Descrição da imagem: figura em formato retangular, foto antiga mostrando uma imagem minha do lado direito com 8 anos (foto de 1967) e meu irmão do lado esquerdo. Estamos uniformizados com os trajes escolares da época, camisa com gravata borboleta e calção com suspensório.
Feliz dia dos professores para todos nós
Tenho uma doença neuromuscular, Amiotrofia Espinhal Progressiva III. Andei até os 17 anos quando vim parar na cadeira. Embora andasse (mas não corresse) com alguma dificuldade, às vezes precisava me sentar senão cairia no chão, tive uma infância um pouco complicada. Quando minha mãe foi me matricular na escola (1967) a diretora não me permitiu ficar ao lado de outras crianças, ela achava que eu tinha uma doença contagiosa (minha doença somente foi diagnóstica em 1977). Fiquei numa sala separada sem nenhuma evolução educacional por quase dois anos (uma parte desta história está disponível no link http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/leitores+do+ig+homenageiam+professores/n1237801386978.html
onde dei uma entrevista ao Ig). Uma professora Doroteha, minha anja, um dia foi até essa sala e observou algumas tarefas que estava realizando. Nisso ela chamou a diretora e disse que eu deveria frequentar uma sala comum. Depois de muito insistir, em 1969 fui levado por essa alma iluminada à sala comum e iniciei meus estudos na sala dela.
Aí começou minha evolução. Dois anos depois fui fazer tratamento na AACD e sai da escola. Na AACD tinha amiga Flávia (até hoje somos amigos), e quando não estávamos fazendo o tratamento, nossa diversão era ler, estudar e se informar. Nosso médico, outro anjo, dr. Renato Bonfim (falecido em 1989) vendo nosso esforço decidiu nos matricular numa escola perto da AACD. Aí mais uma vez passamos por exclusão. Como éramos da AACD ficávamos numa sala isolados e as lições eram levadas por professoras. Mas, a gente não podia se relacionar com outras crianças ou adolescentes. Nessa escola conclui o antigo ginásio e iniciei o colegial. Parei de andar, a situação ficou ruim, me recusei no começo a ir para a escola em cadeira de rodas, até que finalmente descobri que ela iria me libertar. Aos 18 anos sai da AACD, terminei o ensino médio, entrei na PUCSP para estudar Ciências Sociais. Comecei a trabalhar no jornal Folha, passei a me relacionar com namoradas, e comecei a trabalhar por inclusão.
Conheci minha esposa em 1983. Nos casamos um ano depois, temos dois filhos e dois netos lindos demais. No ano que me casei, já estava formado em Ciências Sociais, adorava lecionar e cursava Direito. Depois fiz especialização em Educação para crianças com deficiência na PUC. Em resumo é isso. Sempre falo para os meus alunos com deficiência que o estudo é fundamental para tirá-los da exclusão. Sempre me emociono quando lembro desses fatos, mas acho importante que todos saibam que a pessoa com deficiência pode ter uma vida digna, ser produtiva, se relacionar sexualmente, errar, acertar e qualquer outra coisa, como qualquer pessoa.
Agradeço a Deus por um dia ter me colocado a professora Dorothea S. Carvalho no meu caminho. Quando me formei em Direito fui à procura dela e a encontrei. Ela foi minha convidada de honra na minha formatura e até hoje, ela com 92 anos lembra de mim e sempre fala com carinho do dia que me levou para a sala dela...Feliz dia dos Professores para todos que lutam por um ensino melhor e valoriza a diversidade humana.
Meu nome é Ari Vieira, sou especializado em educação para pessoas com deficiência pela PUCSP. Quero ajudar os docentes a debater o tema inclusão das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida nas escolas. O blog será também uma importante ferramenta de consulta para quem for implantar a temática da inclusão na mobilidade urbana.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
A FAMÍLIA
A
construção de uma sociedade inclusiva exige mudança de ideias e de práticas
construídas ao longo do tempo.
É
importante se prover de cuidados e apoio à família e à comunidade, para que as
crianças e adolescentes tenham condições favoráveis para um desenvolvimento saudável.
Sabe-se,
entretanto, que a família tem se encontrado, historicamente, numa posição de
dependência de profissionais em diferentes áreas do conhecimento, no sentido de
receberem orientações de como proceder em relação às necessidades especiais de
seus filhos.
É
muito comum ver famílias se movimentando, em busca de atendimento ou mesmo frequentando
serviços diferentes, sem ter noção do que é que estão fazendo.
Constata-se
que a relação entre a família e profissionais tem sido uma relação de poder do
conhecimento nas decisões do que é melhor para seus filhos.
Faz-se
necessário que a família construa conhecimentos sobre as necessidades especiais
de seus filhos, bem como desenvolva competências de gerenciamento do conjunto
dessas necessidades e potencialidades. É importante que os profissionais
desenvolvam relações interpessoais saudáveis e respeitosas, garantindo-se assim
maior eficiência no alcance de seus objetivos.
A
família precisa construir padrões cooperativos e coletivos de enfrentamento dos
sentimentos, de análise das necessidades de cada membro e do grupo como um
todo, de tomada de decisões, de busca dos recursos e serviços que entende
necessários para seu bem estar e uma vida de boa qualidade.
É
essencial que se invista na orientação e no apoio à família, para que esta possa
melhor cumprir com seu papel educativo junto a seus filhos.
