Ally e Ryan

Ally e Ryan

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pessoa com deficiência visual - MEMÓRIA MUSCULAR

Segundo CRATTY (1983), a memória muscular, uma das funções do sentido cinestésico, é a repetição de movimentos em uma sequência fixa, que se convertem em movimentos automáticos.

Para os cegos esse fenômeno é valioso para trajetos curtos em ambientes internos. Por meio dele a pessoa pode realizar um caminho e retornar ao ponto de partida sem a necessidade de contar os passos.

Nas subidas e descidas das escadas, graças à memória muscular, as pessoas cegas são capazes de descer e subir, com bastante eficiência, todos os degraus das escadas sem contá-los.

Essa habilidade não é percebida pelas pessoas que enxergam uma vez que utilizam a visão como principal referência para realizar esse controle. Embora inata, esta habilidade deve ser estimulada no aluno cego possibilitando a vivência dos movimentos que contribuirão para a sua autonomia.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estamos de luto - morreu Dorina Nowill

Folha de São Paulo

PERSONALIDADE

Parada cardíaca mata Dorina Nowill
Primeira mulher cega a frequentar um curso normal no Brasil, ela dirigia fundação para cegos desde 1951

Velório ocorrerá na sede da fundação, na Vila Clementino; enterro será hoje no cemitério da Consolação

JAMES CIMINO
DE SÃO PAULO

Morreu ontem, aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca, a pedagoga Dorina de Gouvêa Nowill. Ela estava internada havia 15 dias por causa de uma infecção.

Cega desde os 17 anos em decorrência de uma infecção ocular, Dorina criou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, para produzir e distribuir livros em braille para que deficientes visuais como ela pudessem estudar.

Em 1991, a fundação ganhou o seu nome. Casada havia 60 anos com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill -que conheceu nos EUA-, ela deixa cinco filhos, 12 netos e três bisnetos.

Segundo sua neta Martha Nowill, 29, o enterro será hoje no cemitério da Consolação (região central de São Paulo). O velório acontecerá a partir das 8h e se estenderá até as 16h na sede da fundação, na Vila Clementino.

Martha disse que ela estava consciente anteontem, quando a viu pela última vez -tinha, porém, dificuldade para falar. "Ela disse que estava em paz", afirmou.

HISTÓRIA

Nascida em São Paulo em 1919, Dorina contou à Folha no ano passado, ao completar 90 anos, que a última imagem que viu na vida foi em 1936: uma fotografia de um navio do álbum de viagem de uma amiga da mãe, que retornava da Europa.

Apesar das dificuldades para continuar estudando naquela época, em que a leitura braille não era difundida no Brasil, Dorina foi a primeira aluna cega a frequentar um curso regular, na Escola Normal Caetano de Campos.

De 1961 a 1973, dirigiu a Campanha Nacional de Educação de Cegos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Em sua gestão foram criados os serviços de educação de cegos em todas as unidades da federação.

Especializada em educação de cegos pelo Teacher"s College da Universidade de Columbia, em Nova York, Dorina conseguiu que em 1948 sua fundação recebesse da Kellog's Foundation e da American Foundation for Overseas Blind uma imprensa braille completa.

Desde então, o instituto se tornou uma referência mundial na inclusão social de crianças, jovens e adultos cegos ou com baixa visão.
A neta Martha fez várias entrevistas com a avó para o roteiro de um filme sobre sua vida. A jovem deverá interpretar o papel da avó.
"Embora feliz com a ideia, ela sempre se perguntava se alguém teria interesse em ver um filme sobre sua vida."


BIOGRAFIA
DORINA NOWILL

VIDA PESSOAL
Nascida em 28 de maio de 1919, em São Paulo, perdeu a visão aos 17 anos. Casou-se em 1950 com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill, com quem teve cinco filhos, 12 netos e três bisnetos. Morreu ontem aos 91 anos, de parada cardíaca.

MILITÂNCIA

1946
Ajuda a criar a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, que ganharia seu nome em 1991

1951 Passa a presidir a entidade

1961 a 1973
Dirige o primeiro órgão nacional de educação de cegos no Brasil, criado pelo MEC

1979
É eleita presidente do Conselho da União Mundial dos Cegos

1996
Publica sua autobiografia

Pessoa com deficiência visual - CINESTESIA- PROPRIOCEPTIVIDADE

Imagem do ilustrador formidável Jean Galvão, http://jeangalvao.blogspot.com

Cinestesia é a sensibilidade para perceber os movimentos musculares ou das articulações.

Segundo COLL (1990), esta percepção nos torna consciente da posição e do movimento do corpo, quando se eleva o braço até a altura dos ombros, o sentido cinestésico nos informa a posição exata do braço e qualquer movimento executado.

Por esse sentido as pessoas deficientes visuais podem detectar as inclinações ou os desníveis das superfícies sobre as quais caminham, quando o ângulo do pé ou da parte interior da perna trocam sua posição normal, face a modificação do solo.

As pessoas deficientes visuais percebem os aclives e os declives com muito mais sensibilidade que as pessoas que enxergam, devido a sua importância para a orientação.

CRATTY, (1975), aponta que pessoas deficientes visuais, quando estimuladas desde crianças, podem detectar declives de um grau e aclives de dois graus e constatar mudanças verticais leves da superfície que passam despercebidas às pessoas que enxergam.

