Meu nome é Ari Vieira, sou especializado em educação para pessoas com deficiência pela PUCSP. Quero ajudar os docentes a debater o tema inclusão das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida nas escolas. O blog será também uma importante ferramenta de consulta para quem for implantar a temática da inclusão na mobilidade urbana.
quarta-feira, 13 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
Escolas paulistas terão cuidador para alunos com necessidades especiais
Medida resulta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre governo de
São Paulo e Ministério Público Estadual
Botelho contou que o termo prevê, até
2014, o acompanhamento de um profissional específico à necessidade, a todo
aluno que necessitar de algum tipo de auxílio para acompanhar as aulas. “Nós
não restringimos o cuidador ao aluno com mobilidade reduzida. Por exemplo, um
autista não tem dificuldades motoras e pode, mesmo assim, precisar de auxílio.
O objetivo é permitir a efetiva inclusão de todo aluno que precise de auxílio
no processo de aprendizagem ou de qualquer outro suporte durante as atividades
escolares”, disse.
O funcionamento do processo se dará no
corpo escolar. O professor que identificar a necessidade de apoio de outro
profissional no acompanhamento de alunos deverá notificar a direção da escola,
que fará a solicitação à Diretoria de Ensino da região.
A Secretaria de Estado da Educação não
confirmou que a assinatura do termo se dará na data informada pelo promotor.
O promotor afirmou que este é só o
primeiro de cinco TACs que devem ser estabelecidos entre e o Ministério Público
e o governo estadual. Os outros termos em discussão dispõem sobre ensino e
utilização da linguagem brasileira de sinais (libras) nas escolas; sobre
atenção a crianças autistas; sobre o transporte escolar de alunos com
mobilidade reduzida e sobre a acessibilidade física dos prédios. De acordo com
Botelho, o governo Alckmin ainda está bastante atrasado no desenvolvimento de
políticas públicas que realizem a inclusão na prática.
“No âmbito do Estado de São Paulo, nós
identificamos uma morosidade na garantia desses direitos. Existe uma estrutura,
bastante arcaica, que é o Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape),
sediado na capital com a função de dar suporte para o estado inteiro. Me parece
que faltam políticas públicas na esfera estadual que contemplem essas áreas de
maneira eficiente. Afinal, porque é que o Ministério Público tem de criar um
acordo para que o estado cumpra? Seria muito mais adequado que a secretaria não
dependesse do MP e desenvolvesse a sua política”, analisa Botelho.
Durante o seminário foi lançado o
"Guia Prático: O Direito de Todos à Educação", fruto de uma parceira
entre o Ministério Público e a ONG Sorri-Brasil, que atua na área dos direitos
de pessoas com deficiência. O guia é voltado à orientação de promotores
públicos em questões relacionadas a inclusão na educação.
Participaram do evento as secretárias
de pessoas com deficiência do estado, Linamara Rizzo Battistella, e do
município, Marianne Pinotti, representantes das secretarias estadual e
municipal de educação, da Sorri-Brasil e promotores de diversas regiões do
estado.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Como formar redes de apoio à Educação inclusiva
Matheus Santana da Silva, aluno autista, com seu pai na biblioteca da
escola
A sala de aula inclusiva. Daniela Alonso e S. Casarin. São Paulo. No prelo 2012.
Os sistemas de apoio começam na própria escola, na
equipe e na gestão escolar. O aluno com deficiência não é visto como
responsabilidade unicamente do professor, mas de todos os participantes do
processo educacional. A direção e a coordenação pedagógica devem organizar
momentos para que os professores possam manifestar suas dúvidas e angústias. Ao
legitimar as necessidades dos docentes, a equipe gestora pode organizar espaços
para o acompanhamento dos alunos; compartilhar entre a equipe os relatos das
condições de aprendizagens, das situações da sala de aula e discutir
estratégias ou possibilidades para o enfrentamento dos desafios. Essas ações
produzem assuntos para estudo e pesquisa que colaboram para a formação
continuada dos educadores.
A família compõe a rede de apoio como a
instituição primeira e significativamente importante para a escolarização dos alunos.
É a fonte de informações para o professor sobre as necessidades específicas da
criança. É essencial que se estabeleça uma relação de confiança e cooperação
entre a escola e a família, pois esse vínculo favorecerá o desenvolvimento da
criança.
Profissionais da área de saúde que trabalham com o aluno, como
fisioterapeutas, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos ou médicos, também
compõem a rede. Esses profissionais poderão esclarecer as necessidades de
crianças e jovens e sugerir, ao professor, alternativas para o atendimento
dessas necessidades.
Na perspectiva da Educação inclusiva, os
apoios centrais reúnem os serviços da Educação especial e o Atendimento
Educacional Especializado (AEE). São esses os novos recursos que precisam
ser incorporados à escola. O aluno tem direito de frequentar o AEE no período
oposto às aulas. O sistema público tem organizado salas multifuncionais
ou salas de apoio, na própria escola ou em instituições conveniadas, com o
objetivo de oferecer recursos de acessibilidade e estratégias para eliminar as
barreiras, favorecendo a plena participação social e o desenvolvimento da
aprendizagem.
Art. 1º. Para a implementação do Decreto no
6.571/2008, os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas
classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado
(AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de
Atendimento Educacional Especializado da rede pública ou de instituições
comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos; Art. 2º. O
AEE tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da
disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem
as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua
aprendizagem; Parágrafo Único. Para fins destas Diretrizes, consideram-se
recursos de acessibilidade na Educação aqueles que asseguram condições de
acesso ao currículo dos alunos com deficiência ou mobilidade reduzida,
promovendo a utilização dos materiais didáticos e pedagógicos, dos espaços, dos
mobiliários e equipamentos, dos sistemas de comunicação e informação, dos
transportes e dos demais serviços. (CNB/CNE, 2009). NOTA – OBSERVAR O
TEOR DO DECRETO 7.611/2011 QUE REVOGOU O DECRETO 6.571/2008
Ainda
que não apresente números consideráveis, a inclusão tem sido incorporada e
revela ações que podem ser consideradas práticas para apoiar o professor. Ter
um segundo professor na sala de aula, é um exemplo, seja presente durante todas
as aulas ou em alguns momentos, nas mais diversas modalidades: intérprete,
apoio, monitor ou auxiliar. Esse professor poderá possuir formação específica,
básica ou poderá ser um estagiário. A participação do professor do AEE poderá
ocorrer na elaboração do planejamento e no suporte quanto à compreensão das
condições de aprendizagem dos alunos, como forma de auxiliar a equipe
pedagógica.
Outra
atividade evidenciada pela prática inclusiva para favorecer o educador é a
adoção da práxis - no ensino, nas interações, no espaço e no tempo - que
relacione os diferentes conteúdos às diversas atividades presentes no trabalho
pedagógico. São esses procedimentos que irão promover aos alunos a
possibilidade de reorganização do conhecimento, à medida que são respeitados os
diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.
Vale
ressaltar que a Educação inclusiva, como prática em construção, está em fase de
implementação. São muitos os desafios a serem enfrentados, mas as iniciativas e
as alternativas realizadas pelos educadores são fundamentais. As experiências,
agora, centralizam os esforços para além da convivência, para as possibilidades
de participação e de aprendizagem efetiva de todos os alunos.