Cabe
ao poder público garantir um sistema de serviços que promova a saúde física e
mental das famílias, em geral, e das crianças e jovens e adultos, em especial.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Aumento do número de alunos com deficiência no ensino superior
O Ministério da Educação (MEC) informou por meio de seu site, que a quantidade de matrículas de pessoas
com deficiência na educação superior aumentou 933,6% entre 2000 e 2010.
Estudantes com deficiência passaram de 2.173 no começo do período para 20.287
em 2010 - 6.884 na rede pública e 13.403 na particular. O número de
instituições de educação superior que atendem alunos com deficiência mais que
duplicou no período, ao passar de 1.180 no fim do século passado para 2.378 em
2010. Destas, 1.948 contam com estrutura de acessibilidade para os estudantes.
De acordo com o MEC, no orçamento de 2013, o governo
federal vai destinar R$ 11 milhões a universidades federais para adequação de
espaços físicos e material didático a estudantes com deficiência, por meio do
programa Incluir.
O Incluir tem como objetivo promover ações para
eliminar barreiras físicas, pedagógicas e de comunicação, a fim de assegurar o
acesso e a permanência de pessoas com deficiência nas instituições públicas de
ensino superior. Até 2011, o programa foi executado por meio de chamadas
públicas. Desde 2012, os recursos são repassados diretamente às universidades,
por meio dos núcleos de acessibilidade. O valor destinado a cada uma é
proporcional ao número de alunos.
Entre 2013 e 2014, o governo afirma que vai abrir 27
cursos de letras com habilitação em língua brasileira de sinais (libras) nas
universidades federais, uma em cada unidade da Federação. Segundo o MEC, o
Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) vai ofertar mais 12 cursos de
educação bilíngue (português¿libras) a partir do próximo ano.
Para dar suporte de recursos humanos aos novos cursos
nas universidades federais, será autorizada a abertura de 229 vagas de
professores e 286 de técnicos administrativos. As ações fazem parte do eixo
educação do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem
Limite, que envolve diversos ministérios para promover a inclusão, autonomia e
direitos das pessoas com deficiência.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Acessibilidade, quantas faces?
Descrição da imagem: figura retangular que juntando uma palavra em ingês (I) com o desenho de um coração e a palavra acessibilidade forma a frase: eu amo acessibilidade
Pessoal, li o texto abaixo no site do meu amigo MAQ, http://www.bengalalegal.com/ , fiquei emocionado e decide compartilhar com todos:
04/10/2012 - Ethel Rosenfeld.
Para Gem, que viveu com dignidade sua vida, meu
respeito, meu amor e minha eterna saudade.
Este texto não trata só de acessibilidade
arquitetônica. O foco deste trabalho está na sociedade e nas suas diferenças.
E, para acessibilizar diversos tipos de mentes, levando-as à união entre as
diferenças, uso a FORÇA da palavra SOL.
SOL é luz, calor e força.
LUZ é claridade, transparência e visibilidade.
CALOR é amizade e amor.
FORÇA é vontade, determinação e ousadia.
LUZ é claridade, transparência e visibilidade.
CALOR é amizade e amor.
FORÇA é vontade, determinação e ousadia.
Acessibilidade?
O conceito mais comum de acessibilidade está
intimamente ligado às rampas, aos degraus, às escadas, às cadeiras de rodas, às
bengalas brancas e às muletas. Lembre-se que a cadeira de rodas, a bengala
branca, a muleta, o cão-guia e outros são equipamentos auxiliares e que não são
mais importantes do que as pessoas que os utilizam. Enxergue a pessoa, o ser
humano e não seu equipamento auxiliar.
Desde sempre, desde que o mundo é mundo, sempre
existiram pessoas com deficiência. Por que só agora, nas últimas três ou quatro
décadas, é que se começa a ouvir falar e discutir acessibilidade? E o que é
acessibilidade?
Vamos esquecer por alguns minutos o conceito de
acessibilidade ligado às barreiras arquitetônicas e às pessoas com deficiência,
pois essa é fácil de resolver: basta bom senso, bons profissionais na área da
arquitetura e engenharia. Basta ter percepção e entender que as cidades,
países, o mundo em geral têm arquitetura diferente, cultura, pessoas, animais,
vegetais, todos e todas com as características de seus habitats e que devemos
aceitar e respeitar essas diferenças.
Todos nós, naturalmente, circulamos pelas ruas e,
para que as pessoas com algum tipo de deficiência, limitação, também tenham o
direito de ir e vir, garantindo sua vida em sociedade, é indispensável que as
cidades sejam bem planejadas, de forma acolhedora, que não se tenha apenas uma
arquitetura de fachada, bonitinha e fria.
Vamos procurar as diversas faces dessa misteriosa e
assustadora palavra, vamos enfrentar de frente e tirar a máscara que esconde a
verdadeira cara, o verdadeiro sentido dessa palavra tão falada: acessibilidade!
Crianças descalças, dormindo pelas ruas, homens e
mulheres sujos, famintos implorando por uma moeda, jovens se drogando e se
prostituindo. Que mundo é esse? Que mundo é esse onde apenas uns têm casa,
cama, roupa limpa, água quente para o banho, comida à mesa, abraços, carinhos,
amor? Que mundo é esse onde apenas uns têm escolas, hospitais, clínicas,
médicos, remédios, conforto e proteção? Que mundo é esse tão desigual, tão
injusto, tão desumano? Que mundo é esse que, com toda essa miséria nos
rodeando, nós ainda nos preocupamos com rampas? Rampas? Rampas?