As inclinações leves nos corredores e no pátio da escola são pontos de referência para o aluno deficiente visual. Cabe aos professores desenvolverem estas habilidades nos alunos e ajudá-los a descobrirem a melhor forma de utilizá-las, devendo, portanto, andar com o aluno por todas as dependências da escola, nomeando e discriminando as diferentes características do ambiente, recomendando aos pais que também façam o mesmo no ambiente doméstico e no percurso casa/escola.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

SISTEMA HÁPTICO OU TATO ATIVO para Pessoas com Deficiência Visual

A percepção sensorial mais importante que a pessoa cega possui para conhecer o mundo é o háptico, também chamado de tato ativo.

No tato passivo, a informação tátil é recebida de forma não intencional, como a sensação que a roupa causa na pele produzindo calor, a mão que repousa sobre a mesa, o resvalo na parede e outros. No tato ativo, a informação é buscada de forma intencional pelo indivíduo que toca o objeto e procura identificá-lo.

As pessoas cegas obtêm muitas informações para sua orientação pelas mãos tocando os objetos e os transformando em pontos de referência. A bengala longa, nas técnicas de Hoover, se transforma em extensão do dedo indicador para sondar tatilmente a superfície. Os pés percebem pontos de referência quando pisam diferentes tipos de texturas, como a grama, pedregulhos, lajotas, areia, asfalto e outros.

Considera-se de grande importância a percepção tátil, porque possibilita o contato e o conhecimento dos objetos, sendo o canal imprescindível para a leitura. Entretanto, para a orientação e mobilidade, a audição é um dos sentidos mais importantes, porque possibilita estabelecer as relações espaciais.

Os receptores térmicos na pele fornecem indicações de orientação, pela indicação dos pontos cardeais. Pela manhã, o sol (calor) incidindo na face ou parte anterior do corpo, indica à pessoa cega que está se dirigindo para o leste; na parte de trás da cabeça e nas costas, para o oeste. Desta forma, o uso do sol como referência possibilita rápida verificação de uma possível troca de direção e a correção imediata da mesma.

SUTERKO, (1973), chama a atenção dos professores para que os alunos cegos utilizem essas indicações e se mantenham orientados na escola, durante o recreio para preservarem sua independência na mobilidade.

A percepção do calor e frio fornecida por lugares ensolarados ou não poderá ajudar a criança cega a identificar sombras de árvores e do prédio escolar, perceber sua aproximação do objetivo que deseja atingir, fornecendo pistas seguras e confiáveis.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Brasil tem 135 milhões de eleitores, cerca de 70% do total de habitantes...

Acessem: www.vezdavoz.com.br

Pessoa com deficiência visual - Escutar seletivamente

Esta sub-habilidade do ouvido é a capacidade de selecionar um som entre um grupo de muitos outros simultâneos.

O escutar seletivamente possibilita à pessoa cega extrair uma pista de orientação auditiva entre muitos sons. Existem muitas oportunidades para sua aplicação, é a forma mais precisa para cruzar ruas, sempre que possível, onde entre muitos sons é selecionado o som do trânsito.

Outra aplicação importante é quando, mantendo uma conversação, ocasionalmente percebe os passos de outras pessoas andando ao longo da calçada. Quando termina a conversa, pode imediatamente tomar a pista original como referência e prosseguir com confiança o seu caminho.

O desenvolvimento dessa habilidade exige da criança atenção e discriminação para que possa selecionar precisamente a fonte sonora para melhor se orientar em ambientes conhecidos ou não, por isso deve sempre ser informada sobre os sons do ambiente.

O voto majoritário

www.vezdavoz.com.br

Localização do som - Pessoas com deficiência visual


Habilidade para determinar com precisão a localização da fonte sonora, comparando-se o momento de chegada e a intensidade do som em cada ouvido, sendo, portanto, a audição biauricular indispensável para o desenvolvimento preciso dessa habilidade.

Os sons são localizados pelo intervalo de tempo e intensidade. Se a fonte sonora estiver à direita, as ondas sonoras alcançarão o ouvido direito numa fração de segundo antes que o ouvido esquerdo. Os sons que vêm da frente ou de trás são mais difíceis de serem localizados e é comum a pessoa virar a cabeça para melhor determinar sua origem.

A localização do som depende da fonte sonora ter uma duração suficiente que permita ao indivíduo medi-la auditivamente, encontrar a direção de maior intensidade e determinar a pista para um caminhar mais seguro.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O voto proporcional

Parceria CBN - VEZ DA VOZ www.vezdavoz.com.br

Audição e as pessoas com deficiência visual

Descrição da imagem: pessoa grita no ouvido do cego, como se ele fosse surdo.

O ouvido é o principal órgão sensorial à longa distância, pode ser considerado como o sentido "rei" principalmente para as pessoas com cegueira, é o único meio pelo qual a pessoa cega pode perceber a distância e a profundidade em qualquer ambiente. O sentido da audição pode ajudar muito no trânsito. Uma freada brusca, o som dos veículos e outras situações podem indicar uma situação de risco. Por isso é importante o (a) professor (a) mediar com o aluno essas definições. Recomenda-se estimular as crianças cegas a permanecerem alertas aos sons, interpretá-los e convertê-los em pistas para orientação no espaço.

Ao contrário do que parece, não existe uma compensação automática da agudeza auditiva causada pela perda da visão. Ela aparece como resultado do esforço persistente das pessoas cegas para usufruírem ao máximo desse sentido.

