Ally e Ryan

Ally e Ryan

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma escola para todos

Revista Educação


Ao incluir alunos com deficiência, a instituição escolar muda sua perspectiva de mundo, ajuda professores a repensarem seu papel e contribui para a construção de uma nova geração - aquela que sabe que, entre as diferenças, todos somos iguais
Maria Fernanda Vomero

 Wellerson, que tem surdez, com seus colegas do 4° ano do fundamental: Matheus (ao centro), com distrofia muscular, e Caio (à esq.)

Há mais de duas décadas e meia, a Constituição brasileira prevê a inclusão de alunos com deficiência nas classes comuns, estabelecendo igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. Embora ainda existam resistências, essas crianças deixaram de ser "invisíveis", não se encontram mais "escondidas" e já ocupam seu espaço no ambiente socioeducativo. Os resultados preliminares do Censo Escolar de 2012 indicam, mais uma vez, aumento nas matrículas em educação especial na rede pública. Mas, para que sejam incluídas de fato, e não se tornem meras figurantes de um sistema e sim protagonistas do próprio aprendizado, é fundamental que a instituição escolar reveja suas premissas.

Segundo os resultados preliminares do Censo Escolar MEC/Inep de 2012, o Brasil ampliou em 7,64% o número das matrículas em educação especial na rede pública em relação ao ano anterior, passando de 584.124 para 628.768 matrículas. Os dados finais de 2012 para a rede particular de ensino ainda não foram divulgados, mas em 2011 foram registradas 163.409 matrículas de alunos com deficiência em estabelecimentos privados - 20% delas em escolas inclusivas, as demais (130.798) em instituições exclusivas e classes especiais.

A gradual presença de alunos com deficiência no ensino regular frequentando classes comuns ao lado de outros estudantes colocou em xeque a escola, como instituição, e revelou quão conservador era o sistema de ensino em vigor até então. Além disso, mostrou também como a própria formação de professores para a Educação Básica estava contaminada por clichês e estereótipos e respondia insatisfatoriamente às necessidades de todos os estudantes. "O aluno com deficiência é o grande bode expiatório de um processo de formação docente em alguns momentos fracassado e de uma estrutura escolar que precisa ser modificada", diz Fabiana Stival Morgado Gomes, gerente de educação inclusiva da Secretaria de Educação de Santo André (SP). "Ele propicia essa mudança, revela onde a escola tem de se renovar - e não para favorecer só essa criança, mas para aprimorar o aprendizado de todos os alunos. Temos uma escola que se mantém igual e reproduz modelos e movimentos há anos, e uma sociedade que pede um ensino muito mais dinâmico. Um professor com maior rigidez, que não enxerga essa escola em outro contexto, responsabiliza o aluno com deficiência", afirma ela.

O dilema do professor

Figura essencial para viabilizar a educação inclusiva, o professor da sala regular é quem inicia, na prática, o movimento de acolhida da criança com algum transtorno ou deficiência. Não se trata de um trabalho simples. Afinal, se por um lado pairam sobre esse professor exigências vindas de várias instâncias (direção, rede de ensino, MEC, famílias...), por outro, é ele quem está no contato diário com os estudantes, acompanhando seus progressos, descobrindo a singularidade de cada um e estabelecendo com eles uma relação de confiança. Por isso, é compreensível que, diante de uma criança autista, cega ou com comprometimento motor, por exemplo, algum docente possa pensar: "tenho de dar conta de ensinar esse aluno e não sei o que fazer para que ele aprenda". E, então, rapidamente - e de modo equivocado - conclui: "não estou preparado". "Existe o mito de que, na universidade, vamos conseguir preparar integralmente o professor para sua prática. Não vamos, porque a prática educativa é riquíssima. Nunca os faremos capazes de atuar sabendo o que vai acontecer no futuro. Afinal, a situação numa sala de aula é sempre imprevisível", afirma Leny Magalhães Mrech, psicanalista e coordenadora do Núcleo de Estudos de Psicanálise e Educação (Nupe), da Faculdade de Educação da USP.

Segundo ela, certas ideias ultrapassadas ainda influenciam o comportamento de professores do ensino regular. Até início dos anos 1980, por exemplo, acreditava-se que uma criança com deficiência intelectual não pudesse ser alfabetizada, nem conseguisse aprender. "Por conta disso, nem se oferecia à criança a possibilidade de ter contato com materiais de leitura e escrita. Hoje se sabe que essa postura é totalmente equivocada", diz Leny. "Porém, muitos professores ainda olham essas crianças como se elas estivessem em defasagem. Não escutam a criança; escutam o próprio preconceito."

Questão legal 

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, lançada pelo MEC em 2008, define a educação especial como modalidade de ensino transversal, realizada de forma complementar ou suplementar à escolarização dos estudantes com deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação, matriculados em classes comuns do ensino regular. No mesmo ano, o Brasil ratificou e aprovou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU com força de emenda constitucional. Por meio dela, o Estado assegura a oferta de um sistema educativo inclusivo em todos os níveis de ensino e garante, ao público-alvo da educação integral, acesso ao ensino de qualidade e gratuito na comunidade em igualdade de condições. Como são regidas pela mesma legislação, as escolas privadas têm igual obrigação de matricular essas crianças e promover a inclusão.


Mas muitas matrículas continuam sendo recusadas sob os argumentos de "falta de recursos (materiais ou financeiros)" ou "despreparo do corpo docente", especialmente na rede particular.

"Negar ou fazer cessar matrícula por motivo de deficiência é crime, com pena de reclusão de 1 a 4 anos", afirma a advogada Claudia Grabois, coordenadora do Fórum Nacional de Educação Inclusiva e membro da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB/RJ.

Ainda pairam certos mitos sobre como se dá, na prática, a educação especial nas escolas comuns, daí o receio ou o preconceito. "O papel da educação especial é oferecer recursos, tecnologias assistivas, códigos e equipamentos às pessoas com deficiência e ensiná-las a se utilizarem deles para que, diante das barreiras sociais, conquistem a autonomia e a independência desejáveis. Não se trata de ensinar a ler, escrever ou fazer conta, como muitos ainda acham", diz Maria Teresa Égler Mantoan, professora da Faculdade de Educação da Unicamp e uma das maiores referências no assunto do país.