Vamos gritar e acordar a justiça, vamos mostrar a
todos que todos somos iguais em direitos e deveres, precisamos acreditar nisso
profundamente e lutar para que isso se torne realidade. Vamos construir uma
rampa que garanta a todos, todos os direitos básicos e fundamentais a uma vida
com dignidade. Vamos construir uma rampa que leve todas as crianças às escolas,
que permita que todos tenham educação, saúde e cama quente para dormir. Vamos
construir a rampa da igualdade, do amor e da justiça. Vamos nos comprometer com
a vida.
O
Poder do Comprometimento.
Enquanto não estivermos compromissados haverá
hesitação, possibilidade de recuar e, sempre, a ineficácia. Em relação a todos
os atos de iniciativa (e de criação), existe uma verdade elementar, cuja
ignorância mata inúmeros planos e ideias esplêndidas: no momento em que,
definitivamente, nos compromissarmos, a providência divina também se põe em
movimento. E aí, todos os tipos de coisas ocorrem para nos ajudar, coisas que,
em outras circunstâncias, nunca teriam ocorrido; todo um fluir de
acontecimentos surge a nosso favor, como resultado da decisão, todas as formas
imprevistas de coincidências, encontros e ajuda material, que nenhum homem
jamais poderia ter sonhado encontrar em seu caminho.
Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você
pode começar. A coragem contém em si mesma o poder, o gênio e a magia.
(Goethe).
Coragem!
Quando, aos 13 anos, fiquei cega, meus pais
precisaram encontrar coragem para enfrentar, junto comigo, uma nova forma de
viver. Minha mãe, com sua limitação de saúde, não podia acompanhar-me pelas
ruas, mas, dentro de nossa casa, ela me apoiava com muito amor, carinho e me
transmitia força, encorajando-me para a vida.
Meu pai, um herói anônimo, encorajou-se e foi
conhecer o mundo das pessoas cegas. Por vários longos meses, frequentou o
Instituto Benjamim Constant, escola especializada na educação e reabilitação de
pessoas cegas e de baixa visão. Papai passava horas no Instituto, acompanhando,
vivenciando as diferentes atividades lá oferecidas; estava aprendendo a viver
entre pessoas cegas, aprendendo a acreditar no potencial e nas capacidades
dessas pessoas; queria acreditar que eu poderia continuar meus estudos, minha
vida e alcançar independência.
Com meus pais, irmãos, familiares em geral e
amigos, comecei a superar meus medos e fui à luta. Sim, tive que ter muita
coragem para enfrentar esse novo mundo, sem luz, sem cores e tão vazio. Ou
melhor, aparentemente tão vazio.
E por que essa sensação de vazio? Porque a visão é o
órgão dos sentidos responsável por 80% das informações que chegam ao cérebro,
os 20% restantes são percebidos pela audição, olfato, paladar e tato. Assim,
para que eu percebesse as coisas, o mundo, eu precisava tocá-las, senti-las,
ouvi-las, sentir seu cheiro e gosto, quando antes, bastava olhar e ver.
Aos 17 anos, descobri que eu era diferente dos meus
novos amigos cegos do Instituto. Eu, apesar de cega como eles, tinha tudo que
eles não tinham, eu tinha meu lar, minha família, amigos, vida social e eles
eram pessoas sem chances de uma vida comum, eles estudavam e moravam no
Instituto, muitos não tinham família, muitos tinham sido colocados e
abandonados por suas famílias carentes que tiveram que se separar de seus
filhos queridos, pelas precárias condições de suas vidas e de suas cidades. Com
essa percepção, fiz o juramento de dedicar minha vida às pessoas cegas. E assim
comecei meu movimento pela igualdade, pelo direito à vida.
No início de minha caminhada, as pessoas com
deficiência, com qualquer tipo de deficiência, eram chamadas de excepcionais.
Antes de ficar cega, a palavra excepcional significava algo muito bom,
excelente! E comecei a me perguntar: por que excepcional? Será que ser cega é
tão bom assim? Com os anos, essa palavra foi mudando até que chegou à seguinte
expressão: pessoa portadora de deficiência. Continuei a me perguntar: por que
portadora?
O que eu estava portando? Lembrei de Jesus Cristo
na cruz e senti um grande peso nessa expressão. Continuei questionando o termo
e um dia, junto com outras pessoas com deficiência, concluímos que a melhor
forma seria simplesmente dizer: pessoa com deficiência. Nossa preocupação com a
palavra, com o termo ou expressão, era apenas para enfatizar que somos pessoas,
não importando nossas características individuais, o que importa é que somos
pessoas.
Quando pensávamos ter atingido nossa maioridade,
que estávamos finalmente sendo vistos como pessoas, aparecem nossos protetores
e começam a nos chamar de pessoas especiais. Novamente, o peso da cruz de Jesus
Cristo caiu na minha cabeça e, para não ser injusta, comecei a tentar entender
o significado de 'pessoas especiais'. E entendi: especiais na medida em que
somos pessoas que precisamos ser mais corajosas, mais ousadas, mais
determinadas e mais perseverantes. A necessidade de termos que provar a cada
dia, a cada momento, que somos pessoas capazes, com direitos e deveres como
qualquer outra pessoa, é realmente uma tarefa árdua que exige muita paciência e
muita ousadia.