Quer saber mais?
Bibliografia
Declaração de Salamanca, Ministério da Educação
A atenção educacional à diversidade: escolas inclusivas. R. Blanco, In: Marchesi, A., Tedesco, J.C., e
Declaração de Salamanca, Ministério da Educação
A atenção educacional à diversidade: escolas inclusivas. R. Blanco, In: Marchesi, A., Tedesco, J.C., e
A sala de aula inclusiva. Daniela Alonso e S. Casarin. São Paulo. No prelo 2012.
Diversidade como
paradigma de ação pedagógica na Educação. R. E. Carvalho. In:
Revista da Educação Especial. MEC/SEESP. Out. 2005.
Flexibilização
Curricular: um caminho para o atendimento de aluno com deficiência.
E. Lopes, PDE, Universidade Estadual de Londrina. Paraná. 2008. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/786-2.pdf
Qualidade, equidade e reformas no ensino. Coll, C. Madri: OEI-Fundação Santillana, 2009.
Documentos
Resolução CNE/CEB Nº 2. Art. 5º, Inciso III, MEC. 2001. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares/Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.
Resolução CNE/CEB nº 04/2009 e Parecer CNE/CEB nº 13/2009 http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf
Qualidade, equidade e reformas no ensino. Coll, C. Madri: OEI-Fundação Santillana, 2009.
Documentos
Resolução CNE/CEB Nº 2. Art. 5º, Inciso III, MEC. 2001. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares/Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.
Resolução CNE/CEB nº 04/2009 e Parecer CNE/CEB nº 13/2009 http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf
domingo, 3 de março de 2013
Flexibilização e adaptação curricular em favor da aprendizagem
Benjamin Saidon, aluno com síndrome de Down
da Nova Escola Judaica Bialik Renascença, em São Paulo
Para
estruturar as flexibilizações
na escola inclusiva é preciso que se reflita sobre os possíveis ajustes
relativos à organização didática. Qualquer adaptação não poderá constituir um
plano paralelo, segregado ou excludente. As flexibilizações e/ou adequações da
prática pedagógica deverão estar a serviço de uma única premissa: diferenciar
os meios para igualar os direitos, principalmente o direito à participação, ao
convívio.
O desafio, agora, é avançar para uma maior valorização da diversidade sem ignorar o comum entre os seres humanos. Destacar muito o que nos diferencia pode conduzir à intolerância, à exclusão ou a posturas fundamentalistas que limitem o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, ou, que justifiquem, por exemplo, a elaboração de currículos paralelos para as diferentes culturas, ou para pessoas com necessidades educacionais especiais. (BLANCO, 2009).
Além disso, para que o projeto inclusivo seja colocado em ação, há necessidade de uma atitude positiva e disponibilidade do professor para que ele possa criar uma atmosfera acolhedora na classe. A sala de aula afirma ou nega o sucesso ou a eficácia da inclusão escolar, mas isso não quer dizer que a responsabilidade seja só do professor. O professor não pode estar sozinho, deverá ter uma rede de apoio, na escola e fora dela, para viabilizar o processo inclusivo.
Para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede contínua de apoio deveria ser providenciada, com variação desde a ajuda mínima na classe regular até programas adicionais de apoio à aprendizagem dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à provisão de assistência dada por professores especializados e pessoal de apoio externo. (Declaração de Salamanca, 1994).
Revista Educação
sexta-feira, 1 de março de 2013
O que significa ter um projeto pedagógico inclusivo?
Marilda Dutra, professora de Geografia, e Marcia Maisa Leite Buss,
intérprete de libras, da EE Nossa Senhora da Conceição, e seus alunos
É na sala de aula que acontece a concretização do projeto pedagógico - elaborado nos diversos níveis do sistema educacional. Vários fatores podem influenciar a dinâmica da sala de aula e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem. Planejamentos que contemplem regulações organizativas diversas, com possibilidades de adequações ou flexibilizações têm sido uma das alternativas mais discutidas como opção para o rompimento com estratégias e práticas limitadas e limitantes.
As
barreiras que podem impedir o acesso de alguns alunos ao ensino e à convivência
estão relacionadas a diversos componentes e dimensões da escolarização.
Ocorrem, também, impedimentos na ação dos educadores. Vejamos os principais
pontos revelados na experiência com educadores no exercício da Educação
inclusiva, para todos.
Educadores
reconhecem, cada vez mais, a diversidade humana e as diferenças individuais que
compõem seu grupo de alunos e se deparam com a urgência de transformar o
sistema educacional e garantir um ensino de qualidade para todos os estudantes.
Não basta que a escola receba a matrícula de alunos com necessidades
educacionais especiais, é preciso que ofereça condições para a
operacionalização desse projeto
pedagógico inclusivo. A inclusão deve garantir a todas as
crianças e jovens o acesso à aprendizagem por meio de todas as possibilidades
de desenvolvimento que a escolarização oferece.
As
mudanças são imprescindíveis, dentre elas a reestruturação física, com a
eliminação das barreiras arquitetônicas; a introdução de recursos e de
tecnologias assistivas; a oferta de profissionais do ensino especial, ainda em
número insuficiente. Além da compreensão e incorporação desses serviços na
escola regular são necessárias alternativas relativas à organização, ao
planejamento e à avaliação do ensino.
Outro
ponto importante refere-se à formação dos professores para a inclusão. A
transformação de paradigma na Educação exige professores preparados para a nova
prática, de modo que possam atender também às necessidades do ensino inclusivo.
O saber está sendo construído à medida que as experiências vão acumulando-se e
as práticas anteriores vão sendo transformadas. Por isso, a formação continuada
tem um papel fundamental na prática profissional.
A inclusão de pessoas com deficiência faz parte do
paradigma de uma sociedade democrática, comprometida com o respeito aos
cidadãos e à cidadania. Esse paradigma, na escola, apresenta-se no projeto
pedagógico que norteará sua ação, explicitará sua política educacional, seu
compromisso com a formação dos alunos, assim como, com ações que favoreçam a
inclusão social.
É o projeto pedagógico que orienta as atividades
escolares revelando a concepção da escola e as intenções da equipe de
educadores. Com base no projeto pedagógico a escola organiza seu trabalho;
garante apoio administrativo, técnico e científico às necessidades da Educação inclusiva;
planeja suas ações; possibilita a existência de propostas curriculares
diversificadas e abertas; flexibiliza seu funcionamento; atende à diversidade
do alunado; estabelece redes de apoio, que proporcionam a ação de
profissionais especializados, para favorecer o processo educacional.
É na sala de aula que acontece a concretização do projeto pedagógico - elaborado nos diversos níveis do sistema educacional. Vários fatores podem influenciar a dinâmica da sala de aula e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem. Planejamentos que contemplem regulações organizativas diversas, com possibilidades de adequações ou flexibilizações têm sido uma das alternativas mais discutidas como opção para o rompimento com estratégias e práticas limitadas e limitantes.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O que o Plano Nacional de Educação diz sobre a Educação inclusiva
Daniela Alonso,
especialista em Educação Inclusiva e selecionadora do Prêmio Victor
Civita Educador Nota 10
Civita Educador Nota 10
Isac Oliveira Souza
aprendendo ler na lousa braile, na sala de recursos da EE Dom Jayme de Barros
No
Brasil, a regulamentação mais recente que norteia a organização do sistema
educacional é o Plano
Nacional de Educação (PNE 2011-2020). Esse documento, entre outras metas e
propostas inclusivas, estabelece a
nova função da Educação especial como modalidade de ensino que perpassa
todos os segmentos da escolarização (da Educação Infantil ao ensino
superior); realiza o
atendimento educacional especializado (AEE); disponibiliza os serviços e recursos
próprios do AEE e orienta
os alunos e seus professores quanto à sua utilização nas turmas
comuns do ensino regular.