Apoio à formação 

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço da educação especial, previsto em lei, em caráter complementar ou suplementar à escolarização. Implica a criação de um espaço dentro das dependências escolares - a Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) - destinado ao atendimento de alunos com deficiência. Cabe à escola a contratação de um professor com formação inicial ou continuada em Educação Especial para realizar o AEE. E ao MEC, a provisão de materiais e recursos para montar a sala, de acordo com o perfil dos alunos matriculados. O Decreto 7.611/2011 confirmou o duplo financiamento para matrículas de estudantes público-alvo da educação especial, na escolarização e no contraturno, no AEE.


Já a formação continuada é direito de todos os profissionais do magistério. O MEC, por meio da Secretaria de Educação Conti­nuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), em colaboração com estados e municípios, apoia e também oferece cursos nas modalidades presencial, semipresencial e a distância, nos níveis de extensão, aperfeiçoamento e especialização. Há formações específicas para os professores que atuam no AEE, mas também cursos para todos os educadores e profissionais das escolas que têm matrículas de estudantes com deficiência.

Tripé inclusivo 

A jovem Juliana de Oliveira, de 24 anos, fez sua estreia como professora na rede municipal de Santo André no início de 2012. Na primeira turma que assumiu (o 2° ano do ensino infantil) na EMEIEF Professor Nicolau, estavam Kauã Santos, de 5 anos, com um laudo sugestivo - mas não fechado - de Transtorno Global de Desenvolvimento, e Kelvin Valério Domingues, de 5, com paralisia cerebral e comprometimento motor. Ela não se intimidou e agora identifica os progressos desses e dos demais alunos. "Não vejo diferença entre eles. Cada um tem uma necessidade específica, uma facilidade ou uma dificuldade. O Kelvin faz as mesmas atividades que todos os outros, mas precisa de alguém que o ajude. E não fala, embora já consiga fazer-se entender. Quanto ao Kauã, não encontro nele problema algum de aprendizagem", conta Juliana. O auxiliar de Kelvin é o Anderson Nascimento Lopes.


A parceria e a troca de informações entre regente, professor de AEE e cuidador é fundamental para o desenvolvimento dos alunos com deficiência. Professor de Apoio Especializado (como a rede de São Gonçalo [RJ] denomina o cuidador), Jeferson Oliveira acompanha João Matheus, de 6 anos, e João Victor, de 8, ambos autistas, na EM Padre Cipriano Douma, no município. Antes de entrar para a rede municipal de ensino, Jeferson, que completou o magistério e é fluente em Língua Brasileira de Sinais (Libras), já tinha trabalhado numa classe especial de uma instituição especializada para deficientes auditivos. "Havia uma sala com crianças surdas voltada apenas para o ensino da língua de sinais. Não existia um trabalho pedagógico ou um compromisso com o ensino e o desenvolvimento da inteligência", conta ele. "Se antes experimentei uma prática segregativa, agora tenho uma vivência inclusiva. Constatei que a interação é fundamental para a criança com deficiência, ela precisa ter contato com o mundo ao seu redor," diz.

Quando o AEE é oferecido nas dependências da escola, os alunos com deficiência frequentam a Sala de Recursos Multifuncionais no contraturno. Espaços geralmente coloridos, repletos de estímulos visuais e táteis e equipados com computadores, materiais diferenciados e brinquedos adaptados às necessidades dos alunos, as SRMs começaram a ser implementados com o Plano de Desenvolvimento da Educação (2007).
Tampouco o processo tem sido fácil - nem sempre as escolas destinam um espaço adequado à SRM, nem sempre é possível vencer logo a indiferença dos docentes do ensino regular, que podem enxergar o espaço como adversário, e não como um aliado."É necessário tempo para que a mudança ocorra, ou seja, para que o educador absorva novos conceitos, modifique seu fazer e inove seus saberes", afirma Iara de Moraes Gomes, articuladora de educação especial da Secretaria de Educação, Esporte e Cultura de Campina Grande (PB). "O professor da sala regular e o da sala de recursos sempre são orientados a interagir, principalmente no planejamento pedagógico de seus alunos com deficiência. Pela metodologia do AEE, o professor de SRM deve fazer um plano individual para cada um dos estudantes atendidos," explica.
É inegável que o trabalho desenvolvido pelos docentes do atendimento educacional especializado tem trazido frescor à dinâmica escolar, com o desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas, que saem da mesmice. E os benefícios vêm para todos os alunos, não apenas para as crianças com deficiência. As entusiasmadas professoras Denise Montibeller e Rosemeri Vargas, responsáveis pela SRM da Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC), que funciona como polo (oferece AEE a alunos de unidades próximas), sempre buscam oportunidades para levar propostas desenvolvidas durante o atendimento individualizado - e baseadas no interesse do próprio aluno de AEE - para a sala onde ele estuda, a fim de que toda a turma participe. "Em vez de só sugerir à professora regente o que é possível fazer, apresentamos para ela o 'como' e envolvemos a todos. Isso é inclusão", afirma Rosemeri.

Escola-polo

Até 2009, a Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental Professor Nicolau Moraes Barros, em Santo André (SP) fazia parte da rede estadual paulista e mantinha, em suas dependências, uma classe especial. Ou seja, as 14 crianças com deficiência que frequentavam a escola ficavam separadas dos outros estudantes e tinham professores específicos. Em 2010, quando o estabelecimento passou para a rede do município, a classe especial foi extinta e os alunos foram redistribuídos nas escolas mais próximas de suas residências. Um deles permanece lá até hoje: Eric Góes, com deficiência intelectual.

Em 2012, já eram 16 crianças com necessidades específicas estudando ali, no turno da manhã e da tarde, distribuídas em várias séries. Com duas Salas de Recursos Multifuncionais, uma para o ensino fundamental e outra para a educação de jovens e adultos, a instituição tornou-se uma escola-polo e também oferece Atendimento Educacional Especializado a alunos de unidades próximas.