Durante 27 anos, trabalhei diretamente com crianças,
jovens e adultos com deficiência visual. Ajudei na educação, na reabilitação e,
ao final desses longos 27 anos, percebi que não bastava só educar, tentar
incluir a pessoa com deficiência, percebi que havia um vazio que precisava ser
preenchido para que a pessoa com deficiência alcançasse seu objetivo, que é o
mesmo de todas as pessoas: o direito ao trabalho, ao lazer, à vida.
Resolvi, então, que não mais trabalharia só com as
pessoas com deficiência e passei a trabalhar com a sociedade, essa sociedade
que separa as pessoas em ilhas, formando guetos, promovendo a exclusão e não
entendendo que só existe uma sociedade, onde todos devemos ser respeitados como
seres humanos, como iguais, apesar de sermos todos muito diferentes!
Uma sociedade justa deve entender que todos somos
responsáveis e todos podemos fazer alguma coisa que torne mais fácil o caminho
de alguém, lembrando sempre que o convívio humano é mais importante que o
próprio viver! Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e
direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir, em relação uns aos
outros, com espírito de fraternidade. (Artigo I da Declaração Universal dos
Direitos Humanos - ONU, 1948).
Será
que somos todos iguais?
Todos são iguais perante a lei. Todos têm os mesmos
deveres e direitos, porém nem todos são reconhecidos e respeitados por suas
diferenças. As pessoas não são necessariamente iguais assim como as pessoas com
a mesma deficiência também não são iguais. Cada pessoa é única no seu modo de
pensar, sentir e querer. Devemos entender e respeitar as diferenças, aceitando
as pessoas como elas são, sem querer modificá-las.
E
quem é a pessoa com deficiência?
Antes de responder e talvez complementando a
pergunta, acho importante refletir: por que deficiente? O que é ser deficiente?
É ser menos eficiente? É não ser suficiente?
Talvez não sejam perguntas fáceis de serem
respondidas, dificilmente as respostas serão iguais e, seja qual for o caminho
que escolhermos para construir nossas respostas, o importante é lembrar que
deficiência não é doença, pode ser e, muitas vezes, é sequela de uma doença.
A deficiência não modifica o ser na sua essência,
apenas o limita em alguns aspectos. A pessoa com deficiência deve ser vista e respeitada
como qualquer pessoa, com direitos e deveres, com vontades e sonhos, desejos de
participar da vida, de alcançar sua autonomia, de prover seu sustento e de sua
família e, como qualquer outra pessoa, alcançar uma vida plena, digna,
convivendo em sociedade.
Quem me conhece, sabe que gosto muito de contar
histórias, as histórias que tive que criar para garantir meus direitos, como
pessoa cega que não aceita a exclusão, que não aceita o não e que precisa
brigar para ter o simples direito de viver. Lembrando de um episódio ocorrido
no Teatro Municipal, resolvi ilustrar esse trabalho com partes de um texto que
escrevi para ser discutido num evento sobre acessibilidade, que aconteceu em
Brasília, no ano de 2006. Esse e outros episódios mostram como nossa atuação na
sociedade, como nossas experiências cotidianas sejam, talvez, a forma mais
objetiva de se acessibilizar pessoas, atitudes e comportamentos.
O texto abaixo propõe uma reflexão sobre o que
chamamos de barreiras atitudinais. Todos os obstáculos encontrados por Gem, meu
cão-guia por quase treze anos, se observarmos bem, apesar de aparentemente
serem chamados de barreiras arquitetônicas não passam de barreiras culturais,
de barreiras atitudinais.
Gem,
um jeito novo de viver!
Meu nome é Gem.
...
Ethel chegou à Fundação, onde nasci e fui treinado, no dia 13 de outubro de 1997. Nos dois primeiros dias, ela só caminhava com o Mike, nosso instrutor. Ele estava avaliando seu jeito de ser, a maneira de caminhar, seus hábitos e preferências. Afinal de contas, ele precisava encontrar o par perfeito para mim. Foi legal! Mike acertou! Foi amor ao primeiro toque!
...
Ethel chegou à Fundação, onde nasci e fui treinado, no dia 13 de outubro de 1997. Nos dois primeiros dias, ela só caminhava com o Mike, nosso instrutor. Ele estava avaliando seu jeito de ser, a maneira de caminhar, seus hábitos e preferências. Afinal de contas, ele precisava encontrar o par perfeito para mim. Foi legal! Mike acertou! Foi amor ao primeiro toque!
...
Posso dizer que no Rio, meu trabalho é dobrado.
Nunca vi tantos obstáculos nas calçadas e ruas como aqui. Quando não são os
buracos, são os tais fradinhos, uns postes pequenos que não iluminam nada e
ficam no meio da calçada. Ainda não entendi direito, mas parece que esses
fradinhos servem para impedir que as pessoas estacionem os carros nas calçadas.
Engraçado, achava que bastava proibir e multar quem fizesse isso, e não ficar
enchendo meu caminho de obstáculos.
Ficar desviando de tudo isso não é brincadeira. Sem
contar com os tais orelhões que são fininhos embaixo e enormes lá em cima.
Dizem que é um telefone, mas onde já se viu falar ao telefone no meio de tanto
barulho? Desviar de um postezinho é moleza, agora desviar de um poste
disfarçado, são outros 500...
Confesso que, durante o meu treinamento, não passei
por tantas dificuldades. Sem querer falar mal da cidade de vocês, só digo que,
na minha terra natal, os E.U.A, pessoas com deficiência visual são tratadas com
mais respeito, e meus colegas não têm tanto trabalho para guiar seus donos.