O
PNE considera público alvo da Educação especial na perspectiva da Educação
inclusiva, educandos com deficiência (intelectual, física, auditiva, visual e
múltipla), transtorno global do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades.
Se
o aluno apresentar necessidade específica, decorrente de suas características
ou condições, poderá requerer, além dos princípios comuns da Educação na diversidade,
recursos diferenciados identificados como
necessidades educacionais especiais (NEE). O estudante poderá
beneficiar-se dos apoios de caráter especializado, como o ensino de linguagens
e códigos específicos de comunicação e sinalização, no caso da deficiência visual e auditiva;
mediação para o desenvolvimento de estratégias de pensamento, no caso da deficiência intelectual;
adaptações do material e do ambiente físico, no caso da deficiência física;
estratégias diferenciadas para adaptação e regulação do comportamento, no caso
do transtorno global;
ampliação dos recursos educacionais e/ou aceleração de conteúdos para altas habilidades.
A
Educação inclusiva tem sido um caminho importante para abranger a diversidade
mediante a construção de uma escola que ofereça uma proposta ao grupo (como um
todo) ao mesmo tempo em que atenda às necessidades de cada um, principalmente
àqueles que correm risco de exclusão em termos de aprendizagem e participação
na sala de aula.
Além
de ser um direito, a Educação inclusiva é uma resposta inteligente às demandas
do mundo contemporâneo. Incentiva uma pedagogia não homogeneizadora e
desenvolve competências interpessoais. A sala de aula deveria espelhar a
diversidade humana, não escondê-la. Claro que isso gera novas tensões e
conflitos, mas também estimula as habilidades morais para a convivência
democrática. O resultado final, desfocado pela miopia de alguns, é uma Educação
melhor para todos. (MENDES, 2012).
Revista Educação
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Os desafios da Educação inclusiva: foco nas redes de apoio
Matéria
publicada na Revista Educação
Para fazer a inclusão de verdade e garantir a
aprendizagem de todos os alunos na escola regular é preciso fortalecer a
formação dos professores e criar uma boa rede de apoio entre alunos, docentes,
gestores escolares, famílias e profissionais de saúde que atendem as crianças
com Necessidades Educacionais Especiais
1. Inclusão no Brasil e Educação especial na escola regular
João Guilherme dos Santos, aluno com deficiência física, com seus colegas da Unidade Integrada Alberico Silva, em São Luís.
O
esforço pela inclusão social e escolar de pessoas com necessidades especiais no
Brasil é a resposta para uma situação que perpetuava a segregação dessas
pessoas e cerceava o seu pleno desenvolvimento. Até o início do século 21, o
sistema educacional brasileiro abrigava dois tipos de serviços: a escola regular e a escola especial - ou o
aluno frequentava uma, ou a outra. Na última década, nosso sistema escolar
modificou-se com a proposta inclusiva e um único tipo de escola foi adotado: a
regular, que acolhe todos os alunos, apresenta meios e recursos adequados e
oferece apoio àqueles que encontram barreiras para a aprendizagem.
A
Educação inclusiva compreende
a Educação especial dentro da escola regular e transforma a escola em um espaço
para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos os
alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar.
Há,
entretanto, necessidades que interferem de maneira significativa no processo de
aprendizagem e que exigem uma atitude educativa específica da escola como, por
exemplo, a utilização de recursos e apoio especializados para garantir a
aprendizagem de todos os alunos.
A
Educação é um direito de todos e deve ser orientada no sentido do pleno
desenvolvimento e do fortalecimento da personalidade. O respeito aos direitos e
liberdades humanas, primeiro passo para a construção da cidadania, deve ser
incentivado.
Educação
inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto
escolar. A opção por este tipo de Educação não significa negar as dificuldades
dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas
como problemas, mas como diversidade.
É essa variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de
mundo e desenvolver oportunidades de convivência a todas as crianças.
Preservar
a diversidade apresentada na escola, encontrada na realidade social, representa
oportunidade para o atendimento das necessidades educacionais com ênfase nas
competências, capacidades e potencialidades do educando.
Ao refletir sobre a abrangência do sentido e do significado do
processo de Educação inclusiva, estamos considerando a diversidade de
aprendizes e seu direito à equidade. Trata-se de equiparar oportunidades,
garantindo-se a todos - inclusive às pessoas em situação de deficiência e aos
de altas habilidades/superdotados, o direito de aprender a aprender, aprender a
fazer, aprender a ser e aprender a conviver. (CARVALHO, 2005).
Daniela Alonso,
especialista em Educação Inclusiva e selecionadora do Prêmio Victor
Civita Educador Nota 10
Civita Educador Nota 10
domingo, 24 de fevereiro de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
O que é a Síndrome de Asperger?
A Síndrome de
Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD), resultante de uma
desordem genética, e que apresenta muitas semelhanças com relação ao autismo.
Ao contrário do que
ocorre no autismo, contudo, crianças com Asperger não apresentam grandes
atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem com comprometimento cognitivo
grave. Esses alunos costumam escolher temas de interesse, que podem ser únicos
por longos períodos de tempo - quando gostam do tema "dinossauros",
por exemplo, falam repetidamente nesse assunto. Habilidades incomuns, como
memorização de sequências matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em
pessoas com essa síndrome.
Na infância, essas
crianças apresentam déficits no desenvolvimento motor e podem ter dificuldades
para segurar o lápis para escrever. Estruturam seu pensamento de forma bastante
concreta e não conseguem interpretar metáforas e ironias - o que interfere no
processo de comunicação. Além disso, não sabem como usar os movimentos
corporais e os gestos na comunicação não-verbal e se apegam a rituais, tendo
dificuldades para realizar atividades que fogem à rotina.
Como lidar com a Síndrome
de Asperger na escola?
As recomendações são semelhantes às do autismo.
Respeite o tempo de aprendizagem do aluno e estimule a comunicação com os
colegas. Converse com ele de maneira clara e objetiva e apresente as atividades
visualmente, para evitar ruídos na compreensão do que deve ser feito.
Também é aconselhável
explorar os temas de interesse do aluno para abordar novos assuntos, ligados às
expectativas de aprendizagem. Se ele tem uma coleção de carrinhos, por exemplo,
utilize-a para introduzir o sistema de numeração. Ações que escapam à rotina
devem ser comunicadas antecipadamente.
Revista Educação
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
CARTILHA DE CUIDADOS DE SAÚDE ÀS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN
O Ministério da
Saúde lançou em 2012 uma cartilha para orientar o atendimento no Sistema Único
de Saúde (SUS) a pessoas com síndrome de
Down, que atinge atualmente 300 mil brasileiros.
O objetivo,
segundo o ministro Alexandre Padilha, é qualificar e humanizar os serviços
oferecidos às famílias e aos pacientes já nos primeiros dias de vida deles.