Pelos sons a criança deficiente visual conhece as qualidades acústicas de sua casa, reconhecendo cada ambiente pelas características de seus respectivos sons. Desde muito pequena deve ser estimulada a tomar consciência de qualquer som que possibilite sua orientação. O som de abrir ou fechar uma porta pode revelar a posição da criança, os sons vindos das janelas favorecem a relação do ambiente interno com o externo da casa e suas relações de espaço e distância.

O professor deve falar sobre os diferentes sons e ajudar a criança a descobrir outros que possam ser utilizados como indicadores de orientação Por exemplo, na escola a direção de um corredor pode ser facilmente determinada pelo passo de outras pessoas.

Os corredores que se cruzam podem ser detectados pelos passos e ecolocalização (habilidade de transmitir um som e perceber as qualidades do eco refletido, foi identificado nos morcegos e posteriormente nos golfinhos, utilizam extremamente bem esta habilidade ao navegar pelos oceanos). Num ambiente há várias indicações ou pistas auditivas: uma torneira aberta, troca de som dos passos devido a mudança de piso da superfície, sons característicos da cozinha, refeitório, secretaria, barulho de um ventilador e outros. Qualquer som tem o potencial de se converter em um auxiliar para a orientação. Especialistas insistem para que os professores estimulem os alunos deficientes visuais a converterem o seu "ouvir" em um "escutar" ativo para a orientação e mobilidade.

Pais e professores devem estar atentos para as inúmeras sub-habilidades do ouvido que ajudam as crianças com deficiência visual a interpretarem o ambiente e a se orientarem de forma mais segura no mesmo, devendo ajudá-las para que possam usufruir ao máximo desta importante via sensorial.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os votos branco e nulo e suas consequências



A Cláudia e sua equipe da Vez da Voz sempre nos surpreende e agora essa parceria com a CBN possibilita imformações para pessoas com deficiência auditiva.

Educação para o trânsito – ações direcionadas para a cidadania


A cada ano estima-se que mais de 800 mil pessoas perdem a vida em acidentes de trânsito no mundo. No Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA e da Associação Nacional de Transportes Públicos – ANTP, são 30 mil mortes por ano no trânsito e aproximadamente 300 mil pessoas feridas. O setor econômico é diretamente afetado, uma vez que o custo dos acidentes é demasiadamente alto, se considerarmos a frágil economia dos países em desenvolvimento e a grande incidência de acidentes. A maioria destes acidentes envolve os usuários mais vulneráveis: pedestres, ciclistas e motociclistas. Mais de 50% das mortes no trânsito são causadas por atropelamentos que no Brasil, ocorrem a cada 7 minutos (DENATRAN).

A sociedade está se tornando cada dia mais urbana. A proporção entre a população que vive em áreas urbanas e a população total brasileira, ou seja, a taxa de urbanização no país, é de 83,5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) da PNAD, 2008. E, neste contexto, o automóvel apresenta-se como modo de transporte dominante na organização do espaço urbano, e em consequência, na prioridade dos órgãos gestores em relação à mobilidade urbana no Brasil, que obedece à lógica de gestão, centrada quase que exclusivamente nesse único modo de transporte, trazendo efeitos danosos para os cidadãos no que tange à qualidade de vida.

Assim podemos inferir que a Educação para o Trânsito, como um processo pedagógico tem por finalidade formar ou transformar comportamento através da expressão das potencialidades individuais, possibilitando o desenvolvimento da capacidade crítica e do senso de responsabilidade para a vida coletiva em trânsito. Entretanto, a educação de trânsito, em muitos momentos, reproduz o modelo da opção pelo automóvel em prejuízo dos meios não motorizados constituídos pelos deslocamentos a pé e de bicicleta, fato que precisa ser mudado e que já está sendo modificado em várias cidades brasileiras. A Cia. Engenharia de Tráfego de São Paulo, através do Centro de Educação de Trânsito vem adotando em suas atividades educacionais prioridade aos atores menos favorecidos no trânsito, procurando em suas ações permanentes e pontuais minimizar os conflitos urbanos.

É mister ressaltar que ao lado da educação de trânsito, a engenharia de tráfego, o planejamento urbano e a fiscalização de trânsito também são essenciais para a implementação de uma “nova mobilidade” urbana, voltada para a cidadania. Entretanto, a educação para o trânsito possui um caráter especial neste contexto, porque é através da conscientização do indivíduo, ou seja, através de estratégias educacionais voltadas para a cidadania, que será possível a formação de cidadãos críticos, que possam compreender os efeitos danosos que o automóvel traz para a cidade e reivindicar um transporte público de qualidade, calçadas seguras e ciclovias. Sendo capaz de participar da luta em prol de um trânsito mais humano e mais seguro. A educação para o trânsito torna-se, assim, uma ferramenta de importância fundamental para possibilitar uma nova mobilidade urbana, pautada no respeito ao próximo, ao público e ao meio ambiente. Preparar a criança para que ela cuide de sua cidade, que tenha respeito ao próximo, que adquira atitudes básicas de cidadania é fundamental para prepararmos uma relação urbana melhor do que vivemos atualmente.

domingo, 22 de agosto de 2010

Aniversário do blog

Bolo feito por minha esposa Solange
Minhas amigas leitoras e meus amigos leitores, hoje meu blog completa o primeiro ano de vida. No começo contei um pouco da minha vida na CETSP, depois passei a abordar a questão da inclusão da pessoa com deficiência na escola, no trabalho e na vida. O blog com isso ganhou seguidores e acessos de uma forma mais constante.
Dessa forma, quero agradecer todos que o acompanham, assim poderemos avançar mais ainda na temática inclusão e construir uma sociedade mais justa e fraterna.
Abraços e um beijo

sábado, 21 de agosto de 2010

Professora Luciane Maria Molina Barbosa

Descrição da imagem: nome da professora Luciane em Braille
Quero agradecer a professora Luciane por permitr a publicação de alguns de seus textos.
A professora Luciane foi a responsável por me possibilitar o entendimento do Braille, uma nova descoberta para mim e uma nova aquisição de conhecimento. Obrigado e um beijo professora.