Transformar a EMEIEF Professor Nicolau numa escola inclusiva não foi um processo simples, nem rápido. "No início de 2010, quando vim para uma reunião com o corpo docente, os professores me perguntavam: mas os alunos daquela sala vão se misturar com os demais?", conta Maria Helena de Castro Faria, Professora Assessora de Educação Inclusiva (PAEI), profissional itinerante que acompanha e assessora as práticas de inclusão em cinco escolas da rede de Santo André. "No início, foi muito complicado. Fizemos várias formações com os professores e, pouco a pouco, as dificuldades foram sendo superadas. Ainda há desafios, mas, hoje, tenho muito respeito e admiração por esse grupo," comemora.

Literatura para todos

Na sala do 4° ano do ensino fundamental da Escola Municipal Padre Cipriano Douma, em São Gonçalo (RJ), os alunos acabam de fazer a leitura de um conto infantil. Na lousa, estão algumas perguntas de interpretação de texto, passadas pela professora Daniele Benevides, que eles devem responder por escrito em seus cadernos. Vários já começaram a fazer a tarefa, enquanto outros se mantêm distraídos, brincando com o lápis ou enchendo as margens de desenhos. Alguns, mais ruidosos ou agitados, continuam conversando com os colegas. Entre as 26 crianças da turma, três têm algum tipo de deficiência: Caio Marcos Pereira Reis, de 10 anos, com Transtorno Global de Desenvolvimento; Wellerson de Oliveira Lima, também de 10, com surdez, e Matheus Vinícius Monteiro Antunes, de 12 anos, com distrofia muscular de Duchenne, que o mantém na cadeira de rodas e lhe provoca déficit intelectual. Eles também estão fazendo a atividade. Os dois últimos sentam-se próximos à professora, que, embora não seja docente de educação especial naquela escola, é fluente em Libras. Mesmo sendo oralizado - ou seja, com desenvoltura na comunicação oral - Wellerson prefere a língua de sinais. Muitas crianças já aprenderam algumas palavras em Libras com ele - e acham o máximo. "Sinceramente? Não vejo diferença entre meus alunos. Tenho desafios e aprendizados diariamente, como qualquer professor. Procuro fazer um planejamento flexível, que contemple a turma inteira. Afinal, todos os estudantes têm alguma necessidade 'especial'", diz Daniele.


A desinformação tem sido um dos maiores obstáculos à matrícula e permanência de alunos como Caio, Matheus ou Wellerson nas escolas comuns e ao cumprimento integral da legislação referente ao tema. "Até poucos anos atrás, as pessoas com deficiência ainda eram institucionalizadas em estabelecimentos exclusivos para o ensino delas, as chamadas escolas especiais", diz Claudia Pereira Dutra, responsável pela Secadi/ MEC. Nesses estabelecimentos, a educação para esse público era entendida como algo substitutivo à escola comum. "Os desafios para a efetivação da educação inclusiva vinculam-se à necessidade de rompimento do modelo que historicamente estigmatizou as pessoas com deficiência. Na medida em que a escola acolhe, conhece e aprende com a diversidade humana, tem a oportunidade de desconstruir tais modelos, percebendo que o processo de inclusão beneficia todo o coletivo", diz Claudia.

Embora seja indiscutível o direito de toda criança, com deficiência ou não, de estar na escola e ser respeitada em sua dignidade - o que inclui a valorização de sua capacidade de aprender -, a oferta do AEE no ensino regular ainda desperta insegurança em muitos professores e famílias e, numa esfera mais ampla, traz à tona preconceitos, divergências políticas e interesses econômicos muitas vezes alheios às necessidades infantis. Principalmente, expõe as fragilidades de uma sociedade e de um sistema educacional ainda pouco afeitos à diversidade. "As pessoas são diferentes, mas a escola quer que, depois de um processo educativo, elas se igualem a um modelo", diz a pedagoga Maria Teresa Mantoan, da Unicamp. "Se a regra for o parâmetro, sempre haverá os bem-sucedidos, que conseguiram se adaptar, e os malsucedidos, que não conseguiram. A normalização que a escola busca é impossível". Como ela costuma dizer: "inclusão é sair da escola dos diferentes e promover a escola das diferenças".

Da imobilidade às letras

Ellen orienta Erick: ele chegou à escola sem conseguir andar ou segurar objetos; hoje, escreve o próprio nome

Com Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD) e traços de deficiência intelectual e motora, Erick Richard da Costa de Jesus, de 5 anos, convive normalmente com seus colegas do 2° ano do ensino infantil. Quando chegou à Escola Municipal Padre Cipriano Douma, em São Gonçalo (RJ), no início de 2011, o garotinho não andava, não conseguia segurar objetos e tampouco falava. Hoje, brinca com os amigos, corre durante o recreio, identifica letras e cores, escreve o próprio nome e já consegue falar várias palavras. Duas vezes por semana, no período da tarde, Erick frequenta a sala de recursos multifuncionais, na qual segue um roteiro de atividades que complementam seu desenvolvimento acadêmico, com acompanhamento da professora de atendimento educacional especializado. "Quanto progresso ele teve desde que entrou na escola", conta a mãe Darlene da Costa de Jesus, emocionada.

Aprendendo com Lucas

Lucas acompanha todos os conteúdos do 7° ano da escola, com atividades que envolvem os colegas


Embora não consiga se expressar verbalmente e tenha movimentos limitados, Lucas Godoz dos Santos, 14 anos, com paralisia cerebral, acompanha todos os conteúdos do 7° ano da Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC). Além do atendimento personalizado na sala de recursos multifuncionais, as professoras de AEE Denise Montibeller e Rosemeri Vargas procuram propor atividades para Lucas que também envolvam seus colegas. Durante uma aula de educação física, os estudantes, com os braços amarrados para trás, seguravam um bombom e tinham de comê-lo. Quem pediu ajuda ao colega conseguiu comer o doce; os demais acabaram deixando o bombom cair. "Eles se deram conta do que é estar amarrado dentro do próprio corpo, sem poder se mexer", diz Denise. "E se interessaram pela lesão do Lucas." Esse foi o mote para a professora de ciências trabalhar o sistema nervoso com a classe.