A intenção é
alertar sobre as doenças que têm maior prevalência nessa fase e os principais
cuidados necessários, para garantir um desenvolvimento saudável das crianças.
(http://estaticog1.globo.com/2012/09/27/CuidadosSaudePessoasSindromeDown.pdf )
foi formulado durante cinco meses, com a colaboração de especialistas e entidades. Também há uma versão mais simples
(http://estaticog1.globo.com/2012/09/27/DiretrizesCuidadosSindromeDown.pdf ),
feita em parceria com jovens que têm síndrome de Down, para que a linguagem ficasse mais acessível a esse público.
O texto traz instruções sobre como identificar visualmente a síndrome, causada por um distúrbio genético decorrente de um cromossomo extra, o 21.
Entre as características físicas, estão: pregas das pálpebras oblíquas e para cima, base do nariz plana, rosto aplanado, língua saliente e cabelo fino. Se algum desses atributos aparecer de forma isolada, não confirma o diagnóstico – que pode se valer ainda de um exame genético, para identificar a presença do cromossomo a mais.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
#VEMSEANPENN
Colegas - O Filme
Ator com síndrome de Down encabeça a ação.
Por André Roedel
Ariel Goldenberg conseguiu realizar o sonho de ser ator. Agora só falta outro: conhecer Sean Penn
A Web do Bem
traz esta semana a história de Ariel Goldenberg, que tem síndrome de Down, um
distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra. O sonho
dele, desde criança, é ser ator de cinema. Ariel cresceu e, após figurar em
novelas e peças de teatro, conseguiu seu grande objetivo: protagonizar um
filme.
”Colegas”, filme dirigido por Marcelo
Galvão, foi produzido em 2012 e estreia no dia 1º de março deste ano. Com
grandes atores no elenco, como Lima Duarte e Juliana Didone, a obra mostra a
história de três amigos com síndrome de Down (Ariel e os atores Rita Pokk e
Breno Viola) que vão superar suas limitações para correr atrás de seus maiores
sonhos.
O filme recebeu o Kikito de Melhor
Filme, uma das maiores premiações do cinema nacional, que acontece no Festival
de Gramado. “Eu quero mostrar esse Kikito aqui não só para mim mãe, mas sim ao
mundo”, disse Ariel após receber o prêmio.
Só que os sonhos de Ariel não param
por aí. Ele, que é fã do ator Sean Penn, quer que o astro dos filmes “Milk” e
“Sobre Meninos e Lobos” venha ao Brasil prestigiar a grande estreia de
“Colegas”. O ator chegou a economizar dinheiro e comprou passagens para os
Estados Unidos para conhecer Sean Penn, mas esqueceu de tirar o visto
americano.
Com esse imprevisto, amigos de Ariel
e produtores do filme “Colegas” se uniram e lançaram um vídeo no YouTube para
que a história desse grande sonhador chegue ao conhecimento de Sean Penn.
No vídeo, a história da vida de Ariel
é contada através imagens de grandes filmes, como “Forrest Gump”. Com mais de
600 mil visualizações em dois dias, a campanha #VEMSEANPENN viralizou e, de
acordo com alguns produtores e críticos de Hollywood, os agentes de Sean Penn
já sabem da história.
Mas, enquanto o próprio Sean Penn não
vem ao Brasil, não custa nada compartilhar o vídeo nas redes sociais para que o
mundo veja a linda história de Ariel e seu sonho, não é mesmo? Como o próprio
narrador diz no vídeo, “se todos nós compartilharmos, mais cedo ou mais tarde o
Sean Penn vai acabar vendo”.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Fernando de Noronha faz mudanças para ser acessível a turistas com deficiência
Governo lança projeto Praia sem Barreiras no arquipélago pernambucano.
O banho de mar nas águas transparentes e mornas da Praia do Sueste, localizada no arquipélago pernambucano, tornou-se mais democrático, graças à estreia hoje do projeto Praia sem Barreiras, idealizado e executado pela Secretaria de Turismo de Pernambuco (Setur/PE), através da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur). A partir de agora o acesso de cadeirantes à paradisíaca baía da ilha será possível através de uma esteira antiderrapante, que conduz o banhista por 30 metros até quatro cadeiras de rodas anfíbias, desenvolvidas com tecnologia da Nasa e cujo material não esquenta sob a ação do inclemente sol nordestino.
De lá, os banhistas são acompanhados por oito profissionais da EcoNoronha devidamente qualificados para o banho assistido, que poderá ser desfrutado todos os dias, das 8h às 18h. Oinvestimento total da implantação do projeto foi de R$ 37 mil. As cadeiras anfíbias são fabricadas pela Ortomix, em Aparecida do Goiás (GO), e custam R$ 5.415 cada uma.
A recifense Yoko Farias Sujimoto, 29 anos, e o cadeirante suíço Michel Peneveyre, presidente da ONG Rodas da Liberdade, que vive em Porto de Galinhas, foram os escolhidos para estrear o serviço da equipe e a curtir as delícias do mar de Noronha.
Estou muito feliz de estar aqui. Esse é um sonho de muitas pessoas em minha condição. Sei que muitos virão depois de nós dois”, diz emocionada Yoko. Já para o quase pernambucano Michel, a palavra que melhor define a experiência de ontem é felicidade. Tanto que este foi o nome que ele deu à tartaruga encontrada no mar naquela manhã pela equipe do Projeto Tamar. A recifense preferiu pegar emprestada a sugestão do rapaz que a assistia no banho de mar e batizou o animal marinho de Nó, em homenagem à ilha. Surgia naquele instante a mascote da dupla especial de banhistas.
Para o secretário de Turismo de Pernambuco, Alberto Feitosa, a implantação do equipamento é de grande importância para o turismo do Estado, que tem na acessibilidade um dos seus grandes focos. “Essa é uma das minhas grandes missões. E hoje é um dia feliz, histórico. Muito tenho a agradecer à coordenadora do Programa Turismo Acessível, Morgana Cavalcanti, que dá o exemplo e nos serviu de inspiração. Ontem (30), por coincidência, fez dez anos que ela ficou impossibilitada de andar”, pontuou o secretário, complementando que a próxima cidade a receber o projeto Praia sem Barreiras será o Recife. A data foi escolhida a dedo, acontecerá no dia 12, quando se comemora o aniversário da capital pernambucana. “Vamos dar esse presente ao Recife”, festeja.
Para definir onde implantar o novo serviço em Boa Viagem, a Empetur contou com a ajuda de um dos parceiros no projeto, o Instituto Oceanário da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que realizou pesquisa sobre ataques de tubarão na orla recifense. “Não podemos correr riscos”, diz Mosana, ao informar que o Praia sem Barreiras será instalado em frente à Rua Bruno Veloso porque lá, segundo o estudo, é a área que menos registros possui de ataques de tubarões.
“Ao contrário de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, nosso ponto de acessibilidade será sempre no mesmo local”, ressalta a coordenadora da Empetur, complementando que isso ajudará ainda mais as pessoas com dificuldade física como ela. Mosana ficou impossibilitada de andar depois de ser atingida por um tiro durante um assalto nas proximidades do Edifício Califórnia, na Avenida Boa Viagem, em 2003.