Professora Luciane Maria Molina Barbosa - texto final

DESCRIÇÃO DE IMAGEM: Foto do professora Luciane Maria Molina Barbosa, autora deste texto

A "Cela" Braille

Descrição da imagem: exemplo de cela Braille


Cela ou Célula Braille - Espaço retangular onde se produz um símbolo braille. De uma "cela" damos origem a todos os símbolos possíveis para representar letras do alfabeto, códigos matemáticos, numerais, sinais de pontuação, simbologia química, musical e informática, totalizando 64 combinações.

Os pontos são dispostos em duas colunas verticais, com três pontos cada. De cima para baixo podemos fazer a contagem dos pontos nº. 1, nº. 2, nº. 3, nº. 4, nº. 5 e nº. 6.

Descrição de imagem: uma "cela" Braille preenchida com os 6 círculos numerados conforme organização dos pontos.

Postado por Luciane Maria Molina Barbosa http://www.braillu.com

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Professora Luciane Maria Molina Barbosa - quarto texto


Palestra na UNISAL: formação oficina pedagógica

Demonstrar a importância de cada ação na busca por uma educação inclusiva, requer, não apenas a informação técnica e/ou teórica sobre essa atuação. É preciso, acima de tudo, vivenciar experiências e práticas que permitam reconhecer naquele aluno, um potencial infinito de possibilidades a ser explorada, desenvolvida e estimulada. Com a finalidade de esclarecer informações a respeito da alfabetização Braille, realizei nesta quinta-feira, dia 08/04, uma palestra para alunas de pedagogia (estagiárias do 2º e 3º ano) que freqüentam a oficina pedagógica da UNISAL, em Lorena. Nessa ocasião conversamos a respeito da prática em sala de aula e técnicas de alfabetização para deficientes visuais. Durante essa "roda de conversa" pude demonstrar, na prática, algumas situações de escrita e leitura, técnicas e materiais utilizados neste processo. Compartilhei experiências e falei sobre a importância da capacitação dos professores para atuarem em classes regulares com alunos que tenham deficiência visual. Alguns temas abordados:

* O QUE É BRAILLE? Braille é o nome dado a um sistema de escrita e leitura através de pontos em relevo que podem ser identificados pelo tato.

* Deficientes visuais precisam receber um treinamento específico para a estimulação tátil, fase que antecede a alfabetização formal. Esse treino faz com que o cego utilize as mãos para explorar e analisar as partes e formular um conceito do "todo", contrário do que ocorre com o sentido globalizante da visão.

* QUEM INVENTOU O SISTEMA BRAILLE? O sistema Braille tem o nome do seu inventor. Ele se chamava Louis Braille e nasceu na França, no ano de 1809. Com três anos de idade ele brincava na oficina do seu pai quando feriu o olho. Pouco mais tarde, quando tinha cinco anos, perdeu totalmente a visão devido à complicações do ferimento e à falta de recursos médicos na época. Continuou a estudar até os dez anos na sua cidade e depois mudou-se para o Instituto Real de Jovens Cegos em Paris, onde também foi professor. Trabalhou muito para criar uma escrita que pudesse ser lida pelos deficientes visuais e com apenas quinze anos de idade a sua invenção já estava pronta. Para fazer os pontos em relevo do sistema Braille ele usou uma régua e o mesmo instrumento que lhe feriu o olho. Louis Braille morreu de tuberculose em 1852 e naquela época ninguém acreditava que seu sistema pudesse dar certo. O sistema de Louis Braille foi lentamente se espalhando pelo mundo, sendo até hoje utilizado por deficientes visuais para todo tipo de escrita e de leitura.

* QUEM UTILIZA O SISTEMA BRAILLE? O sistema Braille é utilizado por deficientes visuais que podem ser: cegos ou de baixa visão.

* QUEM ENXERGA TAMBÉM CONSEGUE APRENDER O BRAILLE? Os videntes, pessoas que enxergam, aprendem o Braille em cursos específicos voltados para a capacitação em Grafia Braille. Porém a leitura do Braille é feita a partir da significação visual, ou seja, com os olhos.
Nestes cursos esses profissionais também aprendem a desenvolver técnicas para o ensino de deficientes visuais.

* COMO O BRAILLE É FORMADO? O Braille é formado por seis (6) pontos em relevo. Este conjunto de pontos é chamado de “cela” Braille, pois a partir destes seis pontos podemos escrever as letras do alfabeto (maiúsculas e minúsculas), letras acentuadas, números, sinais de pontuação, símbolos de matemática e outros. A combinação entre esses pontos resulta em 64 sinais que podem aparecer isolados ou combinados. Demonstração realizada com alfabraille, uma "cela" Braille em escala ampliada, com círculos para encaixe.

* COMO O BRAILLE É PRODUZIDO? Utilizando os instrumentos REGLETE E PUNÇÃO, comparados ao caderno e caneta dos deficientes visuais. Neste caso a escrita é manual, furando um ponto de cada vez. O papel utilizado possui uma gramatura especial, sendo mais grosso para a marcação dos pontos em relevo sem perfurá-lo. A escrita, neste caso, acontece da direita para a esquerda.