Vamos brincar


Os alunos entoam, num inglês bem pronunciado, All night, all day, canção aprendida com o professor Ricardo Levi

Na Escola Básica Municipal José do Valle Pereira, em Florianópolis (SC), há dois alunos com deficiência visual: Naiara Ramilo da Silva Coutinho, de 10 anos, aluna do 4° ano do ensino fundamental no período da manhã, e Rafael Fregnani, de 12 anos, do 4° ano à tarde, que também tem autismo e hemiparesia (foto). Denise Montibeller e Rosemeri Vargas, responsáveis pela Sala de Recursos Multifuncionais da escola, propuseram às respectivas classes duas atividades diferentes usando vendas nos olhos. Para a turma de Naiara (incluindo a professora de português), exibiram um filme. Enquanto o grupo acompanhava o áudio original, as duas descreviam as cenas. Depois, pediram que os alunos contassem como imaginavam a história e as imagens. "Quando exibimos o filme na sequência, todos riram porque haviam pensado em algo bem diferente. Naiara, porém, tinha imaginado as cenas exatamente como eram", relata Denise. "Naquele momento, a professora nos disse que por fim entendia como promover a participação ativa da aluna na sala de aula." A repercussão da atividade foi tão positiva que a turma pediu que a pequena Naiara fosse à frente explicar como lidava com a cegueira, como funcionava o braile e qual era sua percepção de mundo.

Fonte: Revista Educação


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sancionada lei de proteção à pessoa autista

 
Mais de dois milhões de famílias poderão se beneficiar da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Essa nova forma de proteção social está prevista em lei sancionada pela presidente da República, Dilma Rousseff, e em vigor desde o dia 28 de dezembro.
 
A Lei 12.764/12 resultou do PLS 168/11, de autoria da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Foi elaborada a partir de sugestão apresentada pela Associação em Defesa do Autista (Adefa) à CDH.
 
A lei estabelece os direitos do autista, equiparando-o à pessoa com deficiência em relação aos efeitos legais. A medida também cria um cadastro único com a finalidade de produzir estatísticas nacionais sobre o assunto.
 
A presidente vetou dois dispositivos do projeto. O primeiro, conforme o Ministério da Educação, tem o objetivo de eliminar da lei a possibilidade de exclusão do estudante autista da rede regular de ensino, o que violaria a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
 
O segundo veto atingiu a concessão de horário especial a pais de autistas que sejam servidores públicos. O argumento do Ministério do Planejamento é de que a alteração afrontaria a competência privativa da presidente da República para a proposição de leis sobre o tema.
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

13 de dezembro - DIA DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA VISUAL


No dia 13 de dezembro, é comemorado no Brasil o Dia Nacional da Pessoa com Defiência Visual. Criado em 1961, a data foi instituida para incentivar o princípio de solidariedade humana, mundialmente estabelecido no princípio da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Também é o Dia de Santa Luzia que é invocada pelos fiéis como a protetora dos olhos, que são a "janela da alma", canal de luz.
Segundo dados do IBGE de 2010, no Brasil, mais de 6,5 milhões de pessoas têm alguma deficiência visual. Entre as deficiências declaradas, a de maior incidência foi a visual, atingindo 3,5% da população. Segundo a Organização Mundial de Saúde com tratamento precoce, atendimento educacional adequado, programas e serviços especializados, a perda da visão não significa o fim de uma vida independente e produtiva.
Como é o caso de Marquinho de 8 anos. Desde que nasceu ele enfrentou sérios problemas de desenvolvimento. Sua mãe, Maria Gilma, uma cortadora de cana alagoana, percebia que havia algo de errado com o filho, mas nenhum médico deu a ele a devida atenção. Disposta a lutar por um tratamento digno para o bebê, ela cruzou o país e decidiu buscar em São Paulo as respostas que ninguém havia lhe dado até então.
Marquinho foi diagnosticado com uveíte grave - inflamação numa camada do globo ocular, mas teve de ficar mais três anos em filas de espera até conseguir tratamento. Marquinho não andava, não conversava, não tinha amigos e era uma criança triste. Nenhuma escola o aceitava: "Todas o rejeitavam e diziam 'seu filho não pode estudar com as crianças normais".
Foi aos cinco anos de idade que um mundo novo se abriu para ele: sua mãe foi aconselhada a procurar atendimento especializado para crianças cegas na Fundação Dorina Nowill para Cegos. De lá para cá, Marquinho vem à instituição toda semana. Está sendo alfabetizado, já consegue ler e escrever em braille e começou a andar. Segundo Edni Silva, pedagoga da Fundação Dorina, em breve Marquinho será preparado para o uso da bengala longa, o que vai garantir sua independência na locomoção.
Marquinho acabou a 2ª série do Ensino Fundamental, passou a conversar e já lê bastante. Hoje em dia, se sente mais seguro. "Antes ele chorava demais quando as pessoas falavam que ele não conseguia fazer nada direito", desabafa a mãe. "Muitas vezes eu perdi as minhas forças e acabei chorando junto. Mas agora ele descobriu que pode fazer tudo o que os amiguinhos fazem. Meu filho hoje é uma criança feliz!"
A Fundação Dorina Nowill para Cegos em seus quase 67 anos de existência, colaborou com a melhoria de vida de milhares de pessoas com cegas e com baixa visão, por meio do acesso à educação e a cultura. A instituição oferece programas de clínica de visão subnormal, educação especial, reabilitação e empregabilidade, além de produzir e distribuir livros braille, falados e digitais acessíveis.
A instituição tem orgulho de trabalhar com respeito, ética, perseverança e dedicação para ajudar a iluminar com a reabilitação e livros acessíveis, o caminho das milhares de pessoas com deficiência visual que passam por seus programas a cada ano. Renascimento e Transformação são as palavras que expressam melhor essas vidas. Mas o mais importante é que toda a sociedade perceba que na vida há muita coisa para ser feita, mesmo sem enxergar.

http://www.fundacaodorina.org.br/ 

Piso para cegos acaba em muro em avenida da zona oeste de São Paulo

Pessoal, vejam abaixo o absurdo ocorrido em São Paulo, conforme noticiou o Uol:

Camila Neumam
Do UOL, em São Paulo


Piso tátil para cegos feito na calçada da avenida Faria Lima, altura do número 1.478, acaba em um muro

Um trecho do piso tátil para cegos feito recentemente na avenida Faria Lima, na zona oeste de São Paulo, leva de maneira inesperada o pedestre para um muro, em vez de conduzi-lo para a rampa de acesso ao semáforo. As calçadas recém-reformadas da avenida passaram a contar no mês passado com os pisos vermelhos feitos com riscos em relevo que auxiliam na locomoção dos cegos, conhecido como piso tátil direcional.
No entanto, no trecho que envolve o cruzamento da avenida Faria Lima com a avenida Eusébio Matoso, o cego que circular pelo piso tátil terminará se deparando com uma mureta e uma moita, sem qualquer mudança no piso que o certifique de que terá um obstáculo. Essa alteração faz parte das normas para a construção desse tipo de piso.
Em outros trechos da Faria Lima pode-se observar que quase todos os pisos levam o pedestre cego às rampas de acesso aos semáforos. Assim, ele tem tempo de se situar e poder perguntar para alguém se o sinal está verde ou vermelho e atravessar para seguir em frente.