Participaram ainda do evento de lançamento do Praia sem Barreiras o administrador do arquipélago, Romeu Baptista, o secretário nacional de promoção dos Direitos Humanos, o pernambucano de Garanhuns, Antonio José Ferreira, o chefe do ICMBio, Ricardo Araújo, Pablo Móbis, gerente do Eco Noronha, todos parceiros na ação de acessibilidade num dos destinos mais cobiçados Brasil afora.
ACESSIBILIDADE – Não foi à toa que o arquipélago Fernando de Noronha foi escolhido para a estreia do Praia sem Barreiras. A empresa Eco Noronha tem investido forte em acessibilidade na ilha no último ano, quando o acesso ao Mirante dos Golfinhos é possível graças à trilha suspensa, construída com madeira biossintética.
O Mirante do Sancho, onde é possível observar o belo cenário da praia que leva o mesme do ponto de observação, tammbém é totalmente acessível. O caminho até o Mirante Dois Irmãos, o principal ícone da ilha, é outra trilha construída para dar acesso ao ir e vir de todos. Ambas dispõem de acessibilidade assistida e foram construídas pela EcoNoronha. Falta entregar ainda a trilha da Praia do Leão, prevista para ser entregue até o fim deste ano.
Assista o vídeo:
Fonte: Jornal do Comércio
Link alternativo para a matéria:
ABAIXO ALGUMAS IMAGENS PUBLICADAS NA FOLHA-UOL
A
tetraplégica Yoko Farias, 28, utiliza as esteiras acessíveis e cadeiras
anfíbias na praia do Sueste, em PE
Michel
Beneveyle e Yoko Farias, 28, utilizam as esteiras acessíveis e cadeiras
anfíbias na praia do Sueste
Tetraplégica
Yoko Farias toma banho de mar na praia do Sueste, em Fernando de Noronha, em
Pernambuco
Tetraplégica
Yoko Farias toma banho de mar e toca tartaruga na praia do Sueste, em Fernando
de Noronha
Imagens: Apu Gomes/Folhapress
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A sexualidade e a Lesão Medular: o que queremos saber e temos receio de perguntar!
Matéria extraída do Fisioinforma, http://fisioterapiajoaomaia.blogspot.com.br
Blog Português. (Obs: vou reproduzir fielmente sem fazer qualquer correção do idioma)
Entrevista com Dra. Maria Ribeiro da Cunha
P.: Existem vários tipos de sexualidade, e a de um lesionado medular
será necessariamente diferente. Isto é muitas vezes um factor de insegurança,
tanto para o lesionado, como para a(o) sua(seu) companheira(o). Qual entende
que seja a melhor abordagem à questão? Para a Dra. que realiza trabalho nesta
área, existe algum profissional de saúde mais vocacionado para este tipo de
questões?
Em 2002 a OMS definiu a sexualidade como sendo: “um aspecto central do ser
humano ao longo da vida, englobando o sexo, identificação do género e seu
papel, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução”.
A lesão medular tem um impacto muito significativo na diminuição do desejo
sexual por algumas das suas consequências físicas e psicológicas, como sendo: a
dependência de 3ª pessoa, a inversão dos papéis nas relações pessoais, a dor, a
espasticidade, a limitação da mobilidade, as deformidades físicas, o medo de
descontrolo esfincteriano, a depressão, entre outras.
Assim, a questão da função sexual, entendida pelos lesionados medulares como
uma das suas principais preocupações na fase subaguda e crónica da lesão,
deverá ser abordada no contexto da sua reabilitação integral e abrangente, de
uma forma natural e, como em todas as outras vertentes, recorrendo a uma equipa
pluriprofissional.
Além da explicação daquilo que acontece em termos fisiopatológicos na lesão
medular, com repercussão na função sexual, deverá ainda ser aconselhado tentar
uma mudança na conceptualização da sexualidade, no sentido de uma menor
“genitalização” do acto sexual, procurando outras formas e manifestações de
relação com a(o) parceira(o), de prazer e de satisfação.
O modelo PLISSIT sugere o profissional com competências mais adequadas à abordagem desta área:
Existem ainda programas de reabilitação psicossexual muito válidos. Têm geralmente a duração de seis-oito semanas, com sessões de grupo (misto) semanais, com duração de uma hora, sendo encorajada a participação dos doentes e respectivo(a)s companheiro(a)s.
Nestas sessões, são geralmente abordados diferentes temas como por exemplo: a resposta sexual humana e factores que podem afectar essa resposta, efeitos da lesão medular sobre a sexualidade, sexualidade e incontinência, e sexualidade, casamento e divórcio, procurando-se aqui incentivar a partilha de experiências e a interacção dos doentes.
P.: A lesão medular implica limitações físicas, em que se incluem a função sexual. Obviamente, a gravidade desta disfunção irá variar com o tipo de lesão. Pode traçar-nos um esquema das principais repercussões nesta vertente, distinguindo o que pode acontecer no caso do homem e no caso da mulher?
De uma forma genérica, e para lesões completas, podemos resumir as alterações mais frequentes segundo o quadro seguinte:
Nas lesões incompletas, os achados são variáveis, dependendo do grau de preservação medular.
P.: Para as pessoas nesta condição que pensam em ter filhos, as dúvidas são muitas e frequentemente pouco esclarecidas. A nível físico, quais os condicionamentos de um lesionado medular para a maternidade ou paternidade?
Geralmente, lesionados medulares do género masculino apresentam subfertilidade devido a alterações ejaculatórias e patologia seminal. Muitos doentes são jovens e desejam a paternidade biológica. Nestes casos, deve ser avaliada a possibilidade de ejaculação por métodos naturais (possível em poucos casos), ou utilizando diferentes métodos de obtenção seminal (vibroestimulador, electroestimulador anal). Quando é necessário melhorar qualidade do sémen, pode ser implementado um protocolo para diminuir a estase do fluído prostático, através de ejaculações regulares (aproximadamente uma extracção por semana) com o auxílio de electroejaculadores ou vibradores penianos.
Nas situações em que nenhum dos métodos atrás referidos é eficaz, os doentes são encaminhados para uma instituição especializada para realização de punção-aspiração testicular com agulha fina e técnicas de fertilização por microinjeção espermática.
No caso das mulheres, há que esclarecer que a fertilidade, após um período de amenorreia inicial pós-lesão (4, 6 ou 8 meses), não será geralmente afectada, pelo que precisam de usar um método contraceptivo (de preferência preservativo lubrificado) se não quiserem engravidar. Os anticoncepcionais orais estão desaconselhados pelo risco aumentado de trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar. Além disso, apesar de não ser obviamente desencorajado, devem referir-se os riscos em que as lesionadas medulares podem incorrer com uma gravidez, como por exemplo: maior probabilidade de úlceras de pressão, insuficiência venosa, tromboembolismo, infecções urinárias, aumento da espasticidade ou diminuição da função pulmonar.
P.: Para terminar, tem conhecimento de algum tipo de produto de apoio nesta área que possa ser útil? Existe algum grupo de apoio que se debruce sobre este tema?
A medicação oral é a primeira linha no tratamento da disfunção sexual masculina pós-lesão medular, seguida da medicação intracavernosa.
Muito raramente (em casos refractários à medicação ou se esta está contra-indicada), podem ser utilizados anéis constritores ou sistema de vácuo para obter uma erecção suficiente para a penetração. O último recurso será o tratamento cirúrgico, com colocação de prótese peniana ou de estimulador de raízes sagradas.