* COMO O BRAILLE É LIDO? A leitura do Braille é feita pelo tato da ponta dos dedos. Ao passar lentamente os dedos sobre o relevo podemos identificar um desenho e de acordo com a posição de cada ponto conseguimos saber o que está escrito.

* LIVROS EM BRAILLE: São produzidos em larga escala em imprensas ou por meio da utilização de impressoras Braille. Geralmente para cada 8 linhas em tinta resulta em 1 página transcrita em Braille. Existem livros adaptados especificamente para deficientes visuais e livros com versão Braille e tinta num mesmo exemplar, estes últimos também apresentam versão ampliada para baixa visão. É bastante comum encontrar produções com escrita Braille nas duas faces do papel, denominado "Braille Interponto".

* ALFABETIZAÇÃO: destina-se aquelas pessoas que nasceram cegas e que precisam de todo acompanhamento próprio da alfabetização, um trabalho de estimulação tátil, incluindo reconhecimento das letras em relevo.

* REABILITAÇÃO:destina-se a pessoas que perderam a visão depois de uma determinada fase da vida e muitas vezes foram alfabetizadas em tinta. Requer um trabalho individualizado e personalizado, seguindo etapas de estimulação e treino da percepção tátil.

Além destes temas, os mais centrais, outros foram abordados por meio de perguntas e respostas durante a exposição. Agradeço pela participação dos estudantes e pelo convite para essa palestra/aula. Mais algumas sementinhas plantadas... aguardo comentários e sugestões!

DESCRIÇÃO DE IMAGEM: Foto da professora Luciane Maria Molina Barbosa, mostrando uma apostila em Braille, autora deste texto

Postado por Luciane Maria Molina Barbosa http://www.braillu.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Professora Luciane Maria Molina Barbosa -terceiro texto

Informações Básicas

Considere-se que o sistema visual detecta e integra de forma instantânea e imediata mais de 80% dos estímulos no ambiente. As pessoas com deficiência visual necessitam de um ambiente estimulador, de mediadores e condições favoráveis à exploração de seu referencial perceptivo particular. No mais, não são diferentes de seus colegas que enxergam.

Os sentidos têm as mesmas características e potencialidades para todas as pessoas. As informações tátil, auditiva, sinestésica e olfativa são mais desenvolvidas pelas pessoas cegas porque elas recorrem a esses sentidos com mais frequência para decodificar e guardar na memória as informações. Sem a visão, os outros sentidos passam a receber a informação de forma intermitente, fugidia e fragmentária.

O desenvolvimento aguçado da audição, do tato, do olfato e do paladar é resultante da ativação contínua desses sentidos por força da necessidade. Portanto, não é um fenômeno extraordinário ou um efeito compensatório. Os sentidos remanescentes funcionam de forma complementar e não isolada.

Cada pessoa desenvolve processos particulares de codificação que formam imagens mentais. A habilidade para compreender, interpretar e assimilar a informação será ampliada de acordo com a pluralidade das experiências, a variedade e qualidade do material, a clareza, a simplicidade e a forma como o comportamento exploratório é estimulado e desenvolvido.

Lembramos que a configuração do espaço físico não é percebida de forma imediata por pessoas cegas, tal como ocorre com os que enxergam. Por isso, é necessário possibilitar o conhecimento e o reconhecimento do espaço físico e da disposição do mobiliário. A coleta de informações se dará de forma processual e analítica, através da exploração do espaço concreto e do trajeto que irá fazer.

DESCRIÇÃO DE IMAGEM: Foto da professora Luciane Maria Molina Barbosa, autora deste texto

Postado por Luciane Maria Molina Barbosa http://www.braillu.com/

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Professora Luciane Maria Molina Barbosa - segundo texto


Orientação e Mobilidade para Deficientes Visuais

Orientação e Mobilidade é a área da educação especial voltada a educação e a reabilitação de pessoas com deficiência visual, sejam por problemas congênitos ou adquiridos. Utiliza-se para isto os sentidos remanescentes, tais como: tato, olfato, audição, visão residual, pontos de referência, pistas no decorrer do trajeto, bengala longa, cão guia, mapa braille, etc.
A visão atua como um importante estímulo a movimentação, facilitando a percepção do ambiente ao formar conceitos de posição, forma, cor, altura e peso dos objetos, bem como tomar consciência de si.

A ausência de visão aliada ao não conhecimento da organização dos objetos e pessoas no ambiente dificulta o deslocamento e a locomoção destas pessoas.

A educação dos deficientes visuais deve valer-se de técnicas e recursos de Orientação e Mobilidade, objetivando a exploração do mundo e facilitando sua mobilidade(que envolve aspectos intelectuais e perceptivos) e locomoção(envolvendo os fatores físicos).

Essa orientação refere-se à habilidade do indivíduo para reconhecer o ambiente e o relacionamento espacial que o leva de um lugar para o outro, numa interação indivíduo-ambiente, no qual ambos são influenciados.

A Orientação e Mobilidade tem o objetivo de proporcionar ao deficiente visual autonomia na locomoção, auto-confiança, aumento da auto-estima e independência, elementos estes, facilitadores na sua integração social.

As estratégias e recursos mais utilizados na Orientação e Mobilidade são o guia vidente, a auto-proteção, a bengala e o cão-guia.