O pior é que todos esses buracos e fradinhos não
são os únicos problemas que eu enfrento. De vez em quando aparece alguém e nos
impede de entrar em algum lugar. Não sei não, mas acho que, quando acontece
isso, tem alguma coisa a ver comigo. A cena é sempre a mesma: a Ethel fica lá,
falando, falando e mostrando uns papéis para a pessoa que não quer deixá-la
entrar, enquanto eu fico sentado, esperando o que vai acontecer.
Antigamente, a gente quase nunca entrava nos
lugares onde acontecia essa cena. De uns tempos pra cá, parece que a situação
mudou um pouco. Acho que os papéis da Ethel passaram a servir para alguma coisa.
Tanto passaram a servir que até a um concerto de música eu já assisti, e no tal
Teatro Municipal, considerado o mais importante da cidade. A primeira vez que
fomos lá foi aquela cena de sempre, tivemos que voltar prá casa sem ouvir uma
nota sequer da Orquestra Sinfônica Brasileira.
Não sei muito bem o que aconteceu depois e quais
papéis novos que ela conseguiu, só sei que na segunda vez em que fomos ao
teatro, foi uma festa. Tinha câmera de televisão e máquina fotográfica para
tudo quanto é lado. Um monte de pessoas querendo falar com a Ethel e tirar
nosso retrato. Virei uma estrela!
Imagine só os meus colegas vendo isso, hein? Na
minha terra, não tem disso não. Ninguém fica perdendo tempo em tirar foto ou
filmar cachorros que guiam cegos, uma coisa tão comum por lá. Pelo menos, pude
assistir ao concerto sossegado, se bem que muita gente não parava de olhar pra
mim. Sei lá, mas me deu a impressão que estavam esperando eu latir. Onde já se
viu? Latir no meio de um concerto, ouvindo a Nona de Beethoven? O que essa
gente estava pensando?
Bom, já falei demais e vou ficando por aqui. Apesar
de tudo, não tenho muito do que reclamar da minha vida com a Ethel. Ela é uma
pessoa legal, que gosta muito de mim. Gosto muito dela também. Só espero que os
obstáculos, que hoje dificultam meu trabalho, diminuam nos próximos anos.
Depois disso, quando já estiver velhinho e cansado, lá pelos meus onze, doze
anos, vou pedir minha aposentadoria porque, como já disse, ninguém é de ferro.
O que me deixa feliz é perceber que tenho ajudado a
Ethel a ser mais independente. Sempre que ela precisa sair, estou pronto para
ir com ela. O melhor da história é que ela deu aquele jeitinho novamente e
conseguiu uma autorização para eu me aposentar aqui, no Rio, bem juntinho dela.
Não sei como seria se ela não tivesse conseguido essa autorização, mas eu já a
ouvi dizendo: na companhia de Gem, um belo labrador amarelo, enfrento com mais
tranquilidade e segurança, não só meus medos, mas a própria cegueira, vencendo
barreiras físicas e emocionais antes intransponíveis. Mais do que um guia,
tenho em Gem um companheiro, um grande amigo, quase um filho. Entre nós existe
uma sintonia perfeita. Ele e eu somos um todo e, como um todo,
indivisível."
Gem morreu em 30 de dezembro de 2008, com doze anos
e oito meses, deixando uma saudade doce, meio amarga que alimenta meu coração.
Deixou um grande legado à nação brasileira; com Gem, o Brasil começa a conhecer
o relevante trabalho do cão-guia e, definitivamente, é implantada em nosso país
a cultura sobre esses maravilhosos, iluminados seres de quatro patas, que
emprestam seus olhos e doam seus corações com humildade e carinho.
Quem
é o responsável?
Fala-se muito da falta de acessibilidade, mas,
afinal, de quem é essa culpa, responsabilidade? Nossa? Do governo? Da
sociedade? De quem? Do preconceito?
Para entendermos melhor, analisemos uma definição
de preconceito: preconceito é o juízo antecipado sem fundamento razoável,
opinião formada sem reflexão. (Dicionário da Língua Portuguesa. SOUZA, S.E.).
Essa é a definição que mais me agrada sobre
preconceito. O desconhecimento leva ao preconceito que, por sua vez, cria
barreiras aparentemente intransponíveis. Por isso, nós, pessoas com
deficiência, também temos papel relevante na construção dessa nova consciência
coletiva. Nós podemos e devemos colaborar, com nosso conhecimento e nossas
experiências para, juntos com toda a sociedade, eliminarmos as barreiras que
nos afastam de uma vida plena.
Agora, você já sabe o que é acessibilidade? Qual é
o verdadeiro conceito de acessibilidade? Quantas faces têm a acessibilidade?
O conceito de acessibilidade varia de acordo com o
ângulo que se enfoca. Mas isso não é o mais importante! O importante é que
continuemos a construir rampas, rampas que levem todas as pessoas, sem
distinção, sem se preocuparem com a cor da pele de cada um, a religião, as
características físicas, o nível sóciocultural; rampas que ajudem a construir
uma sociedade justa, rampas que tenham como lema a SOLIDARIEDADE, a
FRATERNIDADE e a COMPREENSÃO.
Do livro: Celebrando a
Diversidade. Pessoas com Deficiência e Direito à Inclusão. Edição
2010.
Organização: Flavia Boni Licht e Nubia Silveira.
Apoio: Planeta Educação - em especial, Elisete Oliveira Santos Baruel e Érika de Souza Bueno.
Capítulo III, Acessibilidade – Quantas Faces?
Ethel Rosenfeld.