Desvio necessário

Segundo João Felippe, professor de orientação e mobilidade da Laramara (Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual), deveria haver algum desvio que impedisse o cego de bater no muro e que o levasse ao lado do semáforo. Curiosamente, a mureta se encontra no lado oposto.
"O que geralmente a gente indica é que o piso de acesso não entre em contato com nenhum obstáculo. Como ele está caminhando para uma parede, se tiver possibilidade, deveria se fazer o desvio dessa mureta. Agora, se não tiver espaço, deveria ter colocado um piso de alerta um pouco antes, para ele saber que algo de diferente vai acontecer", disse Felippe.


Veja detalhe do piso X muro










 
Piso termina em muro, sem oferecer desvio ou outra sinalização tátil para descobrir obstáculo
 
O piso de alerta, também conhecido como piso braile, é uma faixa de 50 cm, feita com bolas em relevo, fáceis de perceber com a bengala e mesmo com os pés. Elas aparecem também em rampas usadas para cadeirantes. O piso riscado que aparece na foto é chamado piso direcional.
Outra opção neste caso, segundo Felippe, seria criar um desvio para o lado da rampa de acesso ao semáforo, em vez de ter terminado o piso no próprio muro.
"Esse piso direcional deveria ser desviado na calçada para outro ponto. Se ele [o cego] tiver usando adequadamente a bengala, pode tocar na mureta e desviar. Mas já que existe passagem para um dos lados, deveria ter o desvio para lá", afirma.
Eliana Cunha Lima, gerente de serviços especializados da Fundação Dorina Nowill para Cegos, concorda que há problemas no piso. Para ela, a obra foi feita de ‘forma inadequada’.
"Só conseguimos tornar adequado a instalação de um piso tátil se houver análise de vários fatores que vão desde a escolha do material e medidas que devem obedecer as normas da ABNT até e principalmente abranger a necessidade real de instalação em um determinado local, tendo em conta as demandas da população que irá utilizá-lo", disse em nota.
Para Lima, mais do que obedecer a normas de acessibilidade em vigência, o fundamental na escolha dos locais de instalação dos pisos táteis é levar em conta a rotina de deslocamento das pessoas cegas e com baixa visão.
"O nosso foco deve ser sempre a pessoa que utilizará os recursos e não somente o cumprimento de normatizações legais", reitera.

Outro lado

A subprefeitura de Pinheiros, responsável pela obra, disse que a solução adotada para o piso tátil instalado no trecho ‘está em conformidade com as referências dispostas na ABNT NBR9050:2004’.
"Para o referido trecho, onde a calçada possui curvatura à direita e grande quantidade de tampas de concessionárias junto ao pavimento, optou-se por levar o piso direcional a uma guia de balizamento, de forma que o pedestre possa caminhar com segurança até a travessia. Esclarecemos que a guia de balizamento, construída junto ao canteiro, tem a função de orientar o percurso do usuário na calçada. A função do piso direcional só pode ser plena se este conduzir o pedestre a um caminho livre de interferências", disse em nota.
Entre 2009 e 2012, a prefeitura já reformou mais de 545 mil m² de passeios públicos e rotas nas avenidas Paulista, Santo Amaro e Faria Lima, onde ‘foram implantadas medidas de acessibilidade’, segundo informações da subprefeitura de Pinheiros.
Nesta quinta-feira (13), é celebrado em todo o país o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual. Dados do Censo 2010, o mais recente divulgado sobre o tema, mostrou que a deficiência visual é o tipo mais comum de deficiência no Brasil, atingindo 35,8 milhões de pessoas com dificuldade para enxergar (18,8%), mesmo de óculos ou lentes de contato.
A deficiência visual severa (pessoas que declararam ter grande dificuldade de enxergar ou que não conseguiam de modo algum) atinge 6,6 milhões de pessoas, sendo que 506,3 mil são cegas (0,3%), segundo dados do levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Três de Dezembro, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, estabelecido pela ONU em 1992, completa 20 anos

 
 
Na data de 03 de dezembro comemora-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Esse marco foi definido na 37ª Sessão Plenária Especial sobre Deficiência da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, realizada em 14 de outubro de 1992, em comemoração ao término da “Década da Pessoa Deficiente”, estabelecida de 1982 a 1992.
 
Em 2012, portanto, completa-se 20 anos que a ONU estabeleceu o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.
A data escolhida coincide com o dia da adoção do Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência pela Assembleia Geral da ONU, em 1982.
As entidades mundiais atuantes na defesa dos direitos e protagonismo do segmento esperam que com a criação do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência todos os países passem a comemorar a data, gerando conscientização, compromisso e ações que transformem a situação em todo o mundo.
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Entenda o que é capacitismo!

