Ally e Ryan

Ally e Ryan

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Inclusão Radical – SIM!

PUBLICADO POR INCLUSÃO JÁ!  09/08/2013

Por Alexandre Mapurunga
A inclusão escolar das pessoas com deficiência intelectual e autistas tem sido motivo das maiores controvérsias desde que o Governo Federal, através do Ministério da Educação, assumiu a Educação Inclusiva como perspectiva a nortear a Política de Educação Especial. Recentemente, sob a alegação de que o Governo Federal quer acabar com as escolas especiais, a Federação das Apaes de São Paulo iniciou nas redes sociais a campanha: “Não à inclusão radical! Sim às escolas especiais!”.
Duas questões são bastante preocupantes na iniciativa. A primeira refere-se à declaração de que o Governo quer fechar as escolas especiais; a segunda vem do chocante clamor por menos inclusão. O Decreto Presidencial 7.611/2011 foi um dos primeiros a compor o “Plano Viver sem Limite” permitindo, dentre outras coisas, a distribuição dos recursos do Fundeb na educação especial, inclusive para “instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente”. A função do Governo é, portanto , quando necessário, conveniar com Organizações Privadas regulando serviço a ser prestado. Isso já era possível, mas foi oportunamente reafirmado no Decreto para que não restasse dúvida. Então, de onde vem a afirmação de que o Governo quer fechar as “escolas especiais” tendo em vista que os mais recentes documentos são editados permitindo a transferência de recursos?
A verdade é que há uma discussão sobre o papel das chamadas organizações especializadas e a complementariedade do Atendimento Educacional Especializado e também sobre onde deve ser a prioridade de investimento dos recursos públicos. Nesse contexto, é preciso reconhecer que, pela ausência histórica de políticas públicas, as famílias tiveram que arregaçar as mangas para fazer uma tarefa que seria obrigação do Estado. Pioneirismo que foi importante para romper com a invisibilidade e para garantir atenção para as pessoas com deficiência intelectual durante décadas. No entanto, esse movimento não pode se cristalizar favorecendo a acomodação do Estado. Foi e continua sendo obrigação do Estado garantir Educação para pessoas autistas e com deficiência intelectual.
Vem à tona então a segunda questão: “Não à inclusão radical”. A inclusão é um dos princípios fundamentais dos direitos humanos. É também meta político-social de quase todos os governos que são minimamente comprometidos com uma agenda global de desenvolvimento. Inclusão significa mais igualdade de oportunidades, mais desenvolvimento para os que foram historicamente excluídos. É adequar e fazer chegar a pobres, negros, pessoas com deficiência, LGBT e outros grupos em desvantagem social, as políticas públicas que geralmente só atingem uma parte mais privilegiada da população. É romper com práticas estabelecidas e construir um ciclo de aprimoramento das políticas públicas. O imperativo “Não à inclusão radical” estampado em um banner no Facebook, ou mesmo qualquer variante que implique em uma mensagem que pode ser entendida como um pedido por “menos inclusão”, “inclusão só pra uns”, “inclusão seletiva” ou até “inclusão mais lenta!” é chocante por desconhecer a universalidade dos direitos humanos.
As perguntas que ficam são: menos inclusão para quem? Quem desmerece a inclusão? Quão letárgica ou moderada deve ser a inclusão? Constantemente são denunciadas a falta de condições, a falta de capacitação dos professores, a persistente recusa e sistemática exclusão das pessoas com autismo e deficiência intelectual da rede regular de ensino, realidade que mostra que é preciso aprofundar (radicalizar) os processos de inclusão, antes do contrário, cobrando que seja garantido o investimento contínuo e as regulamentações para as transformações que forem necessárias.
Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) que foi aprovada com quórum qualificado em dois turnos no Senado e na Câmara, assim obtendo status de Emenda Constitucional. No seu artigo 24, a CDPD reconhece o direito das pessoas com deficiência à educação, que deve ser efetivado sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, num sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como através do aprendizado ao longo de toda a vida. A mensagem da Convenção que foi cravada em nossa Constituição e assinada por representantes de toda sociedade é clara: mais inclusão.
Qualquer que seja o Governo, a agenda de Estado deve ser ampliar a inclusão das pessoas com deficiência no sistema regular ensino. Isso é também compromisso internacional assumido com a ratificação da Convenção, do qual o Brasil deve prestar contas dos avanços obtidos. Ironicamente, a despeito do Decreto 7.611/2011 e da disposição do Governo Federal em apoiar as organizações filantrópicas, a declaração de que se é contra um princípio fundamental da CDPD – a inclusão - coloca a declarante em choque de interesse com o Estado Brasileiro e com sua obrigação de implementar a Convenção.
De acordo com artigo 4, o Estado e as autoridades públicas que o representam em todas as instâncias devem abster-se de participar e apoiar qualquer ato ou prática incompatível a Convenção, bem como assegurar que as instituições atuem em conformidade. Nada mais justo do que a sustentabilidade das organizações filantrópicas, mas para garantir financiamento público o Governo deve assegurar que os recursos sejam aplicados da maneira mais inclusiva possível.
Alexandre Mapurunga
Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas com Autismo (Abraça)
http://abraca.autismobrasil.org
Skype: amapurunga +55(85)9760.3180 (tim)


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dicas para desenvolver habilidade de conversação avançada em crianças com autismo


Ensinar uma criança autista a fazer perguntas e declarações é o primeiro passo para que elas desenvolvam suas habilidades para iniciar e manter uma conversa, além de trocar de temas durante uma mesma conversa e até resgatar o interesse da outra pessoa durante a mesma conversa. Estas são consideradas habilidades avançadas de conversação, e podem ser exercitadas por pais, familiares, amigos, professores e terapeutas.