Site: ethelrosenfeld.com.br
Educadora, especialista em educação de pessoas com deficiência visual; Coordenadora técnica do programa Atenção, Professor!/TV Educativa, Consultora do Núcleo de Deficiência Visual da telenovela América/Rede Globo de Comunicações.
Organização: Flavia Boni Licht e Nubia Silveira.
Apoio: Planeta Educação - em especial, Elisete Oliveira Santos Baruel e Érika de Souza Bueno.
Capítulo III, Acessibilidade – Quantas Faces?
Ethel Rosenfeld.
Site: ethelrosenfeld.com.br
Educadora, especialista em educação de pessoas com deficiência visual; Coordenadora técnica do programa Atenção, Professor!/TV Educativa, Consultora do Núcleo de Deficiência Visual da telenovela América/Rede Globo de Comunicações.
100 mil acessos
Descrição da imagem: figura retangular com minha imagem falando no microfone proferindo uma palestra, no fundo a projeção de um slide escrito: Inclusão da Pessoa com Deficiência no mercado de trabalho.
Meus amigos e amigas, hoje é um dia especial para o blog, rompemos a barreira dos cem mil acessos e naturalmente quero agradecer a todos pelas visitas e leituras. Quando coloquei o blog no ar, meu primeiro objetivo foi demonstrar que pessoas com deficiência podem trabalhar, estudar, casar e fazer qualquer outra ação quando seus direitos básicos são respeitados. Depois, conforme fui me envolvendo com inclusão escolar ele foi tomando outro rumo e deslanchou.
Fico feliz pelo sucesso e prometo continuar usando as redes sociais para promover inclusão.
Obrigado.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Onde está a Deficiência?
Descrição da imagem: uma foto em formato retangular, onde apareço (sentado na cadeira de rodas) ao lado da minha esposa, numa sala ampla com um sofá ao fundo, uma mesa atrás e outra na frente, estamos sorrindo
05/10/2012 - Claudia Sanchez.
Este artigo busca aportar elementos de reflexão em
torno do tema da diversidade, da deficiência e da inclusão desde a ótica da
atuação na sociedade das pessoas em situação de deficiência, de forma que
contribuam na geração de ações para melhorar sua qualidade de vida, sempre e
quando isso seja permitido pelo entorno, pelo meio ambiente. Para seu
desenvolvimento, o artigo parte do conceito de pessoa em situação de
deficiência, destaca a transcendência dos fatores ambientais e estabelece
relações com a ideia de diversidade.
Pessoa
em Situação de Deficiência.
Quando se fala da pessoa em situação de
deficiência, está aí envolvida a relação entre a pessoa e o meio; e, como em
qualquer relação, a responsabilidade por possibilitar o seu estabelecimento é
tanto da pessoa como do entorno físico ou natural, tanto aquele construído pelo
homem - as cidades - ou o ambiente social, também edificado pelo ser humano,
que inclui as atitudes, as convicções pessoais e sociais e, finalmente,
políticas e leis. Em suma, o espaço no qual uma pessoa desenvolve sua vida.
A concepção que atribui a responsabilidade da
construção da deficiência à sociedade, o modelo social da deficiência, foi
alcançado depois de muitos anos, como superação do modelo individual da
deficiência, que colocava a condição deficiente apenas na pessoa, como uma
característica intrínseca do indivíduo. A noção do efeito causado pelo entorno
na edificação da deficiência e por consequência, na atuação de todas as pessoas
– inclusive, da pessoa em situação de deficiência na sociedade - evoluiu
bastante nas últimas décadas. Até porque as barreiras e os obstáculos
ambientais e culturais não são permanentes; podem e devem ser alterados, sempre
e quando os diversos segmentos da sociedade aceitem sua própria responsabilidade
e a necessidade da mudança.
A Classificação Internacional de Funcionalidade,
Deficiência e Saúde (CIF),
utiliza o termo deficiência “para denominar um fenômeno multidimensional,
resultado da interação das pessoas com seu entorno físico e social”. A
existência dessa interação, como ação que se exerce de forma recíproca entre
dois agentes, faz com que o próprio conceito de deficiência incorpore, de forma
mais explícita ou mais implícita, a dimensão social como sendo chave, tornando
incabível, então, admitir as situações de deficiência sem levar em consideração
tal dimensão.
A deficiência se entende como geradora de
processos, em virtude dos quais não chegam a ser adquiridos, se deterioram ou
desaparecem determinados vínculos ou relações que as pessoas mantém e que lhes
permite dar resposta a suas necessidades, desenvolver-se pessoalmente,
participar da comunidade e obter e manter uma qualidade de vida satisfatória.
Ou seja, a deficiência como uma construção entre o indivíduo e a sociedade,
suscetível de ser superada, sempre e quando os processos sociais assim o
permitam.
Em oposição aos enfoques da deficiência em termos
de normalidade/anormalidade, estudados por diversos autores, o sociólogo
Guillermo Páramo Rocha afirma que “a diversidade trata de uma dimensão
fundamental que promove a assimilação das pessoas na sociedade de acordo com as
condições de cada um, independentemente das peculiaridades diversas que
caracterizam os indivíduos”.
Definições
da CIF.
As definições estabelecidas pela CIF, no contexto
da saúde, são as seguintes:
·
Funções
corporais: as funções fisiológicas dos
sistemas corporais (incluindo as funções psicológicas).
·
Estruturas
corporais: as partes anatômicas do corpo, tais
como os órgãos, os membros e seus componentes.
