotegida e teve a oportunidade de viver as ações, imitá-las e representá-las apresentará um desenvolvimento lingüístico semelhante ao de seus colegas na pré-escola.

A teoria sociocognitivista, na linguagem de Van Dijk (1992), aponta para a relação entre discurso, cognição e interação social. Ele coloca a importância da semântica do discurso, dos significados relacionados a uma representação mental originária do modelo, da compreensão da situação, do contexto, responsáveis pelo processamento do discurso. Os modelos que articulam estruturas linguisticas e processos cognitivos são criados e transformados, tanto a partir da memória episódica, relacionados às experiências individuais concretas, quanto à experiência vicária e ao conhecimento metalingüístico do mundo.

Assim, a linguagem flui do que é visto, percebido, vivido, sentido, lembrado, narrado, descrito e imaginado.

O tamanho do Brasil

Editorial - Folha de São Paulo

A população oficial do Brasil é de 190.732.694 habitantes, segundo o primeiro balanço oficial do Censo 2010, divulgado anteontem pelo IBGE. O número, que expressa o total de pessoas em 1º de agosto deste ano, confirma a queda do ritmo de crescimento demográfico. Entre 1990 e 2000, o total de habitantes aumentou 15,6%. Na última década, a taxa de incremento caiu para 12,3%.
A expansão demográfica arrefece em razão da queda na taxa de fecundidade, hoje estimada em 1,9 filhos por mulher. Embora inferior à média de "reposição" -duas crianças por casal- , a população continuará a crescer nas próximas décadas porque a taxa de mortalidade dos pais, ainda relativamente jovens, é baixa.

O Censo 2010 também reflete mudanças econômicas no país. As regiões cujas populações mais cresceram nos últimos dez anos foram o Norte (23%) e o Centro-Oeste (21%), com avanço em ritmo bastante superior aos do Sudeste (11%), Sul (9%) e Nordeste (11%). Contribuíram para essa disparidade fluxos migratórios em direção às fronteiras do agronegócio.

O Brasil de 2010 é ainda mais urbano do que o de dez anos atrás. As cidades abrigam 84,3% da população, hoje, contra 81,2%, em 2000. Em 1940, apenas 30% habitavam aglomerados urbanos.

A rápida transformação por que passou o país desde então encontra-se consolidada, com os problemas e benefícios conhecidos -deficiências de transporte, favelização, falta de saneamento básico e deterioração ambiental contrastam com avanços importantes na expectativa de vida, na renda e no acesso à educação e à saúde.
Não obstante a ineficácia e a incúria de governantes, é preciso reconhecer as dificuldades, tanto de planejamento quanto de coordenação de políticas públicas, geradas pelo processo de urbanização e de crescimento demográfico explosivo registrado no século 20.

Mas os gestores públicos, daqui em diante, não poderão mais contar com essa desculpa.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Conceituando deficiência múltipla e necessidades educacionais especiais

O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, intelectual, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.

O desempenho e as competências dessas crianças são heterogêneos e variáveis. Alunos, com níveis funcionais básicos e possibilidades de adaptação ao meio podem e devem ser educados em classe comum, mediante a necessária adaptação e suplementação curricular. Outros, entretanto, com mais dificuldades, poderão necessitar de processos especiais de ensino, apoios intensos, contínuos e currículo alternativo que correspondam às suas necessidades na classe comum.
As necessidades educacionais

Na abordagem sociohistórica, o desenvolvimento humano é uma construção de natureza social que ocorre no contato com o outro. Tanto para Vygotsky (1991) como para Bakhtin (1988) o desenvolvimento cultural é mediado pela linguagem, pelos signos e significados construídos na interação contínua e permanente com o outro, abrindo novas possibilidades na constituição do sujeito.

Analisando a educação de pessoas com múltipla deficiência no Brasil, sob a essa perspectiva, Kassar (1999) afirma que o aprendizado escolar (praticamente silenciado pela nossa legislação para as pessoas que freqüentam instituições especializadas) “pode ser um tipo de aprendizado novo na vida do sujeito, por ser acompanhado e sistematizado. Quando bem planejado, propicia o desenvolvimento do sujeito, possibilitando seu acesso sistematizado à cultura produzida historicamente”.

Torna-se necessário então, além da participação da vida cultural, que esses alunos convivam com expectativas positivas, “com formas adequadas de comunicação e interação, com ajudas e trocas sociais diferenciadas, com situações de aprendizagem desafiadoras: solicitados a formular escolhas, pensar, resolver problemas, expressar sentimentos, desejos e tomar iniciativas.” (Bruno, 2001a, p.56).

As crianças com deficiências múltiplas podem necessitar de mais tempo para adquirir mecanismos de adaptação às novas situações, mas com uma boa mediação de professores e pais poderão criar estratégias de ação e pensamento; assim, poderão autorregular com ajuda seu comportamento e desenvolver a autonomia pessoal, social e intelectual.

Dessa forma, a primeira etapa de educação de crianças com múltipla deficiência consiste na crença de que todas as crianças são capazes de aprender, não importando o grau de severidade da deficiência. “A educação deveria ser individualizada para focalizar o desenvolvimento das capacidades únicas de cada criança. Essa educação deveria ser desenvolvida no contexto com outras crianças para promover as relações sociais e de amigos”. (Masini, 2002, p.117).