O primeiro passo é ensinar à criança que uma conversa é marcada pela ida e volta de falas: ao perguntar ou declarar algo, portanto, ela deve entender que haverá uma resposta verbal da outra pessoa, mesmo que seja para dizer “Não sei”. Da mesma forma, é preciso mostrar a ela que as outras pessoas esperam respostas verbais durante uma conversa. Isso pode ser ensinado por meio de exercícios práticos, desenhos ou objetos, como fantoches ou bonecos.

É importante também explicar à criança o valor das conversas para o desenvolvimento das relações afetivas e sociais. E, acima de tudo, a criança com autismo deve ter oportunidade de praticar a conversação com o maior número de pessoas, para que entre em contato com opiniões e reações diferentes. Os comportamentos agressivos ou relutantes que algumas crianças apresentam diante de pessoas novas podem ser amenizados com a prática social.
Uma conversa é feita também de sinais não-verbais, e isso também deve ser ensinado à criança. Mostrar a ela que muitas pessoas costumam ficar inquietas ou olhar ao redor quando não estão interessadas em uma conversa é uma boa maneira de treinar o resgate da conversa. Pode-se, por exemplo, ensinar a ela que nessas situações é possível fazer uma pergunta para que a pessoa volte sua atenção à conversa.


Texto escrito por Silvana Schultze, do blog meunomenai. Baseado no artigo “Conversational development for autismo”, disponível no 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Uma lei sob ameaça


LINAMARA RIZZO BATTISTELLA

É decepcionante que ainda haja quem tente flexibilizar a Lei de Cotas com ações que perpetuariam a exclusão de pessoas com deficiência

Nos últimos 12 meses, apenas 9.000 pessoas com deficiência foram empregadas formalmente no país.

O número é pífio para um país que comemora 22 anos de vigência da chamada Lei de Cotas, que determina que as empresas com cem funcionários ou mais devem reservar de 2% a 5% de suas vagas para pessoas com deficiência.

A promoção da inclusão é urgente. Em 2010, havia aproximadamente 44 milhões de empregos formais ativos no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Destes, apenas 306 mil eram preenchidos por pessoas com deficiência como decorrência da Lei de Cotas, o que equivale a 0,7% do total. Se todas as empresas cumprissem a lei, o Brasil teria hoje mais de 900 mil pessoas com deficiência empregadas.

Por outro lado, dados do IBGE mostram que, também em 2010, existiam 3,8 milhões de pessoas com deficiência ocupadas, independentemente da Lei de Cotas, a maior parte no mercado informal.

Esses números não significam o fracasso de uma política pública. Ao contrário, nos impelem a identificar os motivos que retardam a obtenção dos resultados esperados e celebrar políticas afirmativas que avançam no sentido de vencer resistências.

Entre essas resistências, uma das mais frequentes é a ideia de que não existiria no mercado um número grande de pessoas com deficiência capacitadas para o trabalho, seja por baixa escolaridade ou por falta de experiência profissional.

Os números do IBGE desmentem essas justificativas. Em 2010, 2,8 milhões de pessoas com deficiência possuíam ensino superior completo, incluindo mestrado e doutorado, o que seria mais do que suficiente para suprir as vagas criadas pela Lei de Cotas. Por sua vez, a falta de experiência deriva de décadas de uma prática excludente, em que as portas das empresas se fechavam sistematicamente a qualquer tentativa de ingresso dessa população.

Muito decepcionante é constatar que parte do setor econômico ainda despende tempo e energia tentando flexibilizar a Lei de Cotas, propondo substituir as contratações pela oferta de cursos de capacitação, compensação financeira para entidades do terceiro setor e outras mazelas que perpetuam a exclusão.

Recentemente, essas mudanças foram propostas no projeto de lei nº 112, de autoria do senador José Sarney (PMDB-AP), felizmente retirado da pauta do Congresso.

Agora, as mesmas ideias voltam repaginadas em artigos do projeto do Estatuto da Pessoa com Deficiência, também em tramitação no Legislativo federal.

O Estado de São Paulo reconhece que a inclusão gera oportunidades em diferentes dimensões e incentiva o ingresso de pessoas com deficiência no mercado. O Via Rápida Emprego, por exemplo, disponibiliza vagas e oferece gratuitamente cursos básicos de qualificação profissional de acordo com as demandas regionais. Já o Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (Padef) proporciona a obtenção e a manutenção do emprego.

A população não pode aceitar que setores tentem alterar uma lei que só agora começa a dar frutos. Ainda não vencemos a partida contra o preconceito, mas a Lei de Cotas é a melhor estratégia de que dispomos. Em time que ainda está empatando não se mexe, mas o que realmente buscamos é a vitória da inclusão e participação.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

12 coisas para ensinar a seus filhos sobre crianças com deficiência

Amanda, sentada num banco de parque, gritando, com os braços para o alto. Foto de Paula Moreira

O melhor presente que eu poderia ganhar nesse dia das mães vem de outras mães e pais. Ensinem seus filhos a ver a deficiência da minha filha como algo natural. Isso pode ser um presente pra você e para o seu filho também.