por Adriana
 
 
Defino o capacitismo como a concepção presente no social que tende a pensar as pessoas com deficiência como não iguais, menos humanas, menos aptas ou não capazes para gerir a próprias vidas, sem autonomia, dependentes, desamparadas, assexuadas, condenadas a uma vida eternamente economicamente dependentes, não aceitáveis em suas imagens sociais, menos humanas.
São algumas características: há sempre uma boa dose de paternalismo, que tolera que os elementos dominantes de uma sociedade expressem profundo e sincera simpatia pelos membros com deficiência, enquanto, ao mesmo tempo, sustente-os numa acondicionamento de subordinação social e econômica.
Os dominantes serão os protetores, guias, líderes, modelos, e intermediários para pessoas com deficiência. Estes últimos, os desamparados, dependentes, assexuadas, economicamente improdutivos, fisicamente limitados, imaturos emocionalmente, e aceitáveis apenas quando eles são discretos (Hahn, 1986, p.130).
Segundo Fiona Kumari Campbell o capacitismo, que está para o segmento da pessoa com deficiência o que o racismo significa para os afrodescendentes ou o machismo para as mulheres, pode ser associado com a produção de poder, e se relaciona com a temática do corpo e por uma ideia padrão corporal perfeita. É um neologismo que sugere um afastamento da capacidade, da aptidão, pela deficiência. A tradução para o português, segundo Anahi Guedes Mello, deve seguir o espanhol e o português de Portugal orientar-se para o capacitismo.
O Trabalho de Jones (1972, 172) adicionou uma informação importante, a respeito do racismo argumentando que as relações baseadas na raça são estruturadas: «Com o apoio intencional ou não intencional de toda a cultura”. Isto é fundamental para os estudos do capacitismo, pois, como Richard Delgado (2000) denunciou a situação dos membros de minorias raciais é semelhante ao que vivem as pessoas com deficiência. O mesmo foi discutido por Adriana Dias em Raça e Deficiência: quando o feminino é marcado por discriminações múltiplas, o racismo se soma ao capacitismo para gerar isolamentos vários, estigmas sobrepostos.
“O sofrimento, agravado por uma consciência de incurabilidade tende a deixar o indivíduo ainda mais consciente de sua solidão”. (Cox 1948, apud Delgado 2000, 132) Neste sentido, o capacitismo é profundamente subliminar e embutido dentro da produção simbólica social.
Faz parte de uma ‘grande narrativa’, uma concepção universalizada e sistematizada de opressão sobre o conceito da deficiência. Campbell (2001, 44) sustentou que capacitismo (ableism), é: “uma rede de crenças, processos e práticas que produza um tipo particular de compreensão de si e do corpo (o padrão corporal), que se projeta como o perfeito, o que seria o típico da espécie e, portanto, essencial e totalmente humano. Deficiência é, assim disseminada como um estado diminuído do ser humano. Essa crença deve ser combatida.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Aumento de crianças com necessidades especiais (crianças com deficiência) na rede pública expõe carências e preconceitos


Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – De 2003 para 2011, o número de alunos com deficiência ou doenças crônicas, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação cresceu 164%. Segundo o Ministério da Educação, em 2003, 28% dos alunos que precisavam da educação especial estudavam em classes comuns e o restante, em classes especiais. Em 2007, o percentual desses alunos incluídos nas classes regulares passou para 54% e, no ano passado, para 74%, com 752 mil estudantes inscritos.
O número de escolas de educação básica com matrículas de estudantes que precisavam da educação especial cresceu 615%. Para pedagogos e especialistas, o aumento reflete a maior inclusão de grande parte desse grupo no ambiente escolar. Antes, esses estudantes viviam confinados em casa ou em escolas especiais. A chegada desses alunos na rede pública também revela as carências e preconceitos de quem lida com esse público.
A pedagoga Glória Fonseca Pinto trabalha com crianças e adolescentes com doenças crônicas e deficientes há mais de dez anos no Rio de Janeiro. Segundo ela, para incluir esse grupo na escola não basta apenas a matrícula. “O sistema precisa se preparar melhor para acolher essas crianças com mais qualidade. As escolas precisam entender que precisam se adaptar a essas crianças e não o contrário. Existem muitos exemplos [bem-sucedidos] de crianças com comprometimentos que conseguem se formar e ganhar muita independência”.
Ela lamentou o fato de diversas escolas ainda recusarem esse estudantes. “A criança especial pode e deve frequentar uma escola regular, mas infelizmente não é toda a escola que a aceita por não ter currículo, [não dispor de] rampa e de material humano. Mas não existe receita de bolo e as escolas precisam se predispor a aceitar essas crianças”.
No Rio de Janeiro, em um ano, esse grupo de estudantes aumentou 15% na rede estadual, de acordo com a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), com 3 mil alunos da educação especial no universo de 1 milhão de inscritos na rede estadual.
Para a professora Márcia Madureira, da equipe da Coordenação de Inclusão Educacional da Seeduc, o incremento na entrada dessas crianças e adolescente reflete um movimento de inclusão por parte da rede de ensino, mas traz enormes desafios. “O aumento do fluxo é um bom sinal e são muitos os desafios, mas estamos tentando ampliar os serviços para atender a essa demanda, como transformar todas as escolas acessíveis para cadeirantes”.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação, 3.564 alunos com deficiência ou doenças crônicas foram inscritos na rede estadual de ensino no 1º semestre de 2012. São aproximadamente 200 Salas de Recursos que oferecem Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos alunos com necessidades especiais e cerca de 150 profissionais atuam nestas salas.
Para a coordenadora do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Magdalena Oliveira, as escolas do país não estão estruturadas para receber as crianças e adolescentes com deficiência. “Com cerca de 40 alunos, é óbvio que a professora não terá estrutura para atender essa criança com deficiência. Uma escola capaz de receber uma criança com deficiências deveria ter uma fisioterapeuta motora, uma fisioterapeuta respiratória, uma fonoaudióloga, uma psicomotricista, uma terapeuta ocupacional, além de um psicólogo para poder dar apoio ao corpo docente e às crianças”.
Magdalena ressaltou que a exclusão dessas crianças e adolescentes do ambiente escolar prejudica seu desenvolvimento, pois ficam isoladas do convívio social. “A escola é o único lugar onde a gente começa a vida tendo que dar conta de ter que conviver com os amigos, aguentar a pressão dos professores e dos amigos. Isso dá para a criança uma independência e uma maturidade emocional que a gente enquanto mãe não consegue dar”. A pedagoga lembrou que a convivência das outras crianças com esse grupo também é frutífera, pois fortalece o respeito às diferenças.
Edição: Tereza Barbosa
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Curso Inclusão da Pessoa com Deficiência no ambiente escolar e social

 
Olá pessoal, estou administrando um novo curso em mais um espaço educacional, confiram abaixo:
 