Não tenho conhecimento que haja actualmente algum grupo de
apoio especificamente neste área em Portugal, além das existentes consultas de
Reabilitação Sexual em Serviços de Medicina Física e de Reabilitação
(infelizmente ainda escassas) e algumas associações/grupos de lesionados
medulares que divulgam informação de diversos temas. Poderá ser uma boa ideia
para um projecto futuro!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Estudantes do ensino médio da rede pública terão livro digital a partir de 2015
Boa novidade que contribui para a inclusão de estudantes cegos.
Estudantes do ensino médio da rede pública terão livro digital a partir de 2015
A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso e incluir vídeos, animações e simuladores e até jogos. Foto: Raoni Maddalena
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) abre hoje nesta segunda-feira 21 o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.
A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.
A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.
Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo Ministério da Educação que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.
De acordo com o Ministério da Educação, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.
O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.
*Matéria originalmente publicada na Agência Brasil
A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso e incluir vídeos, animações e simuladores e até jogos. Foto: Raoni Maddalena
Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) abre hoje nesta segunda-feira 21 o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.
A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.
A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.
Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo Ministério da Educação que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.
De acordo com o Ministério da Educação, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.
O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.
*Matéria originalmente publicada na Agência Brasil
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Uma escola para todos
Revista Educação
Wellerson, que tem surdez, com
seus colegas do 4° ano do fundamental: Matheus (ao centro), com distrofia
muscular, e Caio (à esq.)
Vamos brincar
Ao incluir alunos com deficiência, a instituição
escolar muda sua perspectiva de mundo, ajuda professores a repensarem seu papel
e contribui para a construção de uma nova geração - aquela que sabe que, entre
as diferenças, todos somos iguais
Maria Fernanda Vomero
Há mais
de duas décadas e meia, a Constituição brasileira prevê a inclusão de alunos
com deficiência nas classes comuns, estabelecendo igualdade de condições para o
acesso e a permanência na escola. Embora ainda existam resistências, essas
crianças deixaram de ser "invisíveis", não se encontram mais
"escondidas" e já ocupam seu espaço no ambiente socioeducativo. Os
resultados preliminares do Censo Escolar de 2012 indicam, mais uma vez, aumento
nas matrículas em educação especial na rede pública. Mas, para que sejam
incluídas de fato, e não se tornem meras figurantes de um sistema e sim
protagonistas do próprio aprendizado, é fundamental que a instituição escolar
reveja suas premissas.
Segundo os resultados
preliminares do Censo Escolar MEC/Inep de 2012, o Brasil ampliou em 7,64% o
número das matrículas em educação especial na rede pública em relação ao ano
anterior, passando de 584.124 para 628.768 matrículas. Os dados finais de 2012
para a rede particular de ensino ainda não foram divulgados, mas em 2011 foram
registradas 163.409 matrículas de alunos com deficiência em estabelecimentos
privados - 20% delas em escolas inclusivas, as demais (130.798) em instituições
exclusivas e classes especiais.
A gradual presença de
alunos com deficiência no ensino regular frequentando classes comuns ao lado de
outros estudantes colocou em xeque a escola, como instituição, e revelou quão
conservador era o sistema de ensino em vigor até então. Além disso, mostrou também
como a própria formação de professores para a Educação Básica estava
contaminada por clichês e estereótipos e respondia insatisfatoriamente às
necessidades de todos os estudantes. "O aluno com deficiência é o grande
bode expiatório de um processo de formação docente em alguns momentos
fracassado e de uma estrutura escolar que precisa ser modificada", diz
Fabiana Stival Morgado Gomes, gerente de educação inclusiva da Secretaria de
Educação de Santo André (SP). "Ele propicia essa mudança, revela onde a
escola tem de se renovar - e não para favorecer só essa criança, mas para
aprimorar o aprendizado de todos os alunos. Temos uma escola que se mantém
igual e reproduz modelos e movimentos há anos, e uma sociedade que pede um
ensino muito mais dinâmico. Um professor com maior rigidez, que não enxerga
essa escola em outro contexto, responsabiliza o aluno com deficiência",
afirma ela.
O dilema do professor
Figura essencial para
viabilizar a educação inclusiva, o professor da sala regular é quem inicia, na
prática, o movimento de acolhida da criança com algum transtorno ou
deficiência. Não se trata de um trabalho simples. Afinal, se por um lado pairam
sobre esse professor exigências vindas de várias instâncias (direção, rede de
ensino, MEC, famílias...), por outro, é ele quem está no contato diário com os
estudantes, acompanhando seus progressos, descobrindo a singularidade de cada
um e estabelecendo com eles uma relação de confiança. Por isso, é compreensível
que, diante de uma criança autista, cega ou com comprometimento motor, por
exemplo, algum docente possa pensar: "tenho de dar conta de ensinar esse
aluno e não sei o que fazer para que ele aprenda". E, então, rapidamente -
e de modo equivocado - conclui: "não estou preparado". "Existe o
mito de que, na universidade, vamos conseguir preparar integralmente o
professor para sua prática. Não vamos, porque a prática educativa é riquíssima.
Nunca os faremos capazes de atuar sabendo o que vai acontecer no futuro.
Afinal, a situação numa sala de aula é sempre imprevisível", afirma Leny
Magalhães Mrech, psicanalista e coordenadora do Núcleo de Estudos de
Psicanálise e Educação (Nupe), da Faculdade de Educação da USP.
Segundo ela, certas ideias
ultrapassadas ainda influenciam o comportamento de professores do ensino regular.
Até início dos anos 1980, por exemplo, acreditava-se que uma criança com
deficiência intelectual não pudesse ser alfabetizada, nem conseguisse aprender.
"Por conta disso, nem se oferecia à criança a possibilidade de ter contato
com materiais de leitura e escrita. Hoje se sabe que essa postura é totalmente
equivocada", diz Leny. "Porém, muitos professores ainda olham essas
crianças como se elas estivessem em defasagem. Não escutam a criança; escutam o
próprio preconceito."
Questão legal
A Política Nacional de
Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, lançada pelo MEC em
2008, define a educação especial como modalidade de ensino transversal,
realizada de forma complementar ou suplementar à escolarização dos estudantes
com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e altas
habilidades ou superdotação, matriculados em classes comuns do ensino regular.
No mesmo ano, o Brasil ratificou e aprovou a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência da ONU com força de emenda constitucional. Por meio
dela, o Estado assegura a oferta de um sistema educativo inclusivo em todos os
níveis de ensino e garante, ao público-alvo da educação integral, acesso ao
ensino de qualidade e gratuito na comunidade em igualdade de condições. Como
são regidas pela mesma legislação, as escolas privadas têm igual obrigação de
matricular essas crianças e promover a inclusão.
Mas muitas matrículas continuam
sendo recusadas sob os argumentos de "falta de recursos (materiais ou
financeiros)" ou "despreparo do corpo docente", especialmente na
rede particular.
"Negar ou fazer cessar
matrícula por motivo de deficiência é crime, com pena de reclusão de 1 a 4
anos", afirma a advogada Claudia Grabois, coordenadora do Fórum Nacional
de Educação Inclusiva e membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência
Judiciária da OAB/RJ.