Infelizmente, como a autora do artigo abaixo, cresci numa sociedade em que as pessoas com deficiência ainda ficavam presas em casa ou em instituições. As poucas crianças com que tive contato eram  como ETs e meus pais nunca falaram sobre esse assunto comigo.

Hoje sou mãe da Amanda, de 8 anos, que tem síndrome de Down.

Felizmente o mundo está mudando e se tornando um lugar para todos. Aproveite essa oportunidade e fale mais com o seu filho sobre o coleguinha com deficiência da escola dele, aproxime-se e estimule a amizade deles. Você vai ver que todo mundo sai ganhando com isso.

Patricia Almeida
Inclusive – Inclusão e Cidadania


12 coisas para ensinar a seus filhos sobre crianças com deficiência

Eu cresci sem conhecer nenhuma outra criança com deficiência além do Adam, um visitante frequente do resort ao qual nossas famílias iam todos os verões. Ele tinha deficiência intelectual. As crianças zombavam dele. Fico envergonhada de admitir que eu zombei também; meus pais não faziam ideia. Eles eram pais maravilhosos, mas nunca pensaram em ter uma conversa comigo sobre crianças com deficiência.

E, então, eu tive meu filho Max; ele teve um AVC no nascimento que levou à paralisia cerebral. De repente, eu tinha uma criança para quem outras crianças olhavam e cochichavam a respeito. E eu desejei tanto que seus pais falassem com elas sobre crianças com deficiência.

Já que ninguém recebe um “manual de instrução sobre paternidade”, algumas vezes, pais e mães não sabem muito o que dizer. Eu entendo perfeitamente; se eu não tivesse um filho com deficiência, eu também me sentiria meio perdida. Então, eu procurei mães de crianças com autismo, paralisia cerebral, síndrome de Down e ocorrências genéticas para ouvir o que elas gostariam que os pais e mães ensinassem a seus filhos sobre os nossos filhos. Considere como um guia, não a bíblia!

1) Pra começar, não tenha pena de mim

“Sim, algumas vezes, eu tenho um trabalhão — mas minha vida não é nenhuma tragédia. Meu filho é um menino brilhante, engraçado e incrível que me traz muita alegria e que me enlouquece às vezes. Você sabe, como qualquer criança. Se você tiver pena de mim, seu filho vai ter também. Aja como você agiria perto de qualquer outro pai ou mãe. Aja como você agiria perto de qualquer criança.”

— Ellen Seidman, do blog “Love That Max”; mãe do Max, que tem paralisia cerebral



2) Ensine seus filhos a não sentir pena dos nossos

“Quando a Darsie vê crianças (e adultos!) olhando e encarando, ela fica incomodada. Minha filha não se sente mal por ser quem ela é. Ela não se importa com o aparelho em seu pé. Ela não tem pena de si mesma. Ela é uma ótima garota que adora tudo, de cavalos a livros. Ela é uma criança que quer ser tratada como qualquer outra criança—independente dela mancar. Nossa família celebra as diferenças ao invés de lamentá-las, então nós te convidamos a fazer o mesmo.”

— Shannon Wells, do blog “Cerebral Palsy Baby”; mãe da Darsie, que tem paralisia cerebral


3) Use o que eles tem em comum

“Vai chegar uma hora em que o seu filhinho vai começar a te fazer perguntas sobre por que a cor de uma pessoa é aquela, ou por que aquele homem é tão grande, ou aquela moça é tão pequena. Quando você estiver explicando a ele que todas as pessoas são diferentes e que nós não somos todos feitos do mesmo jeito, mencione pessoas com deficiências. Mas tenha o cuidado de falar sobre as similaridades também—que uma criança na cadeira de rodas também gosta de ouvir música, e ver TV, e de se divertir, e de fazer amigos. Ensine aos seus filhos que as crianças com deficiência são mais parecidas com eles do que são diferentes.”

— Michelle, do blog “Big Blueberry Eyes”; mãe da Kayla, que tem Síndrome de Down


4) Ensine as crianças a entender que há várias formas de se expressar

“Meu filho Bejjamin faz barulhos altos e bem agudos quando ele está animado. Algumas vezes, ele pula pra cima e pra baixo e sacode os braços também. Diga aos seus filhos que a razão pela qual crianças com autismo ou com outras necessidades especiais fazem isso é porque elas tem dificuldades pra falar, e é assim que elas se expressam quando estão felizes, frustradas ou, algumas vezes, até mesmo por alguma coisa que estão sentindo em seus corpos. Quando Benjamim faz barulhos, isso pode chamar a atenção, especialmente se estamos em um restaurante ou cinema. Então, é importante saber que ele não pode, sempre, evitar isso. E que isso é, normalmente, um sinal de que ele está se divertindo.”

— Jana Banin, do blog “I Hate Your Kids (And Other Things Autism Parents Won’t Say Out Loud)”; mãe de Benjamin, que é autista


5) Saiba que fazer amizade com uma criança com deficiência é bom para as duas crianças

“Em 2000, quando meu filho foi diagnosticado com autismo, eu tive muita dificuldade em arrumar amiguinhos para brincar com ele. Vários pais se assustaram, a maior parte por medo e desconhecimento. Fiquei sabendo que uma mãe tinha medo do autismo do meu filho ser “contagioso”. Ui. Treze anos mais tarde, sou tão abençoada por ter por perto várias famílias que acolheram meu filho de uma forma que foi tão benéfica para o seu desenvolvimento social. Fico arrepiada só de pensar nisso. A melhor coisa que já ouvi de uma mãe foi o quanto a amizade com o meu filho foi importante para o filho dela! Que a sua proximidade com o RJ fez dele uma pessoa melhor! Foi uma coisa tão bonita de se dizer. Quando tivemos o diagnóstico, ouvimos que ele nunca teria amigos. Os amigos que ele tem, agora, adorariam discordar. Foram os pais deles que facilitaram essa amizade e, por isso, serei eternamente grata.”