DESCRIÇÃO DE IMAGEM: Foto da professora Luciane Maria Molina Barbosa, autora deste texto

Postado por Luciane Maria Molina Barbosa http://www.braillu.com/

terça-feira, 17 de agosto de 2010

DicasdeConvivência.mov

Professora Luciane Maria Molina Barbosa


Esta semana será dedicada para minha professora de Braille, Luciane Maria Molina Barbosa , portanto, todos os textos foram retirados do site dela http://www.braillu.com/ , esta professora é a responsável pela minha descoberta de ler o Braille. Ela me proporcionou momentos de muita emoção. Obrigado professora.

Dicas de Relacionamento com Deficientes Visuais

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente". Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não deficientes.

Define-se, abaixo, em linhas gerais, um modo de tratamento "adequado" às interações entre deficientes visuais e sociedade. Mas não tenha receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade e tudo vai dar certo.

* Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque não podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você gosta de ver, de ler, de ouvir e falar e, principalmente, no que está ocorrendo ao seu redor: descreva as cenas relevantes.

* Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais ou menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.

* Não se dirija ao deficiente visual como "cego" ou "ceguinho e não fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de não ver não significa que não ouça bem.

* O deficiente visual quer ser tratado com igualdade; não existe sexto-sentido ou compensação da natureza. o que existe é o desenvolvimento de recursos latentes e uso dos outros sentidos.

* Se encontrar algum deficiente visual que precise de ajuda, identifique-se, faça-o perceber que você está falando com ele e ofereça auxílio.

* Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando. Recomenda-se que o guia fique meio passo a frente, evitando os obstáculos. À medida que se encontrarem degraus, meios-fios, postes, floreiras, lixeiras e outros obstáculos, deve-se informar antecipadamente ao deficiente visual. Em passagem estreita, colocar o braço para trás, de modo que ele perceba seu movimento e possa segui-lo.

* Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da mesma, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha.

* Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível, de preferência, indique as distâncias e posições: a sua esquerda, daqui mais ou menos 3 passos, uns 5 metros a sua frente...

* Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas cegas as usam com naturalidade.

* Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas cegas, isso auxilia a sua identificação.

* Quando for embora, avise sempre o deficiente visual, evitando que continue conversando sem a presença do interlocutor.

* Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontrá-la ou ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso amável.
* Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro, admitindo assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de expressar-se.
* Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando abertas. A portas e janelas meio abertas constituem obstáculos muito perigosos para ela.
* Os estudantes com deficiência visual não têm a mesma possibilidade que os seus colegas em tirar apontamentos das aulas. Recorrem a utilização de outros recursos e ferramentas que ofereçam-lhe a oportunidade de participação, como gravação das aulas, materiais ampliados, código Braille, lupas, entre outros.
* Caso o material não esteja disponível no formato adequado, o docente deverá fornecer elementos referentes ao conteúdo que irá ser trabalhado.
* Nas aulas deverão ser evitados termos como "isto" ou "aquilo", uma vez que não têm significado para um estudante que não vê.
* Quando utilizar o quadro ou qualquer recurso visual, o docente deverá ler o que está escrito para que, o estudante, tenha noção do que está sendo apresentado.
* Quando recorrer a quadros, figuras ou slides deverá descrever o seu conteúdo. Alguns estudantes que não nasceram cegos, que ainda conservam algum resíduo visual, têm uma memória residual de objetos, figuras, etc.
* Atividades realizadas oralmente nem sempre atingem o resultado proposto. Lembre-se que o deficiente visual utiliza o Sistema Braille para o acesso ao conhecimento (leitura e escrita) e, por isso, não deve ser considerado analfabeto.
* Utilize sempre materiais diversos, como sucata, plástico, papel, isopor,, pinos, texturas, etc, para apresentar os conceitos. Na ausência da visão, todas as informações precisam do tato para serem interpretadas.
* Elabore sua aula de forma que todos possam participar das atividades, inclusive o aluno com deficiência visual: isso é "INCLUSÃO".

DESCRIÇÃO DE IMAGEM: Foto da Professora Luciane Molina, autora deste texto.


Postado por Luciane Maria Molina Barbosa http://www.braillu.com/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Folha de São Paulo

Pais barram filho deficiente na escola
Principal razão para não incluir criança na rede comum é crença de que ela não conseguirá aprender, diz pesquisa

Levantamento do governo federal foi feito com famílias pobres que recebem ajuda para gastos com deficiente

Silvia Zamboni/Folha press
O garoto Kaio, que tem problemas de locomoção e de fala; após ser aceito em uma escola pública em SP, menino ficou "todo animado", conta seu pai

ANTÔNIO GOIS
DO RIO
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

As barreiras que dificultam a inclusão de crianças com deficiência em escolas comuns não são apenas físicas. Muitas vezes, elas começam na própria casa.

Foi o que detectou pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social com 190 mil famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada, por terem em casa criança ou jovem com deficiência, física ou intelectual.

O estudo mostrou que a maioria (53%) das famílias cujas crianças não estavam na escola apontou como razão o fato de considerar que os filhos não tinham condições de aprender.
O benefício, previsto na Constituição, é pago apenas a famílias com renda per capita inferior a R$ 127,50 (um quarto do salário mínimo).

A coordenadora-geral de acompanhamento dos beneficiários, Elyria Credidio, diz que é preciso considerar que essas famílias investigadas na pesquisa vivem em situação de pobreza, antes de acusá-las de preconceito.