Ainda pairam certos mitos sobre
como se dá, na prática, a educação especial nas escolas comuns, daí o receio ou
o preconceito. "O papel da educação especial é oferecer recursos,
tecnologias assistivas, códigos e equipamentos às pessoas com deficiência e
ensiná-las a se utilizarem deles para que, diante das barreiras sociais,
conquistem a autonomia e a independência desejáveis. Não se trata de ensinar a
ler, escrever ou fazer conta, como muitos ainda acham", diz Maria Teresa
Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Unicamp e uma das maiores
referências no assunto do país.
Apoio à formação
O Atendimento Educacional
Especializado (AEE) é um serviço da educação especial, previsto em lei, em
caráter complementar ou suplementar à escolarização. Implica a criação de um
espaço dentro das dependências escolares - a Sala de Recursos Multifuncionais
(SRM) - destinado ao atendimento de alunos com deficiência. Cabe à escola a
contratação de um professor com formação inicial ou continuada em Educação
Especial para realizar o AEE. E ao MEC, a provisão de materiais e recursos para
montar a sala, de acordo com o perfil dos alunos matriculados. O Decreto
7.611/2011 confirmou o duplo financiamento para matrículas de estudantes
público-alvo da educação especial, na escolarização e no contraturno, no AEE.
Já a formação continuada é direito
de todos os profissionais do magistério. O MEC, por meio da Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), em
colaboração com estados e municípios, apoia e também oferece cursos nas
modalidades presencial, semipresencial e a distância, nos níveis de extensão,
aperfeiçoamento e especialização. Há formações específicas para os professores
que atuam no AEE, mas também cursos para todos os educadores e profissionais
das escolas que têm matrículas de estudantes com deficiência.
Tripé inclusivo
A jovem Juliana de Oliveira,
de 24 anos, fez sua estreia como professora na rede municipal de Santo André no
início de 2012. Na primeira turma que assumiu (o 2° ano do ensino infantil) na
EMEIEF Professor Nicolau, estavam Kauã Santos, de 5 anos, com um laudo
sugestivo - mas não fechado - de Transtorno Global de Desenvolvimento, e Kelvin
Valério Domingues, de 5, com paralisia cerebral e comprometimento motor. Ela
não se intimidou e agora identifica os progressos desses e dos demais alunos.
"Não vejo diferença entre eles. Cada um tem uma necessidade específica,
uma facilidade ou uma dificuldade. O Kelvin faz as mesmas atividades que todos
os outros, mas precisa de alguém que o ajude. E não fala, embora já consiga
fazer-se entender. Quanto ao Kauã, não encontro nele problema algum de aprendizagem",
conta Juliana. O auxiliar de Kelvin é o Anderson Nascimento Lopes.
A parceria e a troca de informações
entre regente, professor de AEE e cuidador é fundamental para o desenvolvimento
dos alunos com deficiência. Professor de Apoio Especializado (como a rede de
São Gonçalo [RJ] denomina o cuidador), Jeferson Oliveira acompanha João
Matheus, de 6 anos, e João Victor, de 8, ambos autistas, na EM Padre Cipriano
Douma, no município. Antes de entrar para a rede municipal de ensino, Jeferson,
que completou o magistério e é fluente em Língua Brasileira de Sinais (Libras),
já tinha trabalhado numa classe especial de uma instituição especializada para
deficientes auditivos. "Havia uma sala com crianças surdas voltada apenas
para o ensino da língua de sinais. Não existia um trabalho pedagógico ou um
compromisso com o ensino e o desenvolvimento da inteligência", conta ele.
"Se antes experimentei uma prática segregativa, agora tenho uma vivência
inclusiva. Constatei que a interação é fundamental para a criança com
deficiência, ela precisa ter contato com o mundo ao seu redor," diz.
Quando o AEE é oferecido nas
dependências da escola, os alunos com deficiência frequentam a Sala de Recursos
Multifuncionais no contraturno. Espaços geralmente coloridos, repletos de
estímulos visuais e táteis e equipados com computadores, materiais
diferenciados e brinquedos adaptados às necessidades dos alunos, as SRMs
começaram a ser implementados com o Plano de Desenvolvimento da Educação
(2007).
Tampouco o processo tem sido fácil
- nem sempre as escolas destinam um espaço adequado à SRM, nem sempre é
possível vencer logo a indiferença dos docentes do ensino regular, que podem
enxergar o espaço como adversário, e não como um aliado."É necessário
tempo para que a mudança ocorra, ou seja, para que o educador absorva novos
conceitos, modifique seu fazer e inove seus saberes", afirma Iara de
Moraes Gomes, articuladora de educação especial da Secretaria de Educação,
Esporte e Cultura de Campina Grande (PB). "O professor da sala regular e o
da sala de recursos sempre são orientados a interagir, principalmente no
planejamento pedagógico de seus alunos com deficiência. Pela metodologia do
AEE, o professor de SRM deve fazer um plano individual para cada um dos
estudantes atendidos," explica.
É inegável que o trabalho
desenvolvido pelos docentes do atendimento educacional especializado tem
trazido frescor à dinâmica escolar, com o desenvolvimento de estratégias
pedagógicas diferenciadas, que saem da mesmice. E os benefícios vêm para todos
os alunos, não apenas para as crianças com deficiência. As entusiasmadas
professoras Denise Montibeller e Rosemeri Vargas, responsáveis pela SRM da
Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC), que
funciona como polo (oferece AEE a alunos de unidades próximas), sempre buscam
oportunidades para levar propostas desenvolvidas durante o atendimento
individualizado - e baseadas no interesse do próprio aluno de AEE - para a sala
onde ele estuda, a fim de que toda a turma participe. "Em vez de só
sugerir à professora regente o que é possível fazer, apresentamos para ela o
'como' e envolvemos a todos. Isso é inclusão", afirma Rosemeri.
Escola-polo
Até 2009, a Escola
Municipal de Educação Infantil e Fundamental Professor Nicolau Moraes Barros, em
Santo André (SP) fazia parte da rede estadual paulista e mantinha, em suas
dependências, uma classe especial. Ou seja, as 14 crianças com deficiência que
frequentavam a escola ficavam separadas dos outros estudantes e tinham
professores específicos. Em 2010, quando o estabelecimento passou para a rede
do município, a classe especial foi extinta e os alunos foram redistribuídos
nas escolas mais próximas de suas residências. Um deles permanece lá até hoje:
Eric Góes, com deficiência intelectual.
Em 2012, já eram 16 crianças com
necessidades específicas estudando ali, no turno da manhã e da tarde,
distribuídas em várias séries. Com duas Salas de Recursos Multifuncionais, uma
para o ensino fundamental e outra para a educação de jovens e adultos, a
instituição tornou-se uma escola-polo e também oferece Atendimento Educacional
Especializado a alunos de unidades próximas.
Transformar a EMEIEF Professor
Nicolau numa escola inclusiva não foi um processo simples, nem rápido. "No
início de 2010, quando vim para uma reunião com o corpo docente, os professores
me perguntavam: mas os alunos daquela sala vão se misturar com os
demais?", conta Maria Helena de Castro Faria, Professora Assessora de
Educação Inclusiva (PAEI), profissional itinerante que acompanha e assessora as
práticas de inclusão em cinco escolas da rede de Santo André. "No início,
foi muito complicado. Fizemos várias formações com os professores e, pouco a
pouco, as dificuldades foram sendo superadas. Ainda há desafios, mas, hoje,
tenho muito respeito e admiração por esse grupo," comemora.