·
Deficiências: os problemas nas funções ou nas estruturas
corporais, tais como um desvio significativo ou uma perda.
·
Atividade: a realização de uma tarefa ou ação por parte de
um indivíduo.
·
Participação: o ato de envolver-se em uma situação vital.
·
Limitações
na atividade: as dificuldades que um indivíduo
pode experimentar no desempenho/realização de atividades.
·
Restrições
na participação: os problemas que um indivíduo pode
experimentar para envolver-se em uma situação vital.
·
Fatores
ambientais: o ambiente físico, social e atitudinal no qual as pessoas vivem.
·
Fatores
contextuais: a essência integral tanto da vida
de um indivíduo como do seu estilo de vida.
Estão aqui incluídos os fatores ambientais e pessoais
que podem ter efeitos na pessoa, na condição de sua saúde e nos estados
‘relacionados com a saúde’ dessa mesma pessoa. Nossa cultura tende a
estigmatizar o diferente, a marginalizá-lo, a excluí-lo, ao invés de
valorizá-lo, aceitá-lo e assimilá-lo como valor que tem a qualidade de
enriquecer os grupos humanos. É a partir de sua diversidade que os membros de
uma sociedade podem fazer sua contribuição à comunidade para construir uma
sociedade inclusiva.
A falta de resposta às necessidades das pessoas em
situação de deficiência faz com que a exclusão se torne social e economicamente
intolerável, particularmente em países em vias de desenvolvimento, com o
desperdício de talentos, de habilidades potenciais e deixando de lado uma
porcentagem considerável de cidadãos com possibilidades reais de participar
ativamente na sociedade.
O contrário disso, a resposta a essas necessidades,
permitiria chegar a uma sociedade inclusiva, ou sociedade para TODOS, conforme
o enfoque da Resolução 45/91 da Organização das Nações Unidas (ONU), assinada
durante sua Assembleia Geral em dezembro de 1990.
A CIF, aprovada em 2001 e desenvolvida pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), foi e segue sendo fundamental para a
compreensão dos conceitos de funcionalidade e deficiência:
·
ao apresentar a deficiência como um
processo interativo e evolutivo, na qual é necessário levar em conta a condição
de saúde e os fatores contextuais, tanto ambientais como pessoais, que podem
resultar limitantes para a realização de atividades e para a participação/funcionalidade
das pessoas no meio social;
·
ao defender que tanto o entorno
físico como o social são fatores decisivos na deficiência e as imperfeições de
projetos são causa de limitações e redução de oportunidades.
A prevalência de limitações permanentes nas funções
ou nas estruturas corporais, bem como a perda de habilidades em decorrência do
envelhecimento, que se evidenciam nas estatísticas leva a considerar a
importância e a responsabilidade que têm os urbanistas, projetistas e
construtores do meio físico na busca de propostas, alternativas e soluções de
edificações seguras, cômodas e confortáveis, que garantam uma melhor qualidade
de vida à população em geral e permitam uma real inclusão aos grupos
vulneráveis marginalizados como consequência de projetos excludentes.
Funcionalidade
humana e entorno.
A funcionalidade humana é concebida pela CIF em
três dimensões: biológica, psicológica e social. O termo FUNCIONALIDADE abrange
funções e estruturas corporais, atividades e participação, e indica os fatores
positivos da interação entre um indivíduo e seus diversos fatores contextuais.
É a restrição de tal inter-relação que impõe
limites ao desempenho e à possibilidade das pessoas em situação de deficiência
de se expressar produtivamente e de atingir uma melhor qualidade de vida.
Quando não existe a adequada relação entre a condição de deficiência e os
fatores ambientais e pessoais, surge a exclusão devido ao entorno, entorno que
impede a participação ou o acesso.
A exclusão devida ao entorno - ou meio ambiente
excludente - tem gerado respostas dos arquitetos, as quais têm evoluído desde a
eliminação de barreiras até a concepção de novos paradigmas de projeto, como o
da acessibilidade, que permite, em qualquer espaço interno ou externo, o fácil
deslocamento da população em geral e o uso de forma confiável e livre de riscos
dos serviços ali instalados, permitindo que as pessoas se aproximem, entrem,
usem e saiam desses ambientes em condições de segurança e com a maior autonomia
e conforto possíveis.
Esse meio ambiente acessível inclui, além das
edificações e dos espaços urbanos públicos e privados, as relações
interpessoais e as atitudes individuais e coletivas. Os fatores que fazem um
ambiente ser produtor de exclusão são criados pelo ser humano - ou seja, parte
da nossa cultura – sendo, portanto, reversíveis ou modificáveis. E, na medida
em que o entorno excludente evolua para um entorno inclusivo, esse se torna
gerador de qualidade de vida, ‘habilitador’ para as pessoas em situação de
deficiência.
Também o conceito de qualidade de vida passa a se
estruturar e a se fortalecer num contexto cada vez mais consciente da
importância do entorno na vida das pessoas. Possivelmente, na atualidade, o
entendimento da inclusão se encontra na confluência das ideias da não exclusão
e aquela da acessibilidade universal (ou desenho universal, desenho inclusivo,
desenho para todos), que tem como objetivo beneficiar a todos, tornando o meio
ambiente mais franqueado para o maior número de pessoas e situações, entendendo
e respeitando a diversidade de identidades, necessidades e capacidades de todos
e de cada um.