"São pessoas que, muitas vezes, já tentaram acesso ao posto de saúde ou a uma escola, mas não foram bem atendidas e não estão conscientes a respeito dos seus direitos. Ainda estamos em processo de transição para uma educação inclusiva para todos", afirma Elyria.

Para Teresa Costa d'Amaral, superintendente do IBDD (Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência), o sentimento de descrédito em relação aos filhos deficientes é retrato do que a sociedade acredita.

"Também tem em casa um sentimento de proteção, que é um fator de exclusão. Mas é explicável. A inoperância do Estado brasileiro com as pessoas com deficiência é grande. O Estado se omite em todos os níveis. É explicável que o pai prefira que o filho fique em casa, protegido."

AVANÇOS
A procuradora da República em São Paulo Eugênia Fávero destaca avanços recentes na política de inclusão, como aumento do financiamento federal a escolas que atendem deficientes em classes comuns. Ela diz, porém, que ainda não há entendimento geral de que é direito dessas crianças estudar com as demais na mesma sala.

No entender dela, o direito da criança se sobrepõe inclusive ao dos pais de escolher se preferem atendimento exclusivamente em escolas especiais, posicionamento com o qual nem todas as associações que representam deficientes concordam.

Eugênia lembra que as dificuldades para matricular essas crianças em escolas regulares não se restringem a famílias de baixa renda.

Dados do Censo Escolar do MEC reforçam o argumento. Enquanto em escolas públicas o percentual desses alunos na mesma sala que os demais chega a 70%, na rede privada, o percentual de incluídos é de apenas 8%.

"Ainda é comum as escolas, principalmente as particulares, quererem escolher a clientela que atenderão, usando o argumento de que não estão preparadas para receber alunos com deficiência", diz a procuradora.

Teresa, do IBDD, concorda: "O Brasil não aprendeu a acreditar no potencial das crianças com deficiência. Imagine se a nossa sociedade daria crédito a ensinar alguma coisa ao Stephen Hawking [físico inglês com esclerose lateral amiotrófica]?".

Com paralisia, Kaio, 8, só foi aceito em colégio público na sexta tentativa
DE SÃO PAULO

Quando decidiu matricular Kaio, 8, em uma escola regular, o pai Raimundo Nonato Souza, 30, não imaginava que seria tão difícil. Natural do Maranhão, o menino sofreu paralisia cerebral ao nascer e tem problemas de locomoção e de fala.

Em cinco escolas públicas da zona sul de São Paulo visitadas pelo pai, a recepção foi desanimadora.

"Ninguém disse "não" diretamente, mas falavam que a escola não estava preparada para receber meu filho, que não tinha professor e que era melhor eu procurar um outro lugar que pudesse cuidar melhor dele", relata o pai, que é garçom.

Na sexta escola, a diretora não só aceitou a criança como transferiu a turma da primeira série para o térreo, só para facilitar o acesso de Kaio, que se locomove com a ajuda de aparelhos.

O mesmo aconteceu este ano, quando o garoto passou para a segunda série. Poucas escolas do país têm elevador ou receberam obras para acessibilidade.

"Ele adora a escola e os colegas. Não tem tempo ruim. De manhã, chamo uma vez e ele já está acordado, todo animado, não é Kaio?". Corintiano roxo, o garoto assente com a cabeça, sorrindo.

MARATONA
Kaio também frequenta a Apae no contraturno e faz fisioterapia e natação na Universidade FMU.

O pai só conseguiu transporte especial (pelo programa Atende, da Prefeitura de SP) dois dias na semana. O restante, ele mesmo leva e busca o menino no seu já rodado Corsa 99.

Para dar conta da maratona diurna, Souza trabalha à noite e dorme três horas, em média. "É uma vida dura, mas o importante é ver o Kaio superando as limitações."

De acordo com o pai, na escola, o filho consegue copiar o conteúdo das lições, mas ainda tem dificuldades de se expressar.

"Em casa a gente entende tudo o que ele diz. Tenho muito orgulho do meu garoto." (CC)

Entidades divergem sobre como fazer a inclusão em escola

DE SÃO PAULO
DO RIO

O tratamento dado pelo governo federal às Apaes ressurgiu como tema nos jornais depois que, em debate realizado neste mês na Band, o candidato José Serra (PSDB) acusou o Ministério da Educação da gestão Lula de perseguir essas entidades.

Por trás das críticas está uma divergência sobre a melhor forma de incluir essas crianças em classes comuns.

O Ministério da Educação, apoiado por entidades como a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, entende que é direito de todos os deficientes a matrícula em escola regular.

Para a Federação Nacional das Apaes, o governo pressiona pela inclusão, sem preparar a rede, e retira recursos de entidades que fazem atendimento em salas especiais.

O ministro Fernando Haddad (Educação) nega perseguição, afirmando que o governo inclui no Fundeb (fundo que distribui recursos federais) as Apaes como forma de estimular o atendimento no contraturno escolar, mas sem obrigar que essas entidades deixem de atender os alunos excepcionais.

O debate expõe realidades distintas no país. Em São Paulo, por exemplo, os 462 alunos da Apae assistem aulas na escola regular e, no contraturno, frequentam a associação. A instituição dá assessoria a 80 escolas públicas da zona sul da capital, capacitando docentes da rede.

"Todo processo de mudança tem as suas dificuldades, mas ele está de acordo com o que a gente acredita que deva ser a inclusão da pessoa com deficiência", afirma a superintendente da Apae-SP, Aracelia Costa.