Literatura para todos
Na sala do 4° ano do ensino
fundamental da Escola Municipal Padre Cipriano Douma, em São Gonçalo (RJ), os
alunos acabam de fazer a leitura de um conto infantil. Na lousa, estão algumas
perguntas de interpretação de texto, passadas pela professora Daniele
Benevides, que eles devem responder por escrito em seus cadernos. Vários já
começaram a fazer a tarefa, enquanto outros se mantêm distraídos, brincando com
o lápis ou enchendo as margens de desenhos. Alguns, mais ruidosos ou agitados,
continuam conversando com os colegas. Entre as 26 crianças da turma, três têm
algum tipo de deficiência: Caio Marcos Pereira Reis, de 10 anos, com Transtorno
Global de Desenvolvimento; Wellerson de Oliveira Lima, também de 10, com
surdez, e Matheus Vinícius Monteiro Antunes, de 12 anos, com distrofia muscular
de Duchenne, que o mantém na cadeira de rodas e lhe provoca déficit
intelectual. Eles também estão fazendo a atividade. Os dois últimos sentam-se
próximos à professora, que, embora não seja docente de educação especial
naquela escola, é fluente em Libras. Mesmo sendo oralizado - ou seja, com
desenvoltura na comunicação oral - Wellerson prefere a língua de sinais. Muitas
crianças já aprenderam algumas palavras em Libras com ele - e acham o máximo.
"Sinceramente? Não vejo diferença entre meus alunos. Tenho desafios e
aprendizados diariamente, como qualquer professor. Procuro fazer um
planejamento flexível, que contemple a turma inteira. Afinal, todos os
estudantes têm alguma necessidade 'especial'", diz Daniele.
A desinformação tem sido um dos
maiores obstáculos à matrícula e permanência de alunos como Caio, Matheus ou
Wellerson nas escolas comuns e ao cumprimento integral da legislação referente
ao tema. "Até poucos anos atrás, as pessoas com deficiência ainda eram
institucionalizadas em estabelecimentos exclusivos para o ensino delas, as
chamadas escolas especiais", diz Claudia Pereira Dutra, responsável pela
Secadi/ MEC. Nesses estabelecimentos, a educação para esse público era
entendida como algo substitutivo à escola comum. "Os desafios para a
efetivação da educação inclusiva vinculam-se à necessidade de rompimento do
modelo que historicamente estigmatizou as pessoas com deficiência. Na medida em
que a escola acolhe, conhece e aprende com a diversidade humana, tem a
oportunidade de desconstruir tais modelos, percebendo que o processo de
inclusão beneficia todo o coletivo", diz Claudia.
Embora seja indiscutível o direito
de toda criança, com deficiência ou não, de estar na escola e ser respeitada em
sua dignidade - o que inclui a valorização de sua capacidade de aprender -, a
oferta do AEE no ensino regular ainda desperta insegurança em muitos
professores e famílias e, numa esfera mais ampla, traz à tona preconceitos, divergências
políticas e interesses econômicos muitas vezes alheios às necessidades
infantis. Principalmente, expõe as fragilidades de uma sociedade e de um
sistema educacional ainda pouco afeitos à diversidade. "As pessoas são
diferentes, mas a escola quer que, depois de um processo educativo, elas se
igualem a um modelo", diz a pedagoga Maria Teresa Mantoan, da Unicamp.
"Se a regra for o parâmetro, sempre haverá os bem-sucedidos, que
conseguiram se adaptar, e os malsucedidos, que não conseguiram. A normalização
que a escola busca é impossível". Como ela costuma dizer: "inclusão é
sair da escola dos diferentes e promover a escola das diferenças".
Da imobilidade às letras
Ellen orienta Erick: ele chegou à
escola sem conseguir andar ou segurar objetos; hoje, escreve o próprio nome
Com Transtorno Global do
Desenvolvimento (TGD) e traços de deficiência intelectual e motora, Erick
Richard da Costa de Jesus, de 5 anos, convive normalmente com seus colegas do
2° ano do ensino infantil. Quando chegou à Escola Municipal Padre Cipriano
Douma, em São Gonçalo (RJ), no início de 2011, o garotinho não andava, não
conseguia segurar objetos e tampouco falava. Hoje, brinca com os amigos, corre
durante o recreio, identifica letras e cores, escreve o próprio nome e já
consegue falar várias palavras. Duas vezes por semana, no período da tarde,
Erick frequenta a sala de recursos multifuncionais, na qual segue um roteiro de
atividades que complementam seu desenvolvimento acadêmico, com acompanhamento
da professora de atendimento educacional especializado. "Quanto progresso ele teve desde que
entrou na escola", conta a mãe Darlene da Costa de Jesus, emocionada.
Aprendendo com Lucas
Lucas acompanha todos os
conteúdos do 7° ano da escola, com atividades que envolvem os colegas
Embora não consiga se
expressar verbalmente e tenha movimentos limitados, Lucas Godoz dos Santos, 14
anos, com paralisia cerebral, acompanha todos os conteúdos do 7° ano da Escola
Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC). Além do
atendimento personalizado na sala de recursos multifuncionais, as professoras
de AEE Denise Montibeller e Rosemeri Vargas procuram propor atividades para
Lucas que também envolvam seus colegas. Durante uma aula de educação física, os
estudantes, com os braços amarrados para trás, seguravam um bombom e tinham de
comê-lo. Quem pediu ajuda ao colega conseguiu comer o doce; os demais acabaram
deixando o bombom cair. "Eles se deram conta do que é estar amarrado
dentro do próprio corpo, sem poder se mexer", diz Denise. "E se
interessaram pela lesão do Lucas." Esse foi o mote para a professora de
ciências trabalhar o sistema nervoso com a classe.
Os alunos entoam, num inglês bem
pronunciado, All night, all day, canção aprendida com o professor Ricardo Levi
Na Escola Básica Municipal
José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC), há dois alunos com deficiência
visual: Naiara Ramilo da Silva Coutinho, de 10 anos, aluna do 4° ano do ensino
fundamental no período da manhã, e Rafael Fregnani, de 12 anos, do 4° ano à
tarde, que também tem autismo e hemiparesia (foto). Denise Montibeller e
Rosemeri Vargas, responsáveis pela Sala de Recursos Multifuncionais da escola,
propuseram às respectivas classes duas atividades diferentes usando vendas nos
olhos. Para a turma de Naiara (incluindo a professora de português), exibiram
um filme. Enquanto o grupo acompanhava o áudio original, as duas descreviam as
cenas. Depois, pediram que os alunos contassem como imaginavam a história e as
imagens. "Quando exibimos o filme na sequência, todos riram porque haviam
pensado em algo bem diferente. Naiara, porém, tinha imaginado as cenas
exatamente como eram", relata Denise. "Naquele momento, a professora
nos disse que por fim entendia como promover a participação ativa da aluna na
sala de aula." A repercussão da atividade foi tão positiva que a turma
pediu que a pequena Naiara fosse à frente explicar como lidava com a cegueira, como
funcionava o braile e qual era sua percepção de mundo.
Fonte: Revista Educação
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