Tanto a CIF como o desenho universal, ou
acessibilidade universal, reconhecem que o meio ambiente físico possui a
responsabilidade no desempenho dos seres humanos e admitem que as pessoas sem
deficiência também sofrem as consequências e restrições de um entorno
excludente.
O caminho na direção de uma sociedade na qual todos
tenhamos as mesmas possibilidades deve começar por assumir o fato de que somos
todos diferentes – maravilhosamente diferentes. Baixos. Altos. Fracos. Fortes.
Corpulentos. Jovens. Velhos. E não importa se estás apaixonado, engessado ou se
tens uma deficiência. Que tal se o design e a arquitetura fossem tão variados e
excitantes como as pessoas para quem foram pensados?
Sociedade
inclusiva e Ética da Diversidade.
A partir do princípio da inclusão se pretende um
mundo e uma sociedade onde todas as pessoas tenham lugar e os mesmos direitos.
No entanto, essa sociedade não é formada por seres uniformes, moldados por um
mesmo padrão.
Atuar no âmbito da inclusão exige o compromisso com
a chamada "ética da diversidade", que parte da premissa do direito à
diferença, na qual todos os indivíduos e coletivos possuem atributos distintos
e, assim, podem aportar seus valores para a construção dessa sociedade
inclusiva que se almeja, aproveitando ao máximo as capacidades dos grupos
heterogêneos: com esse objetivo, cada uma das pessoas é valorizada pelo que é e
por suas potencialidades, independente de sua idade, sexo, raça, etnia,
habilidade, etc.
Em uma sociedade inclusiva, as relações que as
pessoas mantêm – e que lhes permite dar resposta às suas necessidades,
desenvolver-se pessoalmente, participar na comunidade, obter e manter uma qualidade
de vida satisfatória – estão determinadas pela capacidade ou possibilidade de
exercer seus direitos e, em particular, seus direitos sociais, tais como o
direito ao trabalho, à moradia, à cultura, à educação, à saúde, entre outros.
O conceito de qualidade de vida, como resultante da
interação da pessoa com os fatores ambientais, leva em consideração os aspectos
subjetivos, valores, preferências e satisfação num contexto social, econômico e
político. A qualidade de vida deve estar baseada no conceito de acessibilidade
e desenho universal como condição que deve atingir o entorno, os processos, os
bens, os produtos e os serviços, assim como os objetos ou instrumentos,
ferramentas e dispositivos para serem compreensíveis e utilizáveis por todas as
pessoas em condições de segurança e conforto, da forma mais autônoma possível.
O que se busca é um mundo e uma sociedade onde
todas as pessoas tenham os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Um mundo
e uma sociedade onde se respeitem as diferenças e se ofereçam oportunidades de
participação e construção inclusivas, que permitam a expressão e o livre
desenvolvimento das potencialidades sem nenhum tipo de restrições pessoais nem
ambientais para que seja possível atingir uma plena funcionalidade humana.
Bibliografia.
·
CASADO, D. (1991): Panorámica de la
discapacidad. Barcelona, INTRESS.
·
CASADO, D. (1995): Ante la
discapacidad. Glosas iberoamericanas. Buenos Aires, Lumen. UNIVERSIDAD
NACIONAL. Maestría Discapacidad e Inclusión Social. Discapacidad e Inclusión
Social. Reflexiones desde la Universidad Nacional de Colombia. Febrero de 2005.
·
FANTOVA, F. (1990): Evaluación de
programas de intervención en el tiempo libre con personas con minusvalía en el
Reino Unido, Italia y Francia. Elementos para un marco teórico y descripción
sistemática de una selección de programas.
·
- Exclusión e inclusión social: una
aproximación desde el ámbito de la discapacidad. Tercer Congreso Internacional
de Discapacidad. Inclusión: oportunidades para todo. 2006.
·
NACIONES UNIDAS (1988): Programa de
acción mundial para las personas con discapacidad.
·
Madrid, RPPAPM (Real Patronato de
Prevención y de Atención a Personas con Minusvalía).
·
OMS (Organización Mundial de la
Salud) (1983): Clasificación internacional de deficiencias discapacidades y
minusvalías. Madrid, INSERSO. OMS – OPS. Ministerio de Trabajo y Asuntos
Sociales de España., 2001. Clasificación Internacional del Funcionamiento, de
la Discapacidad y de la Salud.
Do livro:
Celebrando a
Diversidade. Pessoas com Deficiência e Direito à Inclusão.
Edição 2010.
Organização: Flavia Boni Licht e Nubia Silveira.
Apoio: Planeta Educação - em especial, Elisete Oliveira Santos Baruel e Érika de Souza Bueno.
Capítulo III - Onde está a Deficiência?
Claudia Sanchez (Bogotá).
- arquiteta, presidente do Comitê Técnico sobre Acessibilidade das Pessoas ao Meio Físico do Instituto Colombiano de Normas Técnicas; integrante da equipe de consultores internacionais da AyA Arquitetura e Acessibilidade.
Edição 2010.
Organização: Flavia Boni Licht e Nubia Silveira.
Apoio: Planeta Educação - em especial, Elisete Oliveira Santos Baruel e Érika de Souza Bueno.
Capítulo III - Onde está a Deficiência?
Claudia Sanchez (Bogotá).
- arquiteta, presidente do Comitê Técnico sobre Acessibilidade das Pessoas ao Meio Físico do Instituto Colombiano de Normas Técnicas; integrante da equipe de consultores internacionais da AyA Arquitetura e Acessibilidade.
Assinar:
Postagens (Atom)