Autor e Professor: Ariovaldo Vieira da Silva
 Inscrições Abertas
Descrição e Objetivos
A inclusão de pessoas com deficiência nos diversos ambientes sociais tem sido o desafio da sociedade atual. As pessoas com deficiência não aceitam mais serem aceitas no meio social, elas querem igualdade de acesso e oportunidade, assim poderão exercer sua cidadania com autonomia e independência.
Embora as experiências pioneiras em inclusão tenham sido feitas na segunda metade dos anos 80, foi no início da década de 90 que o mundo da educação tomou conhecimento de um novo caminho para uma relação social baseada na qualidade e verdadeiramente aberta para todas as pessoas.
Esse caminho, conhecido como inclusão, difere substancialmente das formas antigas de inserção social de pessoas com deficiência e/ou com outros tipos de condições atípicas, no sentido de que a inclusão requer mudanças na perspectiva pela qual a sociedade deve ser entendida.
Naturalmente que qualquer mudança social requer a participação escolar no movimento em que se atua e por isso não podemos propor a ideia sem passar pelo debate educativo.
O objetivo principal do curso é conduzir o aluno para esse universo, fazê-lo entender que a diversidade humana está presente em todas as relações sociais e assim devemos preparar a sociedade para todos. Nesse contexto o curso em tela age como facilitador do processo, dando aos alunos subsídios textuais, legais e sociais para que eles possam compreender o dinamismo da inclusão.
Público
Psicólogos, psicopedagogos, educadores, pedagogos, coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais, diretores de escola, pais, estudantes de licenciaturas e pedagogia, administradores, empregadores, gestores de Rh e demais profissionais interessados em aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto.
Conteúdo Programático – 100 horas
Módulo 01 - Processo histórico das pessoas com deficiência e quem são as pessoas com deficiência – 20 horas.
Neste módulo vamos estudar o processo histórico da Pessoa com Deficiência inserida no contexto social. O estudo vai nos permitir entender a dinâmica da exclusão e como a sociedade pode inserir um novo modelo de relações sociais, baseada no respeito a diversidade.
Além disso, vamos abordar a terminologia correta a ser usada para se referir a pessoa com deficiência, sob a ótica da lei. O uso do termo correto é fundamental para que todos possam se relacionar com afetividade e igualdade.
Módulo 02 - Direitos das pessoas com deficiência, Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Tecnologias Assistivas, Desenho Universal e conceitos sobre acessibilidade – 20 horas.
O reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência constitui importante conquista desse segmento da sociedade. Os direitos são colocados não como privilégios, mas como forma de equiparar acessos, oportunidades e melhores condições de exercer a plena cidadania. Serão feitas abordagens sobre o pacto internacional que culminou na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU.
Tecnologia Assistiva é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo o arsenal de
Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e consequentemente promover Vida Independente e Inclusão. É também definida como "uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiências”.
Como condição precípua para o exercício desses direitos, é importante conceituar o Desenho Universal como prática a ser implantada nas edificações, comunicações e acessos de qualquer natureza e para isso conhecer o conceito universal de acessibilidade é fundamental.
 Módulo 03 - Integração e inclusão, caminhos para uma sociedade fraterna – 20 horas.
 Integração e inclusão são dois modelos de inserção complementares. Notamos que atualmente estamos passando por uma fase de transição e isso demanda tempo e paciência. Nas escolas principalmente, são praticadas ações que mais se assemelham ao modelo de integração, quando deveriam estar praticando o paradigma da inclusão. Em sendo assim, o módulo objetiva conduzir o aluno à reflexão e ser o facilitador para que todos possam compreender que embora ambos os modelos sejam semelhantes, eles diferem nas relações sociais. Valorizar a diversidade humana é o caminho para uma sociedade melhor.
Módulo 04 - Alunos com deficiência no Ensino Regular e Audiolivro – 20 horas.
 O Módulo 4 abordará o convívio dos alunos com deficiência do Ensino Infantil e Ensino Fundamental. Desta forma, nossos alunos compreenderão melhor o universo dessas pessoas. Abordagens de todos os aspectos e especificidades da relação professor/aluno com deficiência. Os benefícios da inclusão e os medos decorrentes dela. Este módulo é com absoluta certeza o mais polêmico, isso porque ainda há forte resistência das escolas em matricular alunos com deficiência, portanto, quando o aluno atingir essa aula ele vai estar entendendo melhor o processo de inclusão e aceitará melhor esse paradigma.
 Neste módulo vamos abordar mais uma forma de tecnologia assistiva, o audiolivro, que nada mais é que um livro gravado em áudio, e que pode ser encontrado em CD ou em outros formatos como MP3. Muitos audiolivros encontram-se em domínio público e podem ser baixados gratuitamente na internet. É um produto que não se destina exclusivamente a pessoas com deficiência visual, embora tenha nelas um público fiel; destina-se também a pessoas que enxergam e que gostam de escutar o livro enquanto dirigem ou fazem outras atividades.
Módulo 05 - Pessoas com deficiência e o mercado de trabalho – 20 horas.
O objetivo principal deste módulo e realizar o fechamento do curso levando o aluno a refletir sobre a importância da inclusão na vida da pessoa com deficiência, possibilitando a ela a oportunidade de trabalhar e garantir seu sustento próprio e da sua família. É fundamental abordar a Lei de Cotas e como esse processo modifica a vida da pessoa e da sociedade. Pelo trabalho, a pessoa com deficiência deixa de receber benefícios sociais e passa a ser sujeito da sua própria história.
Autoria - Coordenação e Tutoria
Ariovaldo Vieira da Silva
Gestor em Educação da Prefeitura de São Paulo desenvolve projetos de educação para crianças com deficiência através de atividades educacionais na modalidade a distância, em especial cursos de Inclusão de pessoas com deficiência no âmbito escolar e social. Como tutor também faz tutoria em cursos de Sustentabilidade, todos eles promovidos pela Cia. Engenharia de Tráfego de São Paulo. Advogado e sociólogo considera que ser educador foi sua melhor opção. http://lattes.cnpq.br/0163276791458674 e http://arivieiracet.blogspot.com.br
Carga Horária e Horário do curso
A carga horária estimada para esse curso é de 100 horas/aula, divididas entre estudos e interação online e pesquisas off-line.
 
O horário de estudos é estabelecido pelo próprio participante, de acordo com sua disponibilidade.
Diferenciais
 - Tutoriais de estudo - Haverá fóruns para debates e fóruns avaliativos a cada módulo.
 - Alguns chats serão marcados pela professora para troca de experiências e relacionados aos conteúdos estudados. Recomendamos sua frequência e participação.
 Suporte Técnico
Disponibilizamos um suporte técnico por e-mail, telefone, skype e dentro do curso no “plantão tira-dúvidas” para auxiliar os inscritos na navegação.
Todos os inscritos terão acesso ao vídeo do Manual do Aluno, de fácil entendimento, para conhecer e utilizar todas as ferramentas disponíveis na plataforma de ensino a distância da GPEC Forma EAD.
 Requisitos Necessários para se estudar a distância
Ter certa disciplina e motivação (essenciais para estudar a distância).
Computador com acesso a internet. É necessário ao inscrito saber navegar pela internet, fazer download de arquivos e enviar e-mail. Temos também fóruns de discussão e chats dentro do curso onde estas ferramentas serão muito utilizadas.
Não há encontros presenciais, assim o curso permite que todos estudem em seus dias e horários mais convenientes.
Avaliação e Certificação
O curso possui uma série de atividades avaliativas propostas como:
1. Realização de atividades interativas de acompanhamento;
2. Reflexão das leituras complementares e vídeos indicados;
3. Atividades de auto-avaliação da unidade didática;
4. Participação nas listas e no fórum de discussão (A avaliação dessa participação será feita em função do conteúdo e da relevância das mensagens).

O resultado das avaliações será expresso em porcentagem, em escala de 0 a 100%. Os alunos que conquistarem 75% das metas do curso, obterão a certificação. Todas as atividades serão realizadas on-line.
Após conquistar 75% das metas do curso, o participante receberá por e-mail seu certificado digital, registrado internamente pela GPEC e enviado por e-mail. O participante poderá imprimir seu certificado na sua própria impressora. Neste certificado constará: nome do curso, nome do participante, carga horária, assinatura digitalizada do(a) professor(a) do curso, dados da instituição GPEC (CNPJ, endereço), e o código de registro do certificado.
Caso o participante queira solicitar um certificado impresso, este será enviado por correio, mediante pagamento de uma taxa de impressão e postagem. Este certificado será impresso em papel especial, terá todos os itens do certificado digital acima citados e mais outros itens como: conteúdo programático, carimbo da empresa, selo da ABED e selo de autenticidade.
Os cursos online oferecidos pela Gpec estão classificados como cursos livres de atualização, aprimoramento, qualificação profissional e pessoal sob a perspectiva de Educação Continuada.
Os certificados tem validade para fins curriculares e em provas de títulos, respeitando a carga horária descrita.
Valor
Este curso possui um investimento total de R$ 110,00 (Cento e Dez Reais)
 
Formas de Inscrição e Pagamento
Temos três opções de inscrição e pagamento:
1- Parcelado no cartão de crédito (Cartão VISA - MASTER, Dinners, Hipercard, Aura e American Express)
2- À vista através de pagamento on-line ou Boleto Bancário
O pagamento é realizado através do PagSeguro, que aceita cartões de crédito, débito automático em conta ou boleto bancário. Esse tipo de pagamento é totalmente seguro, garantido pela UOL.
Para se inscrever, acesse nosso site: www.gpeconline.com.br e localize o curso em nossa página.
Você encontrará um banner do Pag Seguro. Clique no banner : Pagar com Pag Seguro . Abrirá uma janela de formulário.
 
Após digitar o Cep, clique em ok, pois automaticamente aparecerá o seu endereço e as opções de pagamento para realizar a sua inscrição.
A sua inscrição será efetivada e as instruções de acesso enviadas por e-mail, após a confirmação de pagamento.
Os seus dados serão mantidos em sigilo absoluto e não ficarão à disposição da nossa empresa, apenas da PagSeguro.
O pagamento realizado pelo PagSeguro é rápido, simples e super-seguro. Assim que efetuar o pagamento você receberá o comprovante da ordem de serviço por e-mail.
3 - Envio por e-mail de Boleto Bancário da Caixa Econômica em até duas vezes sem juros com seus dados para pagamento (para esta opção, você deverá enviar por e-mail: Nome completo, Endereço completo com CEP).
 Este boleto permite efetuar o pagamento em qualquer agência bancária e em casas lotéricas.
Qualquer dúvida ou maiores esclarecimentos, envie um e-mail para: gpec@gpeconline.com.br
Atenciosamente
 
Equipe GPEC
“ Pouco a pouco.....transformando a educação”
GPEC FORMA - GRUPO DE PRODUÇÃO EM EDUCAÇÃO & CULTURA LTDA
Tel. 11 - 3782-0635
São Paulo - SP

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

IBGE: 67,5% dos municípios têm políticas de acessibilidade a espaços públicos


No Brasil, em 2011, 3.759 municípios (67,5% do total) possuíam algum tipo de intervenção na área dos direitos das pessoas com deficiência. As principais intervenções municipais foram: garantia ou melhoria de acessibilidade a espaços públicos de esporte e lazer, em 2.297 municípios (61,1% dos municípios com políticas para pessoas com deficiência); distribuição de órteses e próteses, em 1.911 municípios (50,8%); geração de trabalho e renda ou inserção no mercado de trabalho, em 1.349 municípios (25,9%); garantia ou melhoria de acessibilidade do transporte público, em 1.013 municípios (26,9%).
Destaca-se que apenas 97 municípios possuíam legislação que assegurasse o ingresso de cão-guia em espaços cultural, artístico e desportivo, segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Perfil dos Municípios (Munic) de 2011, divulgada hoje pelo IBGE.
Em relação aos itens de acessibilidade existentes no prédio das prefeituras, quase a metade dos municípios (42,6%) não possuía qualquer item de acessibilidade. Apenas 290 prefeituras (5,2% do total) permitiam acesso a pessoas acompanhadas de cão-guia e 219 (3,9% do total) sedes possuíam piso tátil. Ressalta-se ainda que a falta de itens de acessibilidade não era compensada por um atendimento pessoal especializado aos deficientes: somente 316 municípios declararam possuir pessoas capacitadas para tal atendimento.
Fonte: Jornal do Brasil