Ally e Ryan

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Educadora defende convívio de alunos com deficiência em turma comum



O argumento do direito de escolha da família é defendido pela Federação Nacional das Apaes. Presidente da federação, Aracy Maria da Silva Lêdo diz que, “se a criança tem uma deficiência múltipla, especial, precisa de atendimento especial”:

— Inclusão já fizemos há tempos, ao tratar essas crianças com fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas, em turmas menores — afirma Aracy, criticando a estrutura das escolas comuns: — Os auxiliares que colocam para atender alunos com deficiência não têm formação adequada.

No entanto, maior que o direito de escolha da família seria o direito da criança à educação, explica Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença da Unicamp. Ela ressalta que uma convenção internacional de 2006 determinou a obrigação de educação inclusiva e que, no Brasil, esse texto se tornou um decreto-lei em 2009, o que, destaca ela, significa que foi incorporado à Constituição:

— O direito aqui é do aluno, e é indisponível. Pai nenhum pode segregar o filho. E escola especial não caracteriza o que é uma escola, o lugar de formação de uma geração e de desenvolvimento de cidadania. Esse direito não pode retroceder. Hoje, 76% das crianças com deficiência já estão em escolas comuns no país.

Outro argumento usado por defensores da educação especial é que o tempo de aprendizado de alunos com deficiência seria diferente, diz a coordenadora de Educação da Federação Nacional das Apaes, Fabiana Oliveira:

— Além disso, promovemos convívio com crianças sem deficiência, em ações como festivais.
A educadora da Unicamp Maria Teresa Mantoan rebate:

— O tempo de aprendizado é diferente mesmo entre os alunos sem deficiência.
Além disso, se as escolas regulares nunca tiverem de lidar com situações reais envolvendo alunos com deficiência, nunca vão realmente se preparar para eles, sublinha a educadora:

— Esse debate é uma questão política. Está havendo pressão de instituições como as Apaes, que não querem perder verba.

Perguntada sobre o suposto lobby, Aracy defende-se:

— Fazemos a parte que o governo deixa de fazer. Atendemos a 250 mil crianças e adolescentes — diz Aracy, afirmando, porém, que não procede o rumor que chegou a correr de que as Apaes sofreriam o risco de fechar.

Mãe de Rafael, de 8 anos, portador de síndrome de Down, Carla Codeço, arquiteta e uma das autoras de um blog sobre inclusão, o Paratodos, preferiu a escola regular para o filho, aluno da Escola Parque, no Rio:

— Na creche, ele entrou ainda sem andar, mas, só de ver as outras crianças do mesmo tamanho andando, em um mês já começou a andar também. Numa turma comum, a criança está de igual para igual com os outros. E, para as crianças sem deficiência, também é importante esse convívio com a diferença. Quando forem arquitetos, vão pensar em rampas; quando forem médicos, vão saber lidar melhor com as famílias que têm esse tipo de caso. (Alessandra Duarte)

Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/educadora-defende-convivio-de-alunos-com-deficiencia-em-turma-comum-11005109#ixzz4YHaVZLT4

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