— Holly Robinson Peete, fundadora (com o marido Rodney Peete) da Hollyrod Roundation; mãe do RJ, que é autista (é ele, na foto abaixo, com sua irmã Ryan)



6) Encoraje seu filho a dizer “oi”

“Se você pegar seu filho olhando pro meu, não fique chateada — você só deve se preocupar se ele estiver sendo rude, mas crianças costumar reparar umas nas outras. Sim, apontar, obviamente, não é super educado, e se seu filho apontar para uma criança com deficiência, você deve dizer a ele que isso é indelicado. Mas quando você vir seu filho olhando para o meu, diga a ele que a melhor coisa a fazer é sorrir pra ele ou dizer “oi”. Se você quiser ir mais fundo no assunto, diga a ele que criança com deficiência nem sempre respondem da forma como a gente espera, mas, ainda assim, é importante tratá-las como tratamos as outras pessoas.”

— Katy Monot, do blog “Bird On The Street”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral.


7) Encoraje as crianças a continuar falando

“As crianças sempre se perguntam se o Norrin pode falar, especialmente quando ele faz seu “barulhinho alto característico”. Explique ao seu filho que é normal se aproximar de outra criança que soa um pouco diferente. Algumas crianças podem não conseguir responder tão rápido, mas isso não significa que elas não têm nada a dizer. Peça ao seu filho para pensar no seu filme favorito, lugar ou livro—há grandes chances da outra criança gostar disso também. E a única forma dele descobrir isso é perguntando, da mesma forma que faria com qualquer outra criança.”

 Lisa Quinones-Fontanez, do blog “Autism Wonderland”; mãe do Norrin, que é autista


8) Dê explicações simples

“Algumas vezes, eu penso que nós, pais, tendemos a complicar as coisas. Usando algo que seus filhos já conhecem, que faça sentido pra eles, você faz com que a “necessidade especial” se torne algo pessoal e fácil de entender. Eu captei isso uns anos atrás, quando meu priminho me perguntou “por que o William se comunicava de forma tão diferente dele e de seus irmãos”. Quando eu respondi que ele simplesmente nasceu assim, a resposta dele pegou no ponto: “Ah, assim como eu nasci com alergias”. Ele sabia como era viver com algo que se tem e gerenciar para viver diariamente. Se eu tivesse dito a ele que os músculos da boca de William tem dificuldade em formar palavras, o conceito teria se perdido na cabeça dele. Mas alergia fazia sentido pra ele. Simplicidade é a chave.”

— Kimberly Easterling, do blog “Driving With No Hands”; mãe do William e da Mary, ambos com Síndrome de Down



9) Ensine respeito às crianças com seus próprios atos

“Crianças aprendem mais com suas ações que com suas palavras. Diga “oi” para a minha filha. Não tenha medo ou fique nervosa perto dela. Nós realmente não somos tão diferentes de vocês. Trate minha filha como trataria qualquer outra criança (e ganhe um bônus se fizer um comentário sobre o lindo cabelo dela!). Se tiver uma pergunta, faça. Fale para o seu filho sobre como todo mundo é bom em coisas diferentes, e como todo mundo tem dificuldades a trabalhar. Se todo o resto falhar, cite a frase do irmão de Addison: “bem, todo mundo é diferente!”.”

— Debbie Smith, do blog “Finding Normal”; mãe de Addison, que tem Trissomia 9



10) Ajude as crianças a ver que, mesmo crianças que não falam, entendem

“Nós estávamos andando pelo playground e a coleguinha da minha filha não parava de encarar o meu filho, que é autista e tem paralisia cerebral. Minha filha chamou a atenção da colega rapidinho: “Você pode dizer “oi” pro meu irmão, sabe? Só porque ele não fala, não significa que ele não ouve você”. Jack não costuma falar muito, mas ele ouve tudo ao redor dele. Ensine aos seus filhos que eles devem sempre assumir que crianças com deficiência entendem o que está sendo dito, mesmo sem poderem falar. É por isso que eles não vão dizer “o que ele tem de errado?”, mas poderão até dizer “Como vai?”.”

— Jennifer Byde Myers, dos blogs “Into The Woods” e “The Thinking Person’s Guide To Autism”; mãe do Jack, que tem autismo e paralisia cerebral.