Já no Espírito Santo, muitos pais não aceitam que seus filhos sejam matriculados em escolas regulares e passem a frequentar as Apaes apenas no contraturno.

Segundo Rodolpho Luiz Dalla Bernadina, presidente da Federação das Apaes do Espírito Santo, os pais têm medo de colocar uma criança com deficiência na escola. "As escolas não estão adaptadas, os professores não estão habilitados e o processo se torna traumático." (CC e AG)

domingo, 15 de agosto de 2010

Estou voltando...

Minha anjinha do coração, Deisy Paula
Minhas amigas e meus amigos, finalmente a partir de amanhã volto a postar diariamente após o acidente que aconteceu comigo no dia 31 de julho último. Em respeito às pessoas que me enviaram email, se preocuparam, explico o que houve:

Estava lendo um livro e tomando um sol na frente da minha casa, inadvertidamente fiquei no caminho por onde minhas cachorras correm; tenho uma labradora muito forte, ela passou por debaixo da cadeira de rodas, levantou e conforme ela fez esse movimento a cadeira tombou. Bati violentamente a cabeça.

Minha anjinha Deisy, amiga do amor e do coração estava aqui na praia para comemorar seu aniversário, minha esposa a chamou, ela e o marido vieram em meu socorro e me levaram para um hospital em Santos. Lá foi constatado sangramento cerebral e fui removido em ambulância UTI para São Paulo, onde fiquei na UTI por dois dias e os outros três no quarto.

É isso. Deus foi generoso comigo ao colocar a Deisy no meu caminho. E aqui Deisy te agradeço publicamente por tudo que fez e amo você no meu coração. Até me emociono quando as imagens passam por mim.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cadeira de rodas motorizadas ficará mais barata com peças nacionais

Redação do Site Inovação Tecnológica - 26/07/2010


O custo de produção das peças nacionalizadas para as cadeiras de rodas motorizadas chega a ser dez vezes menor do que as importadas. [Imagem: Marcos Santos/USP]

Engenheiros do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica (Poli) da USP estão desenvolvendo módulos de controle (placas eletrônicas) e instrumentos para cadeiras de rodas motorizadas com tecnologia nacional.

O custo de produção das peças nacionalizadas chega a ser dez vezes menor do que as importadas.

Cadeiras de rodas eletrônicas

Cadeiras de rodas mais avançadas chegam a custar US$ 15 mil, mais taxas de importação dos Estados Unidos e da Europa. Elas são capazes de controlar computadores e aparelhos de controle remoto, erguer a pessoa verticalmente e descer rampas com conforto. Os módulos de controle são responsáveis por boa parte do preço, chegando a custar US$ 5 mil.

As fábricas brasileiras produzem cadeiras de rodas simples e importam as placas eletrônicas que as controlam. A direção das cadeiras é feita por meio de joysticks, que são adequados apenas para pessoas com pelo menos uma mão livre.

Quem perde o movimento das mãos precisa importar instrumentos para dirigir as cadeiras por intermédio de sopros ou usando os dedos, queixo ou punho. O preço do controle de sopro chega aos 1.400,00 euros, segundo os orçamentos encontrados pelo LSI.

Cadeira de rodas elétrica nacional

O módulo que os pesquisadores da USP estão desenvolvendo deverá ter as mesmas funções que os mais caros do exterior. Porém, o custo de produção deverá ser cerca de R$ 300,00 e as configurações serão mais fáceis de entender. Os engenheiros também estão desenvolvendo controles de sopro, (custo esperado de fabricação: R$ 220,00), botões para apertar com os dedos (R$ 20,00) e punhos (R$ 75,00) e touchpad (R$ 65,00 ).

O LSI já produziu e está aperfeiçoando o módulo, touchpad e botões para os punhos e dedos. Falta tornar o módulo capaz de interagir com aparelhos eletrônicos e fazer ajustes de segurança. Também é preciso terminar o desenvolvimento do software que controla a cadeira e do que a configura.

O objetivo dos pesquisadores é concluir os produtos em dezembro e disponibilizar para empresas nacionais a receita de como fabricá-los e os softwares para programá-los.

A maior dificuldade do desenvolvimento tem sido escolher componentes baratos e fáceis de encontrar em lojas no País, explica Marcelo Archanjo, líder da equipe que trabalha no projeto. Para atender essas exigências, o módulo de controle deverá ser um pouco maior do que seria se fosse produzido com os chips vendidos no exterior. Mas deverá ter a mesma qualidade.

Módulo nacional

A pesquisa é fruto de um convênio do LSI com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD). O investimento da secretaria foi de R$ 700 mil.

"A Secretaria está investindo no desenvolvimento de um conjunto de produtos, abrindo caminho para que a indústria invista somente nas etapas de produção" diz Archanjo.

"O ganho não é simplesmente menor custo", diz Marco Pelegrini, Secretário Adjunto da SEDPcD. "O fato de ter um módulo nacional vai facilitar a adaptar a cadeira a cada paciente".

Normalmente, precisam de cadeiras de rodas motorizadas pessoas com distrofia muscular, tetraplegia, paraplegia, síndromes degenerativas dos músculos, paralisia cerebral e amputações

domingo, 8 de agosto de 2010

Aos leitores e leitoras

INFORMO QUE ESTOU AUSENTE POR MOTIVOS DE SAÚDE, PRECISO DE MAIS UMA SEMANA PARA VOLTAR A POSTAR.
AGRADEÇO A COMPREENSÃO

quarta-feira, 4 de agosto de 2010