Meu nome é Ari Vieira, sou especializado em educação para pessoas com deficiência pela PUCSP. Quero ajudar os docentes a debater o tema inclusão das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida nas escolas. O blog será também uma importante ferramenta de consulta para quem for implantar a temática da inclusão na mobilidade urbana.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
12 coisas para ensinar a seus filhos sobre crianças com deficiência
Amanda, sentada num banco de parque, gritando, com os braços para o alto. Foto de Paula Moreira
O melhor presente que eu poderia ganhar nesse dia das mães vem de outras mães e pais. Ensinem seus filhos a ver a deficiência da minha filha como algo natural. Isso pode ser um presente pra você e para o seu filho também.
Infelizmente, como a autora do artigo abaixo, cresci numa sociedade em que as pessoas com deficiência ainda ficavam presas em casa ou em instituições. As poucas crianças com que tive contato eram como ETs e meus pais nunca falaram sobre esse assunto comigo.
Hoje sou mãe da Amanda, de 8 anos, que tem síndrome de Down.
Felizmente o mundo está mudando e se tornando um lugar para todos. Aproveite essa oportunidade e fale mais com o seu filho sobre o coleguinha com deficiência da escola dele, aproxime-se e estimule a amizade deles. Você vai ver que todo mundo sai ganhando com isso.
Patricia Almeida
Inclusive – Inclusão e Cidadania
12 coisas para ensinar a seus filhos sobre crianças com deficiência
Eu cresci sem conhecer nenhuma outra criança com deficiência além do Adam, um visitante frequente do resort ao qual nossas famílias iam todos os verões. Ele tinha deficiência intelectual. As crianças zombavam dele. Fico envergonhada de admitir que eu zombei também; meus pais não faziam ideia. Eles eram pais maravilhosos, mas nunca pensaram em ter uma conversa comigo sobre crianças com deficiência.
E, então, eu tive meu filho Max; ele teve um AVC no nascimento que levou à paralisia cerebral. De repente, eu tinha uma criança para quem outras crianças olhavam e cochichavam a respeito. E eu desejei tanto que seus pais falassem com elas sobre crianças com deficiência.
Já que ninguém recebe um “manual de instrução sobre paternidade”, algumas vezes, pais e mães não sabem muito o que dizer. Eu entendo perfeitamente; se eu não tivesse um filho com deficiência, eu também me sentiria meio perdida. Então, eu procurei mães de crianças com autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down e ocorrências genéticas para ouvir o que elas gostariam que os pais e mães ensinassem a seus filhos sobre os nossos filhos. Considere como um guia, não a bíblia!
1) Pra começar, não tenha pena de mim
“Sim, algumas vezes, eu tenho um trabalhão — mas minha vida não é nenhuma tragédia. Meu filho é um menino brilhante, engraçado e incrível que me traz muita alegria e que me enlouquece às vezes. Você sabe, como qualquer criança. Se você tiver pena de mim, seu filho vai ter também. Aja como você agiria perto de qualquer outro pai ou mãe. Aja como você agiria perto de qualquer criança.”
— Ellen Seidman, do blog “Love That Max”; mãe do Max, que tem paralisia cerebral
2) Ensine seus filhos a não sentir pena dos nossos
“Quando a Darsie vê crianças (e adultos!) olhando e encarando, ela fica incomodada. Minha filha não se sente mal por ser quem ela é. Ela não se importa com o aparelho em seu pé. Ela não tem pena de si mesma. Ela é uma ótima garota que adora tudo, de cavalos a livros. Ela é uma criança que quer ser tratada como qualquer outra criança—independente dela mancar. Nossa família celebra as diferenças ao invés de lamentá-las, então nós te convidamos a fazer o mesmo.”
— Shannon Wells, do blog “Cerebral Palsy Baby”; mãe da Darsie, que tem paralisia cerebral
3) Use o que eles tem em comum
“Vai chegar uma hora em que o seu filhinho vai começar a te fazer perguntas sobre por que a cor de uma pessoa é aquela, ou por que aquele homem é tão grande, ou aquela moça é tão pequena. Quando você estiver explicando a ele que todas as pessoas são diferentes e que nós não somos todos feitos do mesmo jeito, mencione pessoas com deficiências. Mas tenha o cuidado de falar sobre as similaridades também—que uma criança na cadeira de rodas também gosta de ouvir música, e ver TV, e de se divertir, e de fazer amigos. Ensine aos seus filhos que as crianças com deficiência são mais parecidas com eles do que são diferentes.”
— Michelle, do blog “Big Blueberry Eyes”; mãe da Kayla, que tem Síndrome de Down
4) Ensine as crianças a entender que há várias formas de se expressar
“Meu filho Bejjamin faz barulhos altos e bem agudos quando ele está animado. Algumas vezes, ele pula pra cima e pra baixo e sacode os braços também. Diga aos seus filhos que a razão pela qual crianças com autismo ou com outras necessidades especiais fazem isso é porque elas tem dificuldades pra falar, e é assim que elas se expressam quando estão felizes, frustradas ou, algumas vezes, até mesmo por alguma coisa que estão sentindo em seus corpos. Quando Benjamim faz barulhos, isso pode chamar a atenção, especialmente se estamos em um restaurante ou cinema. Então, é importante saber que ele não pode, sempre, evitar isso. E que isso é, normalmente, um sinal de que ele está se divertindo.”
— Jana Banin, do blog “I Hate Your Kids (And Other Things Autism Parents Won’t Say Out Loud)”; mãe de Benjamin, que é autista
5) Saiba que fazer amizade com uma criança com deficiência é bom para as duas crianças
“Em 2000, quando meu filho foi diagnosticado com autismo, eu tive muita dificuldade em arrumar amiguinhos para brincar com ele. Vários pais se assustaram, a maior parte por medo e desconhecimento. Fiquei sabendo que uma mãe tinha medo do autismo do meu filho ser “contagioso”. Ui. Treze anos mais tarde, sou tão abençoada por ter por perto várias famílias que acolheram meu filho de uma forma que foi tão benéfica para o seu desenvolvimento social. Fico arrepiada só de pensar nisso. A melhor coisa que já ouvi de uma mãe foi o quanto a amizade com o meu filho foi importante para o filho dela! Que a sua proximidade com o RJ fez dele uma pessoa melhor! Foi uma coisa tão bonita de se dizer. Quando tivemos o diagnóstico, ouvimos que ele nunca teria amigos. Os amigos que ele tem, agora, adorariam discordar. Foram os pais deles que facilitaram essa amizade e, por isso, serei eternamente grata.”
— Holly Robinson Peete, fundadora (com o marido Rodney Peete) da Hollyrod Roundation; mãe do RJ, que é autista (é ele, na foto abaixo, com sua irmã Ryan)
6) Encoraje seu filho a dizer “oi”
“Se você pegar seu filho olhando pro meu, não fique chateada — você só deve se preocupar se ele estiver sendo rude, mas crianças costumar reparar umas nas outras. Sim, apontar, obviamente, não é super educado, e se seu filho apontar para uma criança com deficiência, você deve dizer a ele que isso é indelicado. Mas quando você vir seu filho olhando para o meu, diga a ele que a melhor coisa a fazer é sorrir pra ele ou dizer “oi”. Se você quiser ir mais fundo no assunto, diga a ele que criança com deficiência nem sempre respondem da forma como a gente espera, mas, ainda assim, é importante tratá-las como tratamos as outras pessoas.”
— Katy Monot, do blog “Bird On The Street”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral.
7) Encoraje as crianças a continuar falando
“As crianças sempre se perguntam se o Norrin pode falar, especialmente quando ele faz seu “barulhinho alto característico”. Explique ao seu filho que é normal se aproximar de outra criança que soa um pouco diferente. Algumas crianças podem não conseguir responder tão rápido, mas isso não significa que elas não têm nada a dizer. Peça ao seu filho para pensar no seu filme favorito, lugar ou livro—há grandes chances da outra criança gostar disso também. E a única forma dele descobrir isso é perguntando, da mesma forma que faria com qualquer outra criança.”
— Lisa Quinones-Fontanez, do blog “Autism Wonderland”; mãe do Norrin, que é autista
8) Dê explicações simples
“Algumas vezes, eu penso que nós, pais, tendemos a complicar as coisas. Usando algo que seus filhos já conhecem, que faça sentido pra eles, você faz com que a “necessidade especial” se torne algo pessoal e fácil de entender. Eu captei isso uns anos atrás, quando meu priminho me perguntou “por que o William se comunicava de forma tão diferente dele e de seus irmãos”. Quando eu respondi que ele simplesmente nasceu assim, a resposta dele pegou no ponto: “Ah, assim como eu nasci com alergias”. Ele sabia como era viver com algo que se tem e gerenciar para viver diariamente. Se eu tivesse dito a ele que os músculos da boca de William tem dificuldade em formar palavras, o conceito teria se perdido na cabeça dele. Mas alergia fazia sentido pra ele. Simplicidade é a chave.”
— Kimberly Easterling, do blog “Driving With No Hands”; mãe do William e da Mary, ambos com Síndrome de Down
9) Ensine respeito às crianças com seus próprios atos
“Crianças aprendem mais com suas ações que com suas palavras. Diga “oi” para a minha filha. Não tenha medo ou fique nervosa perto dela. Nós realmente não somos tão diferentes de vocês. Trate minha filha como trataria qualquer outra criança (e ganhe um bônus se fizer um comentário sobre o lindo cabelo dela!). Se tiver uma pergunta, faça. Fale para o seu filho sobre como todo mundo é bom em coisas diferentes, e como todo mundo tem dificuldades a trabalhar. Se todo o resto falhar, cite a frase do irmão de Addison: “bem, todo mundo é diferente!”.”
— Debbie Smith, do blog “Finding Normal”; mãe de Addison, que tem Trissomia 9
10) Ajude as crianças a ver que, mesmo crianças que não falam, entendem
“Nós estávamos andando pelo playground e a coleguinha da minha filha não parava de encarar o meu filho, que é autista e tem paralisia cerebral. Minha filha chamou a atenção da colega rapidinho: “Você pode dizer “oi” pro meu irmão, sabe? Só porque ele não fala, não significa que ele não ouve você”. Jack não costuma falar muito, mas ele ouve tudo ao redor dele. Ensine aos seus filhos que eles devem sempre assumir que crianças com deficiência entendem o que está sendo dito, mesmo sem poderem falar. É por isso que eles não vão dizer “o que ele tem de errado?”, mas poderão até dizer “Como vai?”.”
— Jennifer Byde Myers, dos blogs “Into The Woods” e “The Thinking Person’s Guide To Autism”; mãe do Jack, que tem autismo e paralisia cerebral.
11) Inicie uma conversa
“Nós estávamos no Museu das Crianças e um garotinho não parava de olhar para Charlie com seu andandor, e a mãe dele sussurrou em seu ouvido para não encarar porque isso era indelicado. Ao invés disso, eu adoraria que ela tivesse dito “esse é um andador muito interessante, você gostaria de perguntar ao garotinho e à sua mãe mais a respeito dele?”.”
— Sarah Myers, do blog “Sarah & Joe (And Charlie Too!)”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral
12) Não se preocupe com o constrangimento
“Vamos combinar de não entrar em pânico caso seu filho diga algo embaraçoso. Você sabe, tipo se nós estivermos na fila do Starbucks e o seu filho olhar para a Maya e pra mim e disser algo como “Eca! Por que ela está babando?” ou “Você é mais gorda que a minha mãe”. Embora esses não sejam exemplos de início de conversas ideais, eles mostram que o seu filho está interessado e curioso o suficiente para fazer contato e perguntar. Por favor, não gagueje um “mil desculpas” e arraste seu filho pra longe. Vá em frente e diga baixinho o pedido de desculpas, se você quiser, mas deixe-me aproveitar a oportunidade: vou explicar a parte da baba e apresentar Maya e contar da paixão dela por crocodilos, e você pode ser a coadjuvante no processo, dizendo “lembra quando nós vimos crocodilos no zoológico?” ou coisa parecida. Quando chegarmos ao caixa, o constrangimento vai ter passado, Maya terá curtido conhecer alguém novo, e eu terei esperanças de que seu filho conseguiu ver Maya como uma criança divertida, ao invés de uma “criança que baba”. (E eu irei simplesmente fingir que não ouvi a parte do “mais gorda que a minha mãe”).”
— Dana Nieder, do blog “Uncommon Sense”; mãe da Maya, que tem uma síndrome genética não diagnosticada
Traduzido por Andréa Werner, do blog “Lagarta Vira Pupa“, com revisão de Patricia Almeida
Por Ellen Seidman, do blog “Love That Max
Por Ellen Seidman, do blog “Love That Max
quarta-feira, 24 de julho de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Música e Autismo: uma linguagem de comunicação com a realidade
Música e Autismo: uma linguagem de
comunicação com a realidade
Por Álvaro Siviero – Música e Ciência
– O Estado de S. Paulo – 22fev12
Durante o carnaval debrucei-me sobre
filmes que abordam, direta ou indiretamente, o tema do autismo. Desde a
impecável interpretação de Dustin Hoffman em Rain Man ou Bruce
Willis na trama Código para o Inferno, a temática também é abordada
em sucessos menores como o tocante Meu filho, meu mundo. Em todos
eles, é impossível não se envolver com as refinadas e especiais capacidades
apresentadas pelos personagens considerados “não normais” pelo mundo atual. Big
mistake. Fica a pergunta: por que o mundo atual, esvaziado de parâmetros, se
julga autoridade moral para definir o conceito de “normalidade”? Deliciei-me,
especialmente, na comédia romântica Loucos de amor (em
inglês Mozart and the Whale). Inspirada na vida de duas pessoas com
a Síndrome de Asperger, uma forma de autismo, a vida dos protagonistas – e o
coração – ficam de cabeça para baixo quando a paixão surge.
Falo disso, pois é intrigante saber
que a música, minha profissão, é canal de facilitação e promoção no
entendimento destas manifestações autistas. A Musicoterapia promove a
comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização,
entre muitos outros aspectos, da pessoa humana, indo ao encontro de suas
necessidades físicas, mentais, sociais ou cognitivas. Qualquer pessoa pode ser
tratada com musicoterapia. Por ser técnica de aproximação, reduz problemas
emocionais ou atitudes que demandariam grandes doses de energia psíquica. É um
canal universal de comunicação com o mundo que utiliza como elemento principal
a única e verdadeira linguagem universal existente: a música.
Estudiosos afirmam ser a música a
única ponte de comunicação possível aos portadores deste tipo de comportamento
(1. A musicoterapia no tratamento de crianças com
perturbação do espectro do autismo –
Marisa do Carmo Prim Padilha; 2. Adolescência e autismo: a musicoterapia como
auxiliar na diminuição das dificuldades -
Fernanda Valentim e Leomara Craveiro de Sá. Pessoalmente, tive a oportunidade
de travar contato com esta realidade através da ONG Autismo&Realidade (http://www.autismoerealidade.org/), fundada no dia 09 de julho de 2010, através do
casal Paula Balducci de Oliveira e Hermelindo Ruete de Oliveira. “É minha
própria vida”, afirma Paula. “Sou uma pessoa abençoada por Deus e neste
trabalho de voluntariado encontrei a forma de devolver à sociedade o que
recebi”. O entusiasmo e determinação dos entrevistados acabou contagiando toda
a família. “A causa é da família”, afirma o casal cuja filha Júlia, estudante
de pós-graduação em produção cultural, caminha com esta realidade.
Que
o poder da música una-se, sempre, a iniciativas como essa. E que muitas pessoas
se utilizem da música para crescimento. Vale conferir!
Textos
relacionados:
quarta-feira, 10 de julho de 2013
ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA CRIANÇAS COM AUTISMO
A
organização do ambiente de ensino é fundamental para que crianças com autismo
permaneçam na atividade proposta e sintam-se motivadas a aprender. A
desorganização do ambiente, assim como a falta de planejamento das atividades,
podem causar agitação na criança, desviando seu foco.
Os locais
onde a criança come, aprende e se diverte devem estar claramente sinalizados, e
não é conveniente manter à sua vista excesso de materiais. Se for o momento de
alimentação, por exemplo, a criança deve visualizar somente a comida,
retirando-se de seu alcance jogos e evitando-se que assista à televisão.
Como
todas as crianças, alunos com autismo também precisam de espaços para
recreação, se possível em lugares amplos e abertos, uma vez que a maioria não
gosta de lugares muito fechados.
A
utilização de materiais visuais, como fotografias e ilustrações, também são
úteis no processo de educação de crianças com autismo, pois elas possuem grande
capacidade de armazenar imagens em seus cérebros. As imagens são úteis tanto
para a aprendizagem quanto para o desenvolvimento da comunicação e para
aumentar sua compreensão e regular seu comportamento social.
Ao
ensinar à criança como cumprimentar as pessoas, por exemplo, é importante
mostrar um cartaz ou fotografia de mãos se apertando. Ao anunciar a hora do
recreio, o professor pode mostrar uma fotografia do parque da escola, e ao
encerrar as atividades do dia, pode mostrar uma ilustração de casa, para
indicar à criança que ela agora retornará ao seu lar.
Fonte:
Desafiando el autismo.
terça-feira, 25 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Hiperlexia
Hiperlexia é uma síndrome, muitas vezes caracterizada como elemento do autismo, que envolve a capacidade de leitura precoce e a obsessão por números e letras.
O que é?
A hiperlexia pode ser entendida como uma síndrome, que compreende sintomas como uma alta capacidade de leitura e uma espécie de obsessão por letras e números, porém acompanhada de uma espécie de retardo em outras áreas do desenvolvimento. Essa síndrome pode ser entendida a partir de três características principais: capacidade precoce de leitura, dificuldade em lidar com a linguagem oral e uma inadaptação social dos comportamentos.
Por muito tempo as crianças hiperléxicas foram diagnosticadas a partir de referenciais do autismo, uma vez que existem poucos estudos e mecanismos para o diagnóstico.
Como diagnosticar?
Algumas características podem encaminhar o diagnóstico de hiperlexia, entre elas, deve-se atentar prioritariamente para a precocidade da interação da criança com letras e números. A partir dos 18 meses, crianças hiperléxicas já começam a demonstrar uma capacidade diferenciada para identificação de letras e números, e aproximadamente a partir dos 3 anos essas crianças são capazes de reconhecer o agrupamento de letras e formar palavras, mesmo que estas não façam sentido no contexto. Assim, é provável que essa criança seja capaz de ler frases inteiras, mesmo não dominando a linguagem oral como as outras crianças de sua idade. Devemos lembrar que nem todas as crianças com hiperlexia apresentam o mesmo desenvolvimento de suas condições. Outra particularidade das crianças hiperléxicas, para a qual se deve atentar no período diagnóstico, é o apego que essas têm à rotina. Uma criança hiperlexica dificilmente aceita mudanças em seus horários e atividades, procura encontrar padrões em todas as situações.
A criança hiperléxica
A hiperlexia não é consequência de nenhum método de ensino, ou seja, a capacidade de ler da forma como se dá nesses casos não é algo ensinado, não há instruções para que a criança aja de tal forma. Essa criança simplesmente aprende a decodificar as palavras, a partir da identificação das letras e de seus agrupamentos.
O fato de uma criança hiperléxica ter dificuldades em seus relacionamentos sociais não significa que estes não devam ser encorajados. Existem inúmeros benefícios ligados à experiência dessas crianças na relação com crianças de desenvolvimento normal, entre eles destaca-se a estimulação oral. Para a criança hiperléxica, a criança normal é alguém que fala muito, mas essa interação permite que aquela reconheça os aspectos funcionais da comunicação oral.
Na escola
Algumas posições pedagógicas defendem a criação de salas especiais para hiperléxicos, uma vez que a presença de uma criança hiperléxica no grupo de alunos implica algumas alterações na rotina de professores, coordenação e alunos, por exemplo, ajustes no currículo e flexibilização do programa de ensino. Todavia, é importante tanto para crianças normais quanto para a criança hiperléxica que sejam expostas a relação com outras crianças em diferentes condições, para que possam reconhecer diferentes formas de se comunicar. Do outro lado, professores devem estar preparados para usar, de maneira criativa, a habilidade de lidar com as palavras e números, de forma que se torne realmente uma experiência valiosa para todos.
Onde encontrar mais informações?
Existem poucas publicações sobre hiperlexia no Brasil. Há alguns anos a autora Susan Martins Miller publicou, pela editora Nova Alvorada de Belo Horizonte, o livro “Lendo muito cedo”, que explica com bastante clareza as condições e implicações da hiperlexia na vida de crianças e adultos, além disso, algumas associações de pais de crianças autistas tem trabalhado para divulgar as particularidades da síndrome em seus sites, o que gera um conteúdo bastante rico em detalhes da experiência de viver com alguém hiperléxico.
Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB - Fundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP - Universidade de São Paulo
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Livro Transtornos de Conduta - Síndromes Diversas
Minhas
considerações sobre o livro Transtornos de Conduta
Síndromes
Diversas
Autora:
Priscilla Amaral
Olá pessoal. Conclui hoje de ler o livro acima mencionado
escrito pela minha amiga Priscilla Amaral. Alguns livros são importantes para
aprofundarmos o processo de inclusão, ainda em curso. E o livro em questão
atendeu os requisitos necessários para esse fim.
Inicialmente, é fundamental frisar a formatação da obra. A
autora aborda casuísticas de crianças, jovens e adultos com necessidades
educacionais especiais. Priscilla utilizou da forma empírica para fundamentar
suas ideias e o resultado obtido é bastante interessante.
Ao ler os diversos estudos de casos é possível elaborar
algumas conclusões:
- Quando o profissional da sala de recursos multifuncionais
trabalha articulado com o docente da sala comum, os resultados são amplamente
favoráveis aos alunos. Em sendo assim, é fundamental que os docentes articulem
suas ações com os profissionais da SRM.
- O livro tem um lado que considero muito positivo: ele
desmistifica aquela questão que remete somente aos alunos com deficiência a
dificuldade de aprendizagem. Alunos com depressão infantil, oriundos de
famílias desestruturadas, subnutrição e outros fatores também devem ser
elencados e analisados pela comunidade escolar, quando apresentarem
dificuldades de aprendizagem.
- Outro dado relevante que destaco é o processo de anamnese utilizado
pela autora para se estabelecer a cada aluno uma conduta específica. Infelizmente muitos profissionais de educação
acreditam que deveria haver um manual para lidar com as deficiências ou
dificuldades de aprendizagem dos alunos, o que é um engano. As pessoas são
diferentes, portanto, a estratégia e o planejamento adotados para alguns não
necessariamente devem ser aplicados para os demais. E investigar a vida social
do aluno, suas relações sociais e familiares, sua vida pregressa e outros
elementos são fundamentais para o sucesso da proposta de ensino que deve ser
adotada, e nesse sentido o trabalho da Priscilla Amaral é um exemplo que deve
ser seguido.
- A escola é o ambiente propício para a
promoção da paz, da reconciliação e da convivência entre as diferenças; por
isso, não podemos deixar que seja alvo da intolerância, do preconceito e da
violência. Para que essa finalidade seja totalmente alcançada é necessário que
haja um trabalho conjunto entre toda a comunidade escolar, a articulação deve
envolver o profissional da SRM, os professores, os pais, a direção e os demais
alunos.
O livro
apresenta diversas Síndromes e o seu conhecimento ajuda no processo de
ensino-aprendizagem. E tem uma informação que apreciei muito: quando a autora
refere-se que nem sempre a aprendizagem do aluno deve ser a prioridade da
escola. Outros fatores são importantes, como preparar o aluno com deficiência
ou com alguma dificuldade de aprendizagem para relações sociais, para suas
atividades diárias e para seu próprio futuro. Esta colocação tão bem exposta
pela autora vai de encontro ao pensamento de muitos outros educadores, no quais
me incluo, que defendem que até há alguns anos a criança com limitação intelectual, moderada ou severa
era considerada incapaz de aprender, necessitando apenas de cuidado e proteção.
A partir do momento em que o sistema educacional proporciona a oportunidade de
crianças e adolescentes em idade escolar frequentarem a escola regular, esta se
defronta com a questão do currículo a ser proposto, sem dúvida um desafio aos
educadores que atuam junto a esta população. Ao delinearmos um currículo para
esta clientela, em que o foco é o desenvolvimento das habilidades mais
relevantes da vida diária do aluno, de forma a possibilitar que ele participe
tão independentemente quanto possível na sua comunidade. Para isso, devemos
levar em conta alguns aspectos como: funcionalidade, adequação a idade
cronológica, interações com os pares sem deficiência e desenvolver nos alunos a
oportunidade de escolha.
Para os docentes que
ainda são resistentes a presença de alunos com necessidades educacionais
especiais na sala de ensino regular, indico uma frase da autora:
“Quando comecei a
lecionar em Sala de recursos, observei uma enorme diferença já que não são mais
salas “fechadas”, assim como as salas de ensino regular, e sim atendimentos que
objetivam a melhoria do aluno na sala de ensino regular. Trocando em miúdos, a
sala especial segregava e a Sala de recursos auxilia o aluno para que apresente
melhor desempenho no ensino regular”.
Gostei muito
desta colocação porque a educação é a porta de entrada para a participação plena na sociedade.
É particularmente importante para crianças com deficiência, que frequentemente são
excluídas. Muitos dos benefícios da escola consolidam-se ao longo do tempo –
por exemplo, garantir o sustento na vida adulta –, mas alguns são visíveis
quase imediatamente. A participação na vida escolar é importante para crianças
com deficiência, uma vez que corrige equívocos que impedem a inclusão. E quando
essas crianças são capazes de frequentar a escola, pais, mães e cuidadores conseguem
encontrar tempo para outras atividades, como trabalhar e descansar.
Em princípio, todas as
crianças têm o mesmo direito à educação. Mas, na prática, esse direito é
desproporcionalmente negado a crianças com deficiência. Consequentemente, fica
prejudicada sua capacidade de usufruir de todos os direitos de cidadania e de assumir
papéis valorizados pela sociedade – principalmente por meio de emprego
remunerado. Enfim, indico o
livro para todos, em especial para os docentes, pais de crianças com
deficiência e para todos os profissionais que atuam na área. A leitura é
dinâmica, leve e muito reflexiva.
Parabéns Priscilla Amaral
e muito sucesso para você e seus alunos.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
O direito de moradia e inclusão na comunidade
02/06/2013 - Global REPORT
O direito que uma pessoa jovem com deficiência intelectual tem de morar por sua própria conta na comunidade, sendo incluído normalmente na sociedade em que vive, é um assunto de grande importância mas segundo informações de lideranças mundiais, muito bem informadas, o Relatório Global sobre o artigo 19 da Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiência mostra que muitos governos não aquilatam a importância dessa atitude.
No Brasil há mais de 50 anos vimos lutando, primeiro pela inserção nas políticas públicas de pessoas com deficiência intelectual, e outras deficiências certamente, uma vez que o segmento de cerca de 24 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência permaneceu durante muitos anos esquecido do Poder Público, continuando a ser um segmento excluído e isolado de preocupações governamentais.
Isso é injustificável, daí o esforço de grandes entidades como Inclusion International e outras organizações que trabalham em prol de pessoas com deficiências para que essa situação mude favoravelmente.
Vamos pensar em conjunto sobre o que nos dizem os 92 países que ajudaram Inclusion International na elaboração desse Relatório Global:
A Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas foi implantada em 2006 e foi ratificada por mais de 120 países. Contudo, poucos governos compreendem, inteiramente, as implicações de implementar essa Convenção e especificamente o Artigo 19.
A fim de fazer face à histórica e sistemática exclusão de pessoas com deficiência, nossas comunidades, governos e sociedades vão precisar abraçar um paradigma novo (refletido na CDPD). É preciso mudar de encarar a deficiência como um programa ou área na qual pessoas com deficiência são as receptoras ou objetos de políticas - para um processo transformador que ajuda a construir comunidades mais fortes nas quais todo mundo participa e contribui. Isso significa não pensar apenas na pessoa com deficiência mas também em suas famílias e círculos de apoio bem como as comunidades em que moram. É preciso compreender como fortalecer o tecido social de nossas sociedades.
Têm sido realizadas pesquisas e trabalhos a respeito da desinstitucionalização (ou seja, fechar instituições de longa permanência) e ainda na compreensão de serviços e apoios de que as pessoas necessitam para morar com sucesso na comunidade. O que está faltando é a voz das pessoas com deficiência intelectual e suas famílias, que têm vivido a experiência de exclusão e isolamento, que compreendem as causas e o impacto que essa exclusão causa e que têm uma visão do que significa de fato morar e ser incluído na comunidade. Queríamos saber:
- Qual é a situação de pessoas com deficiência intelectual e suas famílias com relação a sua inclusão na comunidade;
- O que aprendemos acerca da razão pela qual as pessoas são excluídas e ficam isoladas;
- Que progresso já foi feito;
- Quais são os desafios novos e emergentes que ameaçam a inclusão;
- O que nós e nossos parceiros deveríamos fazer para alcançar as mudanças necessárias para tornar o Artigo 19 uma realidade em todo o mundo.
Trecho extraído da página 9 do GLOBAL REPORT ON ARTICLE 19
The right to live and by included in the community.
Traduzido do inglês e digitado em São Paulo em 21 de abril de 2013 por Maria Amélia Vampré Xavier.
The right to live and by included in the community.
Traduzido do inglês e digitado em São Paulo em 21 de abril de 2013 por Maria Amélia Vampré Xavier.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Cordel da Vida Independente
Hélio de
Araújo
anos setentaCom Ed Roberts na frente
Começou o movimento
De vida independente
Questionando comportamentos
Visando um mundo includente.
Ed Roberts era cadeirante
E lutava por direito
Por ser um perseverante
A luta fez logo efeito
Pessoas com deficiência
Conquistaram mais respeito.
Ele queria para todos
Acesso ao conhecimento
E para pessoa com deficiência
Autonomia e empoderamento
Para ela mesma decidir,
Demonstrar seu pensamento.
Após décadas de estudos,
Pesquisas e mobilização,
Luta, debate e suor,
Veio a fundamentação,
Para assim sustentar
A proposta de inclusão.
Assim não podemos voltar
Para era da segregação
Agora é dois mil e treze
É tempo da união,
Abaixo a intolerância
E a institucionalização.
A escola deve receber
Com muita satisfação
O aluno com deficiência
Sem nenhuma separação,
Pois é doloroso para os pais
Constatarem uma rejeição.
A educação inclusiva
Prevista na Convenção
Deve ser oferecida
Em qualquer situação,
Pois é o que impede
O mal da desunião.
Devemos ser responsáveis
Por nossa sociedade
Que deve ser inclusiva,
Respeitando a diversidade,
Justa e possibilitando:
Acolhimento e equidade.
Quem abordar esse tema
Nos meios de comunicação
Deve se preparar
E ter muita precaução,
Pois a informação errada
Reforça a discriminação.
Todo aluno tem direito
A um bom atendimento:
Com limitação sensorial,
Transtorno do desenvolvimento,
Deficiência intelectual ou física
Ou com outro impedimento.
Não é só direito à escola,
É por acessibilidade,
Trabalho, lazer e saúde,
Turismo de qualidade
E de exercer livremente
A sua maternidade.
Ser diferente não atrapalha,
Nem a escola nem a nação.
A diversidade somente ajuda
Provoca constante reflexão
Se fossemos todos iguais
A vida seria sem emoção.
Hélio de Araújo é professor, cadeirante, ativista na defesa dos direitos das pessoas com deficiência – Petrolina-PE.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Corrente do livro
Descrição da imagem: capa do livro Lições do velho professor, de Rubem Alves
Olá pessoal. Em abril ganhei o livro "Lições do velho professor"' do meu mestre Rubem Alves, de uma amiga muito querida e amada, Deisy Paula. O livro é convite à reflexão de nossa atitudes e ações como educadores que somos.
Recentemente li que nos EUA está ficando comum as pessoas
circularem os livros, isso estimula a leitura. Funciona assim: a pessoa passa o
livro para quem gosta muito, depois que esta pessoa ler, ela passa para outra e
assim vai, um dia quem sabe este livro possa voltar para mim. A primeira pessoa que colocou o livro para circular deixa seu endereço, email, blog e sua
página no facebook. Quem estiver com o livro pode ir se posicionando, isso é
uma forma de todos irem acompanhando e vamos fazendo novas amizades. Teve uma professora americano que viu o livro circular por seis anos, inclusive o livro passeou até a Nova Zelândia, até voltar para ela.
Ao ler esses fatos pesquisar mais sobre o tema, decidi fazer o mesmo com o livro do mestre Rubem Alvez, afinal, deixá-lo na prateleira empoeirando seria um pecado com outra pessoas.
terça-feira, 21 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Abordando alguns aspectos da Educação Inclusiva
Olá pessoal. Geralmente sou indagado pelos meus alunos para opinar se a matrícula de crianças com deficiência nas escolas regulares já configura como inclusão. Inicialmente devemos afirmar que Educação Inclusiva pressupõe que TODAS as crianças (alunos) tem a mesma oportunidade de acesso, de permanência e de aproveitamento na escola, independente de qualquer característica peculiar que apresentem ou não.
Matricular simplesmente uma criança com deficiência em uma classe comum da escola regular, sem dúvida, é um passo importante na direção certa, embora, esse ato isoladamente fora do contexto maior não pode ser considerado inclusão. Mas, quando comparamos o passado com o presente vamos observar avanços significativos, antes as escolas recusavam matricular crianças com deficiência, atualmente ela não pode agir assim, seja pública ou particular.
A presença do aluno com deficiência na escola regular vai no mínimo forçar uma nova situação na comunidade daquela escola e os avanços decorrentes disso vai depender e muito das ações individuais e coletivas. Em sendo assim, ao contrário, do que muitos pregam, considero a matrícula como primeiro passo rumo à inclusão.
É isso.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Porque evitar apressar o ensino da leitura e da criança na escola
Li hoje o texto abaixo e achei muito interessante.
Descrição da imagem: criança deitada segurando um lápis rabiscando um papel.
Descrição da imagem: criança deitada segurando um lápis rabiscando um papel.
Porque causa tanto dano na criança aprender a ler escrever antes da segunda
dentição? Esta pergunta toca um dos mais importantes problemas que existem
nesta idade.
Porque nada é mais danoso para a criança que a pressa de ensinar-lhe a ler e
escrever prematuramente.
Nos primeiros sete anos funciona a força vital, a força construtora no
físico, formando e modelando desde a cabeça; penetra no fígado, pulmões,
coração, etc, estabelecendo sua força devida e estrutura correta. Deste modo se
adquire a base física sadia para toda a vida. Mais tarde haverá somente um
crescimento do formato; a forma básica não modificará jamais. Daí se pode
compreender facilmente que a criança necessita de todas as forças construtivas
para conseguir sua mais completa formação orgânica antes da troca dos dentes,
troca com que a mesma natureza indica que terminou a estrutura básica.
Se parte das ditas forças são minadas por ser dedicadas a outras atividades,
a força modeladora diminui de modo que a formação orgânica não pode levar-se a
cabo em sua totalidade.
Cada letra, cada palavra com que se ensina a criança a ler ou escrever nesta
idade, diminui a dita força vital cuja missão é construir. Debilita-se a base
orgânica para a vida, pois é levada para outra direção, e diversifica-se a
atividade da formação orgânica produzindo mais tarde uma debilidade ou
enfermidade em alguma parte do ser humano.
Numa palavra, toda influência prematura pode conduzir eventualmente a uma
posterior enfermidade na vida adulta.
Se pode impelir a criança a que aprenda a ler e escrever um pouco antes do
normal, mas este esforço se pagará caro mais tarde acelerando a
dissecação (secamento) e rigidez dos membros. Além disso, esta pressa e aflição
empurra criança para uma maturidade física prematura, angústia e restrição da
alma e espírito, formando assim pessoas mais voltadas para o materialismo que
para viver com plenitude pessoal. Devemos deter a criança em seu desejo de avançar
apressadamente e aprender antes de seu devido tempo qualquer matéria escolar,
para seu próprio bem no futuro.
Toda criança tem certo desejo de aprender as letras, é normal, pois deseja
imitar os adultos também nisso.
Igualmente deseja conhecer os números, mas esse aspecto da imitação deve ser
restringido e controlado. Ajudamos mais a criança se desviamos temporariamente
suas ânsias de aprender, pois assim ela guardará fresca sua força vital e será
capaz de desenvolver-se melhor durante o resto de sua vida.
As forças construtivas normalmente terminam a primeira fase de seu trabalho
com a segunda dentição, ficando livres para dedicar-se inteiramente a sua
próxima tarefa construtiva no intelecto e na memória. Tudo foi promovido e
previsto por uma sabedoria muito elevada e devemos melhor respaldá-la e
honrá-la no lugar de tratar de mudar “algo” ao nosso desejo. Não é muito tarde
para começar o aprendizado da leitura e escrita aos sete anos, pois só quando
as forças formadoras estão livres é que podem dedicar-se ao aprendizado no seu
curso normal, e a criança pode plenamente gozar de tal aprendizado. Devemos
evitar que as crianças se lancem prematuramente a atividades para as quais não
estão preparadas ainda pois temos de cuidar que seus corpos cresçam e se formem
sem danos e entregar à sociedade homens íntegros, sinceros, positivos e
verdadeiros, os quais sendo adultos, possuam um corpo sadio e apto, dotado de
um espírito e uma alma que com prazer receberá o devido conteúdo de sua sorte.
Texto de Nora von Baditz, do livro: “Que es necessário a el
niño”. (Retirado do grupo Pedagogia Waldorf para a
Família, no Facebook).
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