11) Inicie uma conversa

“Nós estávamos no Museu das Crianças e um garotinho não parava de olhar para Charlie com seu andandor, e a mãe dele sussurrou em seu ouvido para não encarar porque isso era indelicado. Ao invés disso, eu adoraria que ela tivesse dito “esse é um andador muito interessante, você gostaria de perguntar ao garotinho e à sua mãe mais a respeito dele?”.”
— Sarah Myers, do blog “Sarah & Joe (And Charlie Too!)”; mãe do Charlie, que tem paralisia cerebral


12) Não se preocupe com o constrangimento

“Vamos combinar de não entrar em pânico caso seu filho diga algo embaraçoso. Você sabe, tipo se nós estivermos na fila do Starbucks e o seu filho olhar para a Maya e pra mim e disser algo como “Eca! Por que ela está babando?” ou “Você é mais gorda que a minha mãe”. Embora esses não sejam exemplos de início de conversas ideais, eles mostram que o seu filho está interessado e curioso o suficiente para fazer contato e perguntar. Por favor, não gagueje um “mil desculpas” e arraste seu filho pra longe. Vá em frente e diga baixinho o pedido de desculpas, se você quiser, mas deixe-me aproveitar a oportunidade: vou explicar a parte da baba e apresentar Maya e contar da paixão dela por crocodilos, e você pode ser a coadjuvante no processo, dizendo “lembra quando nós vimos crocodilos no zoológico?” ou coisa parecida. Quando chegarmos ao caixa, o constrangimento vai ter passado, Maya terá curtido conhecer alguém novo, e eu terei esperanças de que seu filho conseguiu ver Maya como uma criança divertida, ao invés de uma “criança que baba”. (E eu irei simplesmente fingir que não ouvi a parte do “mais gorda que a minha mãe”).”

 Dana Nieder, do blog “Uncommon Sense”; mãe da Maya, que tem uma síndrome genética não diagnosticada


Traduzido por Andréa Werner, do blog “Lagarta Vira Pupa“, com revisão de Patricia Almeida
Por Ellen Seidman, do blog “Love That Max 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Música e Autismo: uma linguagem de comunicação com a realidade


Música e Autismo: uma linguagem de comunicação com a realidade
Por Álvaro Siviero – Música e Ciência – O Estado de S. Paulo – 22fev12

Durante o carnaval debrucei-me sobre filmes que abordam, direta ou indiretamente, o tema do autismo. Desde a impecável interpretação de Dustin Hoffman em Rain Man ou Bruce Willis na trama Código para o Inferno, a temática também é abordada em sucessos menores como o tocante Meu filho, meu mundo. Em todos eles, é impossível não se envolver com as refinadas e especiais capacidades apresentadas pelos personagens considerados “não normais” pelo mundo atual. Big mistake. Fica a pergunta: por que o mundo atual, esvaziado de parâmetros, se julga autoridade moral para definir o conceito de “normalidade”? Deliciei-me, especialmente, na comédia romântica Loucos de amor (em inglês Mozart and the Whale). Inspirada na vida de duas pessoas com a Síndrome de Asperger, uma forma de autismo, a vida dos protagonistas – e o coração – ficam de cabeça para baixo quando a paixão surge.

Falo disso, pois é intrigante saber que a música, minha profissão, é canal de facilitação e promoção no entendimento destas manifestações autistas. A Musicoterapia promove a comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização, entre muitos outros aspectos, da pessoa humana, indo ao encontro de suas necessidades físicas, mentais, sociais ou cognitivas. Qualquer pessoa pode ser tratada com musicoterapia. Por ser técnica de aproximação, reduz problemas emocionais ou atitudes que demandariam grandes doses de energia psíquica. É um canal universal de comunicação com o mundo que utiliza como elemento principal a única e verdadeira linguagem universal existente: a música.

Estudiosos afirmam ser a música a única ponte de comunicação possível aos portadores deste tipo de comportamento (1. A musicoterapia no tratamento de crianças com perturbação do espectro do autismo – Marisa do Carmo Prim Padilha; 2. Adolescência e autismo: a musicoterapia como auxiliar na diminuição das dificuldades - Fernanda Valentim e Leomara Craveiro de Sá. Pessoalmente, tive a oportunidade de travar contato com esta realidade através da ONG Autismo&Realidade (http://www.autismoerealidade.org/), fundada no dia 09 de julho de 2010, através do casal Paula Balducci de Oliveira e Hermelindo Ruete de Oliveira. “É minha própria vida”, afirma Paula. “Sou uma pessoa abençoada por Deus e neste trabalho de voluntariado encontrei a forma de devolver à sociedade o que recebi”. O entusiasmo e determinação dos entrevistados acabou contagiando toda a família. “A causa é da família”, afirma o casal cuja filha Júlia, estudante de pós-graduação em produção cultural, caminha com esta realidade.


 A ONG, além de divulgar informação pertinente, dá apoio intensivo às famílias, capacita profissionais, estimula a pesquisa no setor. Tudo de um modo inovador. “Não somos assistencialistas. Eu não poderia fazer o que eu faço hoje se não houvesse o assistencialismo”, declara Paula. E dedicando-se ao que poucos até agora fazem, a A&R inovou. Uma das inovações é o Prêmio Autismo&Realidade – Marcos Tomanik Mercadante ), um dos fundadores da iniciativa, falecido em 2011, para pesquisas na área de transtornos do espectro autista. Una-se a toda esta enxurrada de atividades, caminhadas de conscientização, campanhas de capacitação, a iniciativa da iluminação (em cor azul) do Corcovado no dia mundial do autismo – 02 de abril-, concertos musicais (onde tive a honra de participar – vide fotos) -, a participação na WAAD da ONU, etc.
Que o poder da música una-se, sempre, a iniciativas como essa. E que muitas pessoas se utilizem da música para crescimento. Vale conferir!


Textos relacionados:

·         A Autismo & Realidade convida:



Entendendo o autismo (legendado em português)

quarta-feira, 10 de julho de 2013

ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA CRIANÇAS COM AUTISMO

A organização do ambiente de ensino é fundamental para que crianças com autismo permaneçam na atividade proposta e sintam-se motivadas a aprender. A desorganização do ambiente, assim como a falta de planejamento das atividades, podem causar agitação na criança, desviando seu foco.
Os locais onde a criança come, aprende e se diverte devem estar claramente sinalizados, e não é conveniente manter à sua vista excesso de materiais. Se for o momento de alimentação, por exemplo, a criança deve visualizar somente a comida, retirando-se de seu alcance jogos e evitando-se que assista à televisão.
Como todas as crianças, alunos com autismo também precisam de espaços para recreação, se possível em lugares amplos e abertos, uma vez que a maioria não gosta de lugares muito fechados.
A utilização de materiais visuais, como fotografias e ilustrações, também são úteis no processo de educação de crianças com autismo, pois elas possuem grande capacidade de armazenar imagens em seus cérebros. As imagens são úteis tanto para a aprendizagem quanto para o desenvolvimento da comunicação e para aumentar sua compreensão e regular seu comportamento social.
Ao ensinar à criança como cumprimentar as pessoas, por exemplo, é importante mostrar um cartaz ou fotografia de mãos se apertando. Ao anunciar a hora do recreio, o professor pode mostrar uma fotografia do parque da escola, e ao encerrar as atividades do dia, pode mostrar uma ilustração de casa, para indicar à criança que ela agora retornará ao seu lar.

Fonte: Desafiando el autismo.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Hiperlexia


Hiperlexia é uma síndrome, muitas vezes caracterizada como elemento do autismo, que envolve a capacidade de leitura precoce e a obsessão por números e letras.

O que é?
 
A hiperlexia pode ser entendida como uma síndrome, que compreende sintomas como uma alta capacidade de leitura e uma espécie de obsessão por letras e números, porém acompanhada de uma espécie de retardo em outras áreas do desenvolvimento. Essa síndrome pode ser entendida a partir de três características principais: capacidade precoce de leitura, dificuldade em lidar com a linguagem oral e uma inadaptação social dos comportamentos.
Por muito tempo as crianças hiperléxicas foram diagnosticadas a partir de referenciais do autismo, uma vez que existem poucos estudos e mecanismos para o diagnóstico.
Como diagnosticar?
 
Algumas características podem encaminhar o diagnóstico de hiperlexia, entre elas, deve-se atentar prioritariamente para a precocidade da interação da criança com letras e números. A partir dos 18 meses, crianças hiperléxicas já começam a demonstrar uma capacidade diferenciada para identificação de letras e números, e aproximadamente a partir dos 3 anos essas crianças são capazes de reconhecer o agrupamento de letras e formar palavras, mesmo que estas não façam sentido no contexto. Assim, é provável que essa criança seja capaz de ler frases inteiras, mesmo não dominando a linguagem oral como as outras crianças de sua idade. Devemos lembrar que nem todas as crianças com hiperlexia apresentam o mesmo desenvolvimento de suas condições. Outra particularidade das crianças hiperléxicas, para a qual se deve atentar no período diagnóstico, é o apego que essas têm à rotina. Uma criança hiperlexica dificilmente aceita mudanças em seus horários e atividades, procura encontrar padrões em todas as situações.
 
A criança hiperléxica
 
A hiperlexia não é consequência de nenhum método de ensino, ou seja, a capacidade de ler da forma como se dá nesses casos não é algo ensinado, não há instruções para que a criança aja de tal forma. Essa criança simplesmente aprende a decodificar as palavras, a partir da identificação das letras e de seus agrupamentos.
 
O fato de uma criança hiperléxica ter dificuldades em seus relacionamentos sociais não significa que estes não devam ser encorajados. Existem inúmeros benefícios ligados à experiência dessas crianças na relação com crianças de desenvolvimento normal, entre eles destaca-se a estimulação oral. Para a criança hiperléxica, a criança normal é alguém que fala muito, mas essa interação permite que aquela reconheça os aspectos funcionais da comunicação oral.
 
Na escola
 
Algumas posições pedagógicas defendem a criação de salas especiais para hiperléxicos, uma vez que a presença de uma criança hiperléxica no grupo de alunos implica algumas alterações na rotina de professores, coordenação e alunos, por exemplo, ajustes no currículo e flexibilização do programa de ensino. Todavia, é importante tanto para crianças normais quanto para a criança hiperléxica que sejam expostas a relação com outras crianças em diferentes condições, para que possam reconhecer diferentes formas de se comunicar. Do outro lado, professores devem estar preparados para usar, de maneira criativa, a habilidade de lidar com as palavras e números, de forma que se torne realmente uma experiência valiosa para todos.
 
Onde encontrar mais informações?
 
Existem poucas publicações sobre hiperlexia no Brasil. Há alguns anos a autora Susan Martins Miller publicou, pela editora Nova Alvorada de Belo Horizonte, o livro “Lendo muito cedo”, que explica com bastante clareza as condições e implicações da hiperlexia na vida de crianças e adultos, além disso, algumas associações de pais de crianças autistas tem trabalhado para divulgar as particularidades da síndrome em seus sites, o que gera um conteúdo bastante rico em detalhes da experiência de viver com alguém hiperléxico.

Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB - Fundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP - Universidade de São Paulo
 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Livro Transtornos de Conduta - Síndromes Diversas


Minhas considerações sobre o livro Transtornos de Conduta

Síndromes Diversas

Autora: Priscilla Amaral

Olá pessoal. Conclui hoje de ler o livro acima mencionado escrito pela minha amiga Priscilla Amaral. Alguns livros são importantes para aprofundarmos o processo de inclusão, ainda em curso. E o livro em questão atendeu os requisitos necessários para esse fim.

Inicialmente, é fundamental frisar a formatação da obra. A autora aborda casuísticas de crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais. Priscilla utilizou da forma empírica para fundamentar suas ideias e o resultado obtido é bastante interessante.

Ao ler os diversos estudos de casos é possível elaborar algumas conclusões:

- Quando o profissional da sala de recursos multifuncionais trabalha articulado com o docente da sala comum, os resultados são amplamente favoráveis aos alunos. Em sendo assim, é fundamental que os docentes articulem suas ações com os profissionais da SRM.

- O livro tem um lado que considero muito positivo: ele desmistifica aquela questão que remete somente aos alunos com deficiência a dificuldade de aprendizagem. Alunos com depressão infantil, oriundos de famílias desestruturadas, subnutrição e outros fatores também devem ser elencados e analisados pela comunidade escolar, quando apresentarem dificuldades de aprendizagem.

- Outro dado relevante que destaco é o processo de anamnese utilizado pela autora para se estabelecer a cada aluno uma conduta específica.  Infelizmente muitos profissionais de educação acreditam que deveria haver um manual para lidar com as deficiências ou dificuldades de aprendizagem dos alunos, o que é um engano. As pessoas são diferentes, portanto, a estratégia e o planejamento adotados para alguns não necessariamente devem ser aplicados para os demais. E investigar a vida social do aluno, suas relações sociais e familiares, sua vida pregressa e outros elementos são fundamentais para o sucesso da proposta de ensino que deve ser adotada, e nesse sentido o trabalho da Priscilla Amaral é um exemplo que deve ser seguido.

- A escola é o ambiente propício para a promoção da paz, da reconciliação e da convivência entre as diferenças; por isso, não podemos deixar que seja alvo da intolerância, do preconceito e da violência. Para que essa finalidade seja totalmente alcançada é necessário que haja um trabalho conjunto entre toda a comunidade escolar, a articulação deve envolver o profissional da SRM, os professores, os pais, a direção e os demais alunos.

O livro apresenta diversas Síndromes e o seu conhecimento ajuda no processo de ensino-aprendizagem. E tem uma informação que apreciei muito: quando a autora refere-se que nem sempre a aprendizagem do aluno deve ser a prioridade da escola. Outros fatores são importantes, como preparar o aluno com deficiência ou com alguma dificuldade de aprendizagem para relações sociais, para suas atividades diárias e para seu próprio futuro. Esta colocação tão bem exposta pela autora vai de encontro ao pensamento de muitos outros educadores, no quais me incluo, que defendem que até há alguns anos a criança com limitação intelectual, moderada ou severa era considerada incapaz de aprender, necessitando apenas de cuidado e proteção. A partir do momento em que o sistema educacional proporciona a oportunidade de crianças e adolescentes em idade escolar frequentarem a escola regular, esta se defronta com a questão do currículo a ser proposto, sem dúvida um desafio aos educadores que atuam junto a esta população. Ao delinearmos um currículo para esta clientela, em que o foco é o desenvolvimento das habilidades mais relevantes da vida diária do aluno, de forma a possibilitar que ele participe tão independentemente quanto possível na sua comunidade. Para isso, devemos levar em conta alguns aspectos como: funcionalidade, adequação a idade cronológica, interações com os pares sem deficiência e desenvolver nos alunos a oportunidade de escolha.

Para os docentes que ainda são resistentes a presença de alunos com necessidades educacionais especiais na sala de ensino regular, indico uma frase da autora:

“Quando comecei a lecionar em Sala de recursos, observei uma enorme diferença já que não são mais salas “fechadas”, assim como as salas de ensino regular, e sim atendimentos que objetivam a melhoria do aluno na sala de ensino regular. Trocando em miúdos, a sala especial segregava e a Sala de recursos auxilia o aluno para que apresente melhor desempenho no ensino regular”.

Gostei muito desta colocação porque a educação é a porta de entrada para a participação plena na sociedade. É particularmente importante para crianças com deficiência, que frequentemente são excluídas. Muitos dos benefícios da escola consolidam-se ao longo do tempo – por exemplo, garantir o sustento na vida adulta –, mas alguns são visíveis quase imediatamente. A participação na vida escolar é importante para crianças com deficiência, uma vez que corrige equívocos que impedem a inclusão. E quando essas crianças são capazes de frequentar a escola, pais, mães e cuidadores conseguem encontrar tempo para outras atividades, como trabalhar e descansar.

Em princípio, todas as crianças têm o mesmo direito à educação. Mas, na prática, esse direito é desproporcionalmente negado a crianças com deficiência. Consequentemente, fica prejudicada sua capacidade de usufruir de todos os direitos de cidadania e de assumir papéis valorizados pela sociedade – principalmente por meio de emprego remunerado.          Enfim, indico o livro para todos, em especial para os docentes, pais de crianças com deficiência e para todos os profissionais que atuam na área. A leitura é dinâmica, leve e muito reflexiva.

Parabéns Priscilla Amaral e muito sucesso para você e seus alunos.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O direito de moradia e inclusão na comunidade

02/06/2013 - Global REPORT
O direito que uma pessoa jovem com deficiência intelectual tem de morar por sua própria conta na comunidade, sendo incluído normalmente na sociedade em que vive, é um assunto de grande importância mas segundo informações de lideranças mundiais, muito bem informadas, o Relatório Global sobre o artigo 19 da Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiência mostra que muitos governos não aquilatam a importância dessa atitude.
 
No Brasil há mais de 50 anos vimos lutando, primeiro pela inserção nas políticas públicas de pessoas com deficiência intelectual, e outras deficiências certamente, uma vez que o segmento de cerca de 24 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência permaneceu durante muitos anos esquecido do Poder Público, continuando a ser um segmento excluído e isolado de preocupações governamentais.
Isso é injustificável, daí o esforço de grandes entidades como Inclusion International e outras organizações que trabalham em prol de pessoas com deficiências para que essa situação mude favoravelmente.
 
Vamos pensar em conjunto sobre o que nos dizem os 92 países que ajudaram Inclusion International na elaboração desse Relatório Global:
 
A Convenção de Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas foi implantada em 2006 e foi ratificada por mais de 120 países. Contudo, poucos governos compreendem, inteiramente, as implicações de implementar essa Convenção e especificamente o Artigo 19.
 
A fim de fazer face à histórica e sistemática exclusão de pessoas com deficiência, nossas comunidades, governos e sociedades vão precisar abraçar um paradigma novo (refletido na CDPD). É preciso mudar de encarar a deficiência como um programa ou área na qual pessoas com deficiência são as receptoras ou objetos de políticas - para um processo transformador que ajuda a construir comunidades mais fortes nas quais todo mundo participa e contribui. Isso significa não pensar apenas na pessoa com deficiência mas também em suas famílias e círculos de apoio bem como as comunidades em que moram. É preciso compreender como fortalecer o tecido social de nossas sociedades.
 
Têm sido realizadas pesquisas e trabalhos a respeito da desinstitucionalização (ou seja, fechar instituições de longa permanência) e ainda na compreensão de serviços e apoios de que as pessoas necessitam para morar com sucesso na comunidade. O que está faltando é a voz das pessoas com deficiência intelectual e suas famílias, que têm vivido a experiência de exclusão e isolamento, que compreendem as causas e o impacto que essa exclusão causa e que têm uma visão do que significa de fato morar e ser incluído na comunidade. Queríamos saber:
  • Qual é a situação de pessoas com deficiência intelectual e suas famílias com relação a sua inclusão na comunidade;
  • O que aprendemos acerca da razão pela qual as pessoas são excluídas e ficam isoladas;
  • Que progresso já foi feito;
  • Quais são os desafios novos e emergentes que ameaçam a inclusão;
  • O que nós e nossos parceiros deveríamos fazer para alcançar as mudanças necessárias para tornar o Artigo 19 uma realidade em todo o mundo.

Trecho extraído da página 9 do GLOBAL REPORT ON ARTICLE 19
The right to live and by included in the community.
Traduzido do inglês e digitado em São Paulo em 21 de abril de 2013 por Maria Amélia Vampré Xavier.
 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Cordel da Vida Independente


Hélio de Araújo
anos setenta
Com Ed Roberts na frente
Começou o movimento
De vida independente
Questionando comportamentos
Visando um mundo includente.

Ed Roberts era cadeirante
E lutava por direito
Por ser um perseverante
A luta fez logo efeito
Pessoas com deficiência
Conquistaram mais respeito.

Ele queria para todos
Acesso ao conhecimento
E para pessoa com deficiência
Autonomia e empoderamento
Para ela mesma decidir,
Demonstrar seu pensamento.

Após décadas de estudos,
Pesquisas e mobilização,
Luta, debate e suor,
Veio a fundamentação,
Para assim sustentar
A proposta de inclusão.

Assim não podemos voltar
Para era da segregação
Agora é dois mil e treze
É tempo da união,
Abaixo a intolerância
E a institucionalização.

A escola deve receber
Com muita satisfação
O aluno com deficiência
Sem nenhuma separação,
Pois é doloroso para os pais
Constatarem uma rejeição.

A educação inclusiva
Prevista na Convenção
Deve ser oferecida
Em qualquer situação,
Pois é o que impede
O mal da desunião.

Devemos ser responsáveis
Por nossa sociedade
Que deve ser inclusiva,
Respeitando a diversidade,
Justa e possibilitando:
Acolhimento e equidade.

Quem abordar esse tema
Nos meios de comunicação
Deve se preparar
E ter muita precaução,
Pois a informação errada
Reforça a discriminação.

Todo aluno tem direito
A um bom atendimento:
Com limitação sensorial,
Transtorno do desenvolvimento,
Deficiência intelectual ou física
Ou com outro impedimento.

Não é só direito à escola,
É por acessibilidade,
Trabalho, lazer e saúde,
Turismo de qualidade
E de exercer livremente
A sua maternidade.

Ser diferente não atrapalha,
Nem a escola nem a nação.
A diversidade somente ajuda
Provoca constante reflexão
Se fossemos todos iguais
A vida seria sem emoção.

Hélio de Araújo
é professor, cadeirante, ativista na defesa dos direitos das pessoas com deficiência – Petrolina